Dead World Assembly - Assembleia do Mundo Morto

30 Capítulo XXIX: A Exumação dos Gentios


Notas iniciais
Vigésimo nono capítulo dedicado à Buckhardt Manfredini e à XxX Lulu chan XxX pelas lindas recomendações! Obrigada mesmo! *-* ... Boa leitura!

Dead World Assembly

“Exaustos, esgotados e famintos, eles seguem pela rua sinuosa até o alto do morro e, quando chegam ao estacionamento da igreja, todos ficam parados por um momento, olhando para o horizonte no lado oeste, inesperadamente maravilhados. O horizonte de edifícios, a apenas cinco quilômetros de distância, é quase radiante ao pôr do sol”.

KIRKMAN, Robert. A Ascensão do Governador (pag. 84).

Capítulo XXIX

A Exumação dos Gentios

Apenas por um instante, o vento gemebundo, ruidoso como uma matilha raivosa e acuada, cessa; torna-se um hóspede silente, volteando o arcabouço sólido da ponte Akashi Kaikyo. Vira coadjuvante enquanto anéis negros de fumaça ainda rodopiam em torno dos sobejos do incêndio devastador que os atingiu dias atrás.

Uma fileira de carros chamuscados está espalhada ao longo dos quase quatro quilômetros de pista, a maior parte completamente destruída pelo fogo. Alguns errantes se arrastam a esmo entre os automóveis, atraídos pelo tiroteio intenso que aconteceu há apenas alguns minutos, próximo ao acesso da ponte que a conecta à Ilha Awaji.

Nesse momento, ouve-se distintamente os ruídos dos seus passos desleixados e dos seus gemidos enrouquecidos. O odor pútrido e denso dos mortos intoxica o ar já contaminado; é uma questão de tempo até que a horda crescente alcance o seu objetivo.

Os homens caídos, mortos durante o tiroteio, gradativamente ganham vida outra vez. Seus membros portentosos agitam-se em gestos espasmódicos, sons baixos irrompem de suas gargantas: a moléstia perniciosa finalmente os está trazendo de volta.

A alguns metros dali, Sasuke está mortificado, pasmo diante da sentença que acabara de ouvir. Talvez sua mente esteja começando a lhe pregar peças, ele imagina, pois não há a menor possibilidade de que ele tenha escutado direito. Talvez se rearranjar as palavras, encaixá-las em uma ordem diferente dentro da mesma sentença, porém seu significado persiste inalterável.

O pânico é uma sensação intrusiva e não bem-vinda em seu corpo. Sasuke sabe que tem de expulsá-la rapidamente para poder pensar com clareza e tomar decisões. Mas a pressão dentro da sua cabeça é esmagadoramente perversa e a confusão é um visitante inesperado.

Sakura o está olhando agora; ela continua fitando-o como se esperasse que ele pudesse oferecer a ela a solução para esse imprevisto. No entanto, há questões que infelizmente precisam ser resolvidas primeiro, mais urgentes e indefinidamente mais prioritárias.

— Entra no carro! — ele vocifera entre os dentes cerrados, o maxilar duro de tensão.

Há uma ira súbita dentro dele, uma que queima incontrolável. Mantenha-se no controle, ele se ordena, mas quando vê que Sakura não se moveu um único centímetro, Sasuke quase perde a cabeça.

— MAS QUE PORRA, SAKURA, ME OBEDEÇA E ENTRA NA MERDA DO CARRO!

Ela o faz, mas não sem antes lhe lançar um olhar ferido, dando a volta no Impreza e batendo com força a porta do passageiro. Sasuke não perde tempo ao dar a partida no motor e manobrar o veículo pela pista, ziguezagueando pelos automóveis abandonados e deixando os errantes recém-despertos para trás.

Em minutos, eles estão cruzando a ponte novamente, serpenteando entre os destroços e entre a fumaça. Sasuke está tentando se concentrar na pista, mas seu olhar persiste em recair sobre a garota ao seu lado. Ela está silenciosa, nota, o olhar vazio encara a paisagem desolada. O azul anil do oceano está engolindo a luz solar, os dedos dela estão apertando fortemente as laterais do banco.

— Coloca o cinto — Sasuke comanda com um tom grave, os dedos se curvando em torno do volante com um pouco mais de força do que o usual.

Ele só relaxa a partir do instante em que ouve o fecho do cinto. Sakura, por outro lado, continua em silêncio, mas agora suas sobrancelhas estão enviesadas, talvez por preocupação, talvez por medo. Sasuke não se permite tentar desvendá-la, não agora.

