Dear Charlie,
10 Capítulo 10
Notas iniciais
13 de Novembro de 1993
Querido Charlie,
Hoje foi o funeral de Chris. Meus poucos parentes ainda vivos, como minha tia avó Margot, minhas duas primas Ellie e Daisy e meu primo Bernard compareceram ao funeral. As outras pessoas que compareceram eram amigos de meus pais e amigos de Chris. Cherie também estava lá, e ela foi a única pessoa com quem fiquei o funeral inteiro, ao lado do caixão onde horas mais cedo haviam depositado o corpo sem vida de meu irmão.
Meu tio Leonard cumprimentou todos os que estavam presentes, livrando-me de ter de fazer isso, pois ninguém ali estava mais triste e deprimida do que eu. Fiquei ao lado do caixão de meu irmão toda a cerimônia, e Cherie ficou ao meu lado, acariciando meu cabelo com sua mão macia e sussurrando-me palavras de consolo. Eu não era muito chegada á minha tia avó e nem aos meus primos, então achei consolo nos braços de meu tio e de sua namorada, mesmo que ela ainda não fizesse parte de nossa família. Minutos antes de a cerimônia começar, quatro adolescentes saíram de uma Chevrolet prata estacionado em frente ao cemitério. O primeiro jovem era um rapaz de cabelos pretos escorridos de pele pálida usando um elegante terno preto, e em seguida saíram duas garotas, a primeira era uma loira vestindo um vestido preto que batia em sua canela e sapatilhas também pretas, e a próxima garota tinha cabelos castanhos e usava uma blusa preta com uma saia cinza e um casaco de lã preta, e por último um rapaz de muletas dono de um cabelo loiro rebelde e usando um terno acizentado. Os quatro estavam parados lado a lado, olhando diretamente para mim. Eram Marcos, Hillary, Jena e Greg, que se mantia de pé com as muletas que fora obrigado á usar por dois meses. Imaginei que meu tio havia os convidado para o funeral ao falar com Marcos ao telefone.
Imediatamente fui até eles, e abracei primeiro Marcos, seguido de Hillary e Jena, e por último Greg, todos me dando seus pêsames e me dizendo palavras de consolo. O único deles ali que realmente sabia o que eu havia sofrido durante a estadia de Chris no hospital e como eu estava mal depois que ele morrera era Greg, para quem eu havia contado toda a minha história enquanto ele ainda estava no hospital. Fiquei feliz por todos eles estarem ali, pois isso significava que realmente se importavam comigo.
Depois do funeral, todos foram para nossa casa para a festa-pós funeral, o que não é bem uma festa. É mais algo que tenta colocar os parentes do falecido para cima com música, comida e amigos. Minha vontade era de me trancar em meu quarto, mas não pude fazer isso. Fiquei sentada na sofá da sala, cercada pelos amigos de meus pais e alguns de meu irmão. Um casal chegou á mim com os olhos cheios de lágrimas e disse-me que havia visto Chris crescer, e lembrei-me imediatamente daqueles dois: eram nossos antigos vizinhos em outra casa que morávamos, a primeira em que meus pais e eu moramos, na verdade. A mulher, cujo nome era Abbie, disse-me que Chris era um ótimo garoto, e que merecia um destino melhor, e seu marido Brad disse que eu poderia contar com eles se precisasse de alguma coisa, então agradeci por sua gentileza. Em seguido dois garotos gêmeos, Philipp e Harry, ambos de 23 anos, vieram me consolar, dizendo serem amigos de infância de meu irmão, e que haviam crescido junto com Chris e frequentado a escola com ele até a oitava série. Eles me perguntaram se eu precisava de alguma coisa, e respondi que não, mas agradeci por sua preocupação comigo. Não comi nem bebi pelo resto do dia. Fiquei somente lá, sentada no sofá da sala de estar,e encarando uma fotografia minha e de meu falecido irmão na parede, e ouvindo sua voz suave vindo de sabe lá onde, dizendo-me para ser forte, dizendo que ele estaria sempre comigo.
Depois que todos foram embora, tranquei-me no quarto e dormi a tarde inteira. Acordei ás 7h30 da noite com Cherie batendo na porta do meu quarto dizendo que era hora da jantar, e mesmo que eu dissesse que não tinha apetite, ela disse que eu precisava comer. Saí de meu quarto e comi silenciosamente com meu tio e sua namorada na cozinha, e logo depois tranquei-me em meu quarto novamente e li A Mensageira das Violetas até adormecer novamente, sem parar de pensar na imagem do corpo sem vida de meu irmão em uma caixão cinza sendo posto em um buraco e logo em seguida sendo coberto de terra. Aquela foi a última vez que vi meu irmão.
Algumas garotas ficam tristes quando o irmão mais velho vai para a faculdade, ou quando eles se casam e saem de casa, mas eu não. Eu não tive essa honra.
Eu não chorei porque meu irmão indo embora de casa, mas sim chorei porque meu irmão estava indo embora do mundo que conhecemos.
Você não faz ideia como eu queria me juntar á ele, Charlie.
Com amor,
Nell.
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