Deadline Circus: The Second Act
4 A espada que machuca, mas não corta.
Notas iniciais
“Uma garota que se culpa por não ter sido forte e salvado seus pais. Arrogante e Mandona, são duas palavras que definem essa garota feita de carne e osso, mas dura como titânio. Mas ela sabe muito bem que vale a pena mudar do que perder um amigo.”
Terça-Feira, seis e cinquenta da tarde.
Japão, Inazuma.
Ironicamente, Mey Yuri estava do lado de Souji.
Não que ela se importasse de estar do lado de Souji, ele era muito legal. Ela se lembra de quando a mesma acordou tarde para um treinamento e a Giulia, ou Sargento Giulia, era a professora. Souji foi o único a inventar uma desculpa para a mesma se livrar da enorme bronca, dizendo que ela estava com dor de barriga e provavelmente já tinha passado.
A garota deu uma olhada ao mesmo, que percebeu rapidamente e a olhou, dando um aceno a mesma.
— Tarabotti. — falou o garoto. — Seus pais morreram por conta dos vampiros?
— Sim. — disse a de cabelos longos se sentando em uma cadeira. — Os seus tiveram a casa queimada?
Souji riu e concordou.
— Quem é a Katniss Everdeen¹ perto de Benjamin Hugo Salazar? — brincou o mesmo. — Mas a minha mãe está viva, casada com o meu tio. É uma longa e clichê história de amor, não queira saber como é.
Mey concordou e ficou calada por um tempo, mas depois começou a falar de outro assunto. Um que ela tinha curiosidade, mas medo de perguntar. Na última vez que perguntou a alguém, sendo essa pessoa a Giulia, a mesma bateu a porta na cara dela.
— Quem é… Victor? — perguntou rapidamente e baixo. — Benjamin comentou dele uma vez.
Souji a olhou como se fosse chorar naquele momento. Piscou os olhos duas vezes e olhou para frente, dando um leve sorriso que talvez fosse falso, ou apenas estava tentando enganar a si mesmo sobre aquela pergunta não o incomodar.
— Victor era o segundo irmão mais velho que tinha gêmeo “mais novo” de Benjamin por onze minutos. — disse Souji. — Ele foi um ótimo caçador, pena que as pessoas só deram valor a ele quando o mesmo estava entre no seu último ano de vida e ninguém sabia. Era o líder dos Jester antes de Savannah, as meninas o achavam o pior líder do mundo. Não decorava nomes, andava na frente delas e tinha muitas brigas com todos.
Ele engoliu em seco.
— Ele morreu a três anos salvando uma das garotas do grupo durante uma missão de resgate a outro caçador. Bateu a coluna em um corrimão e a quebrou, mas o que matou mesmo foi a pancada na cabeça quando ele caiu no chão. O cérebro parou depois de alguns minutos, sem falar dos vampiros o pisoteando para alcançar os outros. — ele disse, se sentando do lado dela. — Bem, é o que falaram na autopsia e em algumas entrevistas com a garota que estava ali no momento.
Mey Yuri sentiu uma leve dor na coluna, mas não falou nada. Souji respirou fundo.
— Ele era um irmão chato. Ele tinha a arte de abrir a porta nos momentos que não devia, se é que me entende. — Souji piscou para ela, e Mey segurou o riso. — Ele espantou o Yuri com um “Olá” e um aspirador de pó, ligado. Não queira saber o que ele ameaçou em fazer se o Yuri não saísse de perto de mim.
Mey não aguentou e começou a rir. Pela a primeira vez ela se distraia em uma missão, e ela odiava fazer isso. Souji riu junto a ela, se lembrando da cena. Quando a garota parou de rir, a música parou rapidamente. Ambos se levantaram rapidamente, vendo que todos estavam sérios e olhando o homem entrar no palco de máscara.
— Desculpa, percebo que assustei muitas pessoas descontraídas. — disse uma mulher alta, de cabelos loiros castanhos claros com vestido preto e máscara da mesma cor, com alguns detalhes em dourado. — Nosso cantor teve um problema, a sua mulher vai dar a luz nesse exato momento.