Apenas segue em frente, soltando o peso do pé sobre o acelerador e alternando a marcha. O horizonte desaparece por trás da cortina de fumaça negra que ainda exala do asfalto e de alguns automóveis: o céu ainda está claro, o sol ainda brilhante, o oceano ainda calmo. A pista atulhada da ponte não é um obstáculo para ele.

Mais à frente, Sasuke avista os errantes atraídos pelos tiroteio. Eles se aglomeram no centro da pista e parecem mais atiçados e mais famintos do que o costumeiro. Sasuke tem o estranho reflexo de imaginá-los como pinos de boliche e afunda o pé no acelerador. Em seu frenesi desvairado, cerra os dentes e esquece-se do ponteiro do velocímetro.

Atinge o primeiro deles com uma pancada tão violenta que Sakura pula em seu assento, um grito congelado em sua garganta. Os olhos lacrimejantes, contudo, ainda se recusam a focar em Sasuke.

O impacto do errante contra o para-choque o lança por cima do capô e do teto do Impreza. O impacto também deixa uma substância gosmenta e nauseabunda no para-brisa. Sasuke liga os limpadores para ter uma visão ampla da pista novamente.

Ele acerta mais mortos-vivos conforme avança como um lunático através da ponte, seu sangue corre feito gelo agora. Seus nervos, antes revestidos de aço, estão pendendo frouxos de suas bordas estraçalhadas.

Há corpos rolando por cima do capô, há mãos tocando ansiosas nas janelas e há secreções desconhecidas escorrendo do para-brisa, mas ele não se importa. Sakura, ao seu lado, enfim enterra as mãos na cabeça e arqueja audivelmente, incontrolavelmente, ela parece prestes a vomitar.

— Aguente firme, estamos quase atravessando. — É o que ele diz. Sua mente ainda está retendo a verdade imparável, impedindo que ela despenque em seu consciente e devaste tudo ao seu redor como uma avalanche. Não pense, ele se ordena, não ainda.

Os limpadores estão trabalhando incansavelmente, removendo do para-brisa a maior parte das secreções dos mortos.

— Foda-se esses sacos de merda — Sasuke murmura à meia voz, atropelando os últimos errantes da horda e enfim encontrando a pista desimpedida; a cortina de fumaça também se desintegra gradualmente, e a promessa de ar limpo e fresco o faz abrir a janela.

Nesse instante eles se encaminham para a cidade de Kōbe, no outro extremo da monumental Ponte Akashi Kaikyo. Seus contornos cinzentos fulguram sob o sol da tarde, seus fantasmas permanecem inesperadamente resguardados, contudo. Arranha-céus monstruosos estão projetando sombras no horizonte, lembranças de uma era esquecida, apagada. Agora eles não passam de bestas de concreto e aço caídas e abatidas.

Sasuke desvia para a Via-expressa Sanyo no último momento, orientando-se através de placas sujas enquanto segue paralelamente o entroncamento das duas grandes rodovias.

As colinas continuam verdes naquele ponto, estendendo-se e desdobrando-se panoramicamente. O aroma dos pinheiros é revigorante e o odor do oceano já quase não pode mais ser sentido, apesar da Via-expressa contornar boa parte da encosta, oculta por detrás de uma densa vegetação de coníferas.

Ele só desacelera naquele ponto, as costas caindo de encontro ao encosto do banco, os ombros tensos relaxando. O sol está sumindo atrás de um aglomerado de nuvens, o vento está se tornando mais brusco, mais frio; isso só pode significar que as temperaturas vão decair violentamente com a chegada da noite.

Sasuke vai reduzindo a velocidade progressivamente enquanto desvia o Impreza para o acostamento. Ele estaciona o veículo, ainda composto, ainda calmo. Respira fundo e vê pela visão periférica que Sakura está tentando ocultar as mãos manchadas de sangue. Ele passa as mãos nos cabelos, afasta-os dos olhos. A Via-expressa ainda se estende infinita até onde pode ver, folhas secas revestem alguns trechos, a floresta que margeia a pista está silenciosa.

Decide agir, por fim, e inclina-se em direção ao banco de trás e vasculha uma caixa de papelão até ter encontrado uma garrafa d’água pela metade. Desprende o cinto de segurança de Sakura e sem esperar mais sai do carro.

O vento frio e úmido o atinge fortemente no rosto, o sol já sumiu àquela altura, o horizonte nuvioso está escurecendo rapidamente, sombras estão se alongando nos perímetros da floresta. Sasuke bebe um pouco da água antes de umedecer as palmas das mãos e limpar a mancha de sangue seco em sua bochecha.

