Dead Life
4 Take My Fucking Hand And Never Be Afraid Again
Notas iniciais
Depois de tudo o que ocorrera, não parei para pensar no rumo em que minha vida havia tomado. Primeiro Matt, depois a tentativa de suicídio e por último o romance com Amy... Ela era perfeita. Nunca pensei que pudesse me apaixonar por outra pessoa que não fosse Matt, principalmente quando se tratava de uma mulher. Ela foi me cativando pouco a pouco, e o sentimento de carinho foi se tornando paixão, o sentimento de paixão foi se tornando amor. Eu amava Amy, mas eu ainda tinha que resolver a situação Matt.
Liguei para o telefone que Ashley escrevera na carta e uma outra garota que atendeu, talvez fosse uma amiga ou irmã, não importa, apenas perguntei o horário que Ashley costumava chegar do trabalho e disse que não avisasse que liguei. Uns cinco dias depois da descoberta da traição, fui a seu apartamento num prédio da periferia de NY. Não era um moquifo, mas não era o melhor lugar de se viver, na verdade, era um bairro de classe média baixa, habitado por porto-riquenhos, mexicanos e afro-americanos que haviam conseguido mais da vida, da cruel realidade podre, preconceituosa e maldosa americana.
Toquei a campainha e quem abriu foi a própria Ashley. Ela vestia uma roupa confortável, não era um pijama, mas também não era dava para sair de casa com ela, era aquele tipo "roupa de casa". Ela me olhou confusa, mas logo sorriu e disse para que eu entrasse e me sentasse no sofá. Trouxe-me uma xícara de café e então começamos a conversar. Desculpei-me diversas vezes por tê-la chamado de "vadia", mas ela somente riu e disse que no meu lugar com certeza faria o mesmo.
Ashley era sonhadora, romântica, sensível, simpática, bonita e inteligente. Fazia faculdade de arquitetura em NY e estava no segundo ano. Ela contou que era do interior de Nebraska e que quando ganhou a bolsa integral, aceitou na hora. Amava arquitetura, eu podia ver em seus olhos, eles brilhavam quando falava sobre o assunto. Tinha o sonho de ter se casar, ter filhos e criá-los junto de seu marido, com quem passaria o resto de sua vida. Lamentava-se por não encontrar o cara certo, mas rindo, disse que até encontrá-lo, poderia se divertir com os errados. Antes de eu ir embora, quase duas horas depois, ela disse algo que me deixou um pouco surpreso, mas analisando, fazia cem por cento de sentido.
— Sabe Frank, foi bom isso acontecer... — ela sorriu abrindo a porta e voltou a falar quando eu já estava no hall — Isso mostrou pra mim e pra você que Matt não era a pessoa certa pra nenhum de nós. Que outras pessoas, melhores do ele, as certas pra gente, nos esperam.
Já no caminho para casa, o qual fiz a pé, voltei a pensar no que Ashley dissera. Sim, Matt não era a pessoa certa, essa pessoa era Amy. E eu e ela continuávamos a sair juntos. Eu arranjara um emprego de aprendiz de administração numa empresa de comics com a ajuda de um dos muitos amigos de dela, e finalmente eu havia achado algo em que gostasse de trabalhar. Empenhei-me bastante e não demorou muito para eu ir crescendo na empresa, fazendo especializações e enfim chegando a ser assistente de produção. O emprego consistia em ajudar o diretor com detalhes fúteis, mas importantíssimos, como escolha de roteiros, personagens ou até mesmo atender as vontades dos nossos clientes ou dos artistas.
Todas as sextas e sábados, eu e Amy saíamos, íamos para bares, festas e shows com um amigo nosso de longa data, o Caleb Followill, que também era meu chefe. Assumimos nosso relacionamento para poucos, Caleb obviamente foi um deles. Não queríamos sair espalhando aos quatro ventos o que se passava conosco, e estávamos felizes com isso. Quando saíamos, geralmente, agíamos apenas como amigos íntimos, bem íntimos por sinal. Com Amy, descobri sentimentos que nunca descobrira em mim. Um deles era o ciúme. Não que fosse super enciumado, mas tinha um ciúme enorme de Amy com os outros rapazes. Porra, a Amy era uma garota perfeita, que deixava todo cara babando. Ela era linda e extrovertida, cativava a todos que estavam por perto — principalmente os homens — e eu me sentia super inseguro com isso. Sabia que era difícil comparar o afeto de um homem e de uma mulher, e muitas vezes tinha medo de perdê-la, o bem mais precioso que eu achara.
— Demorou tanto pra eu ter você Frank... Você acha realmente que eu te trocaria por outro?! — era o que sempre dizia Amy.
