Deadly Games
65 Água
Notas iniciais
POV- Thalia
Percy saiu antes que seu corpo cedesse ao impulso, me esgueirei até estar na parte de dentro do esconderijo, assim que cheguei na sala fiquei meio surpresa. Malcolm ele tinha crescido muito desde a última vez que eu o tinha visto. O garoto estava mais forte, apesar de ainda estar magro, seu cabelo tinha crescido e estava amarado em um rabo de cavalo mal feito que ficava espetado por não estar tão grande assim, bolças de olheiras estavam debaixo dos seus olhos e ele estava mais pálido.
— Thalia. – Ele disse caminhando até mim me fazendo sorrir leve abraçando o menino.
— Nossa você cresceu. – Comentei me afastando e ele assentiu. – Aonde estão Annabeth e Atena?
— Quarto. – Ele disse me puxando pelo braço. – Elas vão adorar te ver.
— Eu quero muito vê-las. – Disse vendo ele me soltar para abrir a porta.
Logo pude ver Annabeth sentada na cama com as costas apoiadas em inúmeros travesseiros para que ela ficasse confortável, ou talvez apenas para que conseguisse ficar sentada, sua pele estava magra e pálida, seu cabelo preso em um coque alto e seus olhos azuis acinzentados estavam sem vida, a loira olhou a porta e um sorriso brotou em seus lábios.
— Thalia. – A garota disse fraca e eu corri até ela a abraçando, sentindo que ela tentava retribuir com a mesma intensidade, mas que infelizmente estava fraca demais para isso.
Atena me cumprimentou e por fim, todos nos deixaram sozinhas, apenas eu e minha melhor amiga.
— Pensei que não te veria mais. – Ela disse fraco e com a voz rouca, beirando a falha.
— Ainda vai me ver por muito tempo. – Disse sorrindo e ela assentiu sorrindo, mesmo que estivesse triste por dentro. – Percy pediu que eu falasse com você.
Annabeth sorriu e seus olhos se iluminaram pelo menos por um segundo e ela assentiu indicando que eu falasse.
— Ele disse que sente muito, que vai achar uma cura para você e que vai achar um jeito para ficar perto de você. – Falei e ela assentiu enquanto eu dizia, como se anotasse as promessas em sua mente. – Ele disse que te ama e queria poder te falar isso pessoalmente.
Nesse momento ela desabou, abracei seu corpo magro e deixei que ela chorasse e foi assim que ficamos por horas até que por fim ela se recuperou. Deitei ao seu lado e ela suspirou.
— Eu sinto como se tudo fosse minha culpa, você mostrou seus poderes, para me salvar, toda essa divisão e agora eu estou uma inútil sentada aqui nessa cama. – Ela disse devagar fazendo pausas as vezes para que pudesse respirar.
— Não é sua culpa, é culpa da pessoa que colocou essa merda de feitiço em Zeus e Poseidon e criou os imortais, é dela a culpa, não sua, não minha, de mais ninguém, nem mesmo de Zeus, que tem se mostrado um monstro, é culpa apenas daquela mulher. – Disse e ela assentiu.
— O que eu não entendo, porque tipo ela é uma criatura, ela prejudicou as próprias bruxas, eu vi o medo e a revolta que elas têm dos Imortais, eu queria entender o porquê. – Ela falou apoiando a cabeça em meu ombro.
— Que motivo faria alguém matar a própria espécie? – Perguntei, mais para mim do que para a loira que começava a deixar que seus olhos fechassem.
— Eu mataria pela minha família, mataria por você, pelo Percy. – Ela disse fraco e adormecendo logo em seguida e eu deixei que minha mente vagasse junto com meus olhos pelo quarto.
Mesmo com essa pergunta eu me senti mal, afinal eu tinha tantas mortes nas costas, tantas histórias. Muitas apenas porque me mandaram, outras porque estava afim, outras apenas irritada, quem eu era para julgar a bruxa que tinha arruinado a minha vida?
Mas e se eu não fosse a assassina que sou, como seria minha vida? Respirei fundo e senti o cheiro forte de erva, olhei para loira confusa e deixei que meu nariz se aproximasse da boca entreaberta da garota, sentindo o cheiro bom, mas estranho sair dali.
— Anne, Anne. – Balancei ela com cuidado vendo-a piscar algumas vezes.
— Desculpa, eu durmo do nada. – Ela disse com sono e dificuldade.
— Comeu alguma erva? – Perguntei realmente achando que aquilo tinha haver com o mal estar dela por algum motivo.
— Só consigo beber água. – Ela disse e eu peguei o copo de água sentindo o cheiro.
Me levantei e caminhei até o banheiro deixando Annabeth sentada ali joguei a água que tinha no copo na pia e lavei o copo, mas assim que abri a torneira senti o cheiro mais forte ainda vindo da água que saia da pia. Fechei a torneira e fui até o chuveiro e liguei-o sentindo o mesmo cheiro e minha mente começou a trabalhar.
— Água. – Disse para mim mesmo e aquilo foi como uma facada.
Água, todos precisamos de água, pelo menos a grande maioria das espécies e com água contaminada seria o melhor jeito de contaminar a todos, matando. Eu quase conseguia ver Hades prometendo minha morte novamente, água contaminada deveria me matar, assim como várias pessoas, amigos e família.
Corri até o quarto e depositei um beijo na testa de Annabeth em uma promessa silenciosa de que voltaria depois. Sai correndo para alguém que poderia me ajudar, comecei a andar na praia sentindo meus pés afundarem na areia tentando saber como voltaria para a vila, olhando o celular sem sinal.
— Parada! – Uma voz familiar soou e eu me virei em direção a quem falava.
Era uma garota da escola que eu tinha algumas aula junto, ela tinha uma faixa no seu braço que indicava estar pelas ordens de Poseidon, mas sabia que ela era nova nisso, só devia ter se juntado por conta do desespero.
— Vai atirar em mim? – Perguntei e ela firmou a arma apontando-a em minha direção. – A quanto tempo está nisso? Duas semanas? Um mês?
— Fique parada agora! – Ela disse e eu sorri.
— Meus reflexos são melhores que os seus, sei usar uma arma melhor do que você, nasci nesse meio. – Disse me aproximando dela lentamente.
— Parada ou eu vou atirar. – Ela gritou balançando a arma.
— Vamos, deixa eu ver sua mira. – Disse e ela destravou a arma.
Quando ela olhou para o fazer bati com a mão em sua arma a tirando da minha mira e girei seu braço pegando a arma e apontando para ela.
Encostei o cano da arma em sua testa e seus olhos cor de mel se arregalaram, ela não tinha sido preparada para isso.
— Vamos. – Disse sorrindo e ela engoliu seco. – Você tem que me levar até Poseidon.
— Não vou te levar a lugar nenhum. – Ela disse deixando que sua voz falhasse e eu ri alto.
— Ah não é, acha que eu não puxo o gatilho? Já matei centenas de criaturas a minha vida toda, uma humana é o de menos. – Disse irritada e ela engoliu seco. – Agora vou repetir apenas mais uma vez, me leve até Poseidon ou seu cérebro, ou o que for que tenha aí dentro, afinal é bem burrinha de me desafiar vai sujar essa perfeita areia de praia e não queremos seu sangue contaminando o local não é mesmo?
Ela engoliu seco e assentiu divagar.
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