Notas iniciais
Hey cerejinhas, tudo bem? Mais um capítulo de DG, espero que gostem! Boa leitura!

POV – Thalia

Me sentei na cama da casa de Nico e fechei os olhos puxando o ar para dentro de meus pulmões, eu tinha que admitir que estava com medo do que aconteceria naquele momento, se algo mudaria.

Dezoito anos. Confesso que eu nunca me imaginei chegando até essa idade era pouco, nunca me imaginei me tornando uma Imortal. Mas lá estava eu, esperando enquanto os ponteiros do relógio giravam, o barulho dele batendo aos poucos ecoando por todo o cômodo silencioso e saber o que tinha acontecido com Percy apenas me servia para me deixar mais nervosa.

O tic e tac do relógio começou a aumentar sua frequência, como que para chegar a minha tortura mais rápido, e ficou mais alto, uma dificuldade de respirar me dominou, fazendo com que eu puxasse o ar com mais força e quantidade, mas ao mesmo tempo eu não o sentia preencher meu corpo, era como se eu estivesse sendo estrangulada e eu sabia como era morrer sem ar.

Um zunido alto estourou em meu ouvido, fazendo com que eu pressionasse mais os olhos para os fechar mais ainda, tampei os ouvidos com a mão e pude sentir o liquido quente escorrer por ali e o cheiro metálico do sangue invadindo meu nariz.

Então tudo parou, nem mais o relógio se manifestava. Abri os olhos e eu estava no nada, poderia definir assim, uma imensidão branca, nem um céu, nenhuma grama, nada como o Jackson havia descrito.

Me levantei notando que minha roupa estava inteiramente suja de sangue e ela não passava de um vestido solto branco, o chão aonde eu estava também estava manchado, minhas mãos, braços, pernas, e conseguia sentir também em meu rosto.

— Você matou muitos — uma voz doce enjoativa surgiu em meu ouvido, senti meu estômago se revirar.

Girei em torno de meu próprio eixo em busca de identificar donde vinha tal voz, mas nada. Eu estava sozinha.

— Uma criatura destinada a matar seus semelhantes — a voz continuou, me fazendo engolir em seco.

Tentei questionar, questionar do motivo das coisas terem que ser assim, mas não conseguia abrir a boca. Levei a mão ao local e pude sentir as linhas entrelaçadas, costurando minha boca impedindo que eu falasse; aquilo me agoniou. Meu corpo começou a tremer e eu sentia que queria chorar, era como se as lágrimas estivessem descendo pelo meu rosto, mas ao mesmo tempo nada acontecia, sabia que não estava chorando.

— Destinada a ser eterna nesse mundo, sozinha, ver todos que ama morrendo e a matar os que poderiam te acolher, você não é digna do fardo que está carregando, mas o carregará mesmo assim — meu coração parou e tudo se apagou.

Me sentei de supetão na cama, minhas mãos estavam sujas de sangue, mas nenhum machucado no local, as lágrimas escorriam pelo meu rosto sem parar. Levei a mão a boca sentindo o alivio ao notar que ela estava normal, não costurada.

Fechei os olhos, puxando e soltando o ar com calma e me deixei chorar, eu não sentia nada de diferente em meu corpo, não tinha um impulso sedento por sangue, mas eu me sentia culpada.

Deixei que meu corpo pendesse para trás, senti o colchão macio contra as minhas costas e tentei me acalmar, mas apenas conseguia chorar, eu queria chorar.

Eu odiava tudo aquilo, tudo que tinha acontecido, eu me sentia mais vazia do que antes, talvez por ter de novo me acostumado a sentir algo, agora parecia que eu tinha voltado ao início, mas não era mais forte o suficiente para aguentar o baque de tudo isso.

Mesmo que as coisas estivessem aparentemente dando certo aos poucos, eu me sentia um lixo, sentia que estava faltando algo, algo que eu não conseguiria recuperar.

Nico não podia estar morto. Eu simplesmente não podia acreditar nessa hipótese. Apesar de ver seu corpo inerte, os machucados sem nem ao menos darem sinal de que um dia iriam curar, o sangue em seu corpo, tudo tão humano, tão frágil.

