Dear Sophia
26 XXV
Notas iniciais
O atraso foi proposital.
Não vou pedir desculpas pq eu não postei sábado de propósito u.u
Capítulo, totalmente, especialmente e lindamente (?) dedicado à Jonathan Bemol. Afinal, me aturar por 6 meses não é fácil xD
Parabéns, amor. A você, e a nós xD
Alley Coller, não esqueci de você.
AMEI SUA RECOMENDAÇÃO, MINHA LINDA!
Aaaawn... Te amo tanto *-*
Enfim...
Me desculpem, mas o encontro com a Monique só vai ser sábado.
Espero que gostem do capítulo, eu amei fazê-lo! *O*
Aliás, POV. Nathaniel feito pelo Jonathan xD
♥
– E onde estamos indo, senhor? – Perguntei, enquanto ele cortava o ar com sua moto.
– Já disse que é surpresa. – Ele disse, fazendo uma curva.
Sorri e coloquei as mãos por baixo de sua camiseta, fazendo-o estremecer.
– Tem certeza que não vai me contar? – Sussurrei, apoiando o queixo em suas costas.
– Tenho. – Ele riu. – Chegamos, coisa chata.
Desci da moto e olhei para o prédio na minha frente.
– O que é isso? – Perguntei, virando a cabeça e abrindo a boca. Sim, fiquei parecendo uma doente mental.
– Só... Entra. – Ele sorriu, me empurrando.
Entramos no local e ele, pegando na minha mão (o que demorei para racionalizar), me levou por um corredor estreito. Subimos uma escadinha de três degraus e viramos à direita.
Não acreditei no que vi. Assim que a luz do sol bateu contra mim, deixei meu queixo cair.
– Então... É bem simplesinho, mas achei que iria gostar. – Ele encolheu o ombro, enquanto eu caminhava lentamente até o local.
Era um cômodo amplo e aberto, coberto de janelas. Era imenso.
Dentro, várias crianças brincavam. Havia quatro moças que as olhavam.
Algumas estavam deitadas em berços singelos, outras corriam até onde eu estava com aviões e carros nas mãos. E ainda havia bebês brincando com bonecas quebradas.
Não sabia para onde olhar.
Aos poucos pude perceber que aquelas não eram crianças normais. Uma garotinha de, aparentemente, uns três aninhos tinha um tumor ao invés do olho esquerdo. Uma outra, pouca coisa mais velha que essa, tinha a barriga de uma grávida de quatro meses. Havia um garoto com síndrome de Dawn e outro ainda sem a mão direita.
Eles eram especiais.
– Que lindos. – Murmurei, colocando as mãos na boca e esquecendo meus problemas por ora.
– Vem cá, vou te apresentar para as donas daqui. – Ele disse, me puxando para dentro do cômodo.
– Nate! – Uma das moças veio até nós, dando um abraço no moreno. Delilah? Com ciúmes? Imagina... – Como vai?
– Bem! – Ele sorriu, abraçando-a também.
Eu fiquei lá, com cara de paisagem. Praticamente servindo de vela.
– Delilah, essa é Alley Coller. Alley, essa é Delilah. – Ele disse, enquanto ela sorria e estendia a mão. – Alley é minha irmã.
Quase me sufoquei com minha própria saliva.
– Irmã? – Perguntei, no meio de um ataque de tosse.
– Isso. – Ela riu, ainda apertando minha mão. – E você é a famosa Delilah?
– Famosa? – Repeti, olhando Nathaniel que ficava cada vez mais vermelho.
– É, ele fala muito de você. – Ela sorriu.
– Fala, é? – Perguntei, levantando uma sobrancelha, ao mesmo tempo em que sentia minha bochecha corar.
– Ih... Você não sabe o quanto. – Ela revirou os olhos. – Vamos entrar? Nate, a April tá louca de saudades de você.
– Cadê ela? – Ele perguntou, sorrindo.
– No berço. – Alley respondeu, pegando no meu braço e me conduzindo até o cômodo.
– Isso é tão legal. – Disse, olhando aquelas crianças. Havia vinte, no mínimo.
– É... Essa é a herança que meu pai nos deixou. – A morena disse, soltando de mim e pegando uma garotinha com olhos extremamente azuis e superpálida. – Diz oi pra ela, Kelly. – Ela sorriu, beijando a garotinha albina.
