Dead Life

3 And They Found You On The Bathroom Floor


Notas iniciais
Bem, fico triste por não ter comentários mas eu vou postar para ver se o número de reviews cresce. Assim espero que aconteça.Se alguém quiser contato comigo pode me seguir no twitter - @amandatomic - e se quiser msn é só pedir por aqui ou por lá. Beijinhos.

As semanas foram se passando e eu estava cada vez mais apaixonado pelo Matt. Ele estava sempre presente na minha vida, sempre sendo participativo. Ele era mais do que perfeito, sempre de bom humor, receptivo, companheiro. Com Matt ao meu lado diminuí a bebida, parei de fumar maconha, usar cocaína e de consumir qualquer outro tipo de droga.

Passaram-se três meses e Matt veio morar comigo e com Amy. Não foi nem um pouco fácil, pois depois de um certo tempo de relacionamento entre Matt e eu, Amy disse com todas as palavras: "Eu não gosto dele, Frank, e sei que ele não é a pessoa certa para você, ele vai te fazer sofrer." Brigamos muito depois do que ela me disse, ela me magoou muito dizendo aquilo, estava claro que ele me amava e eu a ele. Não entendia a reação de Amy, até pensei em largar o apartamento, mas Matt achou melhor não, disse que éramos amigos e não poderíamos ficar desta forma. Ele me convenceu e eu fui pedir desculpas por todas as coisas que disse a ela e que, provavelmente, também a magoaram. Estávamos morando juntos há cerca de três meses e tudo corria às mil maravilhas. Matt estava passando por um momento de dificuldade, não achava emprego e sentia-se muito mal contando comigo para nos sustentar. Eu não ligava, sabia que mais cedo ou mais tarde ele acharia algo.

Até que certo dia, numa quarta-feira, quando não estava passando muito bem, o dono da lanchonete resolveu me dispensar mais cedo. Havia dias que eu não melhorava, acreditava ser alguma virose ou algo do gênero. Amy achava que eu não estava me alimentando direito e estava me esforçando demais no trabalho. Talvez fosse verdade, já não era fácil me sustentar com o salário da lanchonete, o que dirá sustentar duas pessoas. Cheguei em casa mais cedo, querendo tomar um banho e ir direto para cama, quando abri a porta do apartamento e não encontrei Matt, deduzi que estivesse no quarto descansando, o que eu não esperava era que estivesse descansando com uma mulher. O choque foi horrível, minha cabeça começou a doer, fiquei com nojo de onde dormia. Uma loira oxigenada tentava se cobrir com o lençol enquanto Matt levantava-se e tentava me explicar o que estava acontecendo.

— Frank, amor... — ele disse andando em minha direção e eu continuei parado no batente da porta. — E-eu posso te explicar...

— Cala a boca, Matt! — gritei nervoso. — Quem é ela, hein? — apontei para a garota, que já vestia suas roupas. — Há quanto tempo vocês estão juntos me fazendo de trouxa, hein? Seu... Seu desgraçado! Sai já do meu apartamento! — gritei apontando para a porta. — Você e essa vadia!

A única coisa da qual me lembro era que minha vista escureceu e eu quase desmaiei, mas eu agüentei firme, me segurei na porta, apoiando todo meu peso nela. Vi que a garota se vestiu rápido, colocando um vestido azul e calçando sapatilhas pretas. Prendeu o cabelo num alto rabo de cavalo e pegou sua bolsa que estava no chão. Saiu sem dizer nenhuma palavra, apenas me lançou um olhar ferido, como um pedido mudo de desculpas. Matt ficou falando algumas coisas, mas eu não agüentei de desgosto e o meu mal-estar voltou com força, me fazendo correr para o banheiro, onde me tranquei e fiquei por horas. Horas de inconsciência. Tenho uma vaga lembrança de escutar Matt batendo na porta e me chamando, as batidas persistiram, persistiram e de repente, cessaram. Não sei quanto tempo mais fiquei ali, trancado, olhando para o nada. Creio eu que adormeci no banheiro. Até ouvir um barulho e ver Amy junto com o porteiro arrombando a porta do banheiro com rostos preocupados. Não entendia nada. Só lembro que me veio à memória tudo o que eu havia visto, então senti uma dor aguda no coração, de decepção. Um soluço brotou em minha garganta, seguido de vários e vários, que pareciam não cessar nunca. Amy estava lá, comigo, me abraçando e passando seus dedos lentamente pelas minhas bochechas. O porteiro se fora, não me lembro quando.

— Amy... — disse ainda soluçando. — Como sempre você estava certa, Amy! Como eu pude ser tão estúpido?

— Shhh — silenciou-me Amy colocando seu indicador sobre meus lábios. — Não pense nisso agora Frank, eu to aqui com você, eu vou cuidar de você, eu juro.

