Dear Sophia
27 XXVI
Notas iniciais
Sim, eu atrasei.
Não, não foi de propósito.
Sim, eu vou repor.
Sim, vai ser hoje.
Sim, já estou enchendo o saco.
Meus amores!
Aqui está o primeiro capítulo de hoje. Postarei dois essa noite.
Espero mesmo que gostem.
...
ALLEY COLLER, MINHA CUNHADA LINDA! OBRIGADA PELA RECOMENDAÇÃO!!! *o*
Pirei aqui. Mesmo.
Ain gente... OITO recomendações...
Eu não mereço... ~~snif, snif~~
Espero que gostem.
Alley, meu amor, capítulo pra vc ;)
♥
Eu não conseguia parar para pensar em outra coisa.
Tudo se voltava para somente uma coisa; O bebê.
O meu bebê.
Suspirei e levantei do colchão.
No meu “quarto” só havia duas caixas e um colchão. Uma só de roupas e outra de coisas que eu colocaria de enfeite quando comprasse os móveis.
Por mim, mudaria daquela casa. Não por ela não ser boa, mas... Por ela me trazer lembranças do Brendon.
Aliás, como ele pôde?
E como eu fui tão idiota em acreditar nele?
Bem que eu poderia ter escutado o JJ. Mas não! Delilah Lilith Phelps, a garota mais teimosa do planeta Terra ao seu dispor.
Fiquei de pé e andei até o banheiro. Eu estava péssima.
Quase levei um susto quando me vi no espelho.
Meus lábios incrivelmente rosados estavam sem cor, minha pele pálida, meus cabelos sem vida, meus olhos com olheiras profundas...
Eu não estava fazendo bem para mim mesma.
“Ainda bem que hoje não tem aula.” Suspirei. “Não quero ver aquele guri na minha frente. NEM PINTADO DE OURO!”
Enrolei meu cabelo em um coque e joguei água no rosto. Me enxuguei e saí de lá com a cabeça baixa.
Tirei o pijama e coloquei um vestido qualquer que achei.
Peguei as chaves da casa e estava abrindo a porta, quando a campainha tocou.
Levei um susto.
Olhei no olho mágico e suspirei, aliviada.
— Oi? – Abri a porta, olhando o moreno na minha frente.
— Vim aqui te buscar. – Meu irmão sorriu, me dando um beijo na bochecha.
— Para irmos aonde? – Perguntei. – Estava indo almoçar.
— Vamos para casa. – Ele respondeu. – Quero dizer... Para minha casa... Monique quer ver você. Falar contigo.
— E porque, em santa consciência, eu iria? – Perguntei, cruzando os braços e encostando o corpo na dobradiça da porta.
— Porque é sua mãe. – JJ respondeu, fechando a cara.
Revirei os olhos e dei espaço para que ele entrasse.
— Está... Vazio, não? – Ele disse, olhando ao redor. – Mas a cor da parede ficou legal.
— Obrigada. – Sorri. – Eu joguei fora as coisas do Brendon. – Dei de ombros, enquanto o via arregalar os olhos.
— Sério? – Ele perguntou.
— Ahan. – Respondi, olhando para o chão.
— E quando vai mobiliar? – JJ perguntou, indo para a cozinha.
— Estou juntando dinheiro para comprar algumas coisas. – Respondi.
— Mas aqui não tem nem geladeira. – Ele gritou da cozinha.
— Eu como na lanchonete. – Gritei de volta.
JJ voltou e parou na minha frente. Eu sabia o que ele queria.
— Não. – Falei, interrompendo quando ele iria abrir a boca.
— Você nem sabe o que eu ia falar. – Ele levantou uma sobrancelha.
— Sei sim. – Estirei a língua. – E eu não vou. Ponto final.
— Quando vocês vão acabar com isso? – Ele murmurou, me olhando fixamente.
— Jason... – Falei, meio que fazendo manha.
— Vamos. – Ele pediu, pegando em minha mão. – Maninha, você sabe muito bem que não falar com ela... Não enfrentar o problema, só deixa tudo pior.
Fiz bico e ele riu.
— Vamos logo. – Ele disse, pegando a chave de minha mão e me puxando para a rua.
De má vontade, fui até o carro e deixei que ele fechasse a porta.
Pelo caminho conversamos animadamente. Falamos sobre tudo. Sobre o tempo (eu sei, falta de assunto é difícil de suportar), Samantha e Charles, “Mamãe e Papai” e falamos também sobre como JJ tentou explicar pela zilionésima vez que queria ser jornalista, em vez de gerenciar a empresa de nosso pai.
— Ele não consegue entender. – JJ desabafou, batendo com força contra o volante. – Não vê que o mundo não gira em torno dele. Eu tenho o direito de escolher o que fazer da vida, sim!