Isso me reconfortava, mas bastava aparecer um cara dando em cima dela que lá estava eu, novamente enciumado, quase jorrando de raiva. Era difícil, mas eu tinha que disfarçar. Afinal, se agíamos só como amigos em todos os lugares, os caras deveriam pensar que não haveria problemas nenhum em tentar algo com ela. Eu sempre me controlei, eu amava Amy, e antes de tudo, ela era minha melhor amiga e eu era o melhor amigo dela. Mas agora, ela era minha e eu era dela. Nada e ninguém iam tirá-la de mim. Mas isso era o que achava... Até o destino me pregar outra peça.
Tudo aconteceu naquela semana. Em apenas uma semana minha vida mudou completamente. Era uma manhã fria do mês de setembro, minha época favorita entre o verão e o outono, lembro-me de ter aberto os olhos e não saber onde estava. Não foi difícil lembrar, bastava olhar para o lado e vê-la lá, deitada, ao meu lado. Linda e serena. Era incrível como conseguia me esquecer de todos os problemas quando estava com ela. Dei um sorriso e pensei no quanto era feliz e não sabia. Ela dormia tranqüilamente. Abracei-a dando-lhe um beijo suave. Ela abriu os olhos preguiçosamente e correspondeu rindo.
Era sábado, meu dia favorito, nem eu nem Amy precisávamos trabalhar. Ela voltou a dormir em poucos minutos, fora uma noite longa se é que me entende...
Levantei-me, coloquei um roupão e fui preparar o café. Fui à cozinha, acendi um cigarro e coloquei água para ferver. Oito e meia da manhã. Sentei-me à mesa e fiquei lendo o jornal. Vi uma propaganda, da aliança da editora de comics que eu trabalhava a Dark Horse com a Marvel e logo me lembrei de que Amy havia comentado algo a respeito.
“É uma editora muito conhecida, começaram há muito tempo, essa editora publica os comics de super-heróis e os mais famosos mangás japoneses. Eles também tem aliança com uma editora brasileira, que publica umas histórias em quadrinhos bem famosas na América Latina, uma tal de Turma da Mônica, não sei... Um conhecido meu mora no Brasil e o filho dele, de sete anos, lê isso o tempo todo. Essa editora sempre fez o maior sucesso e com certeza a que você trabalha vai fazer também! Mas o melhor de tudo, consegui entradas para o coquetel de lançamento!"
Na hora me pareceu ótima a idéia, mas naquele momento, de manhã, tudo o que queria era passar uma longa e relaxante tarde de sábado ao lado de Amy vendo filmes antigos na televisão e comer muita pipoca debaixo das cobertas. Quem sabe ela não mude de idéia, pensei comigo enquanto levantava e preparava o café, que fazia questão de levar na cama pra Amy.
— Acorda preguiçosa! — eu disse a balançando — Você sabe que eu odeio cozinhar, né? Olha o que eu fiz...
— Hein?! — disse Amy, olhando espantada para mim — Você cozinhou hoje é, Frank? Que maravilha!
Ao contrário de Amy, eu odiava cozinhar. Simplesmente não tinha o dom, mas tentei fazer uma surpresa para ela.
— Hum... — ela sorriu — Vejamos o que você preparou. Café, torradas e... O que que é isso, hein? -perguntou apontando para o prato.
— Ah, bem, são... Omeletes! — sorri de lado. — Só que um pouco... Queimadas — ri.
— Claro... Estava bom demais pra ser verdade! — disse Amy rindo da minha cara.
— É assim, é? Eu me dou ao maior trabalho pra tentar cozinhar pra você e você dá risada das minhas omeletes? — disse eu fingindo estar magoado.
— Oh, meu amor... Fica assim, não! — ela sorriu. -Adorei a surpresa! — disse ela, se levantando e me beijando. Como eu gostava dela. Era uma sensação maravilhosa estar com ela. Sentia-me tão bem, tão completo, tão feliz.
— Amor... — disse eu olhando pra ela.
— Hum? — respondeu ela tomando um gole do café que eu preparara.
— Ah, bem que a gente podia ficar o dia todo aqui, né? — sugeri. — Quentinho juntinho...
— Mas, Frank, você esqueceu, é? — ela fez um bico. — Hoje tem aquela festa, lembra?
— Ah, sim lembro, sim... — mexi em meu cabelo. — Mas sei lá, queria te curtir hoje, você só pra mim...
— Oh, honey, você sabe que mesmo você trabalhando na empresa, eu tive um trabalhão pra arranjar esses convites, faz esse esforço por mim vai?!
— Você sabe que eu não consigo negar nada pra você, né? — me rendi.
— Aham... — ela sorriu vitoriosa. — E é por isso que eu te amo!
Nosso dia passou sem preocupações. A noite estava chegando e tão "esperada" festa também. A esperada aliança da editora que estava começando a agitar em NY com a Marvel... Isso era mais que um grande passo para a empresa, era quase um salto a distância. Mas havia algo errado. Sentia que, por motivo desconhecido, seria a pior noite da minha vida. E eu estava certo.