Sakura continua dentro do carro, imóvel, quase não respira, mas ela o está fitando agora, atenta a cada gesto seu. Ela vê pelo retrovisor que Sasuke deu a volta até o porta-malas e lutou brevemente com ele para abri-lo. Os amassados na traseira danificaram-no um pouco.

Sem lhe dizer qualquer palavra, ele tira a jaqueta e vasculha o interior do porta-malas atrás de uma camiseta limpa, uma que não esteja suja de fuligem e sangue seco. Então ele retira a camiseta encardida e veste a limpa, atirando a outra no interior do porta-malas.

Ela o ouve se movimentar, mas só o olha quando Sasuke abre a porta do passageiro e estende para ela uma camiseta limpa também. Sakura engole o choro enquanto se dá conta da enorme nódoa de sangue seco em sua blusa, isso foi no exato instante em que ela tentou conter a hemorragia de Karin.

Sem dizer nada, ela sai do carro e apanha a camiseta limpa, oferecendo um aceno com a cabeça como agradecimento — e nada mais. Tira a jaqueta que fede à fumaça e depois a blusa suja de sangue, apressando-se para passar as mangas da peça limpa pelos braços e depois a gola pela cabeça. Por último, puxa o elástico dos cabelos e leva as mãos até a parte de trás da cabeça para rearranjá-los em um rabo de cavalo novamente.

Ela sente o olhar de Sasuke queimando a sua nuca, e isso só a leva a encolher-se ainda mais. Ouve-o suspirar profundamente e ela está odiando o tremor em suas mãos e o fato de que nem ao menos consegue fitá-lo diretamente; limita-se a encará-lo de soslaio, mas não relaxa nem mesmo quando observa que as feições dele continuam cuidadosamente compostas.

— Certo, vamos conversar agora — ele murmura de chofre, estendendo a garrafa d’água para Sakura.

Ela calmamente retira a tampa e bebe um gole para aplacar a secura em sua garganta. Depois, também molha as mãos e o rosto, lavando a sujeira que já começa a secar em pequenas crostas na sua pele.

— Tem que ser agora? — ela devolve com certo azedume e arrasta as mãos pelo pescoço para afastar a sensação do suor frio e incômodo que o poreja.

— Sakura — Sasuke a chama como numa advertência e ela suspira, enfim derrotada.

— Certo. Vá em frente então.

Sasuke esfrega o queixo, sua fachada composta começando a ruir.

— Como... — ele começou, mas se deteve. Sacudiu a cabeça e recomeçou: — Não. Desde quando você está sabendo?

Sakura notou que ele propositadamente omitiu a palavra tão temida.

— Karin foi quem me alertou para a possibilidade... Ontem à noite.

— Devido aos seus enjoos — ele supôs taciturnamente e Sakura aquiesceu.

— Sim — afirmou, olhando-o nos olhos pela primeira vez, o queixo erguido, a cabeça deliberadamente tombada para trás. — Fiz alguns testes de farmácia hoje de manhã; todos deram positivos.

— Mas você disse... — Mais uma vez ele se interrompia, sacudia a cabeça e recomeçava. — Pensei que...

— Eu sei — ela fungou, esfregou os olhos com um punho cerrado. — Eu também não esperava por isso.

— Mas você me garantiu que... — Sasuke se deteve outra vez, inseguro, incerto sobre o que dizer, de quais palavras dispor.

Sakura abriu um sorriso ácido, nervoso, trêmulo.

— Eu sei o que eu garanti, mas nós transamos inúmeras vezes sem qualquer tipo de proteção, Sasuke. E-eu achei que... — ela gesticulou nervosamente com as mãos, abrindo e cerrando os punhos. — Eu achei que estivéssemos seguros. Que merda! O meu ciclo menstrual sempre foi perfeitamente ordenado. Durante anos! Alguma coisa o perturbou, alguma coisa o alterou, eu não sei... — ela balançou a cabeça, os olhos voltavam a marejar. — Talvez seja a porra dessa doença. Há algumas semanas eu vinha sentindo os primeiros sintomas, mas eu não dei atenção porque nós já tínhamos tantas preocupações, tantos problemas... Estávamos correndo o risco de passar fome, e ainda havia a sombra de Hidan sobre nós, e depois os preparativos para a viagem... Eu fui negligente, tudo bem? Eu fui estupidamente negligente e eu sinto muito. — Ela tremia ao término do seu relato, seu corpo enfraquecido terminou encostado no carro, os olhos cerrados numa vã tentativa de amenizar a vertigem.

