Deadly Games
74 Tentando voltar a normalidade
Notas iniciais
POV- Clarisse
Era estranho passar pela porta da frente de minha antiga casa, tão pequena comparada com a que eu venho vivendo nos últimos anos. Meus olhos passaram por toda a sala, que não precisou de muito tempo, afinal realmente era minúscula. Frank riu baixo, chamando minha atenção para onde ele estava olhando.
No arco que dava para os corredores dos dois quartos meu pai estava estático, observando descrente, eu tinha medo dele não me reconhecer depois de tanto tempo, mas ali estava ele, estático, sorrindo em descrença.
— Oi, pai! — disse com a voz falha, sorrindo ao vê-lo correr em minha direção e me puxar para um abraço que eu nem hesitei em retribuir.
— Eu senti tanto sua falta, tudo que... — ele se interrompeu, apertando mais meu corpo contra o dele como se tivesse medo de me soltar.
— Também senti sua falta — falei baixo, suspirando — de vocês, para falar a verdade.
Meus olhos foram para Frank que sorriu suave, afinal mesmo o vendo todos os dias eu tinha me tornado sua inimiga e mesmo com Zeus e Poseidon trabalhando em equipe nos últimos tempos raramente ficávamos em mesmas equipes, afinal com tanta tensão no ar, eles evitavam montar equipes misturando os grupos.
— Isso tudo que aconteceu, eu... você pode me explicar? — ele questionou para minha direção, me fazendo franzir o cenho.
— Eu nunca tive coragem — esclareceu meu irmão.
— Eu não acredito que tu nunca contou nada — neguei em reprovação, suspirando pesado, afinal eu tinha muito a dizer sobre o que tinha acontecido nos últimos anos.
Nos sentamos no sofá e ele assentiu quando eu disse que tinha algumas chances dele não entender algumas coisas, ou até mesmo não acreditar, mas que era para ouvir tudo até o fim.
— O acidente de carro em que nossa mãe não foi um simples acidente... — admiti baixo, era doloroso falar sobre isso e sabia que meu pai também não gostava do assunto, como Frank também — acredito que deve imaginar que não foi, mas nenhuma simples explicação do que possa ter acontecido parece real. Eu e meu irmão dormíamos no bando de trás quando tudo aconteceu, o carro capotou nos acordando e a mãe não estava mais no bando do motorista, quando tudo parou de girar eu abri a porta e sai, a coisa que nos atacou levantou o olhar gritando e veio em nossa direção, mas um tiro alto pegou no braço do bicho que levantou voou fugindo.
Meu pai abriu a boca confuso, mas fechou ao lembrar que eu tinha pedido para contar toda a história antes de perguntas.
— Na hora algo nos sedou e acordamos no hospital como se tudo fosse um sonho ruim, nos explicaram o que aconteceu, um acidente de carro e foi no que nos apegamos, afinal nada parecia fazer sentido para encaixar as imagens que eu havia visto e o Frank também, mas nenhum de nós dois falava disso — respirei fundo, fechando os olhos sendo acertada com as imagens do dia da morte de nossa mãe. — Então quando voltava da escola mais tarde porque tinha pego detenção eu vi um grupo de pessoas estranhas estudando o carro que ainda estava no mesmo lugar, como se ninguém se importasse de tirar, claramente eles não eram policiais então quando me aproximei reconheci algumas pessoas da escola, Thalia, Annabeth e Jason, o Jason digitava algo rápido no computador enquanto Anne e Thals avaliavam todo o carro, é claro que eu fui tirar satisfação e pedir maiores explicações do porque eles estarem ali, foi também que eu notei que eles estavam armados.
— Eles o que...? — meu pai se cortou, parecia muita informação para ele.
Suspirei, tirando a arma do cos da calça e colocando em cima da mesa de centro e olhando para meu irmão que suspirou e tirou a dele também, repetindo o movimento.
— Estavam armados, depois de toda uma conversa, Annabeth me colocou sentada no meio fio e perguntou o que eu lembrava daquela noite, qualquer coisa relevante poderia valer a pena e que eles resolveriam o caso para a polícia, pois eles não tinham como resolver, é claro que quando dito isso eu pensei na coisa que eu havia visto no dia, era tudo muito confuso, eu sabia que eles tinham grupos, mas eu realmente nunca os vi como gangues ou coisa do tipo, afinal todo mundo sabe da rixa entre os dois lados da cidade e vê-los armados me assustou, foi quando eles me levaram para a casa Grace e me mostraram algumas criaturas...
— Criaturas é como chamamos o sobrenatural, apesar deles possuírem espécies apenas as mais conhecidas são facilmente identificadas pelo nome, o típico de lendas, afinal não é todo mundo que sabe o que é uma Kitsune, um Nagual entre outros — meu irmão que falou, fazendo eu assentir.
— Então eu disse que queria ajudar, que queria participar, logo eles me levaram para ver Zeus que teve que me explicar tudo que isso significava e tudo que acarretaria, a rixa entre os Jackson e os Grace estava firme e eu entrar no grupo deles significaria que eu teria que sair da minha casa atual, teria que se restrita de falar com algumas pessoas e tudo mais — expliquei sorrindo triste.