Chegamos cedo naquela festa. Caleb, nosso amigo que havia arranjado os convites, disse que precisava chegar mais cedo para a preparação do buffet, já que era ele estava fazendo um favor para a empresa cuidando da parte de bebidas e aperitivos. Nesse lançamento, Caleb também levaria algumas pessoas que desenhavam e criavam histórias e ele acreditava que talvez pudessem assinar contrato com a editora. Ele era amigo de um cara que fazia umas historias sombrias, que com certeza, não tinham crianças como público alvo. Eu li uns dois capítulos e achei bem interessante, mas não era nada que prendesse a minha atenção realmente. Era complexo demais para a minha cabecinha pequena. Caleb era um cara muito legal, e, além disso, meu chefe. Sempre foi um ótimo amigo de trabalho, mas fora da empresa, ele era mais incrível ainda. Saímos várias vezes juntos, Caleb, Amy e eu. Caleb e Amy já eram amigos de longa data, foi ele quem me deu uma força, quem me indicou para o emprego na editora. A boate ainda estava vazia, via-se no balcão mais ou menos umas vinte pessoas, dividas em pequenos grupos, bebendo e conversando animadamente. Mas, segundo Caleb, o local iria bombar.
Vi que havia um pequeno palco, com duas caixas de retorno, um microfone e vários equipamentos de música, deviam ser pick-ups de um DJ. Uma estrutura de aço e algumas lâmpadas espalhadas pelo teto sobre as tais equipagens, eram decerto a iluminação. Agora eu tinha certeza, aquela festa se transformaria em uma grande balada. O salão era cheio de espelhos pelas paredes e eu tive certeza que aquelas luzes que piscavam, seriam refletidas e dariam um efeito bem legal. Vi que havia alguns caras no local, arrumando os equipamentos e testando o som.
Sempre fui muito detalhista. Vi que havia dois técnicos, um deles era um garoto magricela de óculos, de aparência tímida, cabelos curtos e uma franja de lado. Usava uma camiseta preta e uma calça jeans escura, acompanhadas de um all star preto, bem básico.
— Som. Teste. Som... — a voz do segundo técnico ecoou pelo salão e ele tinha uma voz linda. Suave e envolvente. Era também lindo, do seu modo, mas era. Cabelos compridos quase até os ombros, negros, que davam todo um charme ao seu rosto angular. Com sobrancelhas bem posicionadas, em olhos de um castanho esverdeado, mais abaixo um nariz reto, fino e delicado, seguido por uma boca bem formada, de lábios finos, mas muito sensuais. Tinha também um estilo próprio, original é o que diria. Usava uma calça jeans, toda rasgada em partes bem comprometedoras, uma camiseta preta e uma jaqueta de couro. Fiquei hipnotizado, admito, fiquei observando-o, em cada detalhe. Vi-o sorrir, um sorriso cativante. Não foi difícil deduzir que devia ter todas as mulheres que desejasse.
— Nossa ele é realmente muito bonito não? — perguntou Amy, me tirando do devaneio de pensamentos em que me mergulhei.
— É, é verdade... Muito bonito, sem dúvida — respondi sem graça, Amy sabia de meu fraco por caras de cabelos mais compridos.
Fomos em direção ao bar, com Caleb a nosso tiracolo. Pedimos nossas bebidas e eu bebia o meu drinque distraído, absorto, enquanto Caleb e Amy conversavam entretidos, sem notar o meu devaneio.
— E aê, Caleb? Tudo certo? — uma voz chamou e Caleb virou-se para ver quem era o dono.
— Ah, Gerard! Cara, como você está? Foi mal não ter ido lá falar com você, eu vi que você estava ocupado e tal...
— Tranqüilo. Já estamos com tudo quase pronto pra festa desta noite.
— É cara, finalmente chegou a noite tão esperada -Caleb sorriu. — Quem é o magricela? — apontou discretamente para o técnico que continuava mexendo nos cabos.
— Ah, ele é Mikey, meu irmão — riu. — Quando soube que podia descolar uma grana organizando e animando isso, topou na hora. Ele quem vai mexer com o som, vai mexer com a parte técnica e ser DJ. Ele já tocou em umas festas de uns amigos nossos, foi bem legal — comentou rindo.
— Espero mesmo, não quero que nada dê errado — Caleb falou. — E se der mato vocês dois, os irmãos Way serão exterminados.
— Sim senhor — bateu continência rindo. — Quem são eles? — disse ele dando um sorriso encantador na nossa direção, mas não pude deixar de notar que seus olhos se voltaram para Amy, que era realmente espetacular.
