Notas iniciais
Essa Fanfic foi mandada originalmente para o Canal Animespirit! Espero que se divirtam!

Estou apaixonada.

Alphonse ergueu seus olhos do livro. Suas sobrancelhas levantaram formando um vinco na testa.

Eu estava envergonhada. Evitei seus olhos que cintilavam curiosos. Ouvi a poltrona estalar enquanto ele se acomodava melhor no assento. Eu não sabia o que fazer ou dizer. Decidi contar – repentinamente! — mas não pensei muito. Esperei que ele reagisse de alguma forma, e assim pudéssemos prosseguir. Engoli em seco. Meu coração palpitava com fervor, fazendo minha respiração acelerar. Permanecemos em silêncio por algum tempo.

Ele soltou um suspiro aborrecido e retornou a leitura. Arrumou os óculos que pendia em seu nariz. Encarei seus orbes negros esquadrinharem as páginas amareladas. Ele era bem insensível quando queria. Sentia meu rosto queimar em rubor. De repente eu já não sabia por que decidi contar. Conhecia-o suficiente para dizer que estava intrigado. Afinal, eu não era do tipo de garota que fazia isso. Mas seu desinteresse machucava meu orgulho, e por impulso me dirigi à saída.

Era inútil conversar com ele;

- Quem é?

Atônita, voltei-me para a cadeira onde estava repousado. Seu livro estava depositado em seu colo, enquanto seu semblante permanecia passivo. Retirou os óculos, mostrando claramente que não voltaria a ler tão cedo.

Eu hesitei. Abri a boca duas vezes antes de dizer seu nome:

- Christian Heller Klein.

Vi seus olhos cerrarem por alguns instantes. Al respirou fundo antes de reabrir seu livro. Concentrou-se nos meus olhos antes de retornar a leitura. Mordi meu lábio inferior. Seus dedos tamborilavam na mesinha de marfim com impaciência. Ele queria que eu dissesse algo. Como homens podem ser difíceis.

- E...? – Bufou aborrecido. – Vocês estão namorando?

- Não.

Ele voltou sua atenção novamente a mim. Fechou o livro com violência e o lançou ao chão. Recuei instintivamente. Suas sobrancelhas estavam levemente arqueadas, numa expressão irritada. Inclinou-se para frente da cadeira, apoiando-se nos joelhos.

- Por que está me contando?

- Pensei que devesse saber.

- E por que pensa isso?

- Halley me contou sobre... – Disse lentamente, esperando que ele processasse a mensagem. Não consegui terminar a frase. Eu estava rubra. Senti como se aquilo fosse mais vergonhoso do que dizer a ele que estava apaixonada. Acho que compreendeu o que quis dizer, pois seus olhos demonstraram um lampejo de surpresa. – Então, achei que...

Alphonse levantou-se da cadeira e passou por mim até a saída. Um tanto aturdida pela sua reação, segurei seu braço. Ele lançou um olhar frio em minha direção, mas eu não me importei. Não sabia ao certo o motivo de tê-lo impedido sair da biblioteca, contudo, não ousei soltá-lo. Ele não voltaria a falar comigo depois dessa conversa. Eu precisava terminar.

- Alphonse, porque não me contou?

Ele lançou um olhar distante para a janela esbranquiçada. Parecia estar evitando meu olhar.

- Não havia nada a ser dito.

Deslizei minha mão pelo seu braço até ir de encontro com sua mão.

Ao perceber meu movimento, ele rapidamente se livrou de minhas mãos, em repulsa. Lançou-me um olhar de ódio antes de se retirar do aposento.

Alphonse era meu amigo de intercâmbio; Participava do CISV – assim como eu, — e foi dirigido a minha residência para uma estadia de um ano. Ele escolheu o programa, mas não estava satisfeito com o Brasil; parece que o seu grupo queria vir para a América do Sul no carnaval enquanto ele desejava ir a Europa. Quando fui à reunião e me apresentaram a ele, eu fiquei abismada com a palidez de sua pele e o jeito arrogante com o qual tratava a todos. Ainda assim, Al era bom de lábia e era bastante engraçado; mesmo quando ele criticava suas atitudes precocemente. Desde então, dividimos um pequeno apartamento de aluguel.

