Notas iniciais
Já postei essa história no Animespirit! Espero que gostem!


- Eaí Al?

Um tanto mal humorado, Alphonse ignora o chamado. Permanece com o rosto sereno e a velocidade habitual. Passa pelas inúmeras fileiras de carros estacionados enquanto tateia seu bolso atrás da chave.

Após alguns segundos, escuta os cascalhos estalarem atrás de si; Solta um suspiro aborrecido. Olha para trás de soslaio, observando uma figura esguia segui-lo com insistência. Aperta o passo.

- Ei, estou falando com você! — Exclamava Christian com seu péssimo sotaque carioca.Antes que pudesse alcançar o inglês, Alphonse virou-se para ele.

- Hey. – murmurou rouco.Christian sorriu e levantou sua mão como cumprimento. Alcançou o loiro em longas passadas:

- Nossa. – Deu um sorriso amarelo enquanto ofegava pela corrida. – Bela moto. Comprou ou alugou?

Alphonse limitou-se a levantar uma sobrancelha. Estava com pressa e não agüentava aquele papo enjoativo do Chris. E o pior; tinha impressão que não ia acabar cedo.

- O que você quer? – Al suspirou aborrecido.

- Conversar, — Chris respondeu com simplicidade. -que modelo de moto é esse? Não tem nenhuma marca, mas parece ser um clássico. Já tem carteira de motorista para dirigi-la?

- Na Inglaterra podemos fazer a auto-escola aos dezesseis. – Respondeu ríspido, enquanto procurava a chave pela jaqueta.

-Legal. – Murmurou Christian com pouco entusiasmo. Acho que ele esperava outra resposta. – Hm... Você a alugou? Não compraria algo tão caro para usar em um ano, ou você vai levá-la a Inglaterra?

-Eu comprei.O carioca bufou desanimado. Estava mais difícil do que pensara. Apoiou-se na moto preta de Alphonse, provocando um olhar perturbador. Sorriu de relance ao perceber isso.

- Certo. – Christian pronunciou devagar, pensando no que dizer em seguida. – O programa do CISV está legal? Ouvi dizer que está morando com a Natalie do segundo ano. — Ele asssobiou alto. — Ouvi dizer que saiu do apartamento dela.

Alphonse bateu na arvore em que a moto estava apoiada. Entendeu agora porque ele tinha ido ao seu encontro. O moreno se afastou sobressaltado, um tanto aturdido pela reação inesperada. Al lançou um olhar irritado para Chris, que entendeu a mensagem de imediato. Sorriu com escárnio, revelando parte de suas intenções.

- Aonde quer chegar? – Alphonse aproximou-se, com a voz num mudo ressentimento.

- Em nenhum lugar. – Chris levantou os ombros, fazendo-se de desentendido. – Eu estou vendo-a com freqüência nos parques e nas praias. Parece muito solitária.

Al cerrou os olhos. Não ia conseguir provocá-lo com aqueles argumentos. Deu de ombros e voltou sua atenção a mochila aberta. Parou de se interessar nela há muito tempo. Na verdade, fazia uma semana que não voltava ao apartamento. Sorriu levemente, imaginando sua expressão de surpresa se retornasse tão cedo. Natalie já devia ter organizado seu quarto, ou mudado-se para o quarto com ar condicionado. Ficaria aborrecida se voltasse.Christian não desistiu:

- Eu até entendo. Todas as suas amigas já tem namorados e você a trocou pela Halley. Ela deve estar se sentindo muito carente, para procurar alguém com tanto afinco. – Al concordou com a cabeça. Chris irritou-se com a calma, portanto acrescentou. – Chega a ser ridículo. Me lembra uma vadia no cio.Alphonse virou-se bruscamente para Christian – que sorriu satisfeito com a provocação.

Ele podia não entender muito do português, mas conseguia identificar xingamentos. Era bem fluente nessa área. Sua coluna se empertigou, tornando-se algo grande e apavorante. Soltou sua bolsa e respirou fundo.

- Halley – Al começou, lentamente. Precisava se lembrar do motivo. – pediu que eu não espancasse você. Não abuse. Eu costumo não ouvir mulheres.

