Dear Diary
28 28- Finalmente... Senhora Kaulitz
Notas iniciais
Enfim, enjoy
Em menos de meia hora chegamos na igreja, entramos em uma sala em que não conseguiam nos ver e os pais da Chris logo apareceram para dar os parabéns a ela. Dei um abraço neles e fui para uma outra sala; eu não queria ver a felicidade da Chris com os pais e saber que eu nunca teria isso.
–Ah, Kau, porque você não está aqui? – murmurei, olhando pela janela – eu queria tanto você comigo... você prometeu que seria pra sempre.
–E é pra sempre – ouvi uma voz responder atrás de mim, virei-me e quando vi quem era me segurei para não gritar. Kauane sorriu e acrescentou – você não achou que eu te deixaria sozinha né? É seu casamento, eu prometi que estaria com você nesse dia.
–Eu... – olhei para ela novamente; ela estava como sempre, com os cabelos escuros curtos, os olhos puxados brilhando, o sorriso sereno. Eu queria me jogar em seus braços, mas sabia que isso não era possível, então fiquei no meu lugar tentando segurar as lagrimas. – eu sinto sua falta – sussurrei.
Pude ver que sua expressão ficou triste, por mais que ela tentasse esconder isso. Quis poder abraçá-la, como nos velhos tempos.
–Eu também sinto sua falta, mas não vim aqui pra te fazer chorar – ela sorriu fraco – estou aqui pra acompanhar sua felicidade e cumprir minha promessa; e depois que eu ver que você está bem, eu posso ir embora.
–O que? Não! – exclamei – você não pode ir! Não me deixa de novo, por favor – tentei me controlar.
–Eu nunca te deixei – ela respondeu – lembra da rosa? – lembrei-me dos dias que eu e Tom passamos afastados e da rosa branca que encontrei depois de pensar tê-la visto.
–Você estava lá? – ela assentiu.
–Agora vamos, você não pode se atrasar tanto. E vou entrar com você naquele altar como prometemos, vou estar ao seu lado, mesmo só você podendo me ver – ela riu e foi andando até a porta; acompanhei-a e dei de cara com a Chris, já esperando.
–Estava falando com quem?
–Estava falando sozinha – sorri, olhando para o lado – vamos logo – acrescentei, pegando meu buquê.
Estávamos no segundo andar, uma segurando a mão da outra enquanto começava a tocar a musica para entrarmos; não escolhemos a marcha nupcial, mas sim uma musica da banda deles, chamada Zoom into me. Sorrimos, desejamos boa sorte uma para a outra e cada uma foi para seu lugar.
Estávamos cada uma em um lado de duas escadas que se encontravam no final. Começamos a descer os degraus, e à medida que eu descia meu coração ia batendo mais e mais rápido; na metade da descida eu consegui ver a decoração. Era lindo, decorado com flores brancas e rosas, com galhos de flores por cima de nossas cabeças, fazendo um arco sobre o corredor com o tapete branco. Sorri ao ver quem estava no final do corredor.
Encontrei Chris nos últimos degraus e fomos andando juntas pelo corredor florido. Bill e Tom sorriam de orelha a orelha, e pude ver a maquiagem de Bill já um pouco borrada. Kauane apertava minha cintura, impedindo-me de sair correndo ao encontro de Tom.
Mal percebi que Georg estava atrás dele, e que Joe se encontrava atrás dos dois. Não vi Karol onde ela deveria estar sentada, nem minha nova família, nem nenhum dos outros convidados – eles teriam de esperar até mais tarde.
Só o que eu via era o rosto de Tom; ele enchia minha visão e dominava minha mente. Seus olhos eram de um castanho profundo e ardente; seu rosto perfeito estava quase severo com a profundidade de sua emoção. E depois, quando seu olhar encontrou o meu, ele abriu um sorriso de tirar o fôlego. E então, finalmente, eu estava lá. Ele segurou minha mão e no momento que ele fez isso eu me senti em casa.
Nossos votos foram as palavras simples comuns que são pronunciadas há mais tempo do que podemos imaginar, só que pronunciados para dois casais ao invés de um. E enquanto ele pronunciava essas palavras tudo que estava errado em minha vida pareceu se acomodar em seu lugar correto.
–Sim – consegui dizer num sussurro, prendendo o choro.
–Sim – prometeram ele e Bill ao mesmo tempo.
Consegui ver o sorriso de Chris entre as lagrimas, e depois Bill pegando-a com delicadeza e beijando-a suavemente. As mãos de Tom afagaram meu rosto cuidadosamente, como se meu rosto fosse delicado como as rosas acima de nossas cabeças e me beijou com ternura. Esqueci-me da multidão, do lugar, do momento... só me lembrando de que ele me amava e que aquela pessoa tão incrível era minha.
A multidão explodiu em aplausos, e abracei-o com força. Nessa hora, atrás dele, pude ver Kauane sorrindo para mim e acenando; ela parecia estar sumindo, mas parecia feliz. Então entendi que não poderia fazer nada com isso, ela estava indo para um lugar melhor, e ela estava feliz por isso.
Mas isso não diminuiria a falta que eu sentiria dela.
–Eu te amo – sussurrei para os dois. – não me deixe.
–Nunca vou te deixar – responderam os dois. Ela acrescentou – eu vou te amar pra sempre. Não se esqueça de mim.
–Nunca – respondi, com lágrimas nos olhos. Pude vê-la se transformar em um vulto e seu sorriso foi a ultima coisa que vi.
Separei-me dele e senti os braços de Bill me envolvendo; ele ergueu-me no ar, disse que eu estava linda e agradeceu por apresentar o amor de sua vida a ele. Comecei e rir e agradeci a ele por tudo também. Abracei longamente a minha melhor amiga, que chorava quase tanto quanto eu. Muitos abraços, desejos de felicidades e parabéns se seguiram, enquanto eu olhava para o lugar onde antes estivera Kauane. Eu estava vagamente ciente de quem me abraçava até que ouvi uma voz conhecida e inesperada.
