Notas iniciais
Oi gente, esse capítulo está bem romântico (na minha opinião e avaliação, pois eu não sou muito boa de escrever coisas românticas, então dei o melhor de mim). Pessoas que shippam Nell x Greg ou Nell x Marcos ou qualquer outro shipper com a Nell, por favor não me matem. Obrigada :3 Boa leitura.

19 de Novembro de 1993

Querido Charlie,

Fiquei sem tempo para lhe escrever nos últimos dias, pois insisti em ajudar meus amigos com nosso curta metragem e assistir ás gravações, além de que já estou de volta ao meu emprego no Big Boy. Acredito que ficar trancada no quarto o dia inteiro pensando em meu irmão morto não seja a melhorar maneira da qual possa passar meus dias, por isso optei por voltar á frequentar a escola pela manhã, ajudar em nosso filme de tarde e trabalhar no Big Boy de noite: minha rotina normal. Greg aparece várias vezes lá no Big Boy em meus turnos com sua madrasta, que agora é obrigada á levá-lo para todos os lados, pois o pai de Greg trabalha o dia todo. Conheci sua madrasta pessoalmente, e devo dizer: ela não é nem um pouco gentil, sendo até, o que posso dizer com repulsa, escrota. Greg tenta evitá-la o dia todo, e ela tenta evitá-lo, mas é quase impossível, pois os dois vivem na mesma casa e andam no mesmo carro, além de que ela está sempre presente nos locais onde ele está. Menos é claro, no banheiro.

Greg contou essa piadinha para mim noite passada, e a cara de sua madrasta não foi nem um pouco amigável. Ele disse que ali é um lugar bem bacana, com música boa e comida gordurosa (de acordo com Greg, o tipo preferido dele). É bom ter Greg ali, pois posso conversar com ele durante meus intervalos e posso ouvir suas piadas contra a madrasta, que somente assente, calada e segurando a raiva dentro do si. Minhas noites eram muito melhores assim.

Há dois dias atrás Marcos, Hillary e Jena apareceram lá para se juntar á Greg. Os três estavam exaustos depois de tanto trabalhar no curta metragem, e me senti culpada por não ter ajudado-os até tarde, mas eles me disseram que estava tudo bem, e que eu não precisava me preocupar. Eles levaram também Taylor e Harriet, e uma delas levou o namorado, Francis, que mostrou-se como um cara legal e engraçado.

Enfim, depois que todos foram embora e o Big Boy fechou, fui andando para casa sozinha, pois havia recusado a carona de Marcos, já que eu havia dito que minha casa ficava ali perto e eu não precisava andar muito, o que era verdade. Minha casa ficava duas quadras para cima, só que eu não contava com um imprevisto no caminho.

Lá estava eu, andando sozinha pela rua, uma garota de dezesseis anos indefesa carregando uma bolsa que continha várias coisas, entre elas dinheiro. Parei de repente quando senti que alguém estava me observando, Virei-me prontamente e não vi ninguém. Então engoli á seco e continuei andando, mas não tão tranquilamente como estava alguns minutos antes. De repente do nada saiu um garoto de no mínimo dezoito anos das sombras e me colocou contra a parede. Arregalei os olhos e pensei: "pronto, é meu fim!".

"Me dê sua bolsa, ou você morre"

Disse ele ameaçadoramente, e em sua voz pude distinguir o cheiro de cigarro e bebida barata.

"Não há nada demais aqui..."

Menti, pressionando disfarçadamente minha bolsa contra meu corpo. O garoto sorriu maliciosamente:

"Certo, então vamos fazer do jeito difícil, se é isso que você quer..."

E foi naquele momento que eu soube que perderia minha inocência (se é que vocês me entendem) quando outro rapaz surgiu das sombras e pulou para cima do meu agressor. O rapaz era forte, tinha cabelos cor de limão e olhos cinzentos que brilhavam ferozmente na escuridão. Ele deu um soco no queixo e no nariz do garoto que antes havia me prendido contra a parede e o mesmo saiu correndo, desesperado e assustado com seu rosto repleto de sangue. Meu salvador se virou para mim e arregalei os olhos ao ver quem era:

"Elijah!?"

Perguntei, surpresa, e ele sorriu:

"Ah, ótimo, fico feliz que você esteja bem. Aquele cara te machucou?"

Perguntou ele e neguei com a cabeça. Fui até Elijah e fixei meus olhos nos dele:

"Obrigada."

Falei sinceramente, e ele sorriu, assentindo:

"Não há de quê."

"Há algo que eu possa fazer para recompensá-lo por impedir que aquele bruto me machucasse?"

Perguntei, e ele sorriu, lançando-me um olhar sugestivo:

"Talvez..."

Ergui as sobrancelhas e abri minha boca para falar algo que não me lembro agora, mas fui interrompida com a junção dos lábios de Elijah com os meus, o que me deixou surpresa e estupefata.

"Mas..."

"Eu sempre quis fazer isso, desde que éramos crianças, mas éramos muito novos. Oh meu Deus, nunca estive tão feliz por ter atingido a maior idade!"

Disse ele, rindo da minha expressão de "eu não acredito que ele fez isso".

"Mas, Elijah, nós nunca fomos muito chegados! Nós nunca nem chegamos á nos conhecer direito! Eu era amiga da sua irmã, e agora você vem e me beija, mas que...Uau."

Comecei indignada, mas parei de repente ao me deparar com a sensação boa que eu sentia. Borboletas havia voado em meu estômago, e o gosto dos lábios de Elijah continuava nos meus lábios. Aqueles lábios tão macios que eu havia adorado beijar segundos atrás... Não vou mentir, mas eu estava louca para beijá-lo novamente, mesmo sabendo que havia chances de ele ter uma namorada ou estar em algum relacionamento, mas logo essa ideia se esvaiu de minha cabeça, pois ele não teria feito isso se fosse comprometido.

Sorrimos um para o outro e Elijah se ofereceu para acompanhar-me até minha casa. Nós andamos lado a lado, ele sempre dando alguma desculpa idiota para segurar minha mão, como "vamos, Nell, ou você quer que outro maníaco tente te estuprar?" ou "acho melhor andarmos de mãos dadas, sabe, só para não nos perdermos". Já ouviu alguma coisa mais linda e mais idiota, Charlie?! É, eu sei, mas acho que é o amor.

Quando paramos em frente á minha casa, me virei para Elijah e ele rapidamente selou nossos lábios, dando início á um beijo que durou vários minutos, até que nos separassemos por falta de ar. Ele rapidamente depositou um beijo em minha testa e sussurrou um "boa noite" em meu ouvido antes de caminhar para longe de mim. Virei-me para minha casa e vi alguém me observando da porta: Cherie. Ela sorria maliciosamente, com os braços cruzados e as sobrancelhas erguidas. Mexi meus lábios, formando um "por favor, não conte á ninguém" e ela assentiu, colocando dois dedos cruzados sobre os lábios e piscou para mim antes de entrar para dentro novamente.

Então, quer dizer que isso é amor, Charlie? Espero que eu não esteja enganada, pois eu gostei muito. Você já sentiu essa sensação com alguém?

Com amor,

Nell.

Notas finais
Espero que tenham gostado XD Obrigada por lerem e por favor deixem reviews. Até o próximo capítulo.