— Ah sim, deixa eu te apresentar meus acompanhantes desta noite... — ele apontou para nós dois. — Esta é Amy, uma grande amiga minha, e este é Frank, um colega de trabalho, grande amigo meu também.
— Poxa, prazer em conhecê-los — disse ele olhando fixamente para Amy. — Espero que curtam a festa.
— Ah sim, claro. Fizemos questão de vir — respondeu Amy, dando um sorriso encantador. Não sei se foi impressão minha, mas achei que Amy estava flertando com ele também, aquilo me subiu a cabeça. Não disse nada, apenas sorri.
— Que bom... Espero que curtam realmente, e espero ver vocês mais tarde, para bebermos alguma coisa.
— Claro, por que não?! — disse Caleb. — Quem sabe não comemoramos sua contratação depois?!
— É, tomara — disse Gerard em meio a risos. — Bom, mas já vou indo. Vejo vocês mais tarde — e se retirou.
Se já estava me sentindo mal, a sensação desagradável piorou mais ainda. Se esse tal cara, Gerard, fosse dar em cima de Amy, que fosse longe de mim. Fiquei muito magoado com a atitude dela para com ele. Pareceu-me que ela havia gostado.
— Puxa, ele é super simpático, não? — perguntou Amy.
— Porra, simpático até demais... — cerrei os olhos, enciumado. — Tão simpático que se você pedisse...
— Ora, Frank, não me venha com ciúmes, tá? — disse Amy, cortando o que eu ia dizer, ela parecia irritada.
— Ah! — bufei irritado — Agora vai me dizer que ele não tava dando em cima de você? Fala sério, Amy! Eu vi e percebi que você gostou também!
— O quê?! Como você tem coragem de dizer isso?
— Minha querida, não precisa ter coragem, é só ver o que ocorre. Só um idiota não teria visto.
— Hei, qual é? Não vamos brigar por causa disso não. Eu sei que vocês se gostam e isso não é motivo certo? — disse Caleb, sendo ele um grande amigo e sendo um dos poucos que sabiam de Amy e eu.
— É, Caleb, você está certo — disse eu. — Mas não dá pra negar o que aconteceu aqui. E a Amy sabe melhor do que ninguém que eu estou certo!
— Eu? — disse ofendida. — Olha Frank, já to cansada de seus ciúmes idiotas!
— Pois bem — disse Caleb. — A festa já vai começar e desse jeito vocês não vão curtir... Que tal se cada um pedir desculpa pro outro hein?
— Não mesmo — disse eu sem nenhuma hesitação. — Vou fumar um cigarro e, caso Amy mude de idéia, eu estarei lá fora esperando ela vir me pedir desculpas!
— Então é melhor você comprar mais uns dez maços de cigarro Frank, porque eu não vou pedir desculpas por algo que eu não fiz!
— Ótimo você é quem sabe! — falei e levantei-me. Fui em direção a saída e já na rua, sentei-me no meio-fio. Estava nervoso e chateado, sabia que não deveríamos ter vindo, pensei comigo. Sabia, sabia!
Peguei o maço de cigarros, trêmulo, e o abri. Droga havia apenas um cigarro. Peguei-o e tentei acendê-lo, mas de tão nervoso, mal conseguia acendê-lo.
— Droga! — disse, soltando toda minha frustração.
— Hei, quer ajuda aí?! — ofereceu-se uma voz vinda de cima, atrás de mim.
Virei-me e dei de cara com o garoto magricela. Ele tinha um rosto jovem, demonstrando inexperiência, um sorriso, olhar ingênuo. Mas sua voz era firme, segura, o que mudava totalmente a idéia de que ele era tão inexperiente quanto parecia. Era um cara muito bonito e charmoso. Não sei o que me deu na hora, mas como uma adolescente idiota, imaginei-me beijando aqueles lábios em que havia um sorriso maroto.
Ele nem esperou eu aceitar a sua ajuda. Esticou sua mão direita em direção aos meus lábios. Tirou o cigarro de minha boca e pegou o isqueiro de minha mão. Colocou o cigarro na boca e tragou-o, acendendo-o assim e logo após me passou o cigarro já aceso.
— Ah... Obrigado.
— De nada — ele sorriu. — Mal dia? — perguntou ele, sentando ao meu lado, abraçando os joelhos.
— É, um péssimo dia.
— Todos temos. Mas você vai se sentir melhor depois da festa — disse ele dando um sorriso brincalhão. — Música, bebida e distração melhoram todos sempre.
— Hum, bom saber — crispei os lábios. — Porque sinceramente, eu não queria ter vindo.
— Ah, mas já que está aqui... Não vai perder a festa, certo? Preciso de gente falando que o som foi bom pra quem sabe, poder descolar bicos em outras festas... — sorriu — De preferência pessoas legais e descoladas como você...
— Que belo mentiroso você! — disse eu melhorando meu humor.
