Deadly Games
73 Mortos
Notas iniciais
POV – Thalia
Abri a porta de casa devagar, caminhando passos lentos para dentro do cômodo, era estranho tudo aquilo ter voltado ao normal, como se nada nunca tivesse acontecido, como se ninguém achasse que eu estava morta.
— Ainda bem que você esperou ficarmos Imortais para aparecer, pois se não eu iria parar a sete palmos do chão — Jason comentou, chamando minha atenção e me fazendo sorrir.
— Cadê todo mundo — segui em direção a cozinha e ele deu de ombros.
— Espalhado por aí, tem sido bem complicado, mesmo teoricamente as coisas voltando ao normal — ele admitiu, suspirando baixo.
Assenti, me apoiando na ilha da cozinha, olhando ao redor, era assustador como aquele lugar parecia o mesmo de sempre, que eu morava antes de tudo acontecer, eu tinha a sensação de que se eu quisesse poderia usar meu quarto, tomar um banho no meu banheiro, ouvir minhas músicas altas e ninguém estranharia, seria mais um dia comum, aonde eu morava naquela casa tipicamente americana.
— E o pai? — perguntei, o olhando, agora ele estava sentado.
— Ele continua comandando o complexo, ainda ordena as medidas de segurança, como foi feito o acordo com Poseidon, tudo bem na encolha, mas mal passa tempo em casa desde que você morreu — ele passou a mão nos cabelos loiros, deixando claro que estava desconfortável com o assunto.
— Ele tá em casa? — perguntei e claro que o desconforto indicava que sim.
— No seu quarto.
Subi em passos rápidos, e o vi sentado na cama, e meu quarto continuava revirado, as fotos que eu tinha posto em cima da cama ainda estavam ali e ele tinha os olhos em um ponto cego, distante da porta.
Cruzei os braços parando no arco e vi seus olhos desviarem sem vida para a minha direção, como se esperasse algo completamente decepcionante, mas quando o azul elétrico me identificou, seu corpo endireitou.
— Está viva? — sua voz era rouca, talvez pelo tempo em silêncio.
— Se nem a morte consegue me manter morta por muito tempo, imagina você — retruquei adentrando mais o quarto.
— Eu nunca quis te matar — ele rebateu e eu sabia disso.
— Mas seu preconceito e o fato de você ser completamente cego para o que aquela bruxa te ordena fez com que eu morresse — minha voz saiu como um rosnado, meus braços cruzados abaixo dos seios, meu corpo apoiado em apenas uma perna deixava claro o quão brava eu estava. — Você tem noção de tudo que aconteceu? De tudo que isso envolvia e o quanto seu preconceito atrasou tudo? Quantas desgraças poderiam ter sido evitadas se o orgulho não tivesse presente?
— Você não entende...
— Não, não entendo — senti meu tom de voz elevar mais do que eu queria, meus olhos lacrimejaram — você é imortal, merda! Como simplesmente conseguiu passar tantos anos da sua vida com a mesma merda de conceito, sem parar para aprender uma porra de coisa, você simplesmente viveu anos em um cubículo, seguindo um ritmo eterno de matança desgovernada e não importa o quão pessoas importantes você perca, você não para...
Senti seus braços me envolverem e eu só conseguia chorar, meu corpo tremia em desespero e soluços surgiam inevitavelmente.
— Sua mãe me alertou do perigo, eu entrei em desespero, não soube o que fazer — ele admitiu, sua voz pesada.
Eu me encolhi mais ainda, mesmo que toda essa desgraça tenha me feito conhecer Nico, também tinha me arrancado ele e eu não conseguia lidar com tal coisa.
— Eu não quero perder mais ninguém... — desabafei, o sentindo me apertar mais.
— Nós vamos dar um jeito, vamos mudar as coisas, tudo bem? Eu tinha medo de te ver crescer, mas é inevitável, não é?