Alguns alunos aplaudiram a respeito da mulher do cantor, enquanto os caçadores ficaram parados. Souji deu uma breve olhada a Mey, que apenas fez sinal que não entendia. Pelo o que Yerik deu de informações em um papel, o cantor era viúvo há duas semanas.
— Por isso, eu irei o substituir. — ela disse sorrindo, entregando um copo a alguém da plateia e sorrindo. — Ok, vamos lá.
A mulher olhou a banda, falando algo para eles.
— Essa música é a pedido daquele garoto ali. —ela apontou a alguém da plateia, com cabelos longos e roxos até o meio das costas, com uma mascara vermelha com um pequeno detalhe em chifres. — Para homenagear o pai de seu melhor amigo, Pavel Morozov, no qual o pai faleceu e deixou muitas cicatrizes, iremos cantar a música favorita do “velho”. O nome da música é Secrets², do The Pierces.
E então, a mulher estalou os dedos, e então a música começou a tocar. Mey olhou Souji, que estava com os olhos como o de um felino ao ver a presa. Ele disse para ela ir logo para onde estava o seu líder, saindo andando.
Mey ficou no local, mas logo viu Benjamin e foi até ele.
Tenho um segredo
Você pode guarda-lo?
Jure que esse você irá guardar
Melhor tranca-lo em seu bolso
Levando ele ao seu tumulo
Se eu te mostrar então eu sei que você
Não vai contar o que eu disse
Porque duas pessoas podem guardar segredo
Se uma delas está morta
Mey olhou Benjamin.
— Essa é realmente a música favorita do pai do Pavel? — perguntou ao Benjamin.
Mas logo Benjamin pegou a mão de Mey e entrou no meio das pessoas dançando, colocando a mesma na frente dele e juntando os corpos, segurando a cintura da mesma e a mão, começando a dançar. Mey o seguiu, vendo que o mesmo olhava Pavel dançando normalmente com a loira.
Pavel olhou a eles, como se dissesse que ele estava com um vampiro. Ben ia avançar, mas ele logo percebeu que Pavel estava com tudo sobre controle. Eles continuaram a dançar, olhando a todos. Mey Yuri olhou o homem de máscara bebendo um líquido vermelho dentro de uma taça, olhando fixadamente para Pavel.
Eles dançavam chegando perto do palco enquanto a música tocava. A mulher cantava docemente e atraia a atenção de muitos homens a ela, por mais que Benjamin parecia estar mais focado em chegar perto dela e a pegar pela a gola da camisa e a tacar no chão do que qualquer outra coisa.
Assim que a música estava no final, Mey viu um garoto loiro chegar por trás de Benjamin. Ninguém tinha reparado nele, mas podia o perceber. Ela olhou Ben, que a abraçou e chegou mais perto do ouvido dela.
— No três nos separamos. — sussurrou, e a música estava acabando. — Um… Dois…
Ele se afastou dela, fazendo com que ela girasse e somente segurasse uma mão dele. E, assim, a música acabou.
— Três. — ele falou alto, assim soltou a mão dela e deu uma cotovelada no garoto loiro que ia o atacar, pegando a espada dele que era usada apenas como “enfeite” no seu traje.
Mey olhou para a mulher no palco e tirou os sapatos, dando três passos e pulando no palco. Pegou uma faca grande na perna, cortando a saia do vestido para se locomover melhor e atacou à morena, que apenas desviou, por mais que o golpe pegou no elástico do cabelo e o cortou a fazendo deixar o cabelo solto.
— Eu achando que ia achar uma rival tão bonita como eu. — disse a vampira. — Fui iludida.
Mey tentou a atacar novamente, mas ela apenas retirou a saia do vestido, mostrando que tinha um short curto junto à parte de cima do vestido preto e pulou a menina, usando os seus ombros de apoio.
A albina se virou a mesma, que retirou a máscara e tacou para o lado. Mey deu um giro e a acertou na barriga, mas levou um chute na costela, fazendo-a cair no chão facilmente e deixar a espada cair. O local atingido doía muito, ela esticou uma mão que não estava tampando o local para pegar a espada, mas a vampira a pegou enquanto andava tranquilamente e a virou, brincando com a enorme faca entre os dedos.
— Que luta rápida.
— Nem tão rápida.