— Eu? — colocou a mão em seu próprio peito fingindo estar passado — Claro que não, sinceridade é o meu segundo nome.
— E qual seria o seu primeiro?
— Putz, que fora! — disse ele dando uma risada e batendo com a mão na testa — Meu nome é Michael Way, mas me chama de Mikey. Sou irmão daquele traste do Gerard que você já conheceu. E você quem é?
— Frank Iero, mas pode me chamar de Franks, sou assistente de produção de uma editora.
— Uma editora, hein, Franks? — ele riu — Bem do que o Gerard precisa... Para qual editora você trabalha?
— Pra Dark Horse.
— Que legal, na verdade, o Gerard — disse Mikey, apontando para a porta da boate, indicando que o pivô da minha discussão com Amy estava lá dentro — Conhece um cara de lá... Só não lembro o nome dele.
— Caleb.
— Isso mesmo! — ele confirmou — Você o conhece?
— Sim, eu trabalho pra ele. — sorri tragando o cigarro — Bom, eu acho que você precisa entrar.
— Hum, você está me dispensando, Frank? — cerrou os olhos fingindo estar desconfiado.
— Bem — falei sem graça — na verdade, não... É que parece que o tal de Gerard tá te chamando, olha! — disse eu fazendo com que ele se virasse e visse Gerard o chamando.
— Ah, é verdade. — ele fez um bico se levantando — Como sempre Gerard me atrapalhando...
— Pois é... — sorri levemente — Mas relaxa, eu vou estar aqui na festa.
— Que bom. — ele sorriu mexendo no cabelo — Assim eu discoteco olhando pra você...
— Por favor, não faz isso, eu vou ficar dando risada.
— Que mau você... — ele franziu a testa — To fazendo a maior dedicação pra você e você vai dar risada de mim? Eu...
— Hei Mikey, será que eu tenho que vir te buscar é? — disse Gerard ao lado de Mikey em pé, interrompendo nossa conversa.
— Caralho, Gerard, dá um tempo! — ele bufou — Já to indo, porra!
— Então vem logo, caralho. — ele falou alto — Será que você só pensa em foder?
— Fica de boa seu...
— Hei Mikey, tudo bem... Vai lá. — disse eu interrompendo o que o Mikey iria chamar o Gerard e tentando evitar brigas. — Vai tocar.
— Tá bom então. — ele deu de ombros — A gente se vê depois, Frank...
Conversar com Mikey naquela hora melhorou o meu estado de humor. Senti-me melhor, mas subitamente me veio à cabeça Amy. Olhei ao redor e não a encontrei. Fui em direção ao bar pedir mais uma bebida e comprar mais um maço de cigarros, já que os meus haviam acabado. Acendi outro cigarro, mais calmo, e sentei-me no chão novamente, olhando para a escancarada porta da boate. Vi que Mikey parecia estar discutindo com Gerard e só esperava que não fosse por minha causa. Creio que estava enganado, porque nessa hora eu vi Gerard apontando descaradamente para mim. Senti-me muito sem graça e desejei ter um buraco para me enfiar. Achei que ele fora muito grosso em dizer que Mikey queria apenas "foder" comigo, como ele mesmo dissera.
— Frank?
— O que?... — quando me virei dei de cara com Amy.
— Olha... -ela se sentou ao meu lado — Eu sei que eu fui um pouco grossa com você, mas sabe, eu já to cansando do seu ciúme Frank, eu te amo. Você sabe disso, e essa sua desconfiança me mata!
— Tudo bem, Amy. — olhei nos olhos dela — Sei que não tenho toda a de razão, mas do mesmo jeito, se eu tenho ciúmes é porque eu te amo muito também.
— Fico tão chateada quando a gente briga amor...
— Eu também, Amy... — disse me aproximando dela. — Será que eu posso dar um beijo na pessoa que eu mais amo nesse mundo? — perguntei aquilo, pois a rua já estava ficando lotada e sempre disfarçávamos o que sentíamos um pelo outro. Amy sorriu meigamente.
— Claro que pode... — e aproximou-se de mim beijando-me de um jeito selvagem.
Esquecemo-nos de tudo e de todos, apenas preocupei-me em beijar Amy, o amor da minha vida. Quando nos separamos de nosso beijo vimos que todos olhavam tentando disfarçar e surpresos com nosso beijo quase apelativo. Amy e eu ficamos sem graça.
Olhei em direção da boate e vi que Gerard e Mikey estavam olhando para nós. Mikey me pareceu desapontado por saber que eu namorava e Gerard surpreso por não desconfiar que de fato éramos namorados. Entramos na boate e nos sentamos no bar. Bebemos alguns drinques e ficamos conversando algumas bobeiras de casais apaixonados. A festa já tinha começado há umas duas horas mais ou menos, e as músicas ainda não eram tão animadas. Só depois do longo discurso dos presidentes de ambas editoras envolvidas e apresentações de novos comics, que a festa pegou fogo. Realmente Caleb estava certo, o lugar estava fervendo.
