Dead World Assembly - Assembleia do Mundo Morto

23 Capítulo XXII: Tempestade Ascendente


Notas iniciais
Vigésimo segundo capítulo. Boa leitura!

Dead World Assembly

“O alvorecer cinzento chega em etapas. Primeiro, uma calma sinistra se instala na rodovia, com o vento parando de soprar as árvores e então um luminoso alvorecer amarelo sobre a borda da floresta acorda a todos e os coloca em ação”.

KIRKMAN, Robert. A Ascensão do Governador (pag. 75).

Capítulo XXII:

Tempestade Ascendente

A chegada de um alvorecer sorumbático marcou o sexto dia desde que Karin fora acolhida ali.

Olhando agora pela janela, para o céu metálico de outono, ela se perguntava se fizera mal em aceitar a ajuda de Sasuke e Sakura. Hidan ainda está por aí, lembrou-se com um suspiro cansado enquanto corria a ponta dos dedos pelas cicatrizes nos braços. Quanto tempo até que me encontre? A imagem de uma ampulheta com grãos de areia escorrendo pelo gargalo (pelos vãos dos seus dedos) a fez estremecer com um súbito calafrio.

O jantar na noite passada havia sido missoshiru, sopa de pasta de soja enlatada e alguns poucos biscoitos esfarelados de aveia e canela. Karin sabia que a comida estocada acabaria em algum momento e então Sasuke teria de sair outra vez e eles acabariam expostos aos errantes e aos homens de Hidan.

Ela não desejava que isso acontecesse tão cedo, contudo. Talvez, ela costumava pensar nos momentos de maior desespero e solidão, quando eu deitar a minha cabeça no travesseiro, algum dia, todo este pesadelo termine e tudo volte a ser como era antes. Karin não gostava, no entanto, de se prender demais a essa pequena e inofensiva ilusão. Não a alimentava, pois temia algum dia tornar-se dependente dela.

Os homens igualmente perecem em número pelas moléstias físicas como por aquelas que atingem diretamente a mente e a alma. Karin cutucou uma cicatriz áspera com a ponta da unha, traçando a linha sobressalente enquanto seus olhos marejavam com flashes vívidos de um passado agora inalcançável.

No terraço do condomínio, Sasuke observava os poucos errantes que se arrastavam pela rua lá embaixo. Sombras desgarradas que se limitavam a gemer ininterruptamente e a avançar pelo meio-fio atulhado de lixo com seus passos descoordenados e vacilantes.

Uma fina bruma encobrira os arcabouços dos prédios durante a madrugada, tornando-os pálidos fantasmas contra o céu nubiloso, também orvalhara o gramado lá embaixo assim como as vidraças empoeiradas das janelas. Agora, esta mesma névoa espectral descortinava paulatinamente um céu carregado de nuvens, tão cinzento quanto apático.

Os dedos dele se contorceram gelados dentro dos bolsos forrados da calça jeans; havia algo fúnebre e belo no cenário que aquela triste alvorada outonal projetava. Algo como o odor de pinhos e terra úmida ou a quase ausência do sol, oculto pelas nuvens fervilhantes.

Dedos ventosos enganchavam-se no seu cabelo negro e penetravam no couro desgastado da sua jaqueta. Sasuke, no entanto, só conseguia pensar no quanto a perspectiva de Yokohama realmente existir significava para ele e há quantas semanas exatamente ele não fumava um cigarro.

Pensava na expressão do irmão quando subiu naquele helicóptero, no horror presente nos olhos da mãe quando chegou em casa com o braço ensanguentado e no rosto sereno do pai um pouco antes de se forçar a puxar o gatilho da Ruger. Suas mãos ainda tremiam com a lembrança, com as lágrimas esbraseadas em seu próprio olhar e em como ele tentou apontar o cano da arma para a própria têmpora minutos depois, mas falhou em puxá-lo.

O som de passos tirou-o do rumo nocivo de seus devaneios.

— Deve chover logo, logo — Sakura observou, postando-se ao lado dele enquanto o vento caprichoso atirava mechas rosa-claro contra os seus olhos vívidos.

— Hn. As temperaturas também estão baixando. A tendência é que o tempo só piore com a proximidade do inverno.