– Aqui é uma estação de tratamento e, no caso das maiores, alfabetização para crianças especiais. – Nathaniel disse, enquanto as outras três moças se juntavam a nós.
– Olha só quem finalmente resolveu aparecer! – Uma mulher, aparentemente a mais velha de todas, disse, sorrindo para o moreno. – Tudo bem, Nath?
– Tudo sim, Liv. – Ele respondeu, abraçando a senhora. – Delilah, essa é Olívia, uma grande amiga da minha mãe.
– Grande amiga? – Ela perguntou, olhando para ele com as sobrancelhas levantadas. – De melhor amiga fui rebaixada a isso? – Ela fingiu ficar ofendida, fazendo Alley e Nathaniel rirem.
– Essa é a Lily. – Alley disse, apontando para uma garota da minha idade, só que muito mais alta que eu. – Ela é voluntária.
– Oi. – Ela sorriu timidamente, acenando.
– Oi. – Respondi, achando-a tão bonita.
– E essa é a Ella. – Olívia disse, puxando uma garota da minha altura, parecendo ser só um pouco mais velha. Ela tinha a cara fechada, e eu tive a leve impressão que ela não gostou de mim.
– Prazer conhecer vocês. – Sorri.
– Que isso, minha flor. – Liv sorriu também. – Esperamos que goste. Nathaniel não é muito de trazer pessoas aqui.
Vi o garoto ficar sem graça e passar a mão na nuca.
– Nate, posso conversar com você um momento? – Alley perguntou, puxando o braço do irmão.
– Claro. – Ele disse, saindo com ela.
Fui até os berços e me admirei com os bebês que estavam ali.
– E onde estão os pais deles? – Perguntei, vendo um bebezinho miúdo enrolado no meio dos lençóis, dormindo profundamente, independente do barulho que as crianças faziam.
– Hoje teve um passeio. – Lily disse, chegando perto e pegando no colo uma garotinha careca e parecendo muito frágil. – Fazemos de tudo para que os pais também se divirtam um pouco. Afinal, eles ficam monitorando as crianças praticamente 25 horas por dia. Essa garotinha aqui, a April, tem câncer no pulmão. – Ela disse, acariciando a cabecinha lisa da garota.
– Ela é linda. – Eu disse, tocando-a também, com uma delicadeza inestimável. Ela parecia tão fraca... Parecia ser feita de porcelana, ou vidro, e que poderia quebrar a qualquer momento.
– É mesmo. – Lily sorriu. – E é louca pelo Nath.
– Ele veio? – April perguntou, olhando para a moça com os olhos arregalados.
– Veio. – Ela sorriu. – Foi conversar com a tia Al mas já vem.
Tia Al. Que apelido estranho.
– Com licença? – Ouvi, enquanto sentia alguém puxar a barra da minha calça.
– Sim? – Abaixei, olhando uma menininha de uns cinco anos. Ela era obesa, mas era tão fofa que eu chegava a ter vontade de apertá-la em um abraço e nunca mais soltar.
– Você pode pegar a Melody pra mim? –Ela perguntou, olhando nos meus olhos.
– Melody? – Franzi o cenho.
– A boneca dela. – Lily esclareceu, colocando April no chão.
– Onde está? – Perguntei, enquanto ela apontava para uma estante.
Fui até lá e peguei uma Barbie ruiva.
– Eu pintei o cabelo dela. – A menininha falou, abraçando a Barbie. – Não ficou linda?
– Tanto quanto você. – Eu respondi, vendo-a corar.
– Eu não sou bonita. – Ela disse, enrolando os cabelos pintados com tinta guache da boneca.
– É sim. É linda. – Eu disse, ajoelhando.
– Concordo com ela. – Uma voz veio atrás de mim. Virei e me deparei com Nathaniel. – Você é linda sim.
– Não sou não. – Ela retrucou, olhando para baixo.
– Quem te disse que não? – Eu perguntei, ainda abaixada.
– Minha mãe. – Ela murmurou. Quase não deu para entender.
– A mãe dela largou o pai dela quando descobriu que a filha ficara obesa. – Nath disse no meu ouvido, se abaixando também.
– Como é o seu nome? – Perguntei, penteando seus cabelos negros com os dedos.
– Kim. – Ela respondeu.
– Que nome bonito! – Eu sorri, enquanto ela levantava os olhos lentamente. – E você é ainda mais bonita! Posso te contar um segredinho?