O palco estava às escuras, só se via Mikey com o fone de ouvido entre a orelha e os ombros, mexendo nos botões freneticamente e Gerard ao seu lado, talvez o ajudando. Não se via absolutamente mais nada do que isso. Até que uma rajada de luzes ofuscou nossa visão e uma batida bem insinuante começou a ecoar pela boate. Mikey discotecava bem, as músicas e os remixes que ele fazia, eram muito bons. Àquela altura, estava curtindo ao máximo a festa. A música alta combinada com algumas doses de álcool em meu sangue já fazia algum efeito. Eu e Amy curtimos ao máximo a tal festa.
— Essa música eu dedico pra quem está amando nessa sexta de madrugada — Mikey disse entre risadas e logo começou a tocar um remixe incrível de Friday I'm In Love do The Cure.
Foi a música mais incrível que eu já ouvira em todas as baladas que eu já fora em toda minha vida. Nesta hora lembro-me de ter parado e ficado olhando para Amy, prestando atenção no que a voz remixada de Robert Smith dizia. Mikey discoteva de olhos fechados, concentrado, com Gerard ao seu lado, os olhos fixados nas luzes que brilhavam no equipamento do irmão. De repente Gerard abriu os olhos e deparou com os meus. Ele ficou me olhando fixamente, nenhum de nós conseguia desviar o olhar.
Lembro-me de olhar dentro daqueles olhos castanhos esverdeados e ouvir o que a música dizia nada mais parecia existir. Saí do transe quando senti Amy abraçando-me e beijando-me. Fiquei sem graça, não consegui corresponder com a mesma paixão que Amy. Separei-me dela, sorri e me virei para continuar a dançar desajeitadamente. Vi que Gerard agora olhava fixamente para Amy, debruçou-se sobre os pick-ups do irmão e cerrou os olhos para olhá-la mais nitidamente. Segurei firme e não fiz nenhuma cena de ciúmes. Senti-me queimando de raiva naquele momento, olhei para Mikey que parecia estar concentrado, fazendo alguma coisa, mexendo em diversos botões. Ele era muito bonito, foi o que pensei, e foi tão gentil comigo... Aproximei-me mais do palco, puxando Amy logo atrás de mim, que estava equilibrando um copo de cerveja na mão.
Mikey levantou o olhar e eu estava bem a sua frente, sorrindo para ele. Quando ele olhou, vi que ele sorriu diretamente para mim, e desta vez ele começou a discotecar olhando pra mim. Sabia que estava fazendo isso para dar ciúmes a Amy. Olhei para o lado e vi que Gerard deixara de "dar em cima" fazia um tempo e agora ele estava parado olhando para seu irmão e eu.
A música demorou para acabar, tendo um longo tempo de instrumental no final. Logo outra música foi emendada nela e o frenesi continuou a tomar conta de todos. Para mim, era estranho uma editora fazer uma festa tão animada. Olhei para o meu relógio de pulso e me surpreendi em já passar das três da manhã.
Depois de mais umas duas ou três cervejas, Caleb disse para irmos para a rua fumarmos e conversar um pouco, fazer aquele merda daquela "comemoração" com o idiota do amigo dele, o tal Gerard. Eu e Amy fomos praticamente arrastados para fora da boate e quando chegamos lá, os Way já estavam conversando com Ray, um colega meu de trabalho.
— Nossa! Foi muito boa a discotecagem né? — perguntei a Amy.
— Sim... — ela concordou desinteressada. — Eu vi que você gostou demais até.
— Não entendi o que você quis dizer com...
— Amy, Frank... — Caleb puxou nosso braço. — Então como está a festa, estão gostando? — perguntou Caleb interrompendo.
— É, foi muito bom — respondeu Amy sorrindo. — Principalmente as bebidas, que você que cuidou — sorriu.
— Eu contratei uns caras que são de uns bares legais aqui de NY, achei que seria interessante — falou acendendo um cigarro.
— Sim, gostei muito dos drinques que eles fazem, tem um de tequila muito bom... — disse eu tomando um gole de cerveja.
— Vamos lá falar com eles? — propôs Caleb, apontando para os três caras perto de nós e então seguimos em direção a eles, onde os rapazes estavam conversando animadamente, bebendo e fumando.
— Gerard, cara! — Caleb quase gritou. — Por que nunca disse que seu irmão discotecava tão bem, hein?
— Nem eu sabia Caleb, juro! — juntou as mãos como se rezasse. — Parece que o pessoal gostou... E vocês? — perguntou Gerard olhando para Amy e eu.
— Sim... Foi melhor do que eu imaginava Gerard. Parabéns! — disse Amy, novamente parecendo flertar com ele.