Ela afagou o braço dele por cima da jaqueta. O toque aqueceu-o, ainda assim.

— Eu só queria dizer que cheguei a um consenso, Sasuke. E... Eu confio em você, confio na sua decisão e aonde você for, eu também irei.

— Mudou de ideia? — ele não conseguiu se impedir de perguntar. O vento rude chicoteava sua franja contra os olhos semicerrados.

— Percebi que estou sendo tola — ela admitiu num murmúrio baixo. — Você está certo quanto a permanecermos aqui; é arriscado, especialmente com homens como esse Hidan podendo bater à nossa porta a qualquer momento. Pode ser perigoso com a proximidade do inverno, mas se conseguíssemos chegar a Yokohama...

— Nós conseguiremos, Sakura — ele a corrigiu com um aceno de cabeça. — Se decidirmos ir, nós conseguiremos. Eu mesmo me asseguraria disso.

Ela suspirou. Parecia exausta e não muito convicta, mas ainda disposta a tentar, disposta a se agarrar a qualquer oportunidade de sobreviver que surgisse; tangível ou não.

A suavidade de seu olhar lhe dizia exatamente tudo o que Sasuke precisava saber.

Sakura confiaria nele, com a sua vida.

Nada mais havia a ser dito ou declarado depois disso.

Mais tarde, com as chuvas de outono escorrendo pelas janelas vedadas e batucando nas calhas, Sasuke e Sakura estenderam um grande mapa das estradas e rodovias do Japão sobre a mesa na cozinha.

Escurecia rapidamente e eles queriam aproveitar o máximo da luz do poente antes de terem que recorrer ao — cada vez mais escasso — estoque de velas que o rapaz mantinha.

Karin sentou-se na outra ponta da mesa e olhou as linhas em vermelho e azul que cortavam o país de norte a sul. Seu estômago se revirava com a possibilidade de partirem nos próximos dias e, ao mesmo tempo, ela nunca tivera tanta esperança de que as coisas se ajeitariam.

— Certo, são 620 quilômetros da província de Tokushima até Yokohama — Sasuke murmurou, baixando os olhos para o mapa enquanto tamborilava seu dedo sobre o tampão da mesa.

— Isso nos dá cerca de 380 milhas aproximadamente — Sakura assentiu, os olhos inquietos passaram do rosto do rapaz para uma amedrontada e silenciosa Karin.

— Precisaríamos de um bom carro, combustível, suprimentos, equipamentos e acessórios para acampamento — Sasuke continuou, percorrendo o traçado em vermelho no mapa com a ponta do dedo. — Atravessaríamos o canal Akashi e a Interestadual nos levaria até a Via-expressa Meishin.

Sakura apontou para outra linha que se destacava contra o mapa, assentindo.

— De lá, seguiríamos pela Chuo; acredite em mim quando digo que a Via-expressa Tomei está intransitável.

— Tomei é o principal acesso a Tóquio — Sasuke disse, olhando-a de soslaio. — Depois, podíamos contornar a cidade e chegar tranquilamente à Tohoku, o principal acesso à Yokohama.

— É provável — ela admitiu, enrijecendo a postura subitamente —, mas Chuo também nos levaria até a Via-expressa de Tohoku.

— Eu não sei — Sasuke recuou subitamente, incerto sobre como prosseguir. — Desviar pela via Chuo nos faria gastar mais tempo.

— Sim, mas não sabemos como está a situação na Tomei — Sakura reafirmou seguramente, batendo com a ponta da unha no mapa. — Além disso, não podemos arriscar chegar muito perto de Tóquio. Há uma razão pela qual devemos evitar cidades que já foram muito populosas, Sasuke.

Ele passou a mão no cabelo, um claro gesto de impaciência, e suspirou pesadamente. Inclinou-se na direção do mapa outra vez enquanto analisava suas escassas opções.

— Acho que a Sakura está certa, Sasuke — Karin murmurou de chofre, endireitando-se na cadeira. — Seguir pela Chuo seria uma opção mais sensata. Levaríamos mais tempo, sim, mas evitaríamos topar acidentalmente com hordas muito numerosas.

