Notas iniciais
Desculpem os atrasos. Além de eu não querer que a fic termine, a escola ta sendo muito puxada e meu tempo é pequeno.
Além do mais, alguém aí quer se dispor a fazer a capa para Dear Sophia II? *-*
Sim, terá! ><'
Mas, Shhhhh. Não conta pra ninguém xD
♥

17 de Abril de 1997

Cheguei em casa super cansada. JJ tinha me dado uma carona, mas a barriga gigantesca que eu carregava me deixava exausta.

Agora, com 8 meses de gravidez, o tempo parece passar muito mais rápido do que gostaria. Certo, claro que aproveitei – e continuo aproveitando ao máximo – a gravidez e a expectativa dos gêmeos, mas... Parece que a qualquer momento minha bolsa vai estourar.

Nathaniel está cada vez mais ansioso. Eu sabia que estava parecendo uma baleia sobre duas pernas, mas mesmo assim ele me dizia que eu estava linda.

Ele é cego, mas eu admiro sua coragem de estar comigo mesmo nesses momentos.

Nath saiu antes que eu acordasse. Pensei que tinha ido para o colégio, mas assim que levantei, vi sua mochila no chão.

Deixei a minha no sofá e fui para o quarto.

— Nath? – Chamei. Nenhuma resposta.

Estranho, geralmente eu chegava antes de ele ter ido para o restaurante. Fui até o armário e o abri. O uniforme estava ali.

Juntei as sobrancelhas e fui para a sala, a fim de descansar um pouco. Me joguei no sofá e olhei para o teto.

Estava com fome, mas não tinha vontade de ir cozinhar. Estava cansada, mas não conseguia dormir. Tinha trabalho de física pra fazer, mas a preguiça falava mais alto. Estava no tédio, mas odiava assistir televisão.

Assim, fiquei no sofá até a porta abrir. Olhei e vi Nathaniel com um sorriso lindo no rosto.

— Que foi? – Perguntei, sentando lentamente no sofá.

— Desculpa a demora. – Ele disse, fechando a porta com o ombro. Suas mãos estavam atrás das costas, escondendo algo.

— Onde estava? – Perguntei, arfando por conta da falta de fôlego.

— Fui no centro, comprar uma coisa. – Ele encolheu os ombros e corou. Aquela visão era muito, muito fofa.

— E o que comprou? – Perguntei, sorrindo.

— Isso. – Ele estendeu as mãos e eu vi um buquê com rosas muito vermelhas e uma caixa rosa com um laço em cima. A caixa era razoavelmente grande.

Sorri imensamente, pegando o buquê e cheirei as flores, sentindo um perfume único inundar minhas narinas.

Ele se sentou ao meu lado e estendeu a caixa. A coloquei no sofá, no meio de nós dois, e a abri.

No meio de papel celofane e algum tecido fino e macio, estava o filhote de um pastor alemão. Sorri ainda mais, enquanto via o pequeno cachorro respirar calma e lentamente, parecendo estar em um sono profundo.

— Que. Coisa. Mais. Linda! – Murmurei, exaltada.

— Feliz... Alguma coisa. – Ele fez uma careta e me fez rir.

— Obrigada. – Dei-lhe um selinho e voltei a observar o cachorrinho. Era, sem dúvidas, a coisa mais linda.

— Gostou? – Ele perguntou um tanto receoso.

— Amei. – Respondi, passando dois dedos na barriguinha dele, que agora estava para cima. Ele se mexeu um pouco e logo voltou a ressonar. – Que nome colocamos?

— Estava pensando em... – Ele corou. – Maxwell.

— Perfeito. – Sorri.

— Mesmo?

— Mesmo! – Ri.

O peguei lenta e delicadamente. O cachorrinho tinha o tamanho de minhas duas mãos e não era tão pesado.

Deixei-o em uma almofada, que eu julguei mais confortável, e levantei.

— Aonde vai? – Nath perguntou, espantado.

— É seu dia de folga, né? – Perguntei, fazendo um rabo de cavalo nos cabelos.

— Sim, por quê? – Ele levantou uma sobrancelha. – O que pretende fazer, senhorita Coller?