— Amor... — olhei para Amy. — Quem discotecou foi o Mikey, você devia dar parabéns a ele, não pro Gerard — comentei levemente, adicionando um tom maldoso, mais para o inocente.
— Ah, parabéns Mikey... — Amy disse a contragosto olhando para o mais novo, e eu sabia que ela estava muito puta comigo.
— Então... Ainda está de pé aquela comemoração depois do show? — perguntou Caleb, percebendo o clima estranho que pairou entre nós.
— Por mim... — respondeu Gerard. — Depende de quem vai — disse isso olhando para Amy. — E se o meu irmão vai querer ir também...
— Lógico que o seu irmão vai junto... É bom porque assim, aproveito pra conversar com ele sobre trabalhar em outras festas comigo — disse Caleb. — E vocês, vão com a gente, né? — olhou para mim e Amy.
— Ah, eu não sei Caleb, eu acho que... — fui interrompido.
— Claro que nós vamos! — disse Amy. — Vamos sim, Frank.
Preciso dizer que meu sangue ferveu ao ver o sorriso que o tal de Gerard abriu?
— Bem, pode ser... — concordei puto.
— Também vou — Ray disse sentado no meio-fio, levantando o braço.
— Então está certo — disse Gerard. — Só dá um tempo pra gente ir passar umas instruções pro DJ que tá lá agora e já vamos.
— Hei, então quer dizer que você vai com a gente comemorar, Frank? — perguntou Mikey.
— Pois é, mais uma vez não tive escolha... — sorri amarelo.
— Vai ser divertido, eu prometo. — ele sorriu verdadeiramente.
— Já que você diz... — dei de ombros e os dois entraram na boate. Foi o tempo de eu fumar mais um cigarro para que eles voltassem.
— Então... Vamos pra onde? — perguntou Gerard, abraçando Caleb pelos ombros.
— Bom, eu sei que não é comum isso mas eu estava pensando... E se fosse na minha casa? — ofereceu Caleb.
— Ah, na sua casa? — perguntou Gerard um tanto duvidoso. — Por mim, tudo certo.
— Por mim também, Gee — respondeu Mikey, o irmão mais novo de Gerard.
— Certo, mas eu faço questão que vocês vão no nosso carro... — ofereceu Gerard, arrancando uma gargalhada de Mikey.
— Hm, qual foi a da risada? — franzi o cenho. — O que a seu carro tem de tão especial? — dei ênfase ao "tão" usando um tom cínico.
— Ah, nada demais. Apenas que é ele que nos carrega — apontou para ele e Mikey — desde os meus quinze anos. Foi um presente da minha avó, sem falar que ele é muito original.
— Bem, eu to de carro... — disse Caleb. — Mas se os dois quiserem ir com vocês...
— Eu não sei. Amy, acho que vai ficar apertado... -comecei. — Tem alguns equipamentos que vocês trouxeram de volta e...
— Não, não... É tranqüilo. — Gerard sorriu. — Cabe todo mundo. Vocês não vão fazer uma desfeita dessas, vão? — disse fazendo bico. Que idiota!
— É verdade, Frank. Vai ser divertido! — disse Mikey.
— É Frank, não pega nada! — disse Amy.
— É que bem, a gente mal se conhece e... — fiquei hesitante. (Leia-se: eu não quero ir com ele!)
— Não seja por isso — disse Gerard cínico. — Meu nome é Gerard Arthur Way e ele é Michael James Way. — apontou para o irmão. — Eu sou de Newark e ele é de Belleville. Tenho vinte e quatro anos e o Mikey tem vinte e um.
Fiquei super sem graça na hora, não gostei da forma de como ele levou meu comentário e se apresentou, eu estava chamando a atenção, todos estavam quietos olhando fixamente para mim, esperando uma resposta.
— Ah.. Prazer, eu sou Frank Anthony Iero Jr. — respondi no mesmo tom jocoso que ele também utilizou.
— Mas podem chamar ele de Franks — disse Mikey.
Gerard apenas sorriu para mim, um sorriso muito sarcástico por sinal. Eu estava bem puto com aquele cara.
— Mas então, vocês vão com a gente? — perguntou o Way mais novo.
— Vamos, vamos sim... — respondi.
Chegamos no estacionamento e demos de cara com um Cadillac vermelho, em perfeitas condições. O capô era todo personalizado, tinha um desenhos que pareciam ter sido feitos à mão, os bancos eram em couro preto, o volante de madeira, o câmbio tinha uns detalhes mórbidos, umas caveiras vermelhas. No geral, era o tipo de carro que eu invejaria fácil.