— Nesse caso, primeiramente atravessaríamos a ponte Akashi Kaikyo — Sakura apontou no mapa para a localização enquanto Sasuke crispava os lábios. — Da última vez que a vi, ela estava um pouco atulhada de carros abandonados, mas acho que é uma opção mais viável do que Ohnaruto.

— Teríamos de percorrer mais alguns quilômetros para atravessar seguramente Ohnaruto — Sasuke concordou enquanto Karin esticava os olhos sobre o mapa para observar os pontos que eles marcavam, traçando uma rota que eles ao menos podiam julgar segura. — Evitaríamos cidades populosas e nos concentraríamos nos distritos menores — complementou e se afastou da mesa; a ausência de luz diurna começava a afetar seus olhos afiados.

Karin reclinou-se no assento da cadeira e abraçou-se para conter um calafrio. Por trás das janelas embaçadas pela chuva, os últimos fachos de luz esmoreciam, dando vazão às sombras cinzentas do crepúsculo que pincelavam o firmamento com novos tons.

Sakura afastou-se o suficiente para buscar por uma vela em uma das gavetas do armário da cozinha, riscou um fósforo e segundos depois uma luz cor de âmbar derramou-se sobre os semblantes de todos os três, flamejando em seus olhares endurecidos de um embatucado pavor.

— Amanhã — Sasuke recomeçou, o tom de voz enrouquecido; seu pomo de adão desceu e subiu com o movimento de engolir saliva forçosamente. — Amanhã eu vou sair. Vou pegar tudo o que precisamos. Tudo o que for necessário para a viagem.

Sakura mordeu o lábio, adotando uma expressão reflexiva, relutante. Karin estudou o rosto de Sasuke sob a chama da vela, mas nada disse.

— Se tudo der certo e não tivermos imprevistos — ele sussurrou, baixando a voz, entrecerrando os olhos escuros e sombreados pela penumbra, aros cinzentos contornavam as suas pupilas dilatadas —, nós partiremos em dois dias.

Eles jantaram então. Partilharam uma escassa refeição e não conseguiram tecer qualquer comentário a respeito do que os aguardava. Dobraram o mapa, ajeitaram a mesa, sentaram-se e comeram; em silêncio.

Naquela mesma noite, aquecida pelos cobertores, e ainda escutando o ruído da chuva do lado de fora, Sakura não se opôs à investida de Sasuke quando ele se deitou ao seu lado sob as cobertas. Sabia que ele precisava disso, e ela também.

Foram pacientes e cuidadosos, no entanto. Em cada toque, em cada beijo. Fizeram grandes planos e os colocariam em prática na manhã seguinte. Tinham de suprimir a ansiedade e o medo de alguma forma.

E encontraram acalento no corpo um do outro, silenciando todas as dúvidas, amordaçando todas as angústias que os assombravam. Fizeram amor lentamente, febrilmente. E, por fim, muitas horas mais tarde, adormeceram, ainda entrelaçados.

O próximo alvorecer traria grandes promessas — ou grandes derrocadas.

* * *

As chuvas diminuíram progressivamente durante a madrugada, até terem cessado completamente na manhã seguinte. Uma bruma delgada, no entanto, ainda envolvia fantasmagoricamente toda a cidade.

Gotas cristalíferas cintilavam no gramado lá embaixo e sobre as janelas planas como pingentes de joias. Nas ruas, o humor mortiço dos errantes destoava do aspecto renovado dos prédios e do asfalto depois de horas de um aguaceiro constante.

Sakura consultou o relógio de pulso que Sasuke lhe dera pela terceira vez em menos de meia hora. Não conseguia evitar se preocupar com ele; com aquele nevoeiro, a visibilidade nas ruas era mínima, os edifícios tornavam-se sombras pálidas e os errantes uma ameaça muito maior. Mas ele havia sido resoluto: sairia de qualquer forma, embora tivesse prometido que tomaria cuidado.

Faz exatamente três horas que ele saiu, refletiu amuada. Sentia-se desprotegida ali, de certa forma. Karin e ela estavam sob o estacionamento coberto, tremendo em seus casacos por conta das temperaturas baixas e descarregando os automóveis abandonados.

Em quase uma hora de trabalho, conseguiram quatro galões cheios de gasolina, uma manta térmica (inútil agora), algumas pastilhas de gengibre para a garganta, três garrafas vazias de água, um aparelho de dvd portátil entre outras muitas coisas que haviam sido esquecidas nos automóveis quando seus donos tentaram fugir às pressas.

