Notas iniciais
Hey cerejinhas, tudo bem? Espero que sim. O capítulo está pronto a um tempinho, mas a preguiça tá foda ultimamente. Boa leitura!

POV- Thalia

Sai da casa do meu pai e fiz questão de disfarçar a minha raiva, mas eu não tinha a intensão de voltar para a casa do Nico, pelo menos não agora. Fui em direção aos fundos e como imaginei o quintal estava cheio de tralhas.

Pulei a pequena cerca e usei uma árvore para chegar no andar mais alto, claro que não tinham muitas coisas minhas ali, mas ainda existiam. Abri a janela do segundar e entrei sem fazer o mínimo barulho, conseguia ouvir meu pai discutindo com todo mundo, acho que se ele não fosse imortal já teria morrido de raiva.

Subi até meu quarto e tranquei a porta assim que passei por ela. O cômodo estava bem diferente, na verdade estava remexido, não diferente. A cama estava desencostada da parede, meu guarda-roupa aberto e tudo dele estava no chão, minhas armas claramente não estavam mais no quarto, nenhum pôster ou foto estava na parede, eles tinham remexido tudo.

Revirei os olhos e pulei umas roupas no chão e fui até o guarda-roupa abrindo o fundo falso, peguei a identificação de braço a colocando, depois de trocar minha jaqueta por um casaco de moletom com capuz, peguei uma arma que eu deixava ali colocando no cos da calça, a ideia pareceu estranha por um momento, eu não precisava daquela arma, eu tinha poderes.

Balancei a cabeça e abri a caixa de foto que estava jogada de qualquer jeito no chão, logo achei uma das minhas fotos favoritas e a coloquei no bolço e taquei todas as fotos em cima da cama deixando-as para cima, tinha certeza que meu pai viria ali, ele tinha que vir.

Sai tão silenciosa quanto entrei e logo já estava andando pelas ruas desérticas da cidade e tudo aquilo me deu um frio na barriga e a sensação de culpa me dominou, talvez eu devesse me matar e acabar logo com isso, era só isso que a Morte queria.

Suspirei e tentei pegar os caminhos com menos soldados, de qualquer que fosse o exército, Zeus ou de Poseidon, notei também que tinham novos recrutas, alguns homens que nunca tinha visto, alguns talvez velhos demais para ter a agilidade necessária, outros novos demais para suportar o peso da arma e aquilo só fez que meu coração apertasse mais.

Deixei que uma lágrima escapasse do meu rosto quando vi duas crianças com cerca de dez a doze anos armadas acompanhadas de um adolescente, abaixei a cabeça e andei mais rápido, logo cheguei na rua da casa que tinha se tornado minha, fiquei surpresa por não ter um esquadrão na frente dela. Apenas dois soldados, ambos do Poseidon na rua, nenhum perto o suficiente da casa para me atrapalhar.

Entrei pelos fundos e novamente não tive problemas algum. Deixei que o capuz caísse da minha cabeça e caminhei até a sala, fechei as cortinas e liguei os computadores, Nico não era ligado muito a isso, ele tinha um celular para se misturar, mas mal tinha sinal na casa dele.

Assim que liguei o computador o sinal começou a piscar e aquilo com certeza não era o que eu esperava.

— Também fiquei surpreso. – Uma voz surgiu no local fazendo que meu corpo tivesse um sobressalto.

Me senti mal por não reconhecer a voz de imediato, mas fazia tanto tempo. Percy sorriu entrando na sala e eu corri até o moreno o abraçando, mas ele claramente não era o mesmo. O moreno parecia cançado, como se passasse mais tempo acordado do que o necessário e do que conseguia, ele tinha ganhado também mais músculos, seu cabelo tinha crescido bastante, seu nariz descascava do sol e suas bochechas estavam avermelhadas imaginei que pelo mesmo motivo, sua barba estava a fazer, mas tinha algo mais.

— Atingi a maior idade. – Ele esclareceu entendo minha avaliação.

Arregalei os olhos minimamente e ele riu leve.

— Como...? – Não sabia o que perguntar, tinha feito várias perguntas a meu pai quando ele me contou, mas ele não se lembrava ou sabia responder a maioria, só que se tornara imortal.

— Vem. – Ele me puxou para o sofá que tinha na sala me fazendo sentar ao seu lado. – Eu não lembro muito bem, foi bem estranho, lembro de estar dormindo ao lado da loira. – Meus olhos arregalaram novamente e eu tive que interromper.

— Ela está...? – Percy assentiu e sorriu leve.

