Dear Sophia
32 XXXI
Notas iniciais
Enfim...
Dedicado à ele ~~obviamente~~. Esperamos que gostem, pois foi... Um tanto polêmico, fazer esse capítulo.
E tá bem grandinho ;)
Beijos!
:3
Pov. Delilah
Ele disse inúmeras vezes que eu não precisava me preocupar. Que tudo correria bem e que todos iriam me adorar.
Não sei não... Não estava muito certa disso.
— Vamos? – Ele perguntou, pegando a chave da moto, enquanto eu acabava de passar o batom nos lábios.
— Uhum. – Respondi, indo até o quarto. Peguei minha bolsa em cima da cama e me assustei com seu peso. Era uma bolsinha pequena e delicada. Geralmente não ando com acessórios assim, mas estava fora de cogitação ir de mochila para a casa da minha sogra.
Abri a bolsa e sorri. O que fazia tanto peso era o livro Little Soph.
Decidi não tirá-lo da bolsa. Nunca se sabe. Talvez eu fique entediada e queira espairecer. Ou talvez algum moleque venha me assaltar... Andar armada não é ruim...
— Delilah? – Nath apareceu no quarto, franzindo o cenho. – Porque a demora?
— Ah... Desculpa, me distraí. – Sorri. – Podemos ir.
Fechamos a porta e descemos os pequenos degraus até a calçada de uma Londres velha e rabugenta.
Ele me ofereceu um capacete e eu o peguei.
— Não acho que isso vai dar muito certo. – Disse, afivelando o objeto.
— Claro que vai. – Ele sorriu, colocando o dele também. – Confia em mim.
— Em você eu confio, meu amor. – Disse, sentando na garupa e tomando o extremo cuidado de não deixar minha calcinha aparecer. Já falei que odeio vestidos? – Não confio nas outras pessoas.
Ele riu e deu partida na moto.
Enlacei sua cintura com meus braços e tentei não pensar no pior.
Afinal, era só um almoço e uma tarde em família... O que demais poderia acontecer?
Pov. Nath
Delilah provavelmente estava se assustando com a distância que estávamos percorrendo. A casa da minha mãe (na verdade da minha vó, mas tudo bem) ficava num local muito afastado do centro de Londres.
Depois de um bom tempo, chegamos. Ah... Aquela casa me trazia lembranças... Boas e más ao mesmo tempo. Ficava num bairro tranquilo sem muito barulho, onde as casas eram simples e as famílias eram felizes. Pelo menos aparentavam isso.
- Que bonitinha – Delilah disse, apontando a casa verde.
- Até que é, se você pensar bem – respondi.
Andamos até a porta da frente, que ficava do lado da grande porta da garagem, passando pelo jardim cheio de rosas da minha vó, e apertamos a campainha.
- Quem é?! – gritou uma voz masculina lá de dentro.
- Sou eu! Nathaniel! – gritei bem alto, pro bairro inteiro ouvir.
“Porque não olharam pelo olho mágico?” Dee perguntou. “Você já, já descobre” rebati. A porta se abriu, e eu vi o meu avô.
- Oi filho – ele apertou a minha mão. Ele estava com uma camisa branca, óculos escuros e com a sua bengala de cego que fazia um “tec tec” insuportável pela casa, quando andava na mesma com ela.
- Essa é a Delilah, minha... Namorada – ok, eu estava com vergonha de apresentar ela pra minha família. Não por ela estar grávida, nada disso, mas sim porque ficava com medo do que minha família iria pensar dela. Levei a mão da Delilah até a mão do meu avô, pois não sabia se ela tinha percebido se ele era cego.
- Prazer em conhecê-lo! – ela falou, com uma cara simpática.
- Entrem! – ele falou, se afastando um pouco.
- Essa é a minha garagem – eu falei, mostrando para Delilah. Sim, a porta de entrada dava na garagem, e ali tinha uma outra porta que levava à sala – tem bastante espaço não?
- Sim, muito – ela falou, olhando a garagem pensativa.
- Que você ta pensando? – perguntei.
- Nathaniel – disse uma voz, vinda da porta que levava à sala. Era minha vó. — Ah, oi vó, tudo bem? – disse meio atrapalhado – Essa é a Delilah, minha... Namorada! – e empurrei Delilah para frente.
- Prazer em conhecê-la – Delilah disse. Minha vó olhava séria para ela, estudando-a.