Revezando-se, elas cuidaram para empilhar todos os objetos em um recanto. Lentamente, também começaram a empacotar todos os seus pertences e a levar para o porta-malas do Subaru Impreza negro; Sasuke olhara o motor do carro logo de manhã e vira que estava tudo em ordem, o ronronar do morto de longe lembrara uma pantera indolente. O rapaz havia sido objetivo na escolha do carro que usariam e Sakura não o contestou; o Impreza era compacto e tinha um motor potente.

Assim, elas haviam carregado o porta-malas com seus pertences, preparando-se para o dia seguinte quando deixariam Komatsushima para trás. Agora, Sakura estava parada diante do imenso portão frontal do condomínio, olhando para a rua deserta envolta pela névoa enquanto Karin verificava o gerador movido à energia solar.

Quando o portão emitiu chiados de estática e estremeceu levemente, ela soube que não teriam problemas em abri-lo na manhã seguinte e passar com o Impreza para nunca mais voltarem.

Sorrindo, ela deu meia-volta e rumou para onde Karin estava, sob a escuridão de um galpão subterrâneo. Sakura assentiu para a garota ruiva, respondendo sua pergunta.

— Está tudo certo com o portão lá na frente.

— Ótimo, acho que isso nos libera de ao menos uma dor de cabeça — ela deu de ombros.

Estava ainda mais frio ali e terrivelmente escuro; o único retângulo pálido de luz emergia da porta estreita, acima dos degraus de ferro da escada. Sakura esfregou os braços e encolheu-se.

— Droga, estou congelando!

— Seria ótimo se apanhássemos algumas roupas mais quentes para o inverno — Karin observou. — Eu daria tudo por um par de meias de lã e um bom casaco acolchoado.

Sakura assentiu lentamente, apertando os braços arrepiados em torno do corpo.

— Podemos olhar os outros apartamentos. Sasuke e eu os limpamos há algumas semanas. Veja se encontra algo nos andares superiores, eu vou dar uma olhada no outro bloco.

— Certo, nos encontramos no apartamento em uma hora — a ruiva assentiu antes de passar por ela, subindo os degraus bamboleantes da escada e desaparecendo na névoa fria.

Sakura seguiu-a um pouco depois, rumando para o outro edifício, à sombra do primeiro, e esperando que os seus ossos não congelassem no caminho. O saguão ainda estava atolado de lixo e móveis quebrados quando ela o atravessou, a luz se infiltrava pelas janelas imundas e pousava sobre os ladrilhos coloridos do assoalho.

Começando pelo térreo, ela vasculhou cada apartamento, abrindo as portas que gemiam e fechando-as para impedir a corrente de ar frio de entrar — uma que parecia penetrar até mesmo nas paredes grossas do edifício.

Não conteve um sorriso quando encontrou um par de luvas femininas de couro preto, um cachecol de tricô bastante quente, uma touca de lã, um ou dois suéteres de cashmere, um par de meias desiguais mas que seriam úteis nas noites mais gélidas e uma jaqueta acolchoada com gola de pele. Ainda encontrou cobertores extras num armário bloqueado pela mobília despedaçada.

Sakura se encaminhou para o quinto andar do prédio e postou-se diante do primeiro apartamento, à sua esquerda, quando um ruído dissonante a deteve. Ela congelou com a mão a meio caminho da maçaneta, os pés hesitando na soleira. Seus lábios entreabertos deixaram escapar uma lufada de ar quente.

Imóvel, aguardou que o ruído quebrasse a dissonância uma vez mais; uma tábua de madeira rangeu, o vento soprou no encanamento exposto, um gemido rouco arrepiou-a até a espinha.

Num rompante, saltou para longe da porta cerrada. Alcançou a Glock no coldre em sua coxa em menos de um segundo e a apontou para a madeira lascada que sustentava a plaqueta com o número 28B gravado com cobre. Sakura sentiu um suor frio escorrer lentamente pela sua nuca.

Sua mão direita sustentou firmemente o cano da pistola enquanto a esquerda estendeu-se na direção da maçaneta, envolvendo o metal frio e silenciosamente girando-o. Seu coração solavancou quando ouviu o som suave da tranca ceder.

