Deadly Games
67 Porta
Notas iniciais
POV- Nico
Estava sentado na cadeira olhando o corpo sem vida de Thalia sobre a cama, ninguém na casa ousava falar nada. Ninguém tinha o que falar, ela tinha morrido e nem Bianca que não gostava dela ousava sorrir. Ouvi a porta sendo aberta divagar e minha irmã entrou no quarto com receio.
— Ela vai conseguir Nico, ela é a pessoa mais forte que eu conheço, vai achar a porta. – Minha irmã disse colocando a mão sobre meu ombro.
— Já fazem sete horas, ela tem menos da metade do tempo. – Falei fraco e ela suspirou leve e apertou um pouco mais meu ombro.
— Ela vai voltar a vida Nico, ela sempre volta. – A morena disse sorrindo. – Afinal esse é o motivo do pai não suporta-la.
— Dessa vez é diferente, sabe disso. – Falei e Bianca suspirou e olhou Thalia.
Estava mantendo o corpo dela conservado com meus poderes, ela parecia alguém que estava tirando um belo e confortável cochilo. Sua roupa que Bianca tinha trocado, o ferimento estava tampado com um curativo, seu cabelo e maquiagem estavam perfeito, ideia das meninas, para ela parecer mais viva. Mas isso só me fazia sentir como se fosse o fim, como se tivessem a preparando para um enterro.
— Nico... – Bianca quebrou o silêncio novamente. – Como está depois do... do que aconteceu?
Neguei. Tudo que meu pai e minha irmã temiam tinha acontecido, algo dentro de mim tinha se libertado, eu havia destruído metade da floresta, Zeus ficou gravemente ferido com meu surto, Luke, o loiro irritante havia morrido e se Bianca não tivesse salvo Piper, Jason e Leo eles também estariam mortos. Foi como se tudo ao meu redor parasse de se mover, foi como se tudo começasse a ser modificado.
— Me deixa sozinho. – Pedi depois de um tempo, ficar sozinho era a única coisa que eu queria nesse momento enquanto o máximo que eu podia fazer era esperar que Thalia acordasse. Se ela acordasse.
POV- Thalia
Meus olhos se abriram e eu estava em um lugar que parecia de noite, me sentei e notei que estava em uma calçada, uma grande fila se estendia em direção a um portão e eu fui puxada para uma lembrança, na verdade várias de eu acordando naquele mesmo lugar e todas vezes Nico estando ali, Nico estava ali para me receber todas as vezes que eu morria.
Olhei para a pedra em busca do moreno, mas ao vagar meus olhos por ali, ele não estava. Lembrava da minha morte, lembrava do tiro sendo disparado pelo meu pai, lembrava da porta.... Me levantei em um movimento rápido e invadi a fila sem me importa, ouvi algumas pessoas reclamando, mas atravessei o portão, quando um guarda me parou.
— Final da fila mocinha. – O homem me disse e eu revirei os olhos.
— Meu nome deve estar no topo dessa lista. – Disse ríspida, não tinha tempo para aquilo.
— Nome? – Ele perguntou não gostando do meu tom.
— Thalia Grace, posso ir? – Disse o questionando logo em seguida, tinha doze horas para achar uma porta aonde eu não sabia aonde estava nem muito menos como era.
— Siga em frente. – Ele disse depois de olhar o tablet que ele possuía em mãos.
Passei pelo portão e olhei ao redor, era uma cidade, possuía prédios, casas, pessoas andando e seguindo suas vidas, então era assim a vida após a morte, uma continuação idêntica da vida.
Revirei os olhos e comecei a o correr para mais a fundo da cidade, meus olhos passavam de um lado para o outro, procurando qualquer coisa que pudesse me indicar o caminho.
— Como vou achar algo que não sei o que é? – Perguntei a mim mesma levando a mão ao rosto.
A tal porta poderia nem ser uma porta de verdade, poderia ser qualquer coisa. Uma fenda, uma escada infinita, uma luz, uma estante, uma pessoa, eu não to no mundo normal, estou em um mundo aonde a vida já se extinguiu.
Senti alguém puxar de leve minha jaqueta o que me fez tirar a mão do rosto e olhar quem o tinha feito. Meu coração se apertou ao ver uma pequena criança, sua pele era incrivelmente branca o que me lembrou o Nico e o que me fez pensar que essa pequena criança estava ali a muito tempo, ele tinha olhos verdes claro e um cabelo castanho escuro, suas bochechas estavam vermelhas como se ainda circulasse sangue por ali, e ele piscava seus olhinhos como se esperasse algo.