- Ficou irritadinho Knightly? – Perguntou provocante. – Não gosta quando xingam sua cachorrinha de vadia? – Manteve-se em silêncio por alguns instantes. – Todo mundo sabe que você tinha uma quedinha pela Paes. No meio do ano, começou a tratá-la de com delicadeza, virou um cavaleiro. Víamos como paquerava insistentemente sem receber muita atenção. Teimou por dois meses e depois saiu de seu apartamento. Ficamos surpresos com essa reviravolta. Parecia que não ia desistir tão facilmente. Ou você não desistiu? Pegou a Halley apenas para provocar ciúmes?

Alphonse socou o rosto de Christian com força. O moreno ficou um pouco atordoado, mas ainda assim, conseguiu desferir um chute no abdômen de Al, que lançou-o para trás. Chris agarrou o colarinho do loiro, quando Halley adentrou o estacionamento.

- O que está acontecendo? – Halley deixou a mochila no chão e correu para ficar entre os dois meninos.Chris sorriu vitorioso. Tinha conseguido o que queria.

- Por que não pergunta para o Alphonse? Ele vai ficar feliz em explicar a sua relação com a Natalie. – E com essa frase, retirou-se do estacionamento, deixando os dois sozinhos.Halley correu para Alphonse, tentando limpar seu rosto encharcado de suor. Ele afastou o pano com um tapa e a puxou para perto. Deu-lhe um beijo suave na testa, e um abraço demorado. Halley soltou um suspiro. Sussurrou em seu ouvido:

- Eu não tinha pedido que parasse de brigar com o Chris? Sabe que ele não aceitou bem nossa separação.Al não respondeu. Permaneceu com os olhos fechados inalando o perfume da sua namorada. Isso o acalmou parcialmente.

- O que aconteceu dessa vez? – A ruiva murmurou intrigada, enquanto se afastava de Alphonse – O que Natalie tem haver com a briga?Al suspirou irritado.

Isso ia demorar.

Ele a conheceu no programa de intercâmbio. Uma garota morena, com belíssimos orbes castanhos amarelados, altura mediana e um bronzeado espetacular. Brasileira. Não se destacava das loiras ricas do programa. A primeira vez que a viu foi na primeira reunião do grupo, onde escolheriam a casa Improvisada de cada dupla. Sentia-se extremamente desconfortável pelo calor — odiava aquele país tropical – e por não conhecer ninguém naquela viagem. Sentou-se o mais afastado que pôde e puxou um livro da bolsa. Procurou evitar conversar ou se interessar por qualquer um dos presentes. Só queria que aquela droga acabasse.Foi aí que ela apareceu.Natalie timidamente e hesitante, aproximou-se de Al e tentou puxar conversa. Não era como as outras que tagarelavam sem parar, ou tinham corpos avantajados e desejáveis. Era simples. Comum. Retornou a leitura assim que a viu. Se fosse diferente das outras, se afastaria rapidamente.

Mas ela permaneceu.

Tentava lutar com aquela frieza a qual ele sujeitava a todos. Perguntava sobre seu país natal, e mesmo sem receber respostas, persistia com perguntas ainda mais irritantes.Al a odiou. Era infantil, insistente e desinteressante. Chata. Seu líder percebeu essa repulsa, e apenas para irritá-lo, colocou os dois como Dupla, para ver se Al aprendia a sua lição.

Ele mudou-se para seu apartamento apenas três dias depois. Instalou-se no melhor quarto e espalhou seus pertences por toda a casa. Natalie reclamou e tentou discutir; mas Al era o irmão mais novo de uma família com três filhos. Sabia xingar e se defender com uma garra de ferro. Os dois brigaram durante dias e noites — tentaram até dividir o mesmo quarto.

Era uma guerra infantil e divertida, que envolvia diversos truques sujos e brincadeiras noturnas. Nat não tinha uma habilidade para maldades com Al, portanto era a que mais sofria com os jogos. Al gostava da bagunça. Adorava atormentar a brasileira e irritá-la sempre que podia. Ele se vingava dentro de casa e ela, na escola.As coisas só esfriaram depois que os vizinhos reclamaram das brigas frequentes.