Apoiando a mão na porta, Sakura empurrou-a vagarosamente, cuidadosamente. A madeira mal protestou enquanto um cômodo parcialmente iluminado era revelado. Os olhos verde-claros instantaneamente foram atraídos até as paredes, conforme mais luz penetrava o recinto que um dia foi uma aconchegante sala de estar.

Tentou não estremecer quando notou os pombos pregados às paredes, alguns depenados e ensanguentados, outros ainda inteiros, as asas estendidas. Tinta preta em spray fora usada para gravar mensagens impossíveis de serem decodificadas. Apenas a palavra “perdão” chamuscava contra o papel de parede desgastado ao menos uma meia dúzia de vezes.

Os móveis antigos haviam sido afastados e empilhados em um único canto; um colchão estava estendido sob a janela vedada. Uma lata vazia estava ao lado, ainda com restos de comida.

Sakura engoliu em seco, cerrou a porta e obrigou seus pés a avançarem pelo cômodo. As tábuas de madeira protestaram num gemido baixo quando ela as forçou com seu peso. Trincando os dentes, esperou por uma reação, por qualquer coisa, mas não ouviu mais nada.

No canto oposto, do outro lado do cômodo, um grande saco de lona se agitava levemente com movimentos deliberados, espasmódicos. Sakura se aproximou do saco de lona cautelosamente, ciente dos gemidos baixos e guturais que provinham dele. Encostado na parede, um grande alicate repousava. Ela compreendeu tudo no instante em que se abaixou para apanhá-lo, tendo o cuidado de deixar a mira de sua Glock travada no saco que se agitava.

O saco estava amarrado com uma corda de nylon, em um nó apertado. A criatura miúda dentro do saco ainda se retorcia, impaciente, e gemia baixinho. Merda, merda, merda! Sakura se afastou, passo por passo, enquanto o saco se agitava de novo e de novo.

Olhou para trás apenas uma vez, no momento em que uma sombra assomou-se às suas costas. O bramido de terror ficou esganado em sua garganta apertada, os olhos arregalaram-se ao notarem a barra de ferro erguer-se acima da sua cabeça um pouco antes de descer com força sobre ela com um golpe certeiro.

Sakura na verdade mais o sentiu do que viu; o frio na base de sua espinha, o solavanco violento do seu coração, o medo que a deixava nauseada. A dor foi breve, porém incisiva. Uma pancada brutal na parte posterior do seu crânio que enviou ondas de dor por todo o seu corpo, enrijecendo seus músculos.

Depois, a escuridão caiu sobre ela como uma benção. Privada de seus cinco sentidos, suas pernas cederam sob o seu corpo, enviando-a ao chão de bruços com um baque abafado.

Perdão estava escrito nas paredes ao menos cinco ou seis vezes com tinta preta. Os pombos mortos enchiam o ar parado com um odor vagamente desagradável.

A sombra acima de Sakura acercou-se, a barra de ferro ainda pendendo de uma de suas mãos. Então a soltou e agarrou a garota inconsciente pelos tornozelos, virando-a de costas e arrastando-a pelo assoalho.

O silêncio — gradualmente — tornou a imperar.

* * *

Eu olho para dentro de mim mesmo

E vejo que o meu coração é negro.

Rolling Stones Trecho de Paint it Black.

Notas finais
Ops, acho que fica pro próximo capítulo descobrirmos quem é essa figura misteriosa (não me matem! XD). ... Respondendo algumas das dúvidas mais frequentes nos reviews: - Itachi e Naruto aparecerão, sim, isso é mais do que certo; - Teremos mais três personagens em breve; todos aliados; - DWA ainda não está no fim, longe disso! rs A partir do ponto em que eles deixarem Komatsushima, posso dizer que a Fanfic ficará mais eletrizante e teremos muuuuuita tensão e drama! Quero trabalhar grandes cenas aqui futuramente (especialmente de ação). ... Obrigada mesmo pelos comentários e incentivos. Trouxe esse cap. antes do previsto especialmente para todos que comentaram no capítulo passado. Enfim, obrigada! :-) ... Responderei os reviews hoje ou amanhã. Até o próximo.