— Acho que nunca te vi com tanta certeza na vida. – Sorri.
Ele retribuiu o sorriso e parou o carro.
Nem precisou anunciar que havíamos chegado. Eu já sabia.
Só de perceber que a paisagem estava mudando, de sobrados e casinhas pequenas e modestas, para casarões e mansões cheias, eu sabia.
— É agora. – Suspirei.
Desci do carro e caminhei lentamente até os degraus que davam caminho para a entrada.
Olhei para a grande e majestosa porta de carvalho e senti o coração apertar.
— Muitas lembranças? – JJ arriscou, destrancando a porta.
— Não necessariamente boas. – Respondi, entrando.
A casa não estava quieta, como da última vez em que eu havia entrado.
Claro, eu havia entrado escondida, enquanto ninguém estava em casa.
— Mamãe, cheguei! – Jason gritou, fechando a grossa porta de madeira atrás de nós.
— Venha cá, Joey! – Ouvi a voz fina e polida de minha mãe. Ela não gritou, só falou alto. Como sempre fazia, quando queria chamar alguém sem escândalo. “O que os vizinhos pensariam, se me ouvissem gritando como uma mulher desequilibrada?” Ela dizia.
Andamos sem pressa até a sala de visitas.
Minha irmã estava sentada em uma poltrona, ao lado da lareira. Com Puskas, nosso gato, enroscado em seu colo. Ela alisava seu pelo listrado distraidamente. Ela ainda não havia me visto. Olhava fixamente para o chão.
Virei um pouco e consegui avistar meu pai em uma cadeira de balanço, lendo seu jornal. Seu rosto se escondia atrás das manchetes.
Poucos metros mais perto de nós dois, estava a impecável cabeça loira de minha mãe.
Estremeci ao ver seus cachos loiros cheios de spray.
— Jason Joey, estávamos te esperando para almoç... – Ela disse, levantando. Mas sua voz morreu assim que me viu.
Soltei meu cabelo e os cachos desarrumados bateram no meio de minhas costas.
— Delilah? – Ela perguntou, quando recuperou a voz.
Como se fosse um ímã, seus olhos verdes rolaram para minha barriga.
— Você está... Magra. – Ela disse, dando dois passos para perto de nós.
Assenti levemente com a cabeça. Avistei meu pai abaixar o jornal lentamente.
Puskas saltou do colo de Samantha, quando ela se levantou.
— Achei que estaria... – Ela disse, retomando o ar esnobe. Agora olhava meus olhos.
— Parecendo uma baleia? – Perguntei, enrolando uma mecha de meu cabelo atrás das costas.
Ela não respondeu. Me encarou longamente.
Um silêncio extremamente desconfortável se instalou entre nós.
— O que houve com... A coisa? – Ela perguntou, cuspindo as palavras e retorcendo o nariz.
— O bebê? – Perguntei, levando a mão direita para minha barriga inconscientemente. – Está aqui.
— Mas... – Sammy começou a dizer, dando três passos.
— Só que era um alarme falso. – Olhei para Monique com uma sobrancelha levantada. – Não é mesmo, mamãe?
Ela fechou a cara e entortou ainda mais o nariz, estreitando os lábios em uma linha fina de desgosto.
— Porque não almoçamos logo e deixamos que o assunto surja naturalmente? – Meu pai disse, não como uma pergunta. Mas como se colocasse um ponto final naquilo, de uma vez por todas.
— Não foi trabalhar hoje, papai? – Perguntei, passando direto por minha mãe, como se nada tivesse acontecido.
— Tirei uma folga. – Ele sorriu, puxando uma cadeira na mesa para que eu me sentasse.
Samantha sentou ao meu lado e JJ na minha frente.
Nossos pais sempre ficavam nas extremidades da mesa. Acho que para nos lembrar “quem mandava naquela casa”.
A salada chegou e nós comemos em silêncio.
Quando o prato principal estava quase acabando, minha mãe limpou a boca com o guardanapo e senti seus olhos me perfurando.
Continuei comendo, como se não notasse.
— Algum problema, mamãe? – Perguntei, após engolir um pedaço enorme de carne.
— Poucos meses fora de casa e eu vejo que já virou um porco. – Ela disse, apoiando as mãos no colo.
— Se eu não tivesse sido expulsa da mansão Phelps, talvez estaria pior. – Retruquei, olhando meu prato quase vazio.
Monique olhou para mim com um nojo inexplicável.
Havia ódio em seus olhos. Podia facilmente imaginar fumaça saindo por suas orelhas e narinas.
— Monique, Delilah, por favor. – Meu pai pediu, almoçando tranquilamente.
Não respondi, continuei comendo.