— Em que posso te ajudar pequeno? – Perguntei e ele sorriu.
— Preciso ir para casa, mas não posso atravessar a rua sozinho, minha mãe me ensinou isso, poderia me ajudar? – Ele perguntou e eu assenti sorrindo leve.
— Claro, me dê a mão. – Disse e ele apertou a minha mão com força.
Comecei a atravessar a rua e senti o aperto de mão ficar mais forte e antes que eu pudesse entender meu corpo estava no chão e um monstro duas vezes do meu tamanho com uma calda de espinhos seis olhos e uma língua de cobra estava em cima de mim.
— Lembra de mim Grace? Você arrancou meu coração, sabia que chegaria sua hora, algum monstro te mataria. – Ele disse com uma voz chiada e meu coração se apertou.
— Não foi um monstro que me matou. – Disse ríspida e eu chutei o monstro com o pé. De uma cambalhota para trás e fiquei de pé deixando que minha mãe se eletrocutasse.
Ninguém prestava atenção na gente, ninguém parecia se importa e os poucos que olhava tinham ódio nos olhos e eu soube que teria uma longa viagem a fazer.
— Ora, ora, parece que a matadora de criaturas é uma. – O monstro riu se divertindo ao ver meus raios. – Como se sente quando descobriu que matou muitos de sua espécie?
— Eu matei coisas que faziam mal aos outros, afinal como eu sempre rastreei mortes, não criaturas, então continuo me sentindo ótima. – Disse convicta e o ser rugiu para mim e voou em minha direção.
Deixei que a eletricidade o atingisse antes dele chegar em mim e vi seu corpo começar a queimar por conta da quantidade de raios que eu mandei para ele e eu sabia que essa era minha deixar.
Comecei a correr, o mais rápido que consegui, para um lugar qualquer, eu precisava sair dali e não podia ficar perdendo tempo, nem talvez o que eles chamem de vida.
Corri até que as casas começarem a diminuir, não sabia quanto tempo havia se passado desde que eu havia morrido, mas já estava o que eu imaginei anoitecendo, pois a cada minuto ficava mais escuro impossibilitando que eu visse qualquer coisa, seja lá o que eu tinha que ver.
Aparentemente eu tinha que ver o caminho, pois não vi um degrau de uma escada e senti meu corpo ir para baixo e rolar por uma longa escadaria, até que a escada acabou e eu continuei caindo. Um grito escapou da minha garganta e todo o meu medo de altura me dominou, eu não conseguia ver, só sentia meu corpo se puxado para baixo.
Cai por que pareceram horas, até que meu corpo se chocou com uma pedra e ali estava mais claro, eu parecia ter passado a noite caindo, mas o que eu vi me deixou confusa, conseguia ver a cidade que eu estava a poucos minutos ou horas, mas ela estava a milhares de metros abaixo de mim, eu havia caído para cima?
Me levantei e virei no sentido oposto respirando fundo e começando a andar. Minha roupa havia se rasgado por conta de eu ter rolado uma escadaria, e minha mão e minha perna estavam raladas e com um pouco de sangue e doloridas, e a ideia de eu poder me machucar, mesmo morta em um lugar aonde todos os seres que eu matei, torturei estão me deixava nervosa.
Fiquei feliz em sentir minha arma no cos da calça, não imaginei que ela viria comigo quando eu morresse, mas é bom saber disso. Apertei o passo e eu senti algo estranho, então eu olhei para baixo e minha roupa começou a se transforma. Franzi o cenho e a sensação de que estavam me preparando para um enterro me dominou, será que era tarde demais? As doze horas haviam se passado.
Eu usava um salto alto, um vestido bonito preto, minhas unhas estavam recém pintadas e meu cabelo assumiu um penteado decente e sabia que provavelmente também estava maquiada. Meus olhos se arregalaram e eu levei a mão a cintura, sem arma.
— Merda! – Disse e retornei a andar.
Eu me sentia como se fosse a uma festa que não tinha o mínimo interesse em ir.
— Graças a Deus fui treinada para saber caçar de salto. – Disse para mim mesmo olhando ao redor enquanto andava no chão rochoso.