Senti um beijo no topo dos meus cabelos e isso só fez com que eu desabasse mais, retribui o abraço, eu queria alguma segurança, ser Imortal não parecia o suficiente, não parecia que eu estava protegida do mundo e eu odiava me sentir indefessa, por isso eu lutava, por isso eu matava, para me sentir segura.
— Nós vamos fazer isso dar certo... — concluiu baixo, eu tinha que concertar tudo.
Mas ver os dias passando e tudo simplesmente se apagando, como se todos esses dias caóticos de guerra não passassem de um sonho ruim, eu me vi voltando para a escola, para a rotina, vi Percy que parecia controlado o suficiente, Atena voltou a ser o braço direito de meu pai, Annabeth e Clarisse minhas melhores amigas e aquilo apenas parecia deixar tudo mais frustrante.
Então encolhida entre duas estantes na biblioteca, girando minha adaga, com um espaço vazio ao meu lado eu só me perguntava do que tudo isso tinha valido a pena?
POV- Annabeth
Me sentei ao lado de Percy e ele suspirou, seus olhos se fecharam por alguns segundos, dez para ser mais precisa, e ele segurou minha mão, sorrindo reconfortante. Ele estava tentando e era gratificante ver o avanço que ele tinha.
— Como está? — indaguei baixo, o vendo dar de ombros.
Frank e Piper se sentaram a nossa frente, ambos tinham um olhar triste que me deixou curiosa.
— O que houve? — questionei, vendo o Jackson endireitar a postura, como se também estivesse curioso.
— Piper me explicou a situação da Hazel e da família dela... — Zhang explicou como um sussurro — entretanto ela sumiu como todos os outros, não vejo ela desde o dia do irmão dela.
— Como não? — Percy questionou confuso.
— Os filhos da morte sumiram completamente do mapa — Piper explicou, seu tom baixo para ninguém ouvir, mesmo que o sobrenatural não fosse um segredo tão grande, apavorava todos.
— Eu a vi à alguns dias — admitiu, fazendo todos franzirem o cenho confuso — ela esteve na minha cela, me tirou de lá, passei o dia com ela na praia e depois ela me levou de volta, tudo isso pra provar que não passava de algo implantado na minha cabeça, ela me contou que era uma criatura... ou melhor, confirmou algo que eu suspeitava, mas não lembrava. Foi ela que me incentivou pedir que a Anne fosse à cela.
— Então as Di Ângelo estão por aí e nem para darem uma resposta para a Thalia? — Piper questionou pasma e isso me fez sentir um aperto muito forte no coração.
— Se elas não querem falar é porque a resposta não deve ser boa — conclui triste, eu sabia que Thalia tinha uma expectativa, sabia que ela acreditava que ele aparecia, mesmo depois de mais dois meses morto.
O clima ficou mais pesado do que antes, endireitei a postura notando o olhar sobre minha pessoa, não demorei a localizar o grupinho que me encarava ao longe; todos de imediato se desviaram, cada um para seu canto, me fazendo suspirar. É claro que não seria todo mundo a acreditar nas mentiras contadas, eu tinha que arrumar um jeito de resolver isso ou teria um motim contra o sobrenatural.
Sem falar que todos sempre souberam que nossos grupinhos faziam coisas estranhas, alguns agora sabem a verdade então nos ver fofocando em um clima tenso poderia acabar deixando as pessoas em alerta.
— Eles não vão fazer nada — a voz de Percy foi baixa, claramente direcionada a mim.
— Hum? — questionei confusa o fazendo sorrir.
— Ninguém vai fazer nada contra você — ele explicou, me fazendo sorrir confortável e dar de ombros, optando por nada dizer.
Suspirei, apoiando minha cabeça no ombro dele e a primeiro momento o senti ficar tenso, mas logo relaxar. Nunca se sabe quando se é um alvo, principalmente quando é algo incompreensível para humanos. Nunca se sabe...
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