Desde então, Al evitou a casa. Nat estava ressentida e envergonhada — entendia porque ele estava evitando-a. Quer dizer, ter de chamar a polícia porque você não parava uma brincadeira boba é realmente constrangedor. E aos poucos, o espaço entre eles foi aumentando. Até o apagão.

Alphonse acordou suando no meio da noite. Encarou o ar condicionado irritado, enquanto batia freneticamente o botão de ligar. Jogou-o no chão com raiva, ao perceber que a luz tinha acabado. Cansado, entorpecido pelo sono, caminhou pelo corredor esbarrando nas paredes. Entrou na cozinha e abriu a geladeira atrás de uma garrafa de leite. Suspirou irritado ao ver que estava quente. Odiava coisas quentes — com algumas exceções.Esparramou-se na cadeira e virou a garrafa inteira. Já estava na segunda, quando Natalie apareceu, apoiada de costas na geladeira. Fazia dias que não conversava com ela — e não pretendia mudar isso tão cedo. Tentou ignorá-la como sempre fez, tomando seu leite enquanto aguardava o retorno da energia. Ela tagarelava sobre coisas inúteis e fúteis de um jeito que nunca tinha feito. Al tentou observá-la melhor; ela estava suando também. Sua camisola branca estava um tanto transparente, devido ao suor.

Exibia suas curvas esbeltas com sensualidade, e seu sutiã preto que se destacava na cor branca. Discretamente, arregalou os olhos para seu corpo — nunca tinha a visto de um outro ângulo. Seu cabelo castanho estava preso em um coque baixo e seus olhos dourados cintilavam a meia luz. De repente, ela começou a gargalhar — estava nervosa.

Al virou-e para ela surpreso. Pensando bem, ela sempre tentara agradá-lo. Talvez ali, não fosse diferente, — ela acordou para ver se ele estava bem. Não tinha certeza se estava certo quanto aquilo, mas a idéia lhe agradou. Muito.Resolveu testar: começou a reclamar de tudo e dela mesma em sua frente. Xingava as coisas com vontade, desabafava os seus problemas e explicava como o Brasil podia ser encantador. Ás vezes, ridicularizava alguma brincadeira ou atitude. Dizia coisas horríveis que ninguém tinha coragem de dizer a ela. Ela só ouvia — e quando se sentia ofendia ou precisava defender seu ponto de vista — elevava o seu tom, retrucando ou transformava a ofensa em algo para rir.Al foi se soltando aos poucos ao perceber que estava sendo ouvido. Falava como louco em inglês. Revelou como sentia saudades de casa; Seus sonhos de ir a Europa e alguns de seus problemas familiares.Natalie demonstrava um interesse encantador sobre tudo o que dizia, instigando-o a continuar. Quando não entendia, Alphonse parava e repetia as palavras devagar, com delicadeza e dava-lhe máxima atenção. Isso a deixava rubra e ele se divertia internamente com suas reações.

Foi aí que ele percebeu. Mal sabia o nome da garota.

Muito envergonhado, interrompeu-se no meio da fala e começou a perguntar sobre sua vida. Um tanto confusa pela mudança súbita, ela contou-lhe o básico sem muito entusiasmo. Era interiorana, de origem modesta e queria cursar letras. Não tinha nenhum plano para o futuro e iria tentar o vestibular pela primeira vez.Acabando-se os assuntos, começaram a contar coisas levianas e sem valor do dia-a-dia. Riam e se divertiram ao decorrer da noite.

Quando a luz retornou, ambos gritaram em uníssono, felizes. Conversaram mais um pouco e depois cada um foi para seu quarto. Natalie adormeceu na hora, mas Alpohonse não conseguia pregar o olho.

Lançava as almofadas para o alto, virava de um lado para outro na cama; Mas não conseguia achar uma posição confortável. Ficou parado na cama pensando sobre seu dia. Natalie provara ser uma garota mais interessante do que pensara. Era inteligente, carismática e provocante. Muito diferente da garota reclusa e sem graça que encontrara no CISV. Uma poetista sonhadora dentro de uma brasileira sedutora.

