Deadly Games
63 Precisamos conversar
Notas iniciais
POV- Thalia.
Nico distribuía selinhos pelo meu pescoço e rosto o que me fazia rir com o ato até que um pigarreio interrompeu-nos.
— O que foi dessa vez Bianca? – Nico perguntou olhando para irmã que estava em pé no arco que separava a cozinha a escada e a sala.
— Temos que conversar. – A morena disse e logo Jason, Piper e Leo entraram na sala. – Tipo agora!
Eles se sentaram todos na sala e Bianca começou.
— A grande questão é que nosso pai não vai descansar até ela atravessar os portões da morte. – A morena disse olhando Thalia. – Depois que isso acontecer ele recolherá todos os monstros e assim a cidade que está um caos se acalmará.
— Sabemos disso Bianca. – Nico disse olhando a irmã.
— E se ela atravessasse o portão e achasse a outra saída, ela ficaria morta por umas doze horas no máximo, a profissão se cumpriria e o pai pararia de atormentar com o fato de ela ter que morrer e vocês podem ficar juntos para sempre e sem esse treco de machucar o Nico e coisa e tal. – Bianca disse me olhando e eu encarei o Nico.
— Se eu vou viver de novo não vejo porque não.
— Eu vejo muitos porquês. – O moreno disse indignado. – Ninguém nunca achou a porta, ela é uma caçadora teria que passar pelo vale dos monstros, são diversos quilômetros e ela teria apenas doze horas para passar sozinha todo o mundo dos mortos e voltar para o seu corpo que ela ainda teria que achar já que não sabemos aonde ela poderia sair.
— Também não concordo com isso. – Jason se pronunciou olhando a irmã.
— Então deem uma ideia melhor e não apenas fiquem dizendo que não concordam. – Bianca disse irritada se jogando contra a poltrona.
— Ok que tal convencermos seu pai de que a Thalia fica melhor viva? – Piper sugeriu fazendo Nico e Bianca revirarem os olhos.
— Nosso pai não escolhe quem morre ou quem vive, o chefe dele sim e o chefe dele quer ela morta então meu pai obedece.- Bianca explicou olhando a garota.
— Mas aparentemente a Thalia não morre então isso está enlouquecendo ele. – Nico complementou passando a mão no meu cabelo. – Por isso ele me mandou para cá.
— Matamos o chefe do seu pai então. – Jason disse como se fosse obvio.
— Me diga como se mata o tempo e a gente faz. – Nico disse irritado e o garoto arregalou os olhos.
— Deve ter um jeito. – Leo disse levando as mãos aos cabelos.
— Mesmo que tenha, sabe o que isso acarretaria? – Nico perguntou frustrado. – Se a morte morre as pessoas ficam imortais, se a vida morre não nasce mais gente, se o tempo morre não existe nem vida nem morte porque o tempo faz com que isso ocorra.
— Tá já chega. – Me levantei realmente ficando irritada com aquilo tudo.
Jason sabia como eu era com estratégias e ele se afastou discretamente, mas se manteve ali.
— Eu estou cansada disso tudo, que se dane. – Disse irritada. – Do que adianta prendermos, matarmos e uma festa de sangue? Cansei disso.
Comecei a sair da casa e ouvi eles me chamando.
— Thalia! Aonde você vai? – Nico perguntou me parando e eu suspirei.
— Resolver isso. – Disse e ele franziu o cenho.
— Como? – Ele perguntou segurando minha cintura e colando sua testa na minha.
— Com o meu pai. – Disse e ele me olhou surpreso. – Me deixa lá?
— Deixo. – Ele disse depois de um tempo refletindo.
Nico sumiu assim que me deixou na porta de casa, mas tinha a plena noção de que se precisasse ele aparecia. Coloquei as mãos dentro do bolço da jaqueta e subi a pequena escada que dava a enorme porta branca. Lembrei de quando meu pai decidiu comprar uma casa normal, fingir que nada de sobrenatural existia. Suspirei e toquei a campainha levando novamente a mão ao bolso.
