Dead Life
1 Prólogo
Notas iniciais
Estamos apenas no começo, porém, tenho grande parte da história já digitada. Se interessar a alguém, peço que comente para que eu continue a postar, sim?
Espero que alguém leia.
Espero que alguém leia.
Certas pessoas dizem que o amor acontece à primeira vista, talvez seja verdade, talvez não. Mas comigo o amor demonstrou ter diversas faces... Desde a face do riso até a face do pranto. Eu soube, inconscientemente, desde o primeiro momento que o vi, que o amava. Só que talvez tenha interpretado esse sentimento de forma errada, mas era amor, sim, sem dúvidas, era e continua sendo amor. E este amor foi tão arrebatador que, me levou a mais extrema das alturas e me carregou para o mais profundo dos abismos.
Hoje, tomei a coragem de tentar por em palavras o que sentia por muito tempo. Pode ser que consiga, pode ser que não. Só não posso lhes assegurar nada, pois, por muitas vezes, nem eu consegui realmente dizer o que senti. Os sentimentos podem ser tão confusos, o amor e o ódio não estão tão distantes um do outro como muitas vezes imaginamos. E foi isso que eu aprendi. A partir daquele maldito dia. Foi uma época difícil, de dificuldades tão absurdas que queria apenas me recolher em meu quarto, fumar um cigarro e pedir para a humanidade esquecer que um dia existi. Estava distante de minha mãe havia tempo, cerca de três anos, logo depois que meu pai morrera. Talvez mais, já que nosso convívio não era os dos mais saudáveis desde meus quinze anos. Nos falávamos por telefone uma vez por mês, não era muito, mas era o suficiente. Não havia muitas coisas que gostaria que ela ficasse sabendo, o sonho do pobre garoto que sai de casa achando que ganharia o mundo, não estava dando nada certo. Mamãe sempre perguntava como iam as coisas "Não muito bem mãe, mas é temporário...", dizia eu, o engraçado era que eu mesmo caia em minha teia de mentiras, e realmente acreditava que seria temporário. "Deus nunca nos dá um fardo maior do que podemos carregar", era o que sempre dizia mamãe. Pobre mamãe, sempre acreditando que a força divina agia em favor dos justos, não era bem assim, Deus definitivamente não existe, eu sei, eu descobri, do meu próprio jeito. A vida me mostrou que Deus não tem nada a ver com suas escolhas, mas sim você, somente você, e a vida te faz ficar tão sujo. Eu sou muito sujo. Nunca fui de me deixar abalar na frente dos outros, sempre me mostrei forte, independente. O meu escudo sempre foi o riso, desde pequeno, quando me sentia inferior, miserável e mal visto. Escondia-me atrás do riso, e funcionava. Sim funcionava muito bem, ninguém nunca descobriu ou mesmo desconfiou. Pelo menos era isso que eu acreditava. Sempre fui uma pessoa de poucas amizades, porém amizades leais. Amy foi uma delas. Bonita, alegre, divertida, prestativa e compreensiva. A única que conseguia me tirar dos momentos de depressão. Sim, sofro depressão há anos mas apenas há alguns meses comecei a me medicar. Mas isso não vem ao caso agora. Como dizia, Amy conseguia fazer sentir-me como alguém especial. Já segurou muitas barras para mim, como a dos dois meses de aluguel atrasados que ela se comprometeu a pagar ou mesmo emprestar uma grana pela erva que eu fiquei devendo para uns caras. É difícil admitir, mas, sim, eu consumia drogas. Drogas de todos os tipos: desde a mais simples à mais pesada. Não que eu as consumisse no dia-a-dia, não, somente quando saia para a noite, era divertido, ficava mais solto e esquecia dos problemas. No dia-a-dia no máximo uns baseados, nada que pudesse me comprometer demais. Estava com vinte anos nessa época, vim para Nova York no intuito de tentar fazer uma boa faculdade, crescer na vida, fazer música. Estranho, eu sei, mas por trás dos meus acordes, eu sentia como se fosse outra pessoa, como se esse mundo cruel e imundo pudesse melhorar de alguma forma. Como se algo lindo ainda resistisse à essa imundice banal e estivesse lá, apenas esperando para ser descoberto e transcrito em notas harmoniosas. O sonho de ser músico acabou a partir do primeiro dia em que fui em uma das faculdades pedir uma bolsa de estudos para o diretor. "Você é um rapaz de grande potencial para a música, sem dúvida" foi o que me dissera, só que havia um preço alto demais para ser pago para que eu pudesse entrar na universidade, alto talvez para os outros. Não para mim. Sim, é vergonhoso dizer isso, mas, dormi com o diretor da faculdade, ele devia ser uns trinta anos mais velho que eu, talvez mais, me senti imundo, sujo. Mas é a vida, sempre me pregando peças. Mas a vida não estava satisfeita, queria mais, muito mais e a maldita bolsa de estudos não veio. Não foi diferente nas outras universidades, nãos começaram a ser as respostas para o meu sonho, sempre não, não, não. Até que chegou uma hora que o melhor a fazer foi desistir dos meus sonhos e tentar viver dignamente. Foi o que pelo menos eu tentei.
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