Ela fez que sim com a cabeça e chegou mais perto.
– Todo mundo também falava que eu era feia. – Eu sussurrei em seu ouvido. – Até minha mãe. Mas eu queria muito ser bonita como a Barbie.
– E você é. – Ela sussurrou também, olhando para mim com seus olhos parecendo miçangas. A garotinha parecia ser descendente de índios.
– Obrigada. – Eu sorri. – Mas você não deve pensar em tudo que as pessoas falam. Às vezes elas nem sabem de nada. Você é linda sim, ok? E eu sei que, quando ficar com a minha idade, vai ser a mais bonita da Inglaterra inteira!
– Do mundo inteiro! – Nathaniel disse, fazendo a menininha corar muito. Que fofa, gente. Posso apertar e não largar mais?
– Do Universo. – Completei, colocando uma madeixa preta atrás de sua orelha.
E então Kim fez o que eu menos esperava que ela fizesse. Ela me deu um abraço.
Correspondi o abraço com a mesma intensidade e, quando nos separamos, vi que ela tinha lágrimas nos olhos.
– Não chora, não. – Disse, secando suas bochechas.
Ela baixou a cabeça e olhou a Barbie.
– Hey, Kim. – Chamei, fazendo carinho em seus braços gordinhos. – Levanta a cabeça, princesa. Se não a coroa cai. – Disse, levantando seu queixo gentilmente.
Ela sorriu e eu não consegui esconder a felicidade no meu coração.
Preciso dizer que já estava apaixonada por aquele lugar? Imagina a Sammy aqui! Enlouqueceria!
Acho que até seria capaz de pegar todas essas crianças e colocar no quarto dela.
Dei um beijo na bochecha de Kim e levantei, vendo Nathaniel sorrir de orelha à orelha para mim.
Ficamos ali por muito tempo. Ou pouco, não sei. O tempo, perto de todas aquelas crianças, parece passar em um segundo.
– Já está ficando tarde. – Nathaniel disse, olhando no relógio.
– Mas ainda está claro, o céu! – Reclamei, olhando para as janelas.
– Prometi para sua irmã que iria te levar antes do Sol se pôr. – Ele respondeu, levantando do sofá.
– Vai não. – April, a garotinha com câncer no pulmão, disse, fazendo biquinho. – Por favor, Niel.
Achei tão bonitinho ela o chamando de Niel.
– Preciso ir, minha linda. – Ele disse, beijando-a carinhosamente. – Tchau gente. Delilah, se despeça também.
Fiz biquinho e ele riu.
– Vamos. – Ele disse, pegando na minha mão e me ajudando a levantar do chão.
Saímos da sala e eu me senti revitalizada.
Entramos na curva, descemos a pequena escada, andamos pelo corredor e abrimos a porta.
– Que bom que gostou. – Ele disse, me entregando um capacete.
– Gostei? Gostei? Eu amei! – Sorri, arrumando o objeto na minha cabeça.
Ele sorriu e colocou o capacete dele.
– Você é completamente o oposto da Marianne. – Ele riu, montando na moto.
– Por quê?- Perguntei, sentando na garupa.
– Ela não quis nem chegar perto dessas crianças. – Ele deu de ombros, mas eu vi pelo seu tom de voz que aquilo o deixava magoado.
– Elas são maravilhosas. – Eu disse, abraçando suas costas.
– A Kim te amou. – Ele riu, dando partida.
– Eu também a amei. – Respondi.
– Você está muito melhor, desde a hora que te peguei lá na sua antiga casa. – Ele disse cautelosamente.
– Obrigada. – Eu disse, apertando mais meus braços contra ele.
– De nada.
– Por... Ter me trazido aqui. – Suspirei. – Foi maravilhoso.
Ele riu e ficamos um bom tempo em silêncio. Após a terceira curva, Nath quebrou o silêncio:
– Delilah?
– Hn?
– Se eu te fizer uma pergunta, promete não ficar chateada? – Ele perguntou, diminuindo a velocidade da moto.
– Vou tentar. – Respondi.
– O que ele achou? Digo... Quando você disse que não estava grávida...? – Ele pareceu muito desconfortável com a situação.
– Ele achou o máximo. – Suspirei, tentando engolir o choro que teimava em querer reaparecer. – Disse que queria viver a vida dele e... – Parei, sentindo uma lágrima intrometida descer por minha bochecha.
