Dead or Alive
2 Castiel
Notas iniciais
O bom de ser anjo é que eu posso ir para qualquer lugar quando eu quiser.
Agora eu estou em Toscana, na Itália, observando uma família camponesa. Se tivesse uma vida humana, queria ser como eles. Ao natural, como o Senhor nos mandou à Terra, cuidando dos animais.
– Castiel — chamou-me uma voz feminina.
– Hannah — respondi. Hannah aparecera do meu lado, sentando no velho tronco.
Ela suspirou.
– Pare de se imaginar como você seria humano. Você seria uma desgraça. O Senhor não deseja-lhe tão mal. — disse ela, cruzando as pernas.
Olhei-a sério.
– O ser humano é obra do Senhor. Porque seria uma desgraça eu querer me tornar algo que Ele mesmo criou?
– Não seja estúpido, Castiel — disse ela, rindo. — Você é perfeito. Porque você se tornaria algo que é... Tão repugnante? Que faz coisas repugnantes?
– Ser perfeito cansa, Hannah — respondi — Além do mais, prefiro ser uma coisa imperfeita e repugnante, como você diz, do que viver para a eternidade e ver as pessoas que eu amo morrerem.
Ela revirou os olhos.
– Lá vem a anjo que se acha... Que quebra as regras usando aquelas roupas... Nem sei como Ele ainda a deixa viver entre nós. — disse ela ao avistar Nathália. — Não gosto dela.
– Eu escutei — disse Nathália, tropeçando ao caminhar na grama úmida com um salto vermelho. — Olá, Castiel.
– Olá, Nathália. — falei.
– Sujei todo meu salto de terra — ela disse — vou ter que ir naquela loja de novo para trocar.
– Também, quem manda vir pra cá de salto? — falou ironicamente Hannah.
– Querida, podemos até ser irmãs, mas isso não justifica sua inveja pelo meu corpitcho, ok? Por favor, vai encomodar sua amiga. Ah, é, lembrei, você não tem.
Ri.
– Castiel, você está rindo? — perguntei.
– Sim, eu acho.
– Isso foi uma risada.
– Então eu ri?
– Sim — Nathália e Hannah responderam em uníssono.
Eu não entendi o porquê que elas estavam sorrindo pra mim, e pela primeira vez as vi concordando em alguma coisa.
– Qual o problema de eu rir?
– Você é tão sério, Castiel — falou Hannah — Até eu já ri, acho que já faz uns bons e velhos séculos... Mas você, meu jovem irmão... Nunca vi.
Fiquei observando um cachorro Pastor Alemão que corria livremente pelo campo italiano.
– O que você queria me dizer? — perguntou Nathália assim que Hannah fora embora.
– Sente-se. — ela se sentou na grama. — Bom... Você se lembra dos meus amigos humanos?
– Sam e Dean? Aqueles que visitaram o Paraíso? Sim, lembro.
– Então — dei uma suspirada — queria que você me ajudasse a cuidá-los.
Ela deu uma risada surpresa.
– Porque eu deveria cuidar deles? Castiel, eles são caçadores, são bons no que fazem, além do mais eles têm a você! — disse ela.
– Nathália, eles podem ser ótimos caçadores, mas ainda assim são humanos. Ainda assim tem alguma coisa superior, com mais força que eu sinto que poderão matá-los!
– Castiel, a Palavra do Senhor foi de que todo humano vai morrer, seja a hora que for ou da forma que for!
– Quando você perdeu seus pais... Como você se sentiu?
– Mal — respondeu ela, olhando para baixo. Dava para sentir sua tristeza.
– Então. Eu sinto mais ou menos assim em relação a eles. Eu sinto que devo protegê-los.
Ela mordeu o lábio.
– Então porque você não os proteje?
– Passou muita coisa pela minha cabeça... Eu estou pensando em fazer algumas coisas, preciso clarear a minha mente, me desligar desse mundo. Preciso de um tempo.
– E onde eu me encaixo nisso?
– Eu vou ficar ausente, ou seja, sem poder vigiá-los. Quero que você os vigie.
Ela ficou boquiaberta.
– Sério isso? Mesmo Castiel?
– Sim. Por favor. Você me deve um favor, desde aquela vez em Los Angeles...
– Ok Castiel, ok, eu os vigio. — ela disse, me interrompendo. — Mas só, por favor, me apresenta a eles. Seria capaz de eles tentarem me matar ou algo do tipo.
– Tudo bem. Vamos lá — digo.
– Porra Cass — disse Dean, cuspindo um pouco de cerveja.
– Olá Dean, olá Sam — digo. Sam está mexendo no computador e me cumprimenta com um abano.
– Podia não dar susto, hein? — diz Dean.
– Desculpa. — digo. — Preciso falar com vocês.
Sam sentou-se do lado de Dean na mesa.
– Diga, Cass. Desembuche. — Dean deu outro gole na cerveja.
– Preciso clarear a minha mente... Preciso de um tempo só para mim. Não sei se vocês me entendem, mas... Eu realmente preciso ficar ausente por um tempo.
Sam e Dean se olharam.
– Cass, está tudo bem? — perguntou Sam, com insegurança.
– Sim, está. Quer dizer não. Não sei. Por isso preciso desse tempo — falei — para poder me decidir se estou ou não bem.
– E quanto tempo vai ser? — perguntou Dean.
– Acho que um ano. Se eu decidir antes, volto antes.
– E você vai nos abandonar assim, durante um ano? — perguntou Dean, se aproximando de mim.
– Espere. Não terminei de falar. Como vou ficar ausente, chamei uma amiga para cuidar de vocês — expliquei. — Digamos que ela é minha melhor amiga angelical. Nathália, apareça por favor.
Ela "surgiu" do meu lado, usando um vestido de alcinha floreado com uma tiara e uma sandália nude.
– Olá, meninos — disse ela.
– Opa, até que não vai ser uma má ideia sua ausência hein Cass? — disse Dean, levantando as sombrancelhas com um sorisso malicioso no rosto.
– Acho que Castiel já explicou pra vocês — falou ela, revirando os olhos — Que ele vai ficar ausente por um tempo. Portanto, eu serei a "anjo da guarda" de vocês. Não digo que ficarei vinte e quatro horas com vocês, como ele provavelmente fica, mas sempre que precisarem, é só discar meu número.
Sam olhou surpreso.
– Uma anjo ter celular? Desde quando?
– Amor, só por que sou uma anjo, não quer dizer que eu sou destecnológica. — disse ela.
– Bom, acho que já vou indo — digo.
– Cass, qualquer coisa, pode me chamar — disse Nathália, dando uma piscadinha.
– Tudo bem. Digo o mesmo. — e saio da Carolina do Norte.
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