- O prazer é todo meu – ela disse séria.
Logo, mostrei a casa para a Delilah. Mostrei a sala onde tinham vários retratos bregas de família, a sala de jantar (que ficava quase junto com a cozinha), o meu antigo quarto...
Pov. Delilah
A casa da vó dele era a coisa mais linda! Tinha uma rodinha de gnomos (ou duendes, ou anões... não sei a diferença) no jardim, as prateleiras eram cheias de retratos, o quarto da mãe dele era cheio de pelúcias... A casa era enorme. Lá nos fundos tinha outra casinha. Era onde o tio dele dormia.
Ele entrou no antigo quarto e eu encostei-me à dobradiça da porta. Ele sorria, como se fosse uma satisfação enorme poder ver aquele quarto novamente.
Queria poder sentir o mesmo quanto ao meu antigo quarto.
— Isso é um teclado? – Perguntei, apontando para o canto do quarto.
— Ahan. – Ele sorriu. – E embaixo da cama tem um violão, se não me engano. – Nath disse, abaixando e olhando embaixo da cama. Realmente havia um violão ali.
— Uau. – Sorri.
— Está do jeitinho que eu deixei. – Ele sorriu, abrindo a capa e tirando o instrumento.
— O violão? – Perguntei, me sentindo uma boba.
— Também. – Ele riu. – O quarto não mudou, a casa não mudou, nem minha família mudou...
— Isso é ruim? – Perguntei, franzindo o cenho.
— Talvez... – Ele murmurou, alisando o violão.
Não falei mais, não parecia hora de falar sobre isso.
Depois de um tempo ele colocou o violão na capa novamente e o deixou em cima da cama.
Levantou-se e sorriu para mim.
— Que foi? – Perguntei, enquanto ele me puxava para dentro do quarto.
— Você está tão bonita. – Ele sorriu.
— Estou? – Perguntei, levantando uma sobrancelha e dando um sorriso torto. – Então eu só estou agora? Não estava bonita ontem?
— Pra que simplificar? – Ele perguntou, enquanto eu entrelaçava os dedos em sua nuca. – Complicar é melhor.
Sorri.
— Estou brincando.
— Eu sei. – Ele estirou a língua e riu, selando nossos lábios calmamente.
— NATHANIEL? – Ouvi um grito vindo de não muito longe. Provavelmente da garagem. – NATHANIEL, CADÊ VOCÊ?
— TO INDO MÃE! – Ele gritou de volta, pegando em minha mão e me puxando para fora do quarto.
Pov. Nath
Minha mãe. Sempre estragando meu clima com as garotas. Ela estava na sala.
- Oi m-mãe, onde você tava? – perguntei, com um sorriso um tanto falso.
- Fui no mercado, comprar açúcar que estava faltando, já que não podemos mais pedir pra vizinha...
Fiz uma cara de “longa história” para Delilah. E lembrei que tinha de apresentar Delilah para minha mãe.
- Mãe, essa é a Delilah, minha... Namorada.
- Mais uma filho?
EU NÃO ACREDITO QUE MINHA MÃE DISSE ISSO.
- Ma-ma-ma-mas como assim outra?! E-ela é, bem, é...
- Prazer em conhecer a senhora – Delilah me cortou, e cumprimentou minha mãe.
Ficamos em silêncio na sala, um olhando pra cara do outro. Logo, peguei na mão da Delilah e disse:
- Bem, vamos lá no quarto, e...
- Não senhores, venham aqui na cozinha ajudar a terminar o almoço!
Fomos todos para a cozinha apertada. E não tinha quase nada pra ajudar lá, estava tudo quase pronto. Delilah perguntou para minha vó o que precisava fazer, e consequentemente as duas ficaram conversando. Aproveitei a deixa para falar com a minha mãe.
- Mãe, viu aquilo que deixei no seu quarto? – falei bem alto.
- O que?
- Vem cá ver – peguei no braço da minha mãe e a puxei para o quarto.
Quando chegamos, eu disse:
- PORQUE você disse aquilo?!
- O que mais eu podia dizer? E Marianne? O que você fez com ela?
- Nós terminamos...
- Por quê? Ela era uma moça de bem, bonita, ajeitada, simpática...
- Mas eu gosto da Delilah! E... Eu tenho de ficar com ela.
- Tem? Por acaso vão te matar se você não namorar ela?