E ela cumpriu o que me prometera, ela ficou comigo até eu pegar no sono e fugir dos meus fantasmas.

Os dias se arrastaram, eu estava definhando. Pouco a pouco, fui voltando à antiga vida, à antiga rotina, à antiga medíocre existência. Foi a vida novamente com suas peças. Sempre a vida.

Não demorou muito. Voltei a consumir drogas e bebia sempre que podia. Talvez isso fosse um sinal de uma pessoa depressiva, afinal, não são todos que ficam tão pra baixo por causa do fim de um relacionamento. Talvez eu usasse esse pretexto para me afundar mais e mais. Não foi difícil ser despedido da lanchonete na qual trabalhava. Decepcionei a todos: minha mãe, que não sabia o que na verdade acontecia, a Amy, que sempre me deu um voto de confiança e a certeza de um amanhã melhor, e a mim mesmo, por acreditar que um dia conseguiria me erguer desse buraco no qual cada vez mais me afundava. Não havia mais razão. Não havia mais vida. Não mais vivia, só existia. Uma existência medíocre.

Não agüentava sequer me olhar no espelho. Não me reconhecia quem era aquele estranho no reflexo? O que ela fez com o Frank que um dia existiu?

Não havia respostas. Não havia mais dúvidas. Não havia mais incertezas. Só havia coragem para pôr tudo abaixo.

Estava nervoso. Sentia meu coração batendo contra o peito, parecendo querer fugir. Não ouvia nada nem ninguém, apenas ouvia minha respiração ofegante. Não pensava em mais nada. Mas não demoraria muito. Não agora. Tranquei-me no banheiro, nenhum lugar melhor para o que eu ia fazer. Peguei algumas toalhas e deixei no vão da porta para que nada chamasse a atenção de Amy. Olhei-me no espelho, uma última vez, e vi terror em meus olhos. Abri o armário do banheiro. Lá estava. Pronta para ser usada.

Logo em seguida, abri o chuveiro. Parei em frente ao espelho do armário, com as mãos em cima da pia. Peguei a lâmina que havia guardado, pressionei-a contra meu pulso esquerdo. Doeu, então parei. Será que era isso mesmo o que queria fazer? Sim, disse uma voz, sim, o que mais haveria neste mundo para você? A voz estava certa, metade de mim estava certa, a outra metade, incerta.

Não poderia continuar muito com isso. Com rapidez passei a lâmina em meu pulso esquerdo, tão rápido que nem eu mesmo tive tempo de perceber o que havia feito. O sangue começou a escorrer pelo meu pulso e cair na pia. Havia muito sangue. Quente, pegajoso... E vital.

Já estava feito, tinha que ser acabado. Com a mesma lâmina cortei meu pulso direito, não doeu tanto quanto esperava. Não sentia dor apenas medo, desespero. O sangue saía em grandes quantidades. Comecei a me sentir zonzo e sabia que iria morrer. Meu Deus, eu estava morrendo! Comecei a chorar silenciosamente, esperando que acabasse logo. Não sabia que tinha tanto sangue.

De repente, como uma cortina negra, tudo ficou escuro. Senti-me flutuando. Estava voando para longe dali. Estava terminado.

Mas então, lembro-me apenas de ter acordado e não lembrado de onde estava. Pensei, pensei e não me recordava o que havia acontecido. Fiquei um tempo parado. Olhando, observando. Nada. De repente veio-me uma imagem. Sangue. Muito sangue. Então me recordei o que havia ocorrido. Olhei para os meus pulsos. Estavam enfaixados, ambos. Então eu realmente fiz, pensei comigo mesmo, neste instante entrou uma enfermeira com uma cara não muito boa.

— Vejo que acordou. Como se sente? — disse checando minha pressão.

— Hã, bem. Só sinto sede... — falei olhando para o chão.

— Claro... — assentiu — Bom você tem visita. Posso mandá-la entrar? — perguntou desabotoando o aparelho de meu braço.

— Sim, por favor... — sorri, só podia ser Amy.

— Frank?! Frank, você está bem? — perguntou Amy, correndo em minha direção. — Você não tem idéia de como me preocupou! Nunca mais faça isso, ok?

Comecei a chorar incessantemente.

— Desculpe... Eu não quis... — as lágrimas rolavam — Nunca quis te preocupar, Amy. É apenas que... Que, eu não tinha nada a perder, sabe?

— Claro que tinha... Você poderia perder o meu amor — ela sussurrou.

