– O que você quer comigo, sua bruxa? — Gritou Mikael.

– Você será o meu triunfo. Katherine tem que voltar a ser humana e você quer matar seus filhos.

– E quem garante que irei ajudá-la?

– Se não me ajudar... — Ela estalou os dedos fazendo com que o coração de Mikael parasse de bater durante alguns segundos. — Eu sei como matar um original sem a adaga adequada. E não é dissecando como comecei agora a pouco. Ninguém... ninguém pode atrapalhar meus planos. Katherine tem que voltar a vida humana e Klaus tem que libertar seu lado lobo para completar a profecia.

– Que profecia? — Perguntou Mikael curioso.

– A profecia da besta sedenta por sangue, clamando por salvação. Uma nova forma de se equilibrar o que as bruxas desequilibraram. O homem lobo que tornou-se vampiro através de magia negra. A sede pelo poder, o macho alfa. Aquele que poderá dominar tudo o que almejar exceto o amor de uma mulher. Que logo após o ritual, terá que morrer. Assim, essa besta estará fadada a viver em um mundo solitário.

– A minha prioridade é matar Klaus, ele se tornando híbrido terei que procurar uma nova arma para isso. Nós vampiros já somos abominação demais para um mundo tão pequeno. Eu não farei nada para ajudar. — Mikael gargalhou — Veja só você... irá sacrificar a garota que viu nascer. Onde está sua lealdade, bruxa? — falou com desprezo.

– Cuspiu o homem que quer matar seus próprios filhos.

– É diferente, quero consertar o erro de minha mulher. Ninguém pode realmente viver eternamente.

Deitada na cama, Katherine escutou toda a conversa de Emily com Mikael. Tomada pelo medo resolveu fugir. Morrer novamente? Não, não. Isso é demais. Foi o que ela pensou. Mas ao tentar abrir a porta do quarto, a maçaneta a queimou como se estivesse mergulhada em verbena.

– A janela... — sussurrou. Ao tentar pular a janela, algo a jogou para trás, como se houvesse uma barreira invisível. — Droga!

– Tentando fugir, Katherine?

– Você quer me matar! Emily... pensei que fôssemos amigas.

– E eramos, minha menina. Mas agora você é uma vampira e preciso trazê-la de volta.

– Mas foi você que levou Klaus até mim... — ela parou para pensar — Esse tempo todo Klaus sabia que eu era a chave para quebrar essa tal maldição que ele carrega? E por que não fez quando teve a chance?

– Por que você estava doente, menina. Seu sangue não era util.

– Então por que ele simplesmente não me curou? Por que ele me transformou?

– Me parece que ele tinha planos maiores para você. Me desculpe por isso, Katherine.

Ela começou a sussurrar alguma magia em latim e em menos de um segundo Katherine caiu ao chão desacordada. Emily a olhou e saiu do quarto porém deu de cara com Rebekah.

– Eu sabia que estava tramando algo. — Ela bateu a cabeça de Emily contra a parede e pegou a garota jogada ao chão e saiu da casa. Por precaução, Rebekah trouxe uma bruxa consigo para derrubar a barreira de Emily.

Chegando na mansão Mikaelson, Rebekah colocou Katherine em uma das camas e tentou acorda-la de todas as maneiras.

– Sinto muito, esse feitiço é complicado demais para conseguir quebrar. — Disse a bruxa baixinha de cabelos ruivos e vestido preto surrado.

– Tudo bem, pode ir! Obrigada.

Klaus entrou no quarto e ficou observando aquele rosto tranquilo de quem dormia profundamente. Até parecia cena de livros infantis. Rebekah segurava a mão da garota e ajeitava os cachos bagunçados.

– Ela é tão linda, Nik... Agora entendo por que você e Elijah se apaixonaram por ela. Mesmo na morte, ela possui uma luz incrível. Eu a invejo por isso!

– Você também possui um luz, irmã. Sua compaixão, a faz humana. — Ele aproximou-se e beijou Rebekah na testa em seguida sorriu.

Rebekah retribuiu o sorriso e saiu do quarto. Klaus permaneceu e entrou na cabeça de Katherine.

" Querido diario, andei pensando sobre minha nova vida e conclui que não quero amor, nem fé... quero continuar com a minha inocência. A inocência é o mais perto da humanidade que posso chegar. Agora sou uma assassina, sinto vontade de matar o tempo todo... Mas Elijah não me deixa fazer isso, odeio isso. Então eu corro até o Klaus. Ele me dá liberdade e me diz que o que faço não é ruim. Isso por um momento conforta, mas depois sinto culpa por matar pessoas inocentes. Como será o meu futuro?"

– Eu a interrompo? — disse Klaus sorrindo

– N-não! — respondeu ela com nervosismo fechando o diário.

– Eu gostaria de saber o que tanto escreve nesse diário. Um dia poderei ler?

– Claro que não... é um diário, ele é confidencial.

Ele sorriu com expressão aliviada e divertida. — Ok! Não tentarei roubá-lo de você. Rebekah me contou que todo esse tempo você fingia estar com a humanidade desligada.

Katherine olhou ao redor do quarto em que estava e indagou-se " como Klaus conseguiu entrar? E o feitiço de Emily? Rebekah contou o que?", de repente o rosto dela tornou-se confuso, os olhos desolados a procura de alguma resposta coerente.

– O que está acontecendo aqui? Onde estou? Não, a pergunta é... o que faz aqui? Klaus, você não deveria estar aqui.

– Calma coração... — ele a abraçou — estamos em um sonho seu. Emily a enfeitiçou para dormir. Provavelmente até a lua cheia e Rebekah a trouxe para minha casa. Você está segura comigo, eu lhe prometo isso!

Ele sentiu aquelas mãos macias e magras o apertar com força. Por mais que era apenas uma invasão, parecia tão real o abraço que por ele ficaria ali durante muito tempo.

– Será que posso desfrutar disso também? — Disse Elijah entrando no quarto.

– Elijah! — Disse Katherine correndo para os braços dele. — O que irá acontecer comigo?

– Não deixaremos nada de ruim acontecer a você. Podemos esperar uma nova cópia para libertar a parte híbrida do meu irmão.

– Cópia? É por isso que sou tão parecida com a você sabe quem?

– Sim, mas isso é uma longa história. Depois daremos detalhes. Agora temos que achar um jeito de acordá-la.