– E...? – Ele insistiu.
– E então eu descobri que foi tudo uma aposta.
Nathaniel deu uma freada violenta. Ainda bem que estávamos numa rua deserta.
– Como assim foi tudo uma aposta? – Ele perguntou, aumentando o tom da voz.
– Brendon nunca quis ficar comigo. – Respondi, cabisbaixa, enquanto ele descia da moto e tirava o capacete, querendo me olhar nos olhos. – Foi só uma aposta idiota que ele fez com um amiguinho lá...
Nathaniel ficou mudo. Eu também.
Depois de algum tempo, olhei para cima e vi que ele estava de olhos fechados, parecia estar tentando se acalmar.
...
HÃN?
– Delilah... – Ele chamou, enquanto eu tirava o capacete também. – Tem algo do filho da... Quero dizer... Do... Brendon, lá na sua casa? – Ele perguntou, olhando para mim seriamente.
– É... Tem sim. – Falei, secando uma lágrima que teimava em descer. – Por quê?
– Você acha que ele está lá? – Ele perguntou, chegando mais perto.
– Não sei. Brendon não tem a chave da casa. – Respondi, vendo-o montar novamente na moto.
– Vale a pena tentar. – Ele disse, dando partida e rumando para onde eu sabia ser minha casa.
O caminho todo, ficamos em silêncio.
Eu chegava a ter medo do que ele estava pretendendo fazer, mas confiei e deixei que ele me conduzisse até a porta da casa.
Descemos da moto e nem sinal do Brendon.
Abri a porta e vi a sala azul vazia. Apenas com o colchão que eu havia pegado da mansão Phelps e trazido para cá.
Fui até a cozinha. Nada.
Quarto, banheiro, lavanderia, outro quarto... Nada também.
– Ele não está aqui. Definitivamente. – Eu disse, voltando para a sala.
Nathaniel não respondeu, parecia muito aborrecido.
Olhei ao redor e senti o peito apertar.
– Que foi? – Ele perguntou, olhando para mim como se eu fosse estraçalhar a qualquer momento.
– E pensar que eu mudei de casa por causa daquele maldito... – Falei num fio de voz, prestes a chorar.
Nathaniel veio até mim e me embalou em um abraço. Os raios do pôr do sol entravam por uma das janelas e batiam contra minhas costas. Direto no rosto do garoto.
– Você é um anjo, né? – Sorri, o rosto ainda enfiado em seu peito.
– Aham. – Ele riu. – Um daqueles que caiu do céu direto na cama.
Apertei mais o abraço e respirei fundo, a fim de sentir seu perfume.
– Você sempre está ao meu lado, no momento que eu mais preciso... – Murmurei. Mais lágrimas descendo por minhas bochechas e molhando sua camiseta.
– Eu tento. – Ele disse, fazendo carinho em meus cabelos.
Aquele momento parecia perfeito. O tempo parecia ter parado, e tudo em minha mente tinha a ver com sua respiração, seus batimentos, seu cheiro... Todas as imagens em minha cabeça eram... Nathaniel.
Mas, como alguma divindade lá no céu não gosta nem um pouco de mim, a porta abriu naquela mesma hora.
– D... Mas... O QUE É ISSO? – Brendon perguntou, assim que entrou. Ainda fiquei mais dois segundos apertando Nath contra mim, até que criei coragem para olhar o moreno.
– O que você está fazendo aqui? – Perguntei, sentindo meu rosto começar a esquentar.
– O que ele está fazendo aqui? – Ele perguntou, apontando para Nathaniel.
– Tentando consertar a merda que você fez. – Ele vociferou.
Ai meu Deus... Aquilo não ia dar certo.
– Você está se achando o super-herói dela, não é mesmo? – Brendon perguntou, fechando a porta com uma força desnecessária. – Sempre ajudando, sendo bonzinho, sendo carinhoso... E eu? O vilão!
– VOCÊ ESTUPROU A DELILAH, SEU IDIOTA! – Nathaniel explodiu, olhando para Brendon com uma raiva que eu não tinha visto nem na Samantha nem no JJ. – ISSO É MOTIVO O SUFICIENTE PARA VOCÊ VIRAR O VILÃO DA HISTÓRIA!
– MAS ELA ME PERDOOU, SABE-TUDO! – Brendon retrucou, uma veia pulsando em sua têmpora.