- Claro que não, mas...
- VENHAM ALMOÇAR – escutei o grito da minha vó, vindo da cozinha. Ela sempre gritava assim.
Parei de falar com a minha mãe, e fomos para o que seria um almoço... Bom? Ruim?
Pov. Delilah
A avó do Nath podia ter aquele jeito sério e tudo mais, mas... Não posso negar. Ela tinha mão firme.
Ficamos conversando sobre culinária, serviços de casa e coisas assim.
Contei para ela que eu vinha de uma família bem de vida – Não tive coragem de falar que era a Phelps, uma das mais influenciáveis famílias de Londres – e que minha... Blergh... Mãe, nunca tinha me ensinado a cuidar da casa, porque pagava empregadas e tudo mais.
A senhora me olhou com olhar duro. Senti como se um raio-X estivesse saindo de seus olhos. Por fim ela disse que se fosse minha vó, daria uma boa lição para minha mãe.
Pedi, de coração, que isso pudesse acontecer algum dia. Seria ótimo ver aquela senhora durona dando umas boas lições de moral para a dona Monique. Seria hilário. Para mim, claro.
Ela deu um grito da cozinha e chamou Nath e sua mãe para almoçar.
Nos sentamos à mesa e eu comecei a observar que aquela família – por mais que eu tenha sentido que a minha sogra não tenha gostado de mim – era muito mais harmoniosa que a minha.
A mãe e a vó do Nath conversavam e não pareciam precisar de oxigênio. Não paravam de falar e especular, saltando de um assunto para o outro.
Na maioria das vezes, eram histórias de quando Nath tinha seus 14, 15 anos. Ou de quando era bebê. Ou então a mãe dele soltava algo sobre a Marianne.
É claro que eu percebi como ela gosta daquela menina.
Não estava prestando muita atenção na conversa. Mas comecei a abrir os ouvidos quando ouvi o nome de minha família.
“(...) aquela mansão enorme que fica lá pro lado dos ricos, mãe.” Minha sogra falava. “Soube que uma das filhinhas deles foi chutada de casa...”
“Tem certeza?” A avó perguntou. “Ouvi que a menina brigou com o pai e saiu de casa aos gritos...”
“Não, não.” A outra teimou “Tenho quase certeza que aquela garota foi chutada de casa. Também, do jeito que aquela família é nariz empinado, a garota deveria ser mais mimada que a rainha...”
Peguei o copo de suco e estava tomando um longo gole – e tentando me acalmar – quando ouvi a mãe de Nathaniel falar: “Acho que a menina não está mais naquela casa porque se envolveu com um drogado, ou algo assim, um maloqueiro por aí, e ficou grávida...”
Engasguei com o suco e levei um guardanapo à boca, enquanto tossia.
Senti uma perna roçar na minha. Olhei para o lado e encontrei Nathaniel olhando ternamente para mim.
Sorri e me acalmei, sentindo o olhar da mãe dele sobre nós.
— E então... Delilah... – A avó dele disse, cortando o silêncio repentino. – O que sua mãe faz?
— Nada. – Respondi, sentindo muito vergonha de minha origem.
— Não trabalha? – Minha sogra perguntou, estreitando os olhos.
— Não. – Respondi, olhando-a firmemente. – Ela não precisa trabalhar, e nem acho que tenha vocação para isso.
— E faz o que o dia inteiro? – A avó perguntou, acho que sarcasticamente.
— Ralha com as empregadas, vai ao salão de beleza, no shopping, discute com meus irmãos... – Contei, sabendo que aquilo não seria bom aos ouvidos daquelas senhoras. Mas seria muito pior se eu mentisse e falasse que a idiota da minha mãe trabalha e sustenta nossa casa. E é uma mãe presente e carinhosa. Monique Phelps? Tudo isso? HAHAHAHA.
Pov. Nath
“MÃE, VÓ, CALEM A BOCA POR FAVOR” era o que eu pensava. Elas iam espantar a Delilah dali, eu tinha certeza.
Depois de algum tempo comendo, quando todos terminaram, levantei e disse:
- Eu e Dee vamos lá no quarto, a gente...
- E a louça? – minha mãe me cortou – nós fizemos o almoço e tudo mais, e vocês é quem tem de...
- Vamos lá no quarto e pronto – peguei na mão de Delilah – vou, é, hum, mostrar meus antigos Legos pra ela.