— Comecei a sentir muito calor, então levantei decidido a tomar um banho, mas quando fiquei de pé meu corpo falhou e eu fui para o chão, lembro de um barulho irritante invadir meus ouvidos, como quando se arranha a unha no quadro e um barulho de estática ao fundo, conseguia sentir a loira ali, tentando me entender, me ajudar, mas eu abria os olhos e não conseguia ver, então o barulho se tornou uma voz doce, um cheiro de grama cortada surgiu junto com uma brisa leve de verão e eu não estava mais no quarto, estava em um campo aberto e uma luz forte estava em pé diante de mim, era ela eu tinha certeza, a bruxa, não me lembro da nossa conversa, mas quando voltei ao quarto eu estava com raiva, muita raiva então corri ao banheiro e me tranquei lá, pois tinha certeza que mataria a loira se não saísse dali, principalmente porque eu queria fazer isso. – Ele falou claramente sabendo que não deveria falar o nome da Annabeth em voz alta, mas também cançado e preocupado. – Então eu falhei na minha primeira missão, soube que era matá-la sabe, então ela adoeceu e eu nem consigo chegar perto dela que quero acabar com a vida dela, é quase como um impulso, não é como os outros, consigo ficar perto de você sem tentar te atacar, mas ela, eu queria entender.

— É um impulso? – Perguntei pasma e ele assentiu.

— Eu não quero, mas eu sinto meu estomago revirar, sinto meu coração acelerar e o meu sangue esquentar, estou aqui desde então, passo o máximo de tempo possível treinando, meio que me alivia faz com que eu continue aqui e não vá lá. – Ele disse triste, cançado. – Acho que ela escolheu a loira meio que como uma prova sabe, se eu conseguir matar a pessoa que amo por puro impulso, porque não mataria qualquer um que me viesse a mente?

— Mas esse impulso deve diminuir sabe? Afinal eu estou viva e tive cara a cara com meu pai, Poseidon também convive com criaturas, deve melhorar.

Percy riu e jogou a cabeça para trás.

— Perguntei isso ao meu pai, ele disse que só piora, a necessidade de matar uma criatura é algo absurdo, ele disse que teve meses da vida dele que ele se trancou em seu quarto, sem comida ou água por dias na tentativa de suas necessidades físicas superassem a de matar, ele disse que alivia sabe, quando você mata, mas não dura muito, uns dias, meses as vezes, mas a cada morte a vontade volta mais forte e mais rápido, ele disse que atualmente a vontade tem vezes que nem passa, ele precisa matar no mínimo quinze para ter um alivio temporário de algumas horas.

Abaixei a cabeça triste, era uma ideia assustadora, eu não queria me tornar isso e saber que em algumas semanas também me tornaria imortal, claro se tivesse viva até lá, mas eu não queria matar todos, não queria essa necessidade em mim.

Fechei os olhos tentando não pensar na ideia, o que eu faria comigo? Tentaria suicídio? Me odiaria? Me trancaria em um poço alegando ser o melhor para mim? O que uma criatura conseguiria fazer contra outras com esse impulso? E será que minha primeira missão como imortal seria matar quem amo? Nico? Jason?

Abri os olhos cansada e suspirei.

— O que sabe sobre aquilo? – Perguntei olhando o painel.

— Achei estranho. – Percy disse se levantando. – Cheguei aqui na tentativa de fuga, acho que o sistema foi hackeado e a pessoa que fez isso não sabe que temos materiais aqui. – Ele tirou o celular do bolço suspirando. – Está vendo esse é o computador que está na cede do meu pai, conferi também o da cede unitária escondido, está igual imagino que o de Zeus também esteja, a cidade está inteiramente marcada, mas no nosso só tem você. – Ele disse olhando a tela grande aonde o único ponto era a casa que nos encontrávamos.

Passei vendo dados anteriores, tinham cinco ou seis ocorrências no mapa na última semana, menos do que o normal antes de tudo acontecer.

— Estão nos cansando. – Disse olhando o mapa. – Afinal se eles tivessem escondidos seria algo vantajoso a eles, mas se querem que pensem que estão na cidade quando não estão...

— Querem nos enfraquecer, deixar que nossa mente crie loucuras, intrigas, querem que nós mesmos acabemos com a gente, aos poucos, com medo, nervosismo, ansiedade e também com as necessidades básicas, fiquemos fracos de saúde, é mais fácil matar assim. – Percy falou olhando a tela e eu assenti. – E tem o surto, depois que a loira adoeceu, mais pessoas começaram a adoecer também, parece que as criaturas não são as únicas que estão nos atacando.

Não, elas não eram as únicas, na verdade acho que nem estavam mais.

— Elas saíram da cidade, fugiram, a Morte mudou de estratégia. – Disse olhando o moreno que franziu o cenho me encarando e depois voltou seu olhar a tela.

Notas finais
- O que acharam? — O que querem que aconteça? — Teorias? Beijos e até!