— A Clarisse veio me contar o que tinha acontecido e que iria pro lado dos Grace, ela me explicou brevemente dois dias antes de fugir em busca de vingança como ela deixou bem claro para a gente — ri com o comentário, revirando os olhos — então como eu sabia que a Hazel falava com o Jackson eu perguntei sobre, confesso que me senti meio idiota por perguntar algo como se realmente fosse real, e ela contou, também me contou do acidente da minha mãe, tinha sido Leo a atirar contra a criatura, mas como estava em zona neutra e os Grace estavam tendo menos ataques eles ficaram encarregados do caso e foi assim que eu entrei para os Jackson e a gente não podia mais se falar.
— Nunca achamos a criatura que causou o acidente, mas ambos fomos treinados para combate e preparados para tudo que viria, nos livramos dessas criaturas, mas então as situações mudaram, as coisas pioraram e foi como encaminhamos para a guerra que você via nas ruas.
Meu pai engoliu em seco, passando a mão nos poucos cabelos castanhos que o restavam, recostando-se no sofá.
— A grande questão é que nem todas as criaturas estavam fazendo o mal, a cidade estava em ataque extremo por todo um problema maior que simplesmente vai te deixar mais confuso do que eu imagino que esteja — eu disse, o fazendo assentir e me arrancar um sorriso calmo e triste.
— Eu não tive coragem de te contar, sabe falar que tanto eu e Clarisse estávamos em uma terna rixa por motivos que não nos pertenciam, andando armados tanto pela cidade quanto fora dela, matando criaturas sobrenaturais não parecia algo que eu conseguia encaixar um tempo para falar, sabe não é um assunto que se conta durante o jantar de domingo... — Frank sorriu sem graça, arrancando uma risada de nosso pai.
— É tudo bem confuso, eu vou precisar de um tempo — ele concluiu, vendo-a assentir.
— Leve o tempo que precisar — anunciei me espreguiçando e pegando a arma novamente, colocando no cos da minha calça —, mas vocês vão me ajudar a tirar as malas do carro, ou vão ficar aqui dentro coçando o saco?
Meu irmão sorriu divertido para meu pai, afinal ele já sabia que eu iria ficar ali, meu pai ainda não tinha tido tal notícia.
— Você vai ficar? — questionou descrente me fazendo dar de ombros e colocar as mãos no bolso da calça.
— Se você quiser que eu fique.
Confesso que senti minhas bochechas corarem com isso, afinal eu tinha admitido que fugi para procurar vingança, que eu matei “pessoas”, que simplesmente tinha tido uma guerra e eu estava participando ativamente dela, conspirando para dois lados dela e ainda pendendo um pouco para o do meu irmão, afinal era óbvio que se Frank precisasse eu o ajudaria.
— Essa casa é sua Cla —ele sorriu me puxando para um abraço se levantando em um movimento rápido — vamos logo pegar essa bagagem.
Meu pai parou assim que viu um menino encostado na picape que eu tinha vindo, o avaliando em tom óbvio de “que porra de menino é esse?”
— Vai ficar? — Chris questionou desencostando do carro.
— Vou sim — sorri o fazendo sorrir também.
— Estou feliz por você — ele caminhou até meu pai sorrindo e esticando a mão — Chris Rodriguez, eu estou de servindo de motorista hoje pra louca da Clarisse.
— Fazer o que? Zeus não vai me dar outro carro — respondi rindo, vendo meu pai apertar a mão dele.
— Frank! — cumprimentou meu irmão que sorriu minimamente.
— Pera, Zeus te deu um carro? — meu pai questionou, me fazendo dar de ombros.
— Ele normalmente dá esse tipo de coisa para as pessoas que caçam com muita frequência — expliquei, caminhando até a picape e abrindo a porta da frente tirando minha mochila de lá.
— Vou bater um papo com Poseidon sobre — Frank comentou, caminhando até a parte de trás da picape, tirando uma mala de lá.
— Ele vai rir da sua cara na sua cara — sorri travessa, vendo-o crispar os lábios em compreensão ao saber que eu estava terrivelmente correta.
— Tu vai com a Thalia depois da escola amanhã ou vai querer que eu te busque? — Chris questionou depois de colocar todas as coisas junto de meu pai e Frank dentro de casa.
— Eu não sei, desde o que aconteceu não sei o que esperar das atitudes da Thals, mas vou tentar ir com ela, qualquer coisa eu aviso — sorri agradecida, vendo-o assentir.
Seus olhos foram para dentro da casa em um movimento rápido, verificando se o ambiente era seguro, sorrindo travesso e me puxando pela cintura selando nossos lábios em um beijo que eu obviamente não hesitei em retribuir.
Eu não sabia ao certo quando isso com o Chris tinha começado, afinal eu era afim dele desde o dia que o conheci, mas em um dia como sempre que estávamos caçando apenas nós dois ele me beijou e era assim quase sempre, do nada nos beijávamos e até posso dizer que tínhamos nos visto mais ultimamente, mas não sabia dizer quando isso começou acontecer.
Me afastei sorrindo simpática, vendo-o dar a volta no carro e ocupar o banco do motorista, dando partida.
— Nunca pensei que te veria com essa cara de menininha apaixonada — Frank falou, me fazendo o olhar em desafio que riu e correu para dentro de casa, me fazendo correr atrás dele.
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