E fomos, nós dois para o quarto. Cara, como eu era bom em puxar as pessoas para um canto para conversar sobre assuntos friamente particulares.
Fiz Dee sentar na cama, e me ajoelhei na frente dela, com a cabeça baixa.
- Desculpa pelo o que elas disseram, mesmo, eu tava morrendo de vontade de fazer aquelas duas ficarem quietas.
- Não esquenta amor, provavelmente todo mundo na cidade pensa assim...
- Garanto que não – mostrei a língua pra ela – e você me desculpa mesmo? Ou vou ter de fazer algo especial pra ganhar seu perdão? – coloquei um tom malicioso na voz. Delilah riu (o riso dela era a coisa mais perfeita do mundo).
- Não sei... Vou pensar no seu caso – ela falou com um sorriso, e nos beijamos.
Conseguimos nos beijar, finalmente. O beijo dela era macio, doce, tudo de bom. Podia ficar o dia inteiro naquele amasso.
Pov. Delilah
- Amor... Não te mostrei aquela casinha lá nos fundos, onde meu tio dorme... Quer ver? – Ele me perguntou.
Sorri.
— Vamos para a cozinha, Nath. Eu posso ter nascido em uma família esnobe, mas sei que é falta de educação não ajudar com a louça. – Disse, enquanto ele levantava do chão. Saímos do quarto de mãos dadas.
Ele me levou até a cozinha e eu vi minha sogra olhar para nós com uma sobrancelha erguida.
— Agora decidiram vir ajudar? – Ela perguntou.
Sorri simpaticamente, sem me importar com seu jeito. Já estava acostumada com coisa pior.
Ela foi para a sala e eu comecei a lavar a louça, enquanto Nathaniel ia guardando.
Fizemos guerra com água, espuma voou para todos os lados, o avô dele apareceu uma hora, me elogiando... Eu corei até o dedão do pé. Já estávamos quase acabando a louça quando ouvimos uma música conhecida. “She’s got a ticket to ride...” escutamos o celular dele tocando.
- Alô? – Ele perguntou, equilibrando o aparelho em um ombro e secando um copo com a mão.
Pov. Nath
- Nath... – ouvi a voz de Marianne.
- O que você quer? Não estou podendo conversar agora.
- Nathaniel, por favor... – escutei ela dizer baixinho. Estava chorando, e muito. Soluçando até.
Fiquei com um tanto de... Pena dela. Eu não gostava, não amava ela de jeito nenhum, mas não era bruto a ponto de deixar ela lá, triste. Disse para Delilah que iria na garagem rapidinho, para eu falar com Marianne. Graças aos céus, Dee não perguntou quem era no telefone.
- O que aconteceu? – perguntei, quando cheguei na garagem.
- O Gregory, meu... Quase-namorado... Meio que... Me violentou...
- Como assim Marianne? Explica melhor! – falei. Como assim ela foi... Violentada?
- Eu tava namorando com ele sabe, na minha casa, só nós dois. Ele tava tão fofo, tão... Tudo, mas de repente ele começou a pegar em mim, nas minhas pernas, no meu corpo... Eu disse que não queria, mas ele era mais forte. Ele tirou a minha camiseta, e eu me afastei. Ele me pegou, eu tentei me soltar e ele me bateu... Quando viu que meu pai tava chegando em casa, ele me bateu mais ainda, disse “da próxima vez, você vai ver” ou algo assim, e foi embora. Eu me tranquei no banheiro pro meu pai não me ver daquele jeito...
- Mari, calma, eu...
- Eu to tão carente... Eu achava que ele me amava de verdade, ia tudo tão bem... E eu ando com tanta saudades suas...
- Calma ta bem? Não entre em pânico! Olha, quando eu puder, passo aí ou te ligo, é que agora...
- Nathaniel, o que você ta fazendo? – minha mãe perguntou na porta da garagem – vai deixar a Delilah lavar tudo sozinha?
- Não... Não vou mãe – falei, desliguei o celular e fui para a cozinha.
Pov. Delilah
Nathaniel não ficou muito tempo longe, mas eu cheguei a ficar preocupada. Quando a mãe dele passou por mim de cara feia e foi na garagem, pensei se ela falaria mal de mim.
Um minuto depois ele estava de volta.
— Trabalho? – Perguntei, secando as mãos.
— Não. – Ele respondeu, cabisbaixo.