— Coller, é? – Sorri, colocando as mãos na cintura. Ele riu e levantou, me abraçando. – Sim, Coller. É minha noiva, lembra?

— Como esquecer? – Perguntei, enquanto nossos lábios se encontravam. Fiz cafuné em seus cabelos e acariciei sua nuca, enquanto o moreno enlaçava minha cintura.

— Que vai fazer? – Ele insistiu, olhando-me com aquela imensidão verde que constituíam seus olhos.

— Caminhar um pouco. – Mostrei a língua. Ele franziu o cenho.

— Nesse estado? Não, Dee, você tem que descansar.

— Nate, confia em mim. – Fiz um biquinho. – Eu só vou dar uma voltinha rápida, prometo. Logo estarei em casa, sem fazer esforço nenhum.

Ele abriu a boca para retrucar, mas eu coloquei os dedos nela e levantei uma sobrancelha, fazendo cara de mandona.

— Por favor? – Pedi mais uma vez, fazendo-o não conseguir conter o sorriso.

— Rápido, por favor. – Ele pediu. – Não quero te ver fazendo esforço algum, nem de pé por muito tempo.

— Claro. – Sorri, dando-lhe um selinho.

***

Desci do táxi e paguei o motorista. Andei por alguns minutos a rua do bairro “Liverpool” e vi todas aquelas lojas estranhas e cômicas, com logros e vitrines cheias de produtos que não se encontra em nenhum outro lugar.

Fui andando até chegar na suposta loja de ferragens.

Estava fechada.

Tinha um caminhão de mudança aberto, com alguns móveis que eu sabia serem da lanchonete.

— Hey! – Gritei, atraindo a atenção de dois caras que arrumavam as coisas na caçamba.

— Falou com a gente? – O que estava dentro perguntou, me olhando feio.

— Joshua está de mudança? – Perguntei, pasma.

— Estou. – Ele apareceu na porta, me olhando.

— Mas... – Sinto-me perdida. – Pensei que somente a lanchonete tinha fechado.

— Não podemos mais morar aqui. – Ele disse com a voz arrastada. Com certeza estava bêbado.

— Josh... – Chamei, atraindo sua atenção. – Queria conversar sobre a lanchonete e...

— Não reabrirá. – Ele me cortou de mau humor.

— Não é isso, eu...

— Não tenho como reabrir.

— Já entendi, Josh. – Falei um pouco mais enérgica.

— E então não poderei aceitar funcionários. – Ele continuou falando.

— Isso é meio óbvio. – Disse, com uma sobrancelha levantada.

— Eu...

— Josh. – Dou um passo para frente e ele olha para mim. Tento ignorar seu cheiro repugnante. Às vezes me pergunto como uma coisa dessas fez uma garota tão bonita como Marianne. Sim, ela é bonita. O que não explica sua personalidade tão depreciativa. – Estou falando em comprar a lanchonete.

Ele me olhou com uma cara séria e com os olhos estreitos.

— E você lá tem dinheiro para isso, guria? – Ele pergunta, soluçando logo em seguida. O cheiro de pinga enche o ar ao meu redor.

— Joshua, se concentre. – Pedi, ignorando-o. – Está disposto à vendê-la pra mim?

— Quanto pode me oferecer? – Ele estreita os olhos.

— Quanto quer?

— Vinte mil. – Ele disse, com um tipo de sorriso vitorioso no rosto.

Não respondi. Tirei o talão de cheques que meu pai havia me dado e escrevi a quantia nele. Entreguei a Joshua, que me olhou atônito.

— Vendido, então? – Sorri.

— A-aham. – Ele disse, ainda sem acreditar.

— Converso com quem sobre a papelada? – Perguntei, torcendo para que a resposta não fosse a que eu esperava. – Marianne?

— Ela não está. – Ele respondeu, guardando o papel em uma bolsinha que ficava logo à baixo de sua regata branca, suja e molhada de suor. – Marianne ficou o dia todo fora.

— Então depois ligo para você e vemos a papelada. – Disse, virando as costas e caminhando até o ponto de táxi.

— Até mais, Phoebe.

— É Phelps. – Revirei os olhos.

Notas finais
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