Mey pegou as duas outras armas, enfiando uma na perna da vampira, que gritou rapidamente de dor e saiu de perto dela, deixando a outra faca cair no chão. Ela olhou a vampira, que retirou a faca da perna e a olhou, girando-a com uma das mãos e a apontando como se tivesse a pedindo para duelar.
— Meu nome é Lust, pequena albina. — Lust sorriu. — Vou a deixar sabendo apenas para saber para quem implorar pela a vida quando eu tiver lhe dando o golpe final.
Ela percebeu que o machucado que tinha feito na perna não se curava facilmente, talvez fosse demorar um bom tempo para curar. Isso era uma boa uma vantagem.
— Mey! — gritou alguém atrás dela. A mesma se virou, vendo que era Irene com a garota que dançava com Pavel. —É melhor você sair da frente ou abaixar.
Mey se virou, olhando Lust e se deitou num pulo no chão, bem no momento em que Irene pulou a garota loira e tacou na cara de Lust como se fosse uma boneca de pano. Ela limpou a boca que saia um pouco de sangue e olhou Mey.
— Boa garota. Vai ganhar biscoito depois de recompensa. — disse Irene. — Aquela loira conseguiu me socar logo na boca, espero que não fique a marca.
— Eu não sou um cachorro, Morozov. — ela disse, se levantando. — Seu irmão não deveria estar com ela e não você?
— Ele estava, entretanto eu comecei a lutar com ela e ele com um armário. Se ele não estiver morto, eu concordarei com a minha mãe que é mais fácil quebrar um titânio com a mão do que matar o Pavel.
Colocou a mão no local onde a vampira a chutou, fazendo a Irene a olhar de relance e ir ao microfone.
— Somos caçadores de vampiros, todos para fora! — ela falou ao microfone, olhando as duas vampiras se levantarem. — Eu dou um jeito nisso, você está ferida.
— Eu aguento.
— Sai daqui, Mey. Você será um fardo machucada.
Mey ignorou Irene e segurou com mais firmeza as duas pequenas espadas que tinha e tentou atacar Lust, que apenas riu e desviou, passando por entre as pernas dela facilmente e depois chutando a coluna da mesma. Ela caiu no chão novamente, com a dor em todas as partes do corpo.
Olhou Irene, que estava visivelmente ocupada demais com a loira, talvez por ambas aparentarem ter a mesma quantidade de força. Nem ao menos tinha rasgado o vestido para se locomover melhor, por mais que ele estava sujo como se ela tivesse sido arremessada na mesa onde estava o ponche e a bebida ter manchado a saia do vestido.
Olhou Lust, vendo a mesma tentar espetar uma de suas armas na sua cabeça, mas ela rolou desviando. Ela estava sem as armas, uma estava bem longe e as outras duas com Lust, que ria e brincava com aquilo.
— Eu preferia estar lutando com um homem. Perdeu a graça lutar com mulheres, elas não me atraem e me faz sentir pena. — disse Lust.
Mey se assustou ao ver Irene cair no chão e levar a loira junto, sentando em cima da vampira e a socando na cara. Viu que Lust se distraiu com aquilo e aproveitou para dar um chute na cara da mesma, por mais que quanto mais se locomovia, mas ela ficava com dor no local do primeiro chute.
Lust colocou a mão no rosto.
— Como ousa machucar o rosto de uma mulher? —ela disse, com os olhos vermelhos. A loira que estava com Irene conseguiu sair dos braços de Irene e foi para o lado da Lust, fazendo a albina ir para o lado de Mey.
— Ela está realmente me deixando muito irritada. — disse a loira.
— Eu diria para você se acalmar, mas como você é a Wrath… Acho que isso não vai rolar. — disse Lust, tacando o cabelo para trás.
Irene olhou para o lado e segurou Mey a empurrando do palco e a soltando. Mey fechou os olhos para não sentir o tombo, mas a única coisa que sentiu foi uma pessoa a segurando. Abriu os olhos, vendo uma ruiva sorrir a mesma e a colocar num canto isolado e ficar com ela.
Ela avistou de longe Irene lutando com Lust e Wrath, mas logo um garoto de cabelos verdes começou a ajudar, cuidando de Lust para ela. Irene retirou duas adagas de dentro de sua roupa e as girou no ar, começando a lutar de modo mais sério com a tal Wrath.