Rapidamente, teve um vislumbre da garota em sua cama, com sua camisola fina e seu sutiã preto, instigando-o a se aproximar. Dava lhe beijos fortes enquanto arranhava suas costas e sussurrava em seu ouvido “Possua-me.” Teve um ataque de riso. Lembrou-se que estava falando de Natalie, a garota tímida que corava ao se deparar com alguém de biquíni. “Será que estou delirando?”Mal podia acreditar que estava sobre o mesmo teto de uma garota como aquela!

Apartir de então, passou a sair mais com ela. Chamava-a com frequência e parou de ignorá-la. Faziam coisas juntos e não brigavam nos programas do CISV. As coisas iam muito bem.Foi então que conheceu Halley.Apareceu no terceiro mês, junto com um grupo de norte americanos. Ela era linda; Ruiva, com seus olhos esverdeados e seu incrivel carisma. Apaixonou-se de imediato. Mas, — por mais que não parecesse — ele era muito tímido.

Observava de longe a garota, com olhos sonhadores. Evitava cruzar seu caminho, e sempre que podia, seguia a com os olhos.A mudança repentina em seu comportamento refletiu muito na vida de Natalie — que estava sendo frequentemente substituída por planos mirabolantes. Não foi difícil descobrir o motivo; tudo que Alphonse fazia era pensando nela. Ida aos parques, passeios nas praias, atividades extras no CISV, saídas súbitas nas aulas.

Começou a passar pouco tempo no apartamento. E quando ficava, parecia melancólico, sonhador e tentado. Olhava para a janela ou porta com frequencia, pensando em sair. Observava a tela de seu celular por grandes períodos, ou se trancava no quarto com o som alto. Era óbvio que se pudesse, ele compraria o mundo para que parasse e os dois ficassem juntos no tempo. De um jeito bem meloso.

Natalie achava adorável aquele amor cego e intenso. Ficava feliz, ao ver que aquela única pessoa pudesse tê-lo transformado. Mas todo aquele mistério a instigava. Despertava nela uma emoção forte que a incomodava, mas não a impedia de vê-lo feliz. Suspirava rubra, ao imaginá-lo com sua misteriosa garota passeando no parque.

Desde então, passou a observá-lo com frequência; via tornar-se rubro com um simples olhar de Halley; escrever cartas apaixonadas; emocionava-se ao observá-lo tristonho, vendo Haly beijando Christian; Na segunda semana, resolveu provocá-lo.

Chegou no acampamento, como senão desejasse nada e lhe perguntou se gostava da Halley. As sobrancelhas de Al arquearam tanto, que Natalie não pôde deixar de rir. Alphonse disfarçou o constrangimento com um cara fechada e aborrecida — mas não deixava passar sua perturbação. As pessoas que passavam observaram a discussão e em um instante, uma multidão tinha se aglomerado ao redor dos dois.

Al tentou sair o mais rápido que pôde, mas foi repelido. Olhavam ansiosos para os dois, que não ousavam pronunciar uma única palavra. Natalie não contaria seu segredo, contaria?De repente, um novato gritou lá do fundo: “Beija!”

E todos os outros que não sabiam o que se passava, repetiram animados as mesmas palavras, fechando cada vez mais o círculo.Natalie corou no mesmo instante. Cobriu a boca escancarada, surpresa com a reação inesperada do grupo. Estava tão animada. Aquele seria o primeiro beijo do Alphonse! Procurou Halley por todos os lados, mas não a encontrava. O círculo foi ficando cada vez menor, e as pessoas ao seu redor começaram a lhe empurrar as costas como estímulo. Seu sorriso foi desaparecendo aos poucos enquanto caía a ficha.

O beijo era entre Al e ela.