Um grito alto escapou de minha garganta, me levantei de supetão chutando a primeira coisa que vi, xingando ao sentir a fisgada subir pela minha perna de ter atingido a mesa de cabeceira.

Meu corpo inteiro se estremeceu, minha visão turva demais para eu tentar fazer algo que preste, deixei que eu ficasse sentada no chão, novamente apenas respirando, lágrimas silenciosas descendo pelo meu rosto.

Não sei quanto tempo fiquei ali, mas senti meu corpo cansar mais e mais, até que o embaçado das lágrimas se misturaram com a escuridão e eu adormeci no chão gélido.

POV- Annabeth

Engoli em seco, caminhando pelos corredores de metal novamente. Eu já tinha ido ali algumas vezes depois do primeiro dia, mas nenhuma delas eu havia aberto a porta, mas Poseidon tinha dito que Percy queria me ver e isso me assustava.

Parei, respirando fundo e apertando o botão da cela, vendo aos poucos a porta subir e eu só pude lembrar da outra vez que eu tinha visto isso, me fazendo engolir em seco. O barulho alto me fez ter um sobressalto e soltar a respiração que havia prendido sem notar.

O Jackson estava em pé, a cela escura devido ele não ter acendido as luzes, não conseguia ver mais do que uma silhueta em pé no canto oposto da sala.

Ouvi o ar saindo dos pulmões dele, lentamente, um barulho de metal rolando chamou minha atenção e eu pude ver que era um dos canos que outro dia ele havia tacado em minha direção.

— Percy...— chamei baixo, quase como um murmúrio tão arrastado que se tornava difícil de entender.

— Entra — sua voz saiu firme, fazendo meu corpo retesar com o tom sério e bruto que ele havia utilizado; não me mexi. — Eu estou desarmado e você é uma bruxa, quem você acha que ganha essa? Entra! — insistiu, seu tom era superior.

Tirei a chave do bolso, me aproximando mais da grade, meus olhos não desviram nenhum segundo dele, que nem ao menos se mexeu. Empurrei a porta e ele ainda continuou estático, me observando.

Adentrei mais a cela e empurrei a grade, ouvindo-a bater e voltar umas duas vezes contra o arco antes de parar, agora de perto conseguia ver mais detalhes, ele estava vestindo apenas uma calça jeans, o cabelo bagunçado e a barba estava feita.

Quando estava no meio da cela, ele desencostou da parede o que me fez parar, me sentia estranha por ter medo do que ele poderia fazer, mas eu tinha. Em passos rápidos e pesados ele caminhou até a minha direção, ele segurou minha cintura com força e meu corpo foi tacado contra a parede.

Arfei de dor, meus olhos encararam o dele, segurei seus braços em uma tentativa falha de manter uma distância sem meus poderes, engoli em seco o olhando, seu olhar era quase ódio, entretanto tinha um pingo de tristeza, tão lá no fundo que era quase imperceptível.

Fechei os olhos e afrouxei o braço, sentindo ele apertar mais minha cintura como que em um pedido para que eu lutasse contra ele, mas eu continuei estática até que meus lábios foram selados e eu senti todo o meu corpo relaxar, junto com a mão dele em minha cintura.

Nem hesitei em retribuir o beijo, não contendo o sorriso em meus lábios.

POV- Percy

Cerrei o punho fechando os olhos e respirando fundo repetidas vezes, Annabeth dormia tranquilamente em meus braços, tendo como a única coisa que tampava seu corpo o fino lençol que tinha em minha cela e aquilo me tranquilizava de certo modo, mas também me assustava.

E se eu relaxasse e perdesse o controle do meu corpo novamente? E se eu a machucasse? Eu me odiaria por isso, eu não posso a machucar.

A olhei e não pude deixar de sorrir, ela parecia tão calma, um pequeno sorriso em seus lábios mesmo dormindo.

— Eu te amo, sabidinha! — disse baixo.

Notas finais
- O que acharam? Beijos e até!