Quando acabei, pedi licença e retirei o meu prato, indo até a cozinha.
Sabia que isso é mais um motivo para deixar minha mãe brava? Ela fala que isso é trabalho de empregada.
Como eu sabia que aconteceria, ao virar minhas costas para a mesa, escutei sua voz me chamar.
Virei com toda a inocência que consegui acumular e perguntei “O que foi, mamãe?”. Ela, em resposta, perguntou se eu havia esquecido os modos.
Com um sorriso no rosto, fui até ela e peguei seu prato também, empilhando em cima do meu.
Virei e fui até a cozinha, deixando os pratos na pia.
Jill me olhou como se eu tivesse perdido a sanidade.
— A Senhora vai ficar muito nervosa, Delilah. – Ela disse, com os olhos arregalados.
— Eu sei, Jill. – Pisquei um olho e sorri. – Mas pense pelo lado bom, é um trabalho a menos para você!
Ela deu um sorriso sem graça.
Voltei para a sala de jantar e vi que meus irmãos – E ATÉ MEU PAI – estavam fazendo o mesmo que eu. Os três passaram por mim com seus pratos e talheres na mão.
Dei dois passos e encontrei o olhar de minha mãe.
— Preciso dar uma palavrinha com você, Lilith. – Ela disse, levantando-se da mesa e indo até a sala.
Segui a loira pela escadaria, pelos corredores e, finalmente, entramos no quarto que costumava ser meu.
— O que foi? – Perguntei, cruzando os braços.
— Menininha insolente. – Ela resmungou, fazendo menção de agarrar meus cabelos.
Fui para trás instintivamente e olhei para ela com as sobrancelhas erguidas.
— Monique Phelps perdendo a pose? – Perguntei, dando um meio sorriso.
Ela abriu a boca mas eu a cortei.
— Olha, mamãe... – Comecei, olhando fixa e profundamente para suas órbitas esverdeadas. – Eu não sei por que você pagou para tantos médicos dizerem que eu estou grávida. Talvez você me quisesse longe daqui. Talvez sua mente insana tenha me confundido com algum tipo de alienígena. Talvez você nunca quisesse que eu nascesse... – Fui dizendo, cada vez chegando mais perto dela. – Talvez você nunca tenha me amado, Monique... Mas eu agradeço por ter conseguido um motivo para sair daqui. Agradeço a Deus por ter me livrado de você. Agradeço por não ser obrigada a chegar perto de você todos os dias e fingir que estou bem com essas indiretas que você joga contra mim. Minha beleza nunca foi suficiente, minha personalidade, pior ainda. Meus atos foram insanos para você, e minhas palavras, hediondas. – Vociferei. Chegando bem perto dela. – Mas tudo isso valeu a pena. Porque estou, finalmente, livre de você.
Continuamos nos encarando fixamente por algum tempo. Até eu me afastar lentamente e fazer menção de ir embora.
— Eu nunca disse que não te amo. – A ouvi dizer. Suspirei e continuei de costas. – Eu nunca disse que o que você faz é insuficiente. Eu nunca pedi para você ser mais...
— AH NÃO? – Perguntei, girando nos calcanhares e olhando para ela com muita raiva. Além de mentirosa, era cínica também? – E O QUE FOI TODOS ESSES ANOS DE REPREENSÃO? EU JÁ PERDI A CONTA DE QUANTAS VEZES VOCÊ JÁ ME MENOSPREZOU! DE QUANTAS VEZES ME ESNOBOU... – Gritei, sentindo, o sangue correr nas veias.
Ela me olhou de um jeito que eu nunca havia pensado vir dela.
Monique Phelps me olhou com lágrimas nos olhos.
— Por quê? – Perguntei, ignorando as lágrimas de raiva que começaram a descer por minhas bochechas. Ignorei também as mãos de minha mãe que começaram a tremer. – Por que sempre foi assim? Porque tudo o que eu fiz, não adiantou de nada? Porque você nunca disse que me amava? Porque eu nunca fui seu orgulho? – Perguntei, tentando me acalmar.
Ela abriu e fechou a boca incontáveis vezes.
Já tinha perdido as esperanças de ouvir uma explicação vinda dela. Virei minhas costas para ela e dei um passo em direção à porta.
Eu ia embora.
Eu nunca ia voltar.
Eu nunca iria saber o motivo de tanto ódio.
Mas... Eu também não queria olhar para aquela tirana nem mais uma vez.
Fiz menção de dar outro passo, quando uma bomba me atingiu.
Não era bomba de gás. Nem de pimenta. Nem uma bomba nuclear.
Mas uma informação. Aquilo que eu sempre quis saber.
— É porque você não é filha do George. Você é fruto de um caso que eu tive.
Notas finais
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♥
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