Nunca nos demos bem.

Os primeiros meses foram terríveis. Não conversávamos. Ele sempre almoçava fora e não se interessava pela cultura brasileira que eu tentava apresentar. Algumas vezes, trazia mulheres estranhas para o apartamento sem dizer nada. Quando ficava, lia algum livro encadernado de sua mala e me ignorava. Iniciava conversas a partir de críticas sobre meu comportamento e minhas atitudes. Eu me esforcei para agradá-lo e fazê-lo se sentir em casa. Eu tentei.

O pesadelo começou com o início das aulas. Alphonse não queria aparecer em sala comigo. Era ridículo; ele alugou uma moto para ir à escola que ficava a duas quadras do apartamento. Tentava me ignorar a maior parte do tempo. Por isso criei um passatempo; eu o humilhava e o provocava durante as aulas e ele revidava sempre que tinha chance. Em inglês. Minhas amigas riam da nossa infantilidade.

Se você acha que isso mudou alguma coisa, está enganado. Passamos a nos odiar ainda mais e não conversávamos nas atividades do CISV. Nosso líder sempre escolhia outras pessoas para incumbências porque éramos impossíveis. Al sorria vitorioso e me olhava de soslaio. Eu grunhia de ódio. Eu queria participar! Mesmo que tivesse de arrastar Alphonse comigo no inferno. Não aceitaria uma derrota no concurso de carnaval para os americanos idiotas.

Só passamos a nos entender quando houve um apagão no meio da noite. Alphonse acordou quando o ar condicionado parou de funcionar – ele não estava acostumado com o calor intenso do Rio. Foi direto para a cozinha beber um copo de leite e acabou me acordando.

Olhei para o relógio, e depois para o céu estrelado através da janela. Suspirei irritada. Prendi meu cabelo em um coque e corri para a cozinha. O que aquele idiota estava fazendo agora?

A cozinha estava no mais escuro breu. Ainda assim, consegui visualizar seu rosto estava encoberto de suor. Estava estirado na cadeira. Amarrara sua camiseta na cintura, exibindo seu peitoral definido, ficando apenas com seu short. O seu cabelo loiro estava ensopado e moldurava seus orbes esverdeados, dando um aspecto lastimável. Comecei a rir. Nunca tinha o visto em pior estado. Ele arqueou as sobrancelhas e virou-se em minha direção. Devia me achar louca.

Sentei-me ao seu lado e puxei assunto. Estava de bom humor – ele não tinha o mesmo entusiasmo pelas olheiras negras em seus olhos. Começou como sempre; críticas e algumas cortadas.

Acho que estava bêbada com o sono, ou muito cansada para discutir porque comecei a rir dos defeitos que ele encontrava em mim. Era tão evidente assim? E concordava que eu fazia tais idiotices. Ele tirava sarro das coisas que eu cometia, ou mesmo das minhas atitudes infantis. E eu comecei a ver como era boba. Acho que ele se entusiasmou e desabafou tudo o que havia errado naquele apartamento e no CISV. Eu concordava e fazia alguns comentários. Al estava contente em poder desabafar o quanto odiava aquele lugar. E eu estava feliz por nos darmos bem em uma conversa. Tínhamos perdido por completo o sono.

Quando ele terminou, começou a perguntar sobre a minha vida. “Ele está interessado na minha vida?” Eu ria comigo mesma. E eu contei o básico; era de Londrina, tinha uma irmã mais nova e queria cursar Letras. Perguntei a ele como era a sua vida na Inglaterra. Ele não respondeu com clareza. – Meu inglês estava enferrujado. – Por isso pedi várias vezes que repetisse. Ele não se irritou. Ele interrompia, me encarava e repetia o trecho devagar. Não me sentia muito confortável quando ele dava tanta atenção para mim, por isso evitei interrompê-lo.