Nathaniel respirou fundo e olhou para Brendon com um sorriso cínico e uma sobrancelha levantada. Cruzou os braços e disse:
– E então todos nós descobrimos que o seu suposto amor pela Delilah, é apenas uma aposta feita por dois cafajestes sem alma. Não é mesmo? – Ele falou calma e cinicamente.
Sim, esse foi o estopim para Brendon avançar e dar um soco no maxilar de Nathaniel.
Vi que sua boca estava sangrando.
Fiquei paralisada, sem fazer a mínima ideia do que fazer.
– Nathaniel, NÃO! – Eu gritei, quando o moreno avançou para o outro e o pegou pelo colarinho.
Eu berrava, enquanto eles se estapeavam no chão.
Chegaram a rolar e eu ali, parada, com as mãos na boca, SEM SABER O QUE FAZER!
– Isso é pra você aprender como se tratar alguém como ela. – Nathaniel disse, socando o rosto de Brendon.
Eles rolaram novamente e Brendon ficou em cima, colocando as mãos contra o pescoço de Nath.
Entrei em desespero.
Corri para trás do Brendon e agarrei seus ombros com minhas unhas.
– AARRR! – Ele urrou, pegando meus pulsos e apertando-os com força.
Gritei e me desvencilhei dele.
Foi o bastante para que Nathaniel – já com um olho roxo – se recompusesse e desse um soco certeiro no nariz do cantor.
Ouvi um leve Creck e soube na hora que Brendon precisaria ver um médico.
– CHEGA! – Eu gritei, empurrando Brendon e tirando-o de cima de Nathaniel. – OS DOIS! PARA!
Brendon levantou, contrariado.
– A culpa disso tudo é sua! – Eu disse, olhando furiosa para ele. – Se não tivesse me forçado a fazer algo eu não queria fazer, nada disso teria acontecido!
– E você não deveria ter inventado a história de gravidez! – Ele vociferou de volta.
– SE VOCÊ TIVESSE SE PREOCUPADO COMIGO, NÃO ESTARIA FALANDO ISSO AGORA!
– A culpa não é minha se você mentiu quando disse que usava anticoncepcional!
– E você? Não falou que sempre levava proteção com você, idiota? – Perguntei, me irritando muito. – ALIÁS, EU NUNCA FALEI QUE TOMO ANTICONCEPCIONAL!
– Falou sim que eu lembro! – Ele retrucou, abaixando o tom.
Nathaniel sentou no chão e massageou o maxilar.
– E SABE DO QUE MAIS? – Eu continuei falando, prestes a pular em cima do pescoço dele e machucar o máximo que puder. – EU ESPERO MESMO QUE ESTEJA GRÁVIDA, DEPOIS DAQUELA ÚLTIMA VEZ EM QUE FICAMOS! SÓ PARA VOCÊ ENGOLIR TUDO O QUE DISSE E APRENDER A NÃO FAZER APOSTAS COM OS SENTIMENTOS DOS OUTROS!
Ele ficou mudo, me olhando com surpresa.
– E se isso acontecer mesmo...? – Ele murmurou, provavelmente lembrando que não usamos proteção na última vez.
– Se não quer arcar com as consequências, Brendon... Se não consegue admitir para si mesmo que é – ou pode ser – um futuro pai... Vai embora daqui! – Eu gritei, apontando para a porta. – SAI E NUNCA MAIS VOLTE!
Eu tremia muito. De raiva.
Continuei tremendo quando ele saiu pela porta sem olhar para trás.
Tremi quando desabei no chão de joelhos, com o rosto repleto de lágrimas.
Tremi quando olhei para minha própria barriga e, de algum modo, sabia que o Cusfofo não tinha desaparecido. Ele só não existira ainda.
Tremi quando procurei o olhar do Nathaniel.
Ainda tremia quando seus braços me confortaram.
E continuei tremendo quando encontrei a imensidão verde de seus olhos fixos nos meus.
Só parei de tremer quando nossos lábios se tocaram e, mesmo com muita delicadeza e cuidado, eu me senti salva e, finalmente, segura.
~♥~
POV. Nathaniel
Cara, não que eu fosse tão fraco assim, mas estava doendo. Meu olho, e minha boca cortada, por aquele besta, por aquele puto do Brendon.