Virou-se para Al imediatamente. Ele tentava sair daquele círculo ridículo; xingava todos, empurrava quem quer que lhe tocasse, e batia para abrir espaço. Ele estava muito irritado. Natalie se assustou com sua reação. Sentia uma magoa reprimida em seu estômago. Porque estava irritada com ele? Não conseguiu fazer mais nada além de encará-lo, pasma e estática.De repente, ele gritou. Sua fisionomia branda agora estava irrompida em uma expressão aborrecida e cansada. Todos os outros se calaram.

“Eu não vou beijar porra nenhuma! — Disse, livrando-se de mlhares de braços. — Não gosto de Natalie ou qualquer outra, só quero a única; Halley Willians!” E sem aguardar mais um único minuto, retirou-se aos solavancos.

Surpresos, os outros observaram Natalie em silêncio. Abriram espaço para ela, e outros até se retiraram, muito envergonhados. Nat não sabia onde colocar a cabeça. Sentia-se humilhada, rejeitada e envergonhada. Tudo ao mesmo tempo.

Não conseguia tirar os olhos do enorme corredor por onde Alphonse fugira correndo, deixando-a naquela situação constrangedora. Sentia seus olhos ficarem úmidos. Fechou-os com força e fugiu para o lado oposto, onde sentou-se em uma pequena macieira e desatou a chorar. Não entendia aquele sentimento de rejeição e porque machucava tanto. Nunca tinha se apaixonado antes e não tinha maturidade para entrar em um problema como aquele.

Murmurou a si mesma, porque se importava tanto com o que ele pensava sobre ela, ou se ele a odiaria por tê-lo feito admitir a todos que estava apaixonado.

“Quero pensar em mim mesma.” — Pensava cansada, limpando as úlitmas lágrimas que escorriam. — “Mas todas as vezes que tento, penso nele. Será que para mim, ele é tão importante a ponto de que eu precise que ele esteja bom, para que eu esteja bem?”

Halley que observava a intriga de longe, seguiu Alphonse até o bebedouro, onde ele estava apoiado de costas.Ele estava com a cabeça para o teto, batendo-a na parede com veemência. A garota ruiva riu internamente, tomando cuidado para não ser notada. Alphonse andava confuso. Pegou o celular do bolso e ficou encarando uma foto em seu celular. Observou-o por um bom tempo antes de lançá-lo para longe, soltando um suspiro aborrecido.

Passou a mão pelos seus cabelos desgrenhados.

“O que está me atormentando tanto?”

Rapidamente, Halley esgueirou-se pelo corredor e se apoderou do pertence lançado. Tinha quase certeza do que veria. Sabia dos boatos. Todos comentavam sobre Alphonse Knightly, o rapaz que a seguia. Ela já tinha o visto na escola, ou no acampamento com Natalie.

Porém, todas as vezes que tentava se aproximar, ele fugia, tímido. Achava uma graça e sentia-se satisfeita com um admirador como aquele. Suas amigas tinham conseguido pegar cartas — das quais ele jogava no lixo — destinados a ela, repletos de poesia e amor. Ria arrogantemente, contente por tais carinhos.

Mas nada tinha lhe despertado tantas emoções como aquilo.

O celular estava com uma foto de Natalie.

Uma onda de ciúmes subiu pelo seu corpo. Nunca tinha falado com aquele garoto, e ele nunca chamara sua atenção, mas aquilo deixou-a repleta de ciúmes. Era extremamente possessiva e não conseguia suportar a idéia de ter sido substituída por Natalie. Aqueles mimos eram dela. Os poemas, as perseguições, os carinhos. Porque Natalie roubava-lhe a atenção?Enquanto isso, Alphonse fechava os olhos, cansado pela briga. Sentia seus olhos pesarem, e suas sobrancelhas caírem.

Esses dias, ele tinha andado muito confuso. Desde que Halley aparecera em sua vida, ele andou perseguindo-a, tímido e hesitante. Porém, porque todas as vezes que estava com ela, pensava em Natalie?Isso o confundia constantemente. Dava lhe dor de cabeça e costumava se trancar no quarto com uma música alta para não ouvir seus pensamentos. Ficar no apartamento com ela, o confundia ainda mais, e portanto, sempre o evitava.Coisas assim estavam constantemente acontecendo.Logo depois desse pequeno incidente, Halley chamou Al para sair e terminou com Christian.