Eram três da manhã quando acabaram os assuntos. Mas a energia não tinha voltado, e não estávamos com vontade de dormir. Foi então que começamos a falar sobre coisas avulsas como pequenas histórias do passado e narramos situações engraçadas que passamos. Foram coisas pequeninas, mas me senti mais próxima dele. Dormimos no meio da conversa. Quando acordamos, quase tive um infarto ao vê-lo sem camiseta em meu colo. Ainda mais, ensopados de suor.

Então as coisas foram melhorando de uma maneira radical. De um dia para outro, ele começou a comer minha comida, conversava comigo na escola e me apresentou aos seus amigos. Era uma mudança tão súbita que todos estavam atordoados. Inclusive eu, que mal me lembrava da noite. Nós dois fomos ficando cada vez mais espontâneos um com o outro até nos tornarmos amigos.

Estávamos todos felizes quando algo arruinou tudo.

Alphonse conseguiu uma namorada.

Halley era uma americana adorável; Ruiva, esbelta, olhos castanhos e um corpo desejável. — Era modesta, desajeitada e um pouco egoísta também. — Todos os meninos ficavam fascinados com ela e corriam aos seus pés. Al era um desses; — ele não admitia, mas era tão óbvio que ele cansou de negar — e para a minha tristeza, ela resolveu escolhe-lo entre os quinhentos campistas do CISV.

Ela ágil rápida e indolor. Cortou todos os relacionamentos dele com o mundo. Internet, amigos, família, CISV... Preencheu o mundo de Al só com a sua figura, dizendo que era o suficiente para satisfazê-lo.

Hal me odiava; Sentia ciúmes com coisas pequenas e era bastante dramática. Toda vez que entrava no apartamento me esnobava ou criticava algo sobre meu comportamento. –Ingleses e americanos vêem muitos defeitos em pessoas problemáticas como eu. Tinha muitos ataques de ciúme, principalmente por minha causa. Às vezes chorava, suplicando que fosse morar com ela, ou me xingava revelando cada defeito do apartamento. Al se irritava quando aquilo acontecia – ele realmente odiava drama — e começavam uma discussão. E eu era indiretamente expulsa do apartamento por horas.

Mas nem sempre era assim. Quando queria, Halley era uma figura cativante e bem humorada. Conversávamos durante horas e nos divertíamos à custa de Al que estava sempre tentando agradá-la – judiávamos de seu amor cego. Incentivava-me a fazer coisas erradas e foi comigo na minha primeira tatuagem. Gostava dela nesses dias.

Sempre que podia, Al reclamava sobre o modo possessivo ou o jeito como Halley queria dirigir sua vida. Eu só dava de ombros e prestava atenção nos absurdos que os dois faziam. Não dava muita bola.

Era sempre assim; Os dois discutiam e se separavam. Al transformava-se em um homem melancólico e maduro. Dizia coisas lindas nessas horas e ficava sensível aos sentimentos dela – eu achava maravilhoso o modo como era apaixonado por Halley. Então ele ia a casa dela, desaparecia por alguns dias, e pouco tempo depois, você podia encontrá-los do outro lado da rua se agarrando em uma muretinha.

Com o passar do tempo, eu fiquei muito solitária. Al sempre estava fora e minhas amigas já tinham seus namorados. Cansei do apartamento e comecei a passar os dias nas praias e parques cariocas, tentando aliviar o estresse de ser a única virgem da minha classe.

Foi aí que eu conheci Christian.

Um carioca legítimo; bronzeado forte, olhos castanhos e um cabelo negro magnífico. Todas às vezes que ia caminhar, passava pela árvore onde eu normalmente ficava. Sorria e dava um cumprimento rápido antes de se afastar. Semanas passaram-se assim, até que um dia, ele resolveu parar para conversar.

Chegou como sempre fazia, mas ao invés de desaparecer pela pista de corrida, ele diminuiu o ritmo e sentou-se ao meu lado, encharcado por suor. Sorriu, revelando aqueles dentes brancos perfeitos e murmurou ofegante: “Oi...”