Amy veio lentamente ao meu encontro. Sabia que ela iria me beijar, sempre soube que ela me amava alem da amizade. Ela nunca disfarçou isso, mas sempre respeitou meus sentimentos. Não sei o que me deu na hora, de repente foi tão bom sentir-me amado. Senti-me tão seguro e sabia que Amy jamais me magoaria. Em meio as minhas tristezas, era ela quem sempre estava comigo, me amando, me consolando... E nunca pedindo nada em troca. Eu queria dar mais para ela.

Amy beijou meus lábios levemente. Com tanta delicadeza, como se tivesse medo de me machucar, como se eu fosse tão frágil. Mas eu queria mais, não sabia o que acontecia comigo. Senti uma força maior do que eu que, simplesmente, se apossou de mim. Com força fui de encontro aos lábios de Amy. Os lábios dela eram macios, suaves, carinhosos... Diferentes dos de um homem.

— Eu te amo tanto, Frank — foram as palavras de Amy sussurradas em meu ouvido.

— Também te amo, Amy... — fechei os olhos e encostei novamente no travesseiro da cama.

— Com licença? — pediu a enfermeira de cara mal humorada. — Não estava com sede? Trouxe água para você... — ela disse, apontando para uma jarra com água.

— Ah, claro... — respondi com certa timidez, afinal a enfermeira presenciara um momento nunca ocorrido antes.

— Pode deixar que eu mesma o sirvo. Obrigada — respondeu Amy, um pouco grossa, mas imagino que foi por causa da interrupção da enfermeira.

— Com licença — pediu a enfermeira, em seguida retirou-se.

Enquanto Amy me servia, veio-me uma dúvida:

— Amy, como você soube que eu...? — Amy olhou-me nos olhos, entregando-me o copo d'água.

— Ah... Acho que por causa do estardalhaço que você fez — ela olhou para os meus pulsos me repreendendo com o olhar. — Eu acho que quando você desmaiou, com a queda, você puxou tudo o que havia ao seu redor, fazendo o maior barulho. Te chamei, te chamei e nada de você me responder — disse ela acariciando o meu rosto — Não sei, só me veio uma sensação estranha, horrível, de medo ou algo parecido. Então senti, ou melhor, soube que você havia feito alguma coisa ruim e então pedi ajuda pro porteiro — ela sorriu. — E bem... Aqui está você.

— Hm... — senti-me tão mal com aquilo que fizera, naquela hora coloquei-me no lugar de Amy e da horrível experiência que proporcionara a ela.

— Hei... Que carinha é essa? — disse Amy, aproximando-se. — Só me prometa que nunca mais vai fazer isso, ok?

— Eu sinto tanta raiva dele Amy...

— É eu sei... Mas não importa agora, porque eu to aqui — disse Amy, encostando os lábios levemente aos meus, como se fosse o selo de uma promessa. — Mas olha, aquela garota deixou isso aqui em cima do sofá, é pra você. — me mostrou um pedaço de papel dobrado e pude ver que havia um leve relevo no papel, uma caligrafia redonda e feminina, feita à caneta preta. — Quer ler ou quer que eu jogue...

— Lê pra mim? — pedi a interrompendo.

— Hm, tudo bem — ela assentiu confusa, talvez esperasse que eu pegasse o papel e o rasgasse, ou queimasse, ou jogasse pela janela. — "Frank, eu sei que não tenho muito que te explicar, porque bem, você viu tudo com seus próprios olhos. Sinto muito pelo o que aconteceu, mas eu juro que não sabia. De verdade, eu e você fomos lesados pelo Matt nessa história. Ele me enganou, o conheci há dois meses e ele disse que esse apartamento era dele e que o dividia com sua irmã mais nova, e bem, eu estava tão apaixonada e cega por ele que acreditei. Até houve uma vez que eu estranhei a quantidade absurda de roupas dele, mas eu pensei que ele só fosse vaidoso demais... Mas agora eu entendo. As roupas junto das dele eram as suas. Espero que me compreenda, minha intenção não era te fazer sofrer, muito menos te fazer se passar por idiota, mas saiba que eu também sinto por isso. Estou muito magoada por ter perdido o Matt assim, de uma hora para a outra, mas mais magoada ainda por saber que ele brincou com os sentimentos de nós dois. Espero que entenda o meu ponto de vista Frank, e se precisar de mais alguma explicação, meu telefone está escrito logo abaixo. Mais uma vez me desculpe Ashley.”

Na hora que Amy acabou de ler a carta, senti meu coração apertar ainda mais. Pelo o que ela disse, ela não era uma vadia e nem estava me fazendo de trouxa. Peguei o papel das mãos de Amy e sorri. O coloquei no criado-mudo ao lado de minha cama e prometi a mim mesmo que pediria desculpas pessoalmente para ela, Ashley merecia ao menos isso.

— Então Amy, aonde havíamos parado? — sorri para ela, que voltou a me beijar.

Notas finais
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