— Que foi, meu amor? – Perguntei, indo até ele e colocando os dedos em seu rosto. Ele pegou em minhas mãos e sorriu para mim. Mas o sorriso não chegou nos olhos. – Quem era no telefone?
— Marianne. – Ele suspirou. Senti um fervor subir até a cabeça.
— Que ela falou? – Perguntei, tentando não parecer chateada, ou enciumada.
— Que foi violentada por um tal Gregory. – Ele encolheu os ombros. – Ela tava chorando mesmo...
Me afastei dele e olhei profundamente em seus olhos.
— Violentada? Como assim?
Ele me contou o que ela havia dito e eu permaneci calada. Não respondi quando ele perguntou se eu estava bem.
Não. Eu não estava bem.
— Ela falou que sente sua falta? – Perguntei.
— Uhum. – Ele respondeu, franzindo o cenho. – Por quê?
— Já passou pela sua cabeça que ela pode estar mentindo? – Perguntei, juntando as sobrancelhas.
— Não sei não. – Ele passou a mão na nuca. – Quer ir ver a casinha lá nos fundos?
Assenti e ele me deu a mão. Antes de começarmos a andar, eu o puxei para um abraço. Enterrei meu rosto em sua camiseta e senti seus dedos acariciarem meu couro cabeludo.
— E se ela te quiser de volta? – Perguntei, ainda com o rosto enterrado em sua camiseta.
— Vai ter que esperar pela próxima encarnação. – Ele respondeu, beijando minha testa.
Sorri e beijei seus lábios delicadamente.
— Não posso te perder. – Disse, olhando em seus olhos. – Não posso te perder, Nath.
— Não vai. – Ele sorriu. – Prometo. Vamos?
Pov. Nath
Entramos na casinha. Era pequena, com apenas 3 cômodos (uma sala, um quarto e um banheiro minúsculo). Aquela casinha era uma “casinha de bagunça” onde tinha todo o tipo de bugiganga. Não sei porque ainda meu tio dormia ali, se havia um quarto livre na casa principal.
- Quantas coisas – Dee disse, olhando para tudo. Para o cortador de grama, a churrasqueira velha, uma estante cheia de livros, etc. e tal.
- Poisé... – respondi, olhando para tudo também. Então, percebi que eu e ela estávamos longe de todos e sozinhos ali. Chamei a menina enquanto fechava devagar a porta – Delilah...
- Que é? – ela se virou para mim, e me viu fechando a porta devagar.
Fui na direção dela, peguei-a pela cintura e dei um selinho.
- Nunca vou te trocar pela Marianne, ta bem?
- Será?
- Com certeza. Deixa eu te contar um segredo – falei, e me aproximei do ouvido dela. Sussurrei – eu amo você Delilah.
Ela deu um sorriso, e eu beijei a orelha dela. Da orelha, desci para o pescoço, e fui aumentando a intensidade do beijo.
- Aqui? Tem certeza? – ela perguntou, passando a mão nos meus cabelos.
- Só se você quiser – parei de beijar e olhei para ela. Nossos rostos estavam a poucos centímetros um do outro.
- Claro que eu quero – ela respondeu, e nos beijamos. Só assim, a Delilah já me deixava excitado.
Pov. Delilah
Fomos até o quarto e eu deitei na cama. Nath deitou sobre mim e nos beijamos intensamente.
— Isso não é certo. – Sorri, enquanto ele beijava e mordiscava meu pescoço.
— Olha para minha cara de preocupado. – Ele me encarou com uma sobrancelha levantada.
Ri e tomei seus lábios novamente.
Eu não sabia até onde iríamos. Mas seria embaraçoso se aquelas senhoras nos vissem “desajeitados”, por assim dizer. Ainda mais depois de todas as provas que a senhora Coller deu sobre seu desgosto explícito por mim...
Ele desabotoou meu vestido e o abaixou até minha cintura, parou e encarou minha barriga.
— Que foi? – Perguntei, juntando as sobrancelhas.
— Nada. – Ele sorriu, beijando minha barriga carinhosamente. – Só estou pensando no Cusfofo.
Não respondi, mas estava feliz e sorridente. Senti ele passando as mãos embaixo do sutiã e agarrando meus seios.
Fechei os olhos e mordi o lábio.
Comecei a arranhar suas costas e a ir com os dedos até seu cinto. Ele gemeu e sorriu. Senti sua língua começar a brincar com meu mamilo e seus dentes fazerem parte dessa dança também.