— Mey, olha para mim! — disse Ally ao seu lado, fazendo-a a olhar. — Fica me olhando.
Mey fez o que ela pediu, mas logo deu um grito ao ver que Ally apertou o local machucado. Ally fez uma cara nada boa, parecendo assustada. Tirou as mãos do local e olhou a mesma, que estava com lágrimas nos olhos quase caindo. Ela fechou os olhos para não saírem.
— Acho que você quebrou uma costela, Mey. — Ally disse a deitando. — Tem que ficar deitada se não…
— Ally, cuida daquele vampiro para mim. — disse Pavel chegando perto dela. — O que houve com a Mey?
— Ela fraturou a costela, eu acho. — disse Ally se levantando e pegando duas katanas, correndo para atacar o vampiro loiro.
Pavel se sentou do lado de Mey deitada e cutucou a área, que sentiu uma dor insuportável. Ele respirou fundo e olhou a albina.
— Você fraturou duas costelas, e isso pode machucar algum órgão e também pode ocorrer pneumotórax. — disse Pavel, tirando a gravata e pegando gelos que tinha num copo de suco, colocando na gravata e assim no local. — Eu tive treinamento para ser médico de caçadores. Fica olhando para mim.
Mey olhou Pavel, mas começou a ver tudo embaçado e sua visão começou a falhar. Viu Pavel pegando uma madeira provavelmente de alguma mesa quebrada e a colocar em suas costas. Pavel logo colocou seu blazer por cima dela e pegou um rádio, no qual estava falhando e alguém falava do outro lado da linha. Assim que ele acabou de falar, ele se virou para trás.
— Saem de perto do palco! Saem de perto do palco! — gritou, fazendo todos os olharem e arregalarem os olhos, parando as suas batalhas com os vampiros e saindo de perto do palco, por mais que os vampiros ficaram ali parados por alguns segundos.
Ele olhou Mey.
— Aguente mais um pouco, fique acordada, eu sei que está sentindo dor e sentir uma dor enorme nos faz querer desmaiar, mas fique acordada. Mantêm-se acordada, Mey Yuri. — Mey balançou de leve a cabeça, tentando parar com a tontura que estava sentindo. Ele apertou um botão do rádio. — Pode tacar a bomba, Lorelai.
Mey não conseguiu ver o que aconteceu depois disso, apenas escutou um barulho enorme de destruição no local. Rapidamente viu algumas pessoas entrando pelo os buracos feitos, e apenas vários vampiros mortos. Ela fechou os olhos por um segundo, mas foi o tempo suficiente para perder a consciência de tanta dor que sentia em todo o seu corpo.
***
Quarta-feira, onze da manhã.
Japão, Inazuma.
Mey acordou num pulo, mas não se mexeu da cama. Ela olhou o teto em branco e depois em volta, vendo um médico anotando algumas coisas enquanto ajeitava o soro. Ele era alto, de olhos roxos e um cabelo preto levemente bagunçado como se não tivesse dormido a noite toda.
Ao ver que ela o olhava, o homem sorriu.
— Que bom que acordou. — disse. — Eu sou o Dr. Jun, um médico de caçadores. Principalmente dos Morozov, acredita que o Ygor quebrou o osso da coxa em três? Foi o pior dia para ser estagiário, porque todos queriam ver esse caso. Até porque, quem leva um chute da mulher, escorrega na meia do filho mais novo, cai cima da perna e a quebra em três?
Mey se sentou.
— E você não vai sair da cama no período de três a seis semanas. — disse o médico e Mey Yuri o olhou incrêdula. — Você fraturou a costela e ainda forçou a lutar contra vampiros, sem falar que a Irene disse que você se tacou no chão e levou um chute na coluna, que por sorte está bem. — disse Jun sorrindo. — Então você não poderá trabalhar por três a seis semanas, dependendo de como a sua costela melhorar.
Mey coçou a cabeça.
— Tem mais alguém no médico sem ser eu? — perguntou Mey.