Subi as escadas e cheguei na frente da porta do meu apartamento. Tudo o que eu queria era tomar um banho e dormir. O que eu ia dizer pra Delilah no dia seguinte? A vergonha que eu tinha passado... Quer dizer, nem tanta vergonha, pois consegui dar uns belos socos na cara do lazarento. Mas nem tantos.
Percebi que a porta estava destrancada. Quem estava lá dentro? Tinham arrombado? Quis entrar correndo, mas lembrei que já tinha brigado bastante por hoje, e entrei devagar e sorrateiramente.
Não vi ninguém de imediato, mas logo enxerguei alguém sentado no sofá. E era ela: Marianne. Ah meu Deus, o que eu iria dizer para ela? Ela estava distraída sentada no sofá folheando uma revista.
– Nath? O que aconteceu com você?! – ela perguntou. Logo largou a revista e veio até mim.
– Ah... Nada não, eu só...
– Como assim “nada não”? – ela me interrompeu – Em que você se meteu, amor?
Ela limpou minha camiseta e ia tirá-la, mas a impedi.
– Eu estou bem Mari, ok? Não se preocupa comigo – falei, afastando as mãos dela e indo para o quarto.
– Bem? Você não está bem! Está com um olho roxo e sua boca cortada! Você vai me contar o que aconteceu Nathaniel! – ela falou, indo atrás de mim.
– Não preciso e não vou te contar ok? – falei, já me irritando. Queria ficar sozinho, não queria falar com ninguém agora.
– Não precisa? Eu sou sua namorada sabe? Você tem de me contar as coisas!
– Sou seu namorado só porque seu pai obrigou! – falei num tom que soou mais ameaçador do que devia ter soado.
Ela ficou muda por algum tempo, e claramente, ficou magoada. Pensei no que eu tinha feito, e me aproximei dela, tentando me redimir.
– É, desculpa, estou nervoso, só quero ficar sozinho – falei, segurando nos braços dela.
– É, to vendo – ela falou, com cara triste.
– Me desculpa, ta bom?
– Só quero saber o que aconteceu, que coisa – ela falou, ainda com uma carinha triste.
– Eu... Me meti numa briga, pronto – falei, me afastando um pouco dela e tirando minha camiseta. Meu braço estava doendo também, não sei por que.
– Briga? Por quê? – eu estava de costas pra ela, mas mesmo assim ela se aproximou. Eu não gostava daquilo em Mari: era muito, estupidamente, curiosa.
– Depois eu conto ta? Quero descansar agora...
– Por favor, Nath, a gente anda tão distante nesses tempos... – ela me abraçou por trás. Eu me virei, afastei os braços dela e falei:
– Olha, você não iria gostar de saber ta bom?
– Eu preciso saber, eu te amo, me preocupo contigo, eu...
– Tudo bem – gritei, mas logo baixei o tom – o Brendon, o namorado da Delilah, abusou dela, decepcionou ela sabe? Deixou ela, tipo, extremamente arrasada. E eu fui acertar as contas com ele. Não queria... Ver ela daquele jeito.
– Eu sabia que aquela pirralha estava metida nisso – ela falou.
– O que? Não chame ela de pirralha – retruquei.
– Chamo sim, porque eu não gosto dela. Ela é um atirada, é uma trouxa, ela...
– Cala a boca Marianne! – gritei, e senti que ia acabar batendo nela. Tinha de me controlar.
– Eu não vou calar! Porque você, Nathaniel, está tão interessado em como aquelazinha está hein? Porque está interessado em deixar ela feliz?
– Não é da sua conta! – fui para a cozinha, não sei por quê.
– Não é da minha conta? – ela veio atrás de mim, gritando – eu sou sua namorada, você vai se casar comigo, você...
A interrompi de novo. Virei para ela, e disse:
– Então, como estamos “namorando”, não posso nem falar com a Delilah?
– Não senhor – ela falou, com cara de mandona.
– Certo, então a partir de agora, não estamos mais namorando.
Notas finais
Esse lugar que o Nath levou a Delilah existe mesmo xD
Eu sou voluntária lá... E todas essas crianças... Bom, elas existem mesmo...
Próximo capítulo:
* Monique Phelps puta ²
** George Phelps puto
* Samantha feliz
** Delilah... Confusa. Pra variar -.-'
Quem quer que o Cusfofo nasça levanta a mão! õ/
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