Ares que abriu a porta. Ele usava um colete a prova de balas. Uma arma automática estava pendurada sobre seu ombro, ele usava trajes pretos e seus olhos verdes se arregalaram minimamente ao me ver ali.
— Vim falar com o meu pai. – Expliquei e ele suspirou, mas me deixou entrar.
— Cozinha. – Ele disse e eu assenti.
A casa estava completamente diferente de quando estive ali pela última vez, a sala não era mais uma sala e sim um deposito de armas, vi Afrodite com uma prancheta em mãos nomeando e verificando se tudo estava em ordem. A cozinha era a mais parecida creio eu, todas as decorações da minha infância não estavam mais ali, era o básico, papeis sobrepostos a mesa sendo analisados por todos ali.
Puxei uma pasta e li que se falava de uma nova espécie. Aquilo fez com meu estomago revirasse.
— O que faz aqui? – Meu pai perguntou me olhando, assim como todos no cômodo e tinha a impressão que Afrodite também me observava.
— Precisamos conversar. – Disse e ele negou.
— Não tenho nada para conversar com você. – Meu pai disse se apoiando a mesa. – Saia daqui antes que precise levar a sério as ameaças.
— Tá de sacanagem? Eu sou sua filha! — Gritei irritada. – Eu nasci assim, não fui mordida, arranhada, ou sei lá o que. – Disse frustrada. – Sou uma criatura, mas não um monstro e o senhor poderia começar a pensar por si só e notar isso.
— E o seu namoradinho? – Luke perguntou e eu o olhei surpresa.
— O que tem ele? – Cruzei os braços abaixo do seio o encarando.
— Não somos idiotas, sabemos que é culpa dele isso estar acontecendo, será que dar para ele te fez dispertar seus poderes? – O loiro questionou o que me fez revirar os olhos.
— Vai se fuder Luke. – Disse irritada e suspirei.
— Estamos mexendo com coisas bem maiores que isso. – Apontei para a mesa que tinha as papeladas.
— Não, não estamos. – Zeus disse vindo na minha direção. – Você foi retirada da caçada, agora vai sair antes que se torne a caça.
— Adivinhe eu já sou a “caça”- Fiz aspas no ar. – Eu estou sendo perseguida pela morte, vivo escondida porque meu próprio pai me odeia, não posso ver minha melhor amiga porque um idiota acredita que só porque ele descobriu a verdade a pessoa magicamente vai mudar quando você senhor Zeus Grace é que torna a maioria das criaturas violentas, ELAS SABEM DO EQUILIBRIO, SABEM O QUE É OU NÃO NECESSÁRIO, SABEM QUE CADA UM TEM A PORRA DO SEU DEVIDO LUGAR, MAS QUANDO VOCÊ, EU OU QUALQUER OUTRA MERDA DE CAÇADOR CHEGA ATIRANDO NA CARALHA DA CABEÇA DO FILHO DE UM “MONSTRO” É OBVIO QUE ELES VÃO CONTRA-ATACAR, ENTÃO PENSE QUANTA MERDA DE MORTES VOCÊ TEM NAS SUAS COSTAS POR QUE UMA BRUXA DEU A MERDA DE UM TALENTO A VOCÊ DIZENDO QUE O QUE VOCÊ TINHA QUE FAZER ERA MATAR TODAS AS CRIATURAS, PORQUE SÃO TODAS IGUAIS, INCLUSIVE ELA NÉ, PORQUE ADIVINHA ELA É UMA CRIATURA! – Virei de costas levando a mão a cabeça, sabia que estava tremendo, mas não podia me descontrolar, não agora.
Suspirei e virei para meu pai novamente.
— Eu achei que poderia conversar com você, mas pelo visto continua o mesmo robozinho de bruxa de sempre. – Disse respirando fundo e saindo da casa.
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