Jun sorriu de canto e andou um pouco, abrindo à cortina a esquerda dela e vendo um menino com cara de poucos amigos e com dor, ao lado um médico com o cabelo castanho claro e enrolado amarrado em um rabo de cavalo.
— Yukimura, fraturou o cóccix. — disse. Mey ficou sem entender a palavra. — Em outras palavras, ele fraturou a bunda. E ah, esse é o Dr. Kidou, na realidade ele é meu estagiário, mas está livre para chamá-lo de Dr. Kidou.
Mey olhou o garoto e cumprimentou de leve Kidou com a cabeça.
— Nossa. — disse sobre o caso do menino ao lado.
— Não queira lutar contra um vampiro mascarado junto a um vampiro de dois metros. Agora eu vou ficar tomando anti-inflamatório e esperar que ele se cure. — disse Yukimura, como se dissesse que tinha mais alguma coisa a se fazer.
— Se não acontecer nada, apenas vamos fazer uma cirurgia e retirar o cóccix.
— A bunda? — disse Mey.
— Não, ele quebrou o osso da bunda, não a bunda. Foi um modo de dizer que ele quebrou a bunda. — explicou Jun.
— Porque você não fala traseiro? — disse o estagiário, Kidou.
— Se quiser eu falo até... — ele foi interrompido por algumas pessoas entrando na sala.
Ela olhou Ally com um sorriso de preocupação e se sentando do lado dela rapidamente, enquanto os outros membros entravam aos poucos. Depois entraram alguns membros Colombine, que correram para onde estava Yukimura e começaram a rir ao ver o que ele tinha quebrado. Por fim, Pavel, Jake e Giulia entraram, sendo o primeiro com um buquê de flores.
— Quanta gente. — disse Jun. — Sem gritaria, estamos em um hospital, não em um bar.
Mey olhou Pavel a entregando as flores e agradeceu.
— Pavel. — chamou Jun. — Ainda bem que você cuidou dela na hora por um tempo, a costela poderia ter afundado e machucado o pulmão ou outros órgãos.
— Isso quer dizer que eu salvei alguém? — perguntou Pavel. Jun pensou um pouco e concordou.
— De um pneumotórax, cirurgia e mais tempo em repouso.
Ele deu um pulinho de alegria e abraçou o garoto do lado, um loiro que ela se lembrava de que era chamado Jake White. O loiro ficou sem reação por um tempo e depois abraçou o menino, com um leve sorriso.
Eles se soltaram e Pavel tropeçou no próprio pé, quase caindo no chão, mas Jake conseguiu o equilibrar antes que caísse. Logo Pavel olhou Jake e sorriu.
— Obrigada. — sorriu gentilmente. Jake apenas fez um sinal de “disponha”.
— Ele salva alguém, mas não salva a si mesmo. — sussurrou Giulia. — Ele não tem sentido.
— A NASA deveria o estudar. — disse Jun, fazendo Mey rir de leve.
Ela olhou o Pierrot.
— Estão todos bem?
— Na medida do possível. — comentou Benjamin, se sentando na ponta da cama.
— Desculpa ter que ficar um tempo fora para me curar. — disse Mey. — Eu deveria ter sido mais forte.
— Os caçadores mais fortes sempre perderam alguém, ou já se quebraram uma ou trinta vezes ou tem problemas psicológicos. — disse Rosmery. — Foi o que a Irene disse uma vez.
Todos olharam a Irene, talvez por ela tiver falado algo assim.
— Mas é a verdade. — disse Irene, fazendo Sam pensar um pouco e concordar com ela. Pode perceber que a reação de todos vendo que elas concordam em algo foi uma cena cômica demais.
Eles não tiveram muito tempo para rir, já que logo a Violetta entrou e pediu para todos se retirarem menos o Pierrot. Os médicos colocaram Yukimura em uma cadeira de rodas com uma “boia” e o levaram para fora do quarto. Ela pediu desculpas e sorriu entrando e dando um cartão de melhoras com um ursinho com carinha triste.
— Ainda existem esses cartões? — perguntou Ally.
— Sim, até eu me assustei. — respondeu Violetta levantando as sobrancelhas.
A mulher pegou uma cadeira, subiu na mesma e beijou a bochecha da filha, na qual era bem mais alta que ela. Depois se sentou na cadeira e olhou Mey.