Eu estava com frio e não me sentia vitoriosa, a cada segundo parecia que eu ficaria mais tempo ali. Lembrei das vezes que tentei arrancar minha vida e com certeza nunca mais iria fazer isso. Viver aqui seria horrível. Um perigo constante, monstros com desejo de vingança, o frio e a sensação de solidão, por algum motivo sabia que mesmo se encontrasse alguém aqui eu continuaria com esse sentimento. Meu pai havia me tirado a vida e isso me agoniava.
A vida toda pensei que morreria por ele, carreguei esse fardo e em todas as missões eu fui com receio de que naquele dia eu não voltaria. Quanto mais eu era atingida, quanto mais eu morria, mais eu queria acabar com isso, menos de mim eu sentia que voltava, menos de minha alma, mesmo que eu nunca me lembrasse das minhas vindas aqui, mesmo que nada fizesse sentido a cada vez que eu me juntava a dança da morte, mas solidão eu trazia para a vida.
Nico tinha conseguido tirar isso de mim. Sorri com esse pensamento. Nos últimos meses tinham sido os momentos mais vivos da minha vida, mesmo com o caos, a destruição e talvez até mesmo uma guerra rolando, guerra física, mental e biológica, eu nunca tinha aproveitado tanto, tinha visto a beleza das coisas, tinha visto as coisas de um jeito que e nunca vi antes, tudo parecia te se mudado ao pouco.
Então quando o Nico veio para me matar ele fez algo que nunca pensei que fosse possível para mim, eu tinha vivido, tinha vivido mais com ele do que qualquer dia.
Um estalo em minha mente me fez sorrir. Nico havia me trago a vida, esse era o motivo para qual eu vivia, ele foi o motivo de minha alma viver, ele pode ser o motivo de meu corpo viver.
Olhei ao redor e ao distante vi o castelo de Hades, era uma ideia estupida, mas ainda era a única que eu tinha e com certeza era melhor do que ficar vagando pelo mundo sem menor ideia do que procurar.
Corri em direção ao castelo, meu corpo se estremecia a cada vez que eu chegava mais perto, aquilo me deixava nervosa a certo modo. Eu não fazia ideia do que fazer e de como o Nico me traria de volta a vida, ou como eu faria para ele me trazer.
Não sei por quanto tempo eu corri, se eu já tinha perdido meu tempo ali, ou se simplesmente ali os dias e as noites duravam bem menos tempo do que o normal, pois perdi a conta de quantas vezes anoiteceu e amanheceu, era tudo tão escuro que não parecia fazer diferença. Mas eu realmente me sentia cansada como se tivesse corrido por dias.
Parei em frente ao castelo colocando minha mão nos joelhos tentando recuperar o folego, sentia como se meus pés estivesse pegando fogo, talvez pelo salto, talvez por eu não conseguir me livrar deles, talvez por ter corrido talvez duzentos quilômetros no mínimo.
Havia um belo jardim de joias e flores em frente ao castelo, mas tudo tinha um ar tão sombrio. Agora parada ali em frente ao gigante portão eu notei que não tinha pensado no que faria quando chegasse ali. Esperava encontrar o Nico? Talvez se eu implorasse a morte me trouxesse de volta a vida?
Balancei a cabeça em negativo, sabia que nenhuma dessas coisas iriam acontecer.
Olhei para cima decidida a buscar o quarto do Nico. Suspirei e abri a porta do castelo.
Silêncio. Foi a única coisa que eu encontrei quando pisei no chão que talvez a meses atrás me acorrentou a uma cadeira. Suspirei e comecei a correr escadaria a cima, não entendia o sentido das coisas aqui, mas algo me dizia que não tinha um quarto no primeiro andar da casa.
Comecei a abrir as portas das casa. Abri uma, duas, três, cinco, doze, vinte e sete e cada vez mais eu senti vontade de desistir. As lágrimas começaram a encher meus olhos eu definitivamente estava morta, passaria a eternidade escondida, sofrendo.
Respirei fundo e continuei a andar, abrindo cada porta que eu via, já tinha certeza que não viveria novamente, mas precisava achar o quarto.
Talvez na milésima porta que eu abri, sorri e aquele evidentemente era o quarto do Nico. Ele parecia não vir ali a séculos ou simplesmente ter saído às pressas. Haviam roupas amontoadas na cama. Uma guitarra também estava posta em cima da cama, tinham alguns livros jogados em cima da escrivaninha, junto com um caderno aberto e um monte de lápis amarelo com borrachas vermelhas o que eu achei engraçado.