Em resposta, dei um sorriso tímido, fechando o livro e colocando-o em meu colo.

“Bom dia Chris.”

Conversamos por um bom tempo. Ele era divertido e engraçado. Eu ria como louca – parte por nervosismo, parte por timidez. Christian era extremamente desajeitado – como pude notar quando ele tentou comprar sorvete – e conversava com as pessoas com facilidade. Quando olhamos em volta, o parque já estava deserto e o Sol já estava se pondo. Eu dei meu telefone a ele e cada um foi para a sua casa.

Ao chegar, fui surpreendida por Al – que tinha arrastado uma cadeira de modo que quando eu entrasse, me deparasse com ele ali no meio. Resolvi ignorar. Coloquei meu casaco e minha bolsa no cabide. Fui na geladeira e peguei a jarra de água. Conversar por muito tempo me deu uma sede. Tomei direto no bico.

“Onde esteve esta tarde?”

Arqueei uma sobrancelha. Desde quando ele se preocupa para onde eu vou?

“O que está fazendo aqui? Brigou novamente e foi expulso de casa?” Ele nunca estava no apartamento. Halley ocupava todo o seu tempo. Como Al não respondeu a minha provocação, deduzi que estava certa.

“Um passarinho me contou que você está visitando parques e praias atrás de alguém” Alphonse sussurrou devagar. Eu olhei surpresa para ele e abri a boca umas duas vezes antes de dizer. Eu sentia meu sangue ferver em meu rosto enrubescido.

“Alphonse William Knightley, o que...” Me inclinei para perto da cadeira.

Ele estava se divertindo com a minha vergonha. Como eu odiava aquele loiro inglês. Ele abriu a boca como se fosse falar algo, mas depois tornou a fechá-la.

“De onde você o conhece?”

“E porque diabos você se importa?” Eu explodi irritada.

Al continuou com seu rosto passivo, como se não se importasse. Mas eu podia ver uma pequena arqueação na suas sobrancelhas , mostrando um significativo sinal de preocupação.

Eu grunhi irritada ao perceber isso. Estava sendo idiota e infantil de novo. Era só uma provocação. Eu não entendia porque estava com tanta raiva dele. Ele era tão instável; há seis semanas vivia me ignorando e de repente tornou-se meu amigo. Agora ele me troca por uma namorada e do dia para a noite retorna para casa se preocupando comigo...

Será que estou com ciúme?

“Pode chamar a Halley para passar a noite aqui no apartamento. Eu vou dormir fora...”

Peguei novamente meu casaco e minha bolsa. Eu estava prestes a fechar a porta quando ele me prensou contra a parede. Eu tentei me livrar de seus braços, mas não obtive sucesso.

“Qual é o seu problema?”

Ele aproximou seu rosto do meu e senti a sua respiração quente. Olhei em seus olhos esverdeados. Brilhavam intensos. Eu o empurrei para longe e sai. Desci as escadas – não queria ser pega desprevenida novamente – e fugi pelas ruas nubladas.

Desde então eu não conversei mais do Al. Até agora.

Isso porque, logo depois de fugir do apartamento, eu encontrei a Halley.

E o que ela me disse, me fez retornar imediatamente.

Notas finais
** I M P O R T A N T Í S S I M O **
Antes que você continue, saiba que CONTINUO A FANFIC MAIS RÁPIDO COM COMENTÁRIOS! [/leva.pedradas]
Segundo, eu vou realizar uma VOTAÇÃO para o próximo capítulo:
O que a Halley contou a Natalie que a fez admitir a Alphonse que estava apaixonada?
[] Contou que Alphonse vai retornar a Inglaterra.
[] Os dois brigaram por causa de Natalie, e se separaram.
[] Christian é uma pessoa conhecida de Alphonse.
[] Natalie vai viajar para o exterior.
[} Alphonse está com uma doença grave.
[] Nenhuma das alternativas.
[] A minha idéia é:________________________________