Puxei o moreno pelos ombros e o beijei com intensidade. Suas mãos foram até minhas coxas e começaram a acariciá-las, fazendo meu corpo inteiro se arrepiar.
— Melhor pararmos. – Disse, enquanto ele beijava minhas pernas.
— Por quê? – Ele perguntou, sem parar de me beijar.
— Sua mãe... – Consegui dizer em meio ao prazer. – Su... a... avó...
— Elas não vêm aqui. – Ele sorriu, deslizando a calcinha lentamente.
— Mesmo assim. – Retruquei, já me contorcendo de prazer. Minhas vontades contrariavam totalmente o que eu falava. Eu queria Nathaniel, ali, naquela hora, de qualquer jeito. Mas a lógica também queria me dizer que não seria coisa de se orgulhar, fazer sexo com Nath na casa do tio dele, na primeira vez que visitei seus parentes...
Ele começou a roçar os lábios em minha pele e...
- NATHANIEL! – ouvi alguém gritar lá de fora.
Pov. Nath
Porque alguém tinha de estragar aquele momento?
Eu sei que não era bem certo fazer AQUILO naquele momento, neste lugar, mas... Seria bom não?
A voz que gritou lá de fora era familiar. Que ironia uma voz dentro da minha casa soar familiar. Mas não era a voz da minha vó nem da minha mãe... Então, só podia ser uma pessoa. Logo, paramos de cogitar quem era e nos arrumamos. Escutei a porta abrindo, e falei bem alto:
- Bem, e esse é o quarto do meu tio, Delilah. É bastante bagunçado como eu estava contando, não?
- Ah... Sim, claro! – ela concordou rapidamente, obedecendo o meu “dance conforme a música”.
- Vocês dois! Que saudades! – minha irmã Alley disse quando nos viu.
Ela me abraçou muito forte (como sempre) e depois abraçou Dee.
- O que vocês dois estavam fazendo aqui hein? – ela olhou pra gente com uma cara maliciosa.
- Prefiro não comentar – falei, e nós três rimos.
- Brincadeira mano, sei que vocês nunca em sã consciência fariam isso – ela falou me dando um soquinho no ombro.
Não sabia que disfarçávamos tão bem assim.
- Porque não veio almoçar Alley? – Delilah perguntou pra ela.
- Ah, eu tava muito ocupada com o trabalho da faculdade sabe, na verdade ainda estou mas queria muito ver como vocês estão...
- Que fofa mana! – falei, e peguei na bochecha dela.
- Que isso – ela falou – você tinha que ver Delilah, como o Nath era grudado em mim quando era menorzinho, não saía de perto de mim um segundo quando...
- HEY, ela não precisa saber disso ok?! – falei.
- Mas agora fiquei curiosa, continue Alley – Dee falou, me provocando. Como eu amava aquela garota.
- Vamos subir gente?! – falei, antes que Alley contasse uma história vergonhosa da minha infância grudada na saia da minha irmã mais velha.
Pov. Delilah
Eles – qualquer um dos dois – ainda vão me contar aquela história. Vão sim, ou não me chamo Delilah Lilith Phelps.
— Alley, vai comer. – A avó deles disse, assim que entramos na sala.
— Não estou com fome, vovó. – A morena sorriu, indo para a poltrona onde a senhora estava.
— Não é um pedido ou sugestão. – A mulher respondeu, fechando a cara enquanto Alley sentava em seu colo. – AI!
— Também te amo, vovó. – Ela disse, dando um beijo estalado na bochecha da senhora.
A avó deles revirou os olhos e Alley sorriu.
— Onde está o tio? – Ela perguntou.
— Deve ter saído para a academia. – Minha sogra deu de ombros, enquanto Nathaniel entrelaçava seus dedos contra os meus.
Vi a senhora olhar feio para essa cena, se detendo dois segundos a mais em minha barriga.
Será que estava mais saliente do que eu achava...?
— Alley, o que você faz mesmo? – Perguntei, tentando ignorar o olhar a laiser que a mãe dele me lançava.
— Faculdade de medicina. – Ela sorriu. – Vou ser pediatra.
— Que lindo! – Exclamei, sorrindo.
— Sim, sim. – Ela sorriu, piscando um olho. – Será bom para certas pessoas, não é mesmo?
