Deadly Games
75 E agora?
Notas iniciais
POV—Nico
O ar voltou para meus pulmões e eu abri os olhos me deparando com a escuridão, o peso contra meu corpo e a textura estranha me entregou que eu havia sido enterrado. Fechei os olhos suspirando.
Não tinha noção de quanto tempo havia passado no mundo inferior, na verdade o tempo tinha se tornado algo muito confuso para mim, pra mim tinha parecido horas, mas para eu estar enterrado acredito que possam ter sido dias, meses, anos...
Isso me assustou, a possibilidade de Thalia ter seguido em frente me deixava nervoso. Dela ter se tornado uma mortal, envelhecido, casado, tido filhos, me esquecido.
Semicerrei o pulso, aparecendo em frente a minha casa e aquilo estava um desastre, a madeira gasta, a pintura tinha se desfeito, com certeza ninguém ia ali a muito tempo, teias de aranhas compunham a decoração e a prova do desleixo.
Suspirei pesado, caminhando para fora da floresta, afinal não tinha nenhum motivo para eu ficar ali parado, assim que cheguei na estrada pude ver que a cidade não estava mais em alerta, tinham alguns carros passando de um lado para o outro, mas ali nunca havia sido um caminho muito movimentado.
Andei pelas ruas, era tarde, perceptível pelo sol que tentava se manter firme mesmo pelo céu escuro de nuvens, o chão estava húmido e resquícios de que havia nevado recentemente estavam presentes, estávamos no inverno e era entranho pensar nisso, pois eu tinha conhecido Thalia no inverno.
Ao me aproximar mais da cidade pude ver as decorações natalinas, ninguém parecia se importar com uma pessoa pálida suja de terra andando por aí, além de que não vi guardas armados pelas redondezas.
Uma bola de neve bateu contra meu ombro e isso chamou minha atenção e uma garotinha sorriu travessa.
— Desculpa, moço! — ela corou, chutando a grama em seus pés.
— Sem problemas — sorri, continuando a andar.
Me vi parando na frente da casa dela e estava desértica, não possuía decorações natalinas em nenhum lugar, a neve derretida acumulada tinha feito uma lama no gramado, a casa estava fechada como se estivesse ali a muito tempo.
— Eles saíram — uma voz doce me fez olhar para trás e logo vi que era a menina da bola de neve — hoje é a formatura de umas quinze pessoas nessa casa.
Ri com o comentário, olhando para a casa e me voltando para a garotinha loira.
— Sabe aonde vai ser? — perguntei e ela assentiu — Pode me dizer?
— Você vai assim? — indagou ela franzindo o cenho — Parece que você mergulhou na terra e deu uma roladinha.
Fechei os olhos segurando a risada.
— Não, eu vou tomar um banho e trocar de roupa — fui mais o menos sincero, era apenas eu estalar os dedos e estaria adequado para uma formatura.
— Vai ser no teatro da cidade vizinha — ela respondeu, me fazendo sorrir e assentir, agradecendo.
Parei na escadaria na frente do grande teatro, as luzes lá dentro estavam acessas indicando que ali estava tendo uma cerimônia, o vento gélido batia forte contra a minha pele e eu apenas conseguia ficar olhando, pensando se ela estaria ali.
Coloquei a mão no bolso subi em passos lentos, suspirando pesado, mas a porta se abriu e algumas pessoas começaram a sair e eu apenas consegui me afastar da multidão em um movimento rápido e ficar olhando as pessoas festejarem o acontecimento.
E tudo parou. Era estranho como eu estava mais sensível ao tempo, na verdade ele parecia irreal em meu cérebro. Thalia estava devidamente arrumada, ela se encolhia em um sobretudo preto, sorrindo suave para Annabeth e Percy que tinham as mãos dadas.
Por um momento pensei em deixa-la, ela parecia bem sem mim, mas seus olhos azuis elétricos vieram em minha direção, como se realmente estivesse me procurando, ou soubesse aonde eu estava.
Ela hesitou, piscando os olhos algumas vezes, como se não fosse a primeira vez que me via, ou pensava ver, e eu apenas sorri. Tudo voltou ao real quando ela pulou em meus braços e eu envolvi sua cintura fina e mesmo assim consegui sentir a arma na parte de trás de seu corpo, me fazendo rir.
Selei seus lábios e eu conseguia senti-la tremer, mas ela nem hesitou em corresponder o beijo.
— Você está vivo — ela me segurava como se estivesse descrente disso, seu corpo a centímetros de distância do meu.
— Quanto tempo? — perguntei fraco — Pra mim pareceu minutos, mas é inverno...
— Sete meses — sua voz saiu fraca, e ela engoliu seca — Bianca e Hazel foram te procurar, mas nenhuma das duas acharam nada, seu corpo não se curou... — ela deixou que lágrimas descessem pelo seu rosto.
— Você se tornou imortal? — perguntei e ela assentiu sorrindo fraco.
Levantei o olhar e sorri ao ver que todos nos observavam com um sorriso fraco no rosto, com certeza todos tinham perguntas a fazer, mas ninguém as faria agora.
— Vamos sair daqui? — Thalia perguntou baixo, segurando minha mão com força e eu assentir.
A puxei para longe e quando não tinha mais ninguém olhando simplesmente desapareci, logo estávamos no lago que eu e ela ficávamos observando. A Grace sorriu se livrando dos sapatos de salto e caminhando até a água gélida, e sentando a beirada do rio, apenas observando-o o correr do rio.
— Então... como foi esses meses? — perguntei, me sentando ao lado dela que sorriu dando de ombros.
— Parece que nada nunca aconteceu, eu queria ter a capacidade que as pessoas tem de se alienar as coisas as vezes, simplesmente o assunto de que um dia entramos em uma guerra não é mencionado, as pessoas vão aceitando mentiras e mais mentiras para se sentirem confortáveis, afinal é mais confortável pensar que tudo isso foi uma disputa de gangues do que simplesmente um bando de criaturas desconhecidas e irreais atacaram a cidade, sem falar que os que tentam acreditar Atena e Annabeth estão dando um jeito na memória, manipulando, voltamos a mesma rotina de antes, tirando que agora os grupos do meu pai e de Percy não estão mais separados, as coisas estão voltando ao que eram antes — ela contou sem me olhar, dando de ombros.
— Sinto muito — pedi, vendo-a piscar e me olhar confusa.
— Pelo? — ela questionou confusa, me olhando.
— Por não ter sentido o tempo passar, por simplesmente te deixar aqui, sozinha — sorri triste a vendo assentir e dar de ombros.
— Não foi sua culpa — ela estendeu a mão para mim e eu a segurei a fazendo sorrir — você está aqui agora!
— E o que vai ser de nós agora? Sabe, todo o contexto do nosso mundo? — perguntei e ela deu de ombros.
— Nós vamos caçar! — sua voz saiu convicta, o que me fez franzir o cenho confuso arrancando-lhe uma risada dela — Nós vamos proteger quem precisa de nós e só vamos matar aqueles que fazem mal aos outros.
— Eu gostei disso, apesar que confesso que eles vão ter uma breve desvantagem comigo no lado oposto deles, afinal como tempo é um pouco fácil ganhar uma briga — comentei rindo e a puxando para meu colo, a fazendo deitar. — E a gente?
— Nós somos namorados, não somos? — ela perguntou hesitante.
— Apenas se você quiser namorar comigo — concordei e ela sorriu.
— É claro que eu quero namorar com você, Nico Di Ângelo!
Fale com o autor