POV- Thalia

O dia passou incrivelmente rápido e eu optei por não ir para casa, porque? Pelo simples fato de eu não querer olhar na cara do meu pai. Fui para a casa da Annabeth, entrei como sempre sem bater e logo vi Malcon na sala mexendo no celular.

— Oi Thals, minha irmã tá no quarto.- Ele disse e eu sorri e fui para o quarto dela.

O quarto da Anne era no porão da casa dela, então desci as escadas e logo a encontrei vestindo seu pijama branco com várias corujas coloridas por todo ele e me sentei em seu lado na cama. Annabeth encarava a foto em sua mão, ela possuía algumas manchas por causa da água.

— Desculpa, se eu não tivesse gritado com meu pai e saído irritada sua foto não teria caído e molhado- disse e ela sorriu leve.

— Tudo bem.- Ela se sentou e colocou a fotografia na mesa de cabeceira dela.

— Então quer fazer alguma coisa?- Perguntei torcendo que ela falasse sim.

— Na verdade não.- Disse ela mexendo na barra da sua blusa fofa.

— Tá- disse dando de ombros meio triste.

— Foi mal Thals, mas eu não estou muito afim de fazer algo, eu vou dormir um pouco e quem sabe treinar mais tarde e depois dormir mais- Ela disse prendendo o cabelo em um rabo de cavalo.

— Tudo bem, vou te deixar dormir então.- Disse me levantando e ela revirou os olhos.

— Que tal um filme?- Ela perguntou e eu assenti sorrindo.

Fazia um tempo que eu não fazia sessão de filmes, então ficou eu e Anne assistindo inúmeros filmes que tinham lançado e nós não tínhamos visto.

POV- Percy

Ele me jogou com força para trais, cuspi o sangue e me levantei, meu pai estava intacto, nenhum arranhão, treinar com meu pai tinha dois lados, o bom que era sempre aprender mais e o ruim de notar o quão fraco você é.

— Se concentra Percy, eu consegui antecipar todos os seus movimentos.- Meu pai disse alto.

Me endireitei e avancei, em um movimento rápido meu pai jogou meu corpo para trais me fazendo cair com tudo nas suas costas, ele bufou e se afastou.

— Desliga do que você está pensando, não é mais importante do que a sua luta, se tivesse enfrentando o Grace em vez de mim já estaria morto, seus poderes ainda não despertaram.- Meu pai disse agora se virando para mim enquanto eu me levantava.

Piper entrou com uma pasta na mão.

— O que teremos hoje Piper?- Meu pai perguntou mesmo ele não estando olhando para ela.

— Nada- ela disse fazendo meu pai virar surpreso.

— Como assim nada?

— Nenhum sinal, todos os monstros sumiram e acho que vai gostar de ver isso- ela disse indicando que ele o seguisse.

Descemos dois andares depois da ala de treino e era a onde ficavam os monstro a Piper parou na primeira cela e indicou que olhássemos, ali vimos um skinwalkers, mas o curioso era que ele estava encolhido, ele tremia e possuía o rabo entra as pernas e estava no canto da cela.

— Estava conversando com o Travis e ele foi checar a câmera, eles estão assim tem uns três dias.- Ela disse o olhando.

— Eles?- Meu pai perguntou e ela assentiu.

Piper foi até a cela do lado e bateu duas vezes na mesma e o Travis a abriu o que me surpreendeu, mas o mais chocante foi que o metamorfo ali não fugiu, ele se encolheu mais ainda dentro da cela.

Meu pai entrou e o jogou em cima da cama que ele possuía, meu pai o prendeu contra a parede e ele tremia, mas ele riu com a reação do meu pai.

— O que está acontecendo?- Ele perguntou o apertando com mais força.

— Não consegue sentir? Pensei que fosse um dos imortais- Ele disse encarando meu pai.

— Não me provoque, sentir o que?

— O motivo...

— Motivo de que?- Perguntei me aproximando e ele riu.

— Não sente o mal, a energia, não terão nenhum de nós por perto por escolha própria.

— Eu quero respostas, não charadas.

— Ele está aqui, essa é a resposta se você for competente saberá do que estou falando.

Meu pai arrancou a cabeça dele com um único movimento e saiu da cela sendo seguido por mim e Piper que ordenou Travis fechar a mesma.

