Há muito tempo atrás, uma linda garotinha de cabelos cacheados brincava em um enorme campo florido. Ela corria para lá e para cá com o filhote de cachorro que havia ganho de seu pai. De todos os presentes esse era o melhor. Um companheiro para os dias tristes e felizes.

– Katherine, venha para dentro se limpar minha filha. O almoço estará pronto em cinco minutos! — Uma voz angelical gritou e a garota obedeceu levando consigo um sorriso.

Os raios solares do meio dia batiam em sua pele pálida e logo atrás vinha o cachorrinho de pêlos curtos e marrom com uma mancha branca nos olhos latindo com extrema alegria. Os pássaros cantarolavam com fervor enquanto outros estavam em seus ninhos seguros cuidando de seus filhotes. Katherine lavou-se e seguiu para a mesa, deu um beijo em seu pai que lia o jornal matinal e sentou-se em seu lugar. O pequeno animalzinho tentava pular no colo da dona, mas por ainda ser pequeno não conseguia. Então Emily colocou a tigela com ração para ele saciar sua fome e água.

Tudo parecia tão calmo e feliz... Pouco distante dali, estava Katherine já adulta. Ainda estava presa em seus sonhos, uma lágrima rolou pelas bochechas coradas e ao seu lado estava Klaus observando tudo em silêncio.

– Eu havia me esquecido de como esse dia foi perfeito. Foi a ultima vez que viemos a casa de campo antes da minha mãe morrer.

– Quantos anos você tinha?

– Seis anos... E aquele cachorrinho é o Dio. Ele morreu pouco tempo depois que voltamos para a cidade por meio de alguma virose.

– Os animais são os únicos nos quais podemos confiar. — Klaus sorriu suavemente. — Eu amava meu cavalo, até que Mikael o matou por puro capricho.

– Isso me pareceu tão terrível! Por que seu pai o odeia tanto?

– Mikael não é meu pai biológico. Esther o traiu com o líder de uma matilha... só descobri que não era filho do Mikael, quando matei alguém e ativei a maldição. — Ele aproximou-se mais e abraçou a jovem. — Você não mudou nada! — ele observava a pequena Katherine sentada e comendo os legumes enquanto fazia cara feia.

– Há muito tempo que não me reconheço, Klaus. — Afastou-se. — Olhe para essa família... olhe a minha inocência estampada no meu rosto. A satisfação da minha mãe ao ver todos reunidos. E Emilly... Emilly me amava como se eu fosse sua filha e agora ela quer me sacrificar em um ritual místico. Eu não sou um talismã xamã ambulante.

De repente tudo se desfez. Agora Klaus estava fora da cabeça de Katherine, de alguma forma ela conseguiu expulsá-lo. Ele abriu a janela e olhou o céu estrelado, a lua cheia já estava em seu ápice e Katherine ainda não havia acordado.

– Olá Niklaus! Vim buscar algo que me pertence. — Disse Emily entrando calmamente no quarto.

– Como entrou aqui?

– Esqueceu-se que sou uma bruxa antiga e poderosa? Não se preocupe, seus irmãos estão bem... Aliás, eles estão no local onde faremos o sacrifício.

– Você só levará Katherine sobre meu cadáver.

– Tecnicamente, você é um cadáver ambulante. Mas não tenho muito tempo! — Com um feitiço simples, ela prendeu Klaus na parede enquanto Mikael entrava no quarto e pegava Katherine. — Venha conosco, Niklaus. — Ela saiu puxando Klaus. — Irei consertar o meu erro.

– VOCÊ PAGARÁ CARO POR ISSO, EMILY!