- Está me ouvindo Alphonse? — Insistia Halley, preocupada. — O que Natalie tem haver com a briga?- Eu... só estava defendendo-a. — Declarou, submerso em pensamento. — Mas isso não importa. — Disse, puxando-a para outro longo beijo.Halley soltou um suspiro. Colou sua testa na de Al com carinho.

Perdeu grande parte do ciúme que tinha por ela a algum tempo.

- Trouxe a chave. — Declarou Halley.Ela tinha esses hábitos protecionistas que Alphonse odiava. Um deles era pegar sua chave sem que ele visse.

- Quer uma carona? — Al lançou-lhe um capacete.

- Como assim? Não vai voltar para casa? — e quando Halley dizia “casa” referia-se ao seu apartamento.

— Vou visitar Natalie

- Porque vai voltar para lá?

— Preciso ver umas coisas.

- Posso ir junto?

- Não.

Halley ficou irritada com a última resposta. Uma faísca de raiva passou por seus olhos e foi entendida por Al, que manteve-se passivo.

- Porque não posso ir junto?

- Não gosto do tratamento que tem com a Natalie.

— Porque não vem morar comigo, então? — perguntava a ruiva toda inocente. — Não gosto dessa brasiliera. Podemos dividir o mesmo quarto, passamos mais tempo juntos...

- Faz tempo que eu não a visito. Vou ir e voltar.

- Não vai. Vamos ir para casa, assistirmos um filme e depois... dormirmos.

Al deu um sorrissinho malicioso. Em resposta, Hally sorriu vitoriosa.

- Eu vou e volto rápido.

- Nãaao. — manhou insistente. — Fica só comigo.

- Posso ter as duas, você sabe.

Muito irritada, Halley o segura pelo punho:

- Porque você SÓ a visita? Toda a semana é assim: você corre para ela e fez questão de passar no mínimo uma hora lá. Fazemos um plano e você não pode porque tem de ir a casa dela, ou fazer um trabalho com ela, ou porque planejou um jantar! EU SOU SUA NAMORADA! EU DIGO ONDE VOCÊ DEVE IR, E COM QUEM SAIR, E EU DIGO QUE VOCÊ NÃO PODE IR COM ELA! — Halley esbravejou irritada. — VAMOS VOLTAR PARA CASA, ASSISTIRMOS UM FILME! ENTEDEU?

Al apenas meneou a cabeça, muito irritado. Odiava aquele drama e o jetio possessivo dela.

- Halley, eu vou ir para a casa da Natalie.

-Não! Você não vai.

- Deixa de ser manhosa. — Murmurou irritado. — Vou onde bem quiser , entendeu?

- Para Alphonse! — exclamava ela irritada. — Você não se importa em brigar comigo por causa de outra garota? Estamos discutindo por causa da Natalie. — ela rodou os olhos num sinal de “louca”.- A garota estranha e reclusa do livro. A que passa o dia inteiro trancada em uma sala, se lembra?

- É, eu sei. A garota por quem prefiro passar a tarde ao invés de você — Grunhiu muito aborrecido.

Em um ataque de ódio, Halley tapeia o rosto de Alphonse e se retira do estacionamento com os olhos repletos de lágrimas.

Ótimo.

Aquele dia não podia ficar pior, podia?

Podia, porque apenas cinco minutos depois recebeu uma ligação de seu pai;

Alphonse retornaria a Inglaterra.

Amanhã.

Notas finais
**IMPORTANTÍSSIMO **VOTAÇÃO PARA O ÚLTIMO CAPÍTULO:[] Halley e Alphonse vão ficar juntos no final; Christian e Natalie vão começar a namorar.[] Christian e Halley vão retornar o namoro; Alphonse e Halley vão ficar juntos.[] Natalie e Halley vão se unir contra Alphonse e Christian.[] Alphonse só retornara a Inglaterra.[] Natalie vai correr atrás de Alphonse.[] Nenhuma opção.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.