Olhei para ela com os olhos arregalados.
— Eu contei. Espero que não se importe. – Nath sussurrou em meu ouvido, apertando sua mão contra sua minha com mais força.
Sorri e balancei a cabeça.
— Tudo bem.
— Nathaniel, posso falar com você por um minuto? – A mãe dele pediu, levantando do sofá.
Pov. Nath
Fomos para o quarto da minha mãe. O que ela diria agora? Se fosse para falar mal da Delilah de novo e puxar o saco da Marianne, eu iria embora.
- Nathaniel, quem é essa menina? O que ela pensa se agarrando com você assim na nossa frente?!
- Se agarrando? A gente não estava se agarrando, só estávamos de... Mãos dadas!
- Mas logo iriam começar a se agarrar, com certeza.
- Mas...
- Nathaniel, porque você não... Volta com a Marianne? Essa Delilah parece tonta, ri de tudo, boba-alegre, atirada e até meio gorda.
- Ela não está gorda, está grávida! – deixei escapar. Minha mãe parou de falar por um minuto, e soltou um:
- HÃ?! COMO ASSIM!?
A pior coisa que minha mãe temia era isso: que eu trouxesse uma garota grávida para casa. Ela com certeza iria pirar agora, já estava pirando na verdade. Poderia fazer qualquer coisa: expulsar Delilah com a vassoura daqui; me bater até não existir mais pele no meu corpo; ou ainda bater na minha vó, por um motivo que só ela saiba.
Provavelmente, fiz a coisa mais louca da minha vida. Saí correndo do quarto da minha mãe, fui para a sala, peguei no braço da Dee e a puxei.
- VAMOS! – gritei, e ela fazia uma cara de quem não estava entendendo.
- Vamos aonde Nath?! O que aconteceu?!
- Depois te explico, vamos AGORA!
- NATHANIEL JAMES COLLER! – escutei o grito da minha mãe vindo do quarto.
Finalmente Delilah levantou e íamos sair correndo. Íamos, pois escorreguei no tapete e caí de bunda no chão. Levantei escutando Alley perguntar:
- O que ta acontecendo?! – em seguida, Delilah disse:
- Nathaniel, eu não vejo motivo pra gente...
Não deixei ela terminar. Peguei ela no colo e saímos pela porta da garagem. Eu não era o homem mais forte do mundo, mas conseguia carregar a Dee, afinal ela não era tão pesada, mesmo grávida.
- MALUCO! – Delilah gritava enquanto eu saía correndo pela porta da frente com ela no colo.
- NATHANIEL! – escutei minha mãe gritando, vindo atrás da gente.
Graças aos céus, chegamos até a moto. E percebi uma coisa.
A chave da moto. Tinha deixado dentro da casa.
Soltei Delilah e entrei em pânico. Mas ainda havia uma esperança: à uns 100m da casa havia um ponto de ônibus. E o ônibus estava lá, parado esperando uma velhinha subir. Peguei na mão de Dee e gritei para o motorista esperar. Delilah subiu primeiro no ônibus, e depois fui eu, que tropecei, caí, e bati o queixo nas escadinhas. O motorista riu de mim, como se já não fosse engraçado o suficiente.
Pov. Delilah
O QUE FOI TUDO AQUILO?!
— Nathaniel! Me diz o que foi aquilo! – Exigi, enquanto sentávamos no banco e eu massageava seu queixo.
— Depois. – Ele prometeu. – Depois...
Senti um tremor na barriga, e abri a bolsa, ainda olhando preocupadamente para Nathaniel.
Peguei o celular e atendi.
— Alô?
— Dee? – A voz de JJ soou.
— Jason? Que foi? Tá tudo bem?
— Sim, sim. – Ele respondeu com voz abafada, enquanto eu pegava nas mãos de Nathaniel. – Dee... Você precisa vir aqui. Tem como vir amanhã? Pode trazer seu namorado, é que eu preciso urgentemente falar com você... Não só eu... Mas enfim...
— É... Acho que sim. – Murmurei, ainda hiperpreocupada com Nate. – Nós vamos amanhã.
— Ok. – Ele pareceu aliviado. – Tchau!
— Tchau. – Respondi, encerrando a chamada e passando a mão no rosto do moreno. – Você é louco, Nathaniel...
Notas finais
MUAHUAHUAHAUHAUHA
Só amanhã u.u
Beijos!
õ/
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