— Você se lembra de algo antes de desmaiar? Sabe quem a machucou?
Mey pensou um pouco e coçou a nuca.
— Não muito. Lembro-me que foi uma vampira chamada Lust que me machucou. — disse Mey.
Violetta fez cara de desgosto.
—Uma dos aliados de Takuya. — ela disse. — Nós matamos muitos vampiros, principalmente quando a Lorelai inventou de fazer o Jester entrar no baile tacando uma bomba na parede, mas parece que não conseguimos capturar nenhum aliado de Takuya ou o próprio Takuya.
— Eu apenas me lembro de tudo até o Pavel falando com alguém no rádio dizendo para tacar uma bomba. — disse Mey. — E como assim aliados de Takuya?
Violetta respirou fundo.
— Takuya escapou, mas antes ele se referiu aos oito vampiros que estavam de pé ao lado dele como seus aliados. De algum modo, eles são fortes e assustadores. — disse Violetta. — Eles se nomeiam com codinomes de sete pecados, pelo o que eu percebi das pessoas falando os nomes deles. Lust, Sloth, Gluttony, Pride...
— Pride é o Enzo. — disse Benjamin, mordendo o lábio. — Enzo Santiago.
Violetta piscou os olhos duas vezes.
— De qualquer forma, falamos desse assunto do Takuya depois. O Pierrot tem que descansar por um tempo, e vocês precisam conhecer os três novos membros. — disse Violetta, se levantando.
— Três membros? — perguntou Rosmery e Sam ao mesmo tempo.
— Sim, um entrou de última hora. — disse. — Eu treinei o terceiro e ele está à altura de vocês para entrar no Pierrot, acredite em mim.
Benjamin ajeitou o cabelo novamente.
— Portanto que não me mandem comprar urgentemente um absorvente. — disse e olhou a de cabelo laranja.
— Foi um caso urgente, Ben! Eu não me lembrava, já pedi desculpas. — Ally disse. — Eu liguei para a Irene, mas ela mandava para a caixa postal.
— Eu estava dormindo. — disse Irene. — Não atendo o telefone mesmo se for a minha mãe quando estou dormindo.
Violetta teve que concordar com o que Irene disse.
— De qualquer modo, Benjamin, vai ser um homem que vai entrar a mais. — ela sorriu. — Ele apenas vai vir para a DLC amanhã, assim como as outras vão chegar à noite, mas somente serão apresentadas amanhã de manhã. E enquanto a Mey, ela está de recesso.
Mey respirou fundo com aquelas palavras, ela queria ir para as missões, ficar com o grupo e conseguir fazer o nome da Tarabotti ir ao topo novamente como uma das melhores famílias de caçadores da Inglaterra, mesmo que saiba que precisa de dedicação e tempo para colocá-lo no topo.
Logo Irene recebeu uma mensagem e pegou o celular. Deu um sorriso de canto ao olhar a tela dele, talvez ao ver quem tinha mandado a mensagem. Irene tinha namorado? Ninguém sabia, mas ela provavelmente tinha certo amor por alguém. Até porque, ninguém da um sorriso daqueles quando um irmão ou um primo manda uma mensagem qualquer. E como a mãe estava do lado dela e o pai tinha falecido, provavelmente não foram os pais que mandaram a mensagem.
— Mandaram ligar a televisão e colocarem nesse canal com nome estranho. — disse Irene, mostrando o nome à mãe de cabelo azul.
Ela abriu uma gaveta de uma cabeceira, pegou o controle e ligou a televisão do quarto do hospital, colocando no canal que tinham mandado na mensagem. Passava uma notícia urgente e todos do quarto arregalaram os olhos, até mesmo Mey parecia não sentir mais dor ao ver aquelas imagens de destruição.
Foi quando viram as imagens de uma câmera minutos antes daquilo acontecer, vendo que ninguém estava ali, mas logo um rápido vulto provocou o desabamento enorme. Eram vampiros, claro.
Mas isso não era o que mais assustava, vampiros já deixaram de assustar faz tempo para quem é caçador. Eles vivem vendo vampiros, dos mais bonitos aos mais feios.
O que assustou foi que a Torre de Inazuma desabou.
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