— Quanto tempo aproximadamente? — Sasuke indagou, sua voz sumindo. Ele ainda não entrara o pânico, ainda não perdera o controle, mas o pavor o tentava fortemente agora.

— Quem sabe? — Sakura balançou a cabeça e apertou o punho cerrado contra a testa. — Não posso estipular uma data precisa em que aconteceu e por que isso importaria? Eu arriscaria dizer que estou com um mês e meio ou quase dois meses de gestação devido aos sintomas.

Dois meses no máximo, Sasuke cerrou os dentes. O feto já tinha dois meses! Ele mal conseguia digerir a informação. Sakura, de repente, afundou o rosto nas mãos e tomou fôlego.

— Eu não sei o que fazer — ela admitiu, o olhar distante, vazio.

Sasuke estacou diante das palavras dela, alarmado.

— O que quer dizer? Nós vamos seguir viagem para Yokohama e vamos encontrar o centro de refugiados.

Sakura deixou escapar um som sufocado e meneou a cabeça em descrença.

— Acorda, Sasuke, nós não vamos a lugar algum! — ela se aprumou, desencostando do carro, mais composta agora que se recuperara da fraqueza momentânea. — Eu não acredito que você ainda tenha esperanças com relação à Yokohama! Por acaso se esqueceu do que aconteceu lá atrás, naquela ponte?! — Sakura bradou histérica, apontando na direção pela qual eles vieram. — A Karin morreu diante de mim, Sasuke, sem que eu pudesse fazer nada para ajudá-la! NADA! — E então, ela recuou, lágrimas correndo pelas bochechas. — Como a Ino... — sussurrou, a dor desbordando de sua voz, de sua expressão. — Foi exatamente como a Ino. E como a Ino, eu fui forçada a puxar gatilho. Eu tive que puxar o gatilho.

— E o que você quer que eu faça quanto a isso?! — Sasuke rosnou entre os dentes cerrados, a própria ira digladiando com o luto ainda recente de Sakura.

— Eu não sei — ela admitiu, olhando em derredor confusa, desnorteada. — Eu não sei o que eu quero que você faça... Mas eu quero que isso pare... Eu quero que isso acabe — sussurrou enquanto tremores sacudiam-na, o choro vencendo-a, consumindo o restante de suas forças.

Sasuke crispou a boca e desviou o olhar enquanto Sakura se esforçava para se recompor.

— Isso é perda de tempo; estamos desperdiçando tempo aqui — ele murmurou e em seguida gesticulou para que ela entrasse de novo no carro. — Vamos embora. Temos que continuar.

Mas Sakura não se moveu, ou pareceu não ter dado atenção ao que ele disse. Bufando, ele se acercou dela, segurou-a pelo braço, logo acima do cotovelo e aumentou o tom de voz:

— Sakura, entra nesse carro. Agora!

Ela espalmou ambas as mãos no peito e empurrou-o com toda a força que conseguiu reunir. Sasuke por pouco não cambaleou para trás, surpreso, mas não a soltou em momento algum. Sakura o olhou enlouquecida, enraivecida enquanto continuava a tentar afastá-lo.

— Vá embora, Sasuke! — ela bradou, forçando os punhos cerrados contra o peito dele. — Vá embora e me deixe aqui! Acabou! Eu não quero mais... Eu não consigo mais... Não posso ir adiante!

— Você enlouqueceu se acha que vou deixá-la para trás — ele rebateu, lutando para contê-la, lutando contra o ímpeto de agarrá-la pelos ombros e sacudi-la, mas Sakura, em um acesso violento de fúria e desespero, ainda se debatia.

— Me deixa aqui. Eu quero ficar aqui — ela repetia, mas gradualmente começou a se acalmar, vendo que o agarre firme de Sasuke não arrefecia e a continha quase que completamente. — Nós estamos fodidos, Sasuke. Toda a humanidade... — ela se deixou cair contra o corpo dele, vencida, mas ele ainda não a havia soltado. — Até mesmo o bebê que está crescendo no meu ventre.

As palavras dela pareceram chocá-lo, uma vez que seus músculos enrijeceram por um momento antes que Sasuke reassumisse o controle e a fachada apática. Ele continuou segurando-a contra o seu peito. As pernas dela fraquejavam. Ela se debatia fracamente vez ou outra, mas parecia resoluta com a derrota.

Então, ela descansou a testa no ombro dele e passou a murmurar frases sem sentido.

— Eu não quero isso para ele, Sasuke — ela declarou, fechando a mão em punho, agarrando a camiseta dele. — Eu não quero que ele abra os olhos e veja esse mundo. Não quero que ele seja contaminado por essa violência inclemente. Eu estou com tanto medo de amá-lo, com tanto medo de perdê-lo...