— Piper organize uma reunião, temos que descobrir do que eles estão com medo.- Meu pai disse e Piper saiu para convoca-la.

— Não tem nenhuma ideia? – Perguntei agora que estávamos sozinhos.

— Eu não tenho certeza, quando ele falou que ele era o motivo eu pensei na profecia, mas é difícil analisar quando você não a contem inteira.- Meu pai disse entrando na sala de reuniões e já tinham pessoas começando a abitar ali, sim Piper é eficiente.

Todos nos sentamos em nossos devidos lugares, e meu pai começou a falar assim que o silêncio era a única coisa que mandava na sala além do meu pai.

— As criaturas estão estranhas, eu estava pensando nas palavras do metamorfo, o motivo, mas alguém segue o meu raciocínio? — Ele perguntou e quem se pronunciou foi o Leo.

— E o motivo virá à tona no momento inoportuno- Leo pronunciou a primeira parte da profecia que meu pai possuía a anos.

— Depois de traições e guerras e uma falsa paz o motivo determinará o que verdadeiramente ...- Pronunciei até a parte que tínhamos, era isso que meu pai e o Grace tinham.

Meu pai assentiu, eu e Leo ouvíamos aquela profecia, ou a parte que possuímos inúmeras vezes e faria sentido, o motivo ser uma pessoa.

— Tá, então a falsa paz já sabemos do que se trata.- Piper disse.

— A guerra temos duas possibilidades, a guerra eterna entre nós e as criaturas.- Hazel pronunciou-se.

— Ou a guerra entre nós e os Grace.- Foi a vez de Frank falar.

— Mas e a traição?- Leo perguntou confuso e deixando o clima tenso.

Eu logo pensei naquela manhã com a Chase, mas isso não seria a traição séria? Mas o motivo tecnicamente veio antes de nós mesmo nos esbarrávamos, não eu e a Chase não tínhamos nada a ver com isso.

Ninguém parecia culpado ali, todos estávamos confusos, quem seria o traidor? Qual seria a traição?

Sabia que meu pai estava em silêncio analisando cada um de nós, era evidente, ele deixaria que pensássemos, deixaria que ficássemos tão importunos em nossos pensamentos que nossas rápidas mudanças de expressões nos denunciariam.

— Pode ter haver com os Grace, afinal eles tem a mesma profecia que a gente- Katie sugeriu e meu pai indicou que ela continuasse- Nós sabemos que o Grace quebrou a função dos Imortais alguns anos atrás deixando a esposa uma criatura desconhecida fugir viva, logo essa pode ser uma traição.

Fazia sentido o pensamento dela, mas eu tinha uma leve desconfiança de que não era isso, tinha outra coisa, algo que estávamos deixando passar em branco.

— O que está pensando Percy?- Meu pai perguntou o que me surpreendeu, mas mantive a expressão seria e disse:

— Eu acho que tem algo mais, algo que não estamos observando.

— Está sugerindo que tem um traidor dentro de nós?- Meu pai perguntou, aquilo era ousado demais, poderia causar um caos, mas era o que eu pensava.

— Não, estou dizendo que estamos deixando um detalhe escapar de nossa visão.

— Temos a outra parte da profecia, o motivo vira à tona no momento inoportuno- Hazel disse parecendo me entender.

— Que momento inoportuno? Nada aconteceu para hoje ser diferente de uma semana atrás.- Leo disse refletindo.

Mas tinha acontecido, o acidente com a Grace, meu pai não sabia de nada, eu tinha escondido dele, pois sabia que seria motivo para briga, e se esse não for só o momento inoportuno como a traição?

— Ligou algum ponto Percy?- Meu pai perguntou, pera ele tá desconfiando de mim?

— Só estava revisando o que poderia ter acontecido de diferente, mas não achei nada.- Menti descaradamente, se meu próprio pai não confia em mim, porque confiaria nele? Eu sei, meio radical, mas para mim para termos confiança em alguém tem que ser uma ação de dupla troca.

Continuamos a debater sobre o assunto e depois disso cada um voltou a fazer o que estava fazendo antes, eu precisava descobrir por conta própria antes de falar algo para meu pai, não arriscaria nada antes de ter certeza.