–Oi filha... – ouvi minha mãe. Olhei-a chocada; não esperava que ela estivesse ali. – desculpe não estar perto de você, mas sua prima me avisou do casamento e não pude deixar de vir. – ela sorriu, pesarosa – estou muito orgulhosa da pessoa que você se tornou.
–Obrigada mãe – respondi – esse é Tom, meu marido.
–Prazer – disse ela, e depois olhou pra mim – a gente pode conversar?
–Agora não. Depois. – ela assentiu e afastou-se.
Tom e eu seguimos pelo corredor ao lado de Bill e Chris, onde entramos em nossos carros e seguimos para a festa de recepção.
Chegamos logo e olhei maravilhada para a decoração. Era um salão enorme, todo decorado com flores e arvores nas cores branco e dourado, que à meia luz ficava ainda mais bonito. Havia uma mesa enorme de doces, muitas mesas em que as nossas famílias ficariam, alguns sofás e muitas velas espalhadas. Do lado de fora do salão tinham muitas velas e flores espalhadas pelo jardim, sofás e até alguns jogos de fliperama para as crianças; idéia de Tom, pensei, sorrindo. A enorme piscina que havia no meio havia sido tampada e enfeitada com flores, almofadas e tecidos dourados brilhantes entre os pilares ao redor do que se transformara na pista de dança mais linda que já vi na vida.
Entramos e fomos para uma salinha isolada, onde ficamos esperando os convidados chegarem. Quando eu e Tom ficamos sozinhos ele aproximou-se de mim ainda sorrindo e murmurou:
–Eu te amo – e me beijou. Ele segurou minha cintura com força, e passei meus braços ao redor dele, aprofundando o beijo. Ele separou nossos rostos com relutância, sorrindo maliciosamente, e completou – você me deixa louco.
Sorri e afastei-me dele, olhando pela janela. As pessoas começavam a chegar e eu tentei encontrar a pessoa que procurava, mas sabia que não a veria. Nunca mais a veria. Tom perguntou o que eu tinha e respondi:
–Se eu te disser que encontrei a Kauane hoje? – ele me olhou chocado – eu sei, você vai dizer que sou louca, mas eu a vi. Ela falou comigo, disse que ia cumprir sua promessa de entrar na igreja comigo. E ela cumpriu. – Tom não respondeu , mas continuou me olhando chocado – eu sei, você me acha louca.
–Não, eu não te acho louca – ele respondeu – eu também a vi, mas pensei que fosse coisa da minha cabeça. – Eu não soube o que falar. Tom me abraçou – não chora amor, hoje é nosso dia. Fica feliz, você a viu, ela está bem.
–Vou sentir saudade dela.
–Eu sei meu amor, eu sei – ele pegou-me no colo e me levou até o sofá, onde ficamos até eu me acalmar para podermos descer.
Um tempo depois descemos e encontramos dona Simone. Ela estava linda e elegante com um vestido básico da marca de Alexander McQueen, meu estilista preferido. Ficamos conversando com ela por um tempo e continuamos andando ate chegar na mesa de nossos amigos.
Karol estava linda com o vestido que ela havia pedido que eu fizesse para ela; seu vestido era vermelho com babados na saia longa, colado até a cintura e renda vermelha formando uma manga transparente. Joe estava bonito e ficou sorrindo pesaroso, mas ele não parava de olhar para uma das amigas de Bill. Sorri e incentivei-o a falar com ela.
Demos mais umas voltas e ficamos conversando com as pessoas até que eu e Chris precisamos subir novamente enquanto Bill e Tom nos esperavam para dançarmos a primeira valsa.
Decidimos fazer uma troca de roupas, em que durante o casamento e a recepção usaríamos nossos vestidos brancos, e a partir da hora da valsa usaríamos outra roupa. Chris desceu novamente usando um vestido dourado com detalhes em preto e recortes na saia longa.
Fiquei observando enquanto ela e Bill giravam graciosamente pelo salão e sorri, percebendo como eles formavam um casal bonito. As luzes haviam sido posicionadas na direção dos dois, deixando o vestido dela ainda mais bonito. A conexão entre eles era linda, e senti uma pontada de inveja me perguntando se eu e Tom combinávamos desse jeito.
A música dos dois acabou e eles foram se sentar. Meu coração se acelerou enquanto as luzes apareciam no alto da escada por onde eu desceria. Apareci no alto da mesma e vi todos me olharem chocados; corei e olhei para mim mesma. Eu havia passado semanas trabalhando nesse vestido, que tinha ficado perfeito. A parte de cima dele era um corselet preto e rendado, com recorte de coração; a partir da cintura ele abria-se em uma saia longa com camadas em forma de asas azuis de borboletas, com uma cauda preta de renda.
Tom me olhava maravilhado, e sorri enquanto descia as escadas ao encontro dele. Andei lentamente até ele, que pegou minha mão e sorriu enquanto me conduzia para o meio do salão; a musica começou a tocar e giramos elegantemente pelo salão. Seus olhos prenderam-se nos meus enquanto dançávamos, e de repente a única coisa que eu conseguia ver e sentir era ele. A musica continuava enquanto pétalas brancas de rosas caiam em cima de nós e eu sorria para ele.
E então, enquanto dançávamos e eu olhava para seu rosto, eu sabia que não importava o que acontecesse. Não importava onde eu estivesse, quanto tempo se passasse ou o que acontecesse. Desde que eu tivesse os braços de Tom ao meu redor me protegendo, eu poderia passar por qualquer coisa.
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