Sasuke deslizou os braços em torno da forma frágil dela e a apertou suavemente contra o seu corpo.

— Ele não vai — garantiu, com uma certeza abalada porque não sabia mais o que dizer ou o que fazer; sentia-se impotente e detestava essa sensação. — Ele não verá nada disso, Sakura. Ele não sofrerá nada disso.

— Como você pode saber? — Foi a resposta dela, a boca pressionada contra o seu ombro, a voz rouca, fraca. — Como pode me prometer isso?

— Eu mesmo vou me certificar disso. — Ele afagou o cabelo dela e, pouco a pouco, sentiu-a relaxar um pouco mais. — Nós vamos conseguir, eu sei disso. Não importa como, mas nós vamos chegar em Yokohama. Lá, nós estaremos completamente seguros, ele estará completamente seguro, fora do alcance desse mundo doente.

Sakura afastou-se com um suspiro esgotado, a cabeça inclinando-se para trás, os olhos verdes brilhantes procurando pelos dele, negros como a noite, sondando seu olhar, seu rosto.

— Você ainda não pode me prometer isso — ela murmurou cansada, física e emocionalmente exaurida.

Havia sido mais do que um dia interminável; Sakura ainda se sentia entorpecida demais para lidar com o peso de suas próprias palavras ou ações. Sentia-se esfolada até os ossos, lacerada por dentro e por fora. Fora de seu juízo perfeito.

— Sim, eu posso e eu farei — ele respondeu, apanhando o rosto dela entre as mãos e afastando-a de seu corpo. Seu olhar duro era como obsidiana pura. — Nós vamos conseguir, Sakura, eu não estou mentindo. Eu não me importo com os meios que teremos de usar ou o que teremos de fazer, eu já disse, nós vamos alcançar esse maldito centro de refugiados e eu vou tirar do caminho qualquer um que tentar me impedir — A aspereza bruta em seu tom de voz, a convicção inabalável em suas palavras, o olhar maníaco de Sasuke... A soma de tudo isso acalmou algo que se contraía dentro de Sakura, ao mesmo tempo em que despertou um novo tipo de temor.

Até onde Sasuke seria capaz de ir para levá-los em segurança à Yokohama? Ela duvidava de suas próprias faculdades para responder essa questão agora, e isso a apavorava. Depois de meses convivendo com ele, confidenciando-lhe segredos e dores, escavando seu passado, deixando-o tocar no seu corpo, na sua alma ferida e cansada, Sakura achou pela primeira vez que, talvez, não o conhecesse verdadeiramente.

E agora, mais do que nunca, essa pequena e assustadora certeza corroborava dentro dela.

* * *

Desesperado e faminto

Eu me sinto tão fraco e impotente

Quando se trata de você.

A Perfect Circle — Trecho de Weak and Powerless.

Notas finais
Estejam preparados porque tudo, TUDO mesmo pode acontecer daqui pra frente! XD E agradeçamos ao Sasuke por colocar juízo na cabeça da Sakura Hahahaha ... Li uns boatos essa semana que me deixaram alarmada... Estão dizendo que um personagem muito importante de TWD vai morrer no segundo episódio da 5ª temporada, e que esse personagem deve ser o Glenn... Ou seja, adeus mais um shipp meu! T.T Mas aí me pergunto, se Glenn será a próxima vítima do sadismo de Robert Kirkman, e Negan já foi confirmado na série mas não nessa temporada, quem será a vítima dele e de Lucille?! *medo* ... Mangá foi tão chato essa semana :o E, poxa, eu confesso que esperava mais do último episódio da 4ª temporada de Game of Thrones. Esperei a temporada toda pela volta de "uma certa personagem" bem medonha e com "coração de pedra", e ela nem deu as caras :( Fora que para quem leu o terceiro livro, a vingança do Tyrion foi bem fraquinha, poxa, essa cena era para ter sido muito mais legal. Os produtores da série pisaram feio na bola nessa parte porque modificaram um fator importantíssimo na história do Tyrion. Fiquei decepcionada, não escondo. Agora é esperar pela quinta temporada e torcer para que as alterações na série não sejam mais tão bruscas. ... Enfim, estou me estendendo aqui... rs Obrigada a todos pelos reviews maravilhosos e obrigada por aprovarem o meu sadismo no último capítulo (eu mato mesmo! *--*). E eu só estou começando! Hahahahahahahahaha ... Bom, responderei todos os reviews hoje ou amanhã ;D Até o próximo.