Me sentei na cama e olhei ao redor. Ao lado da cama tinha a foto da mulher que havia sido a paixão do meu pai e de Poseidon, ela estava grávida e parecia incrivelmente pálida, quase morta, uma menininha estava de mãos dadas com a mulher e ela possuía duas marias chiquinhas, ela tinha um sorriso de ponta a outra e seus olhos negros brilhavam de felicidade. A menina segurava a mão de outro homem, ele era claramente Hades, mas menos formal e mais feliz.
Sorri leve, sabia que a criança que estava naquela barriga era Nico, odiei tanto aquela mulher por ser culpada por ter causado uma guerra entre famílias e nem sabia que ela fez a melhor coisa da minha vida.
Suspirei e um latido alto me assustou. Quando meus olhos viram um rottweiler adulto que tinha uma cara amigável, ele parecia confuso.
— Vem cá garoto. – Disse batendo palmas e o cachorro latiu novamente e veio até mim pulando subindo em cima de mim. – Você é muito lindo sabia?
Comecei a fazer carinho no cachorro e eu sorri, para ele estar ali ele deveria ser do Nico. Isso me deixou um pouco feliz e me fez notar o quanto eu estava apaixonada pelo Di Ângelo. O cachorro me encarou por alguns segundos, seus olhos brilhantes vermelhos ficaram fixos no meu e eu senti meu corpo ser puxado para cima com velocidade.
Meu corpo bateu com tudo contra o chão e quando eu olhei para o lado vi pés. Me levantei e era o Nico, ele encarava sua cama com os olhos fixos e foi quando eu me vi deitada ali. Morta.
A porta se abriu e Nico abaixou a cabeça quando Bianca suspirou.
— Doze horas Nico. – A morena disse triste. – Sinto muito.
— Não, não, eu to aqui. – Disse alto e fui em direção ao meu corpo.
Tentei deitar sobre meu corpo, segura-lo, mas nada adiantava. Cheguei tão perto, mas agora estava tão longe.
— Não acredito que ela não conseguiu. – Nico disse fraco e eu fui até ele.
— Sinto muito, eu juro que tentei. – Disse segurando sua mão e ele me olhou.
Ele apertou minha mão com força e ele se levantou, ele não focalizava os olhos em mim, mas me sentia.
— Bianca ela está aqui. – Nico disse e a morena arregalou os olhos.
— As doze horas acabaram Nico, não há nada a fazer. – Ela disse triste e com lágrimas que não esperava ver em seus olhos.
— Eu vou fazer algo. – Ele disse sério, senti o mundo tremer, o relógio na parede regrediu.
Bianca saiu do quarto como se desse replay na fita, continuei com os olhos fixos em Nico, tudo voltava e sabia que era ele, ele estava mexendo com o tempo e sabia que eu não estava regredindo por segurar sua mão. Ele me soltou e eu olhei seus olhos negros e olhei meu corpo sem vida.
Suspirei e caminhei até ele, não sabia o que fazer. Mas não precisei fazer, assim que me inclinei para me aproximar da casca sem vida eu fui puxada. Senti o ar preencher meus pulmões e meu corpo se sentou em desespero.
A porta foi aberta e Bianca entrou e arregalou os olhos.
Nico olhou em minha direção e eu sentia muita dor no peito.
Grunhi e me deitei novamente.
— Thalia, você... – Nico disse pasmo, ele se sentou na cama segurando minha mão e eu sorri para ele.
— Vou avisar os outros. – Ela disse saindo do quarto e conseguia ouvir seus passos rápidos descendo a escada as pressas.
— Você voltou no tempo. – Disse fraco e ele assentiu também incrédulo.
— Não sei como eu fiz, só senti que podia. – Nico falou e eu assenti.
— Me disse que o tempo era a junção da vida e da morte. – Disse e ele assentiu. – Você é filho da morte.
— Não tem como eu ser o novo tempo... – Ele disse não acreditando.
— Foram suas palavras, todo mundo tem que morrer uma hora, logo alguém tem que assumir o posto. – Disse olhando em seus olhos e ele negou.
— Eu teria que ser filho da vida e minha mãe era um fantasma. – Ele disse sério.
— Um fantasma que quando viva conviveu com os Imortais e sabia da morte. – Disse séria e ele assentiu.
— Tá, mas a vida teoricamente seria a bruxa que deu o poder para os Imortais, a que criou tudo ao redor, o tempo, a morte, os humanos... minha mãe é a bruxa.
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