Quem iria dirigir o carro era Gerard, que parecia tratar o Cadillac como uma namorada, o alisava, o elogiava, o amava. Era pura idiotice, mas relevei. Mikey foi no banco da frente mexendo no rádio e eu e Amy fomos atrás. Eles não paravam de zoar um instante sequer. Colocaram um som alto no carro e abriram a cobertura, o Cadillac se tornou um espetacular conversível. Abriram umas três garrafas de cerveja, tomando cada um uma e eu e Amy dividimos outra. Na verdade, eu não tinha muita certeza se eles estavam drogados ou não. Desconfiava que estivessem, estavam muito alegres para o meu gosto.
— Então... — disse Gerard enquanto acendia um cigarro. — Vocês são namorados, é?
— Somos — disse eu, encarando-o pelo espelho, vi que Amy ficou sem graça com minha atitude.
— Ah, é? — disse ele dando um gole na cerveja. — Então... Por que vocês não se beijam pra gente ver, hein?
Mikey ficou quieto nessa hora, mas ficou olhando com curiosidade, esperando que a gente fosse mesmo se beijar.
— Porque, na verdade, não estou com vontade agora. Mas não se preocupe, Gerard, eu te chamo pra ver, ok? — respondi, rispidamente.
Ao contrário do que pensei, Gerard riu.
— Claro, mas me chama mesmo tá? — ele riu bem alto. — Quem sabe eu não ajude participando...
— O quê?! — fiquei puto e estendi o braço quase batendo na cabeça dele. — Cara, como você é folgado!
— Calma Frank, ele tá bêbado, não liga pra o que ele diz não — disse Amy, segurando o meu braço.
O silêncio reinou no carro, Amy e Mikey ficaram sem graça, vi que Gerard ficou quieto, bebendo e fumando, mas não deixou de me encarar. Sentia tanta raiva dele que acho que estava soltando faíscas pelos olhos.
— Então... — começou Mikey. — Vocês moram juntos?
— Sim — respondeu Amy dando um sorriso cativante, tentando voltar a ter uma conversa civilizada com todos. Mikey e Amy começaram a conversar e gargalhar como se nada tivesse acontecido. Menos Gerard e eu.
Quando chegamos na casa de Caleb, Gerard estacionou o carro na rua e desceu sem falar nem uma única palavra. O Way mais novo e Amy conversavam alguma coisa sobre viagens, pois ouvi nomes de três países: Japão, Inglaterra e Holanda. Quando tocamos a campainha e ninguém atendeu, vimos que Caleb ainda não havia chegado. Gerard devia ter feito um caminho mais curto e por isso chegamos antes.
Ele ficou do lado de fora, sentado no degrau da entrada, fumando e eu sentado de frente para ele, fumando também. Amy e Mikey ainda conversavam animadamente. Não demorou muito, e Caleb chegou em seu carro, um Nissan, que na verdade, era meu sonho de consumo. Lá, entramos, bebemos um pouco e conversamos. Eu e Gerard, nos mantivemos a distância o tempo todo. Fiquei junto a Caleb — quando ele não estava junto de Gerard — , de Mikey e de Ray. Amy ficou conversando com a namorada de Ray, uma garota que eu não tinha visto durante a festa ou naquela nossa pausa para fumar em que combinamos de vir para cá, e de Gerard, que não desgrudava dela sequer um segundo.
Notei que depois de beber mais do que o recomendado, Gerard e Amy meio que dispensaram a namorada de Ray da conversa e estavam fazendo muita questão de se tocar e coisas do gênero. Eu estava morto de ciúmes.
— Então, Frank, quer dizer que eu não tenho nenhuma chance com você...? — disse Mikey rindo.
— Por que você tá falando isso? — olhei surpreso para ele.
— Você é hetero! — disse como de fosse óbvio.
— Não, não sou — droga, falei rápido demais.
— Bissexual? — ele arriscou, cerrando os olhos.
— Pode ser... — balancei a cabeça de um lado para o outro. — Na verdade, eu não sei Mikey. Só me envolvi com um garoto uma vez, quando eu tinha quinze anos. — que mentira deslavada Sr. Iero!
— Ah, isso é normal — ele sorriu. — Sabe, eu também já me envolvi com pessoas do dois sexos...
— Sério? — arregalei os olhos.
— Sério — ele riu. — Mas descobri que o bom mesmo é sair com garotos — confidenciou baixinho. — Mas eu acho que a gente tem que experimentar de tudo nessa vida pra depois não se arrepender de ter feito ou não ter feito, não acha?
— É verdade... — concordei sem graça. — Onde está Amy? — perguntei, notando repentinamente que ela não estava em lugar nenhum. O que me assustou ainda mais, foi constatar que Gerard também não estava em lugar nenhum.
— Ah, eu não sei, Frank... — disse Mikey, olhando em volta para ver se os achava.
— Hã, acho que vou procurar Amy — sorri indo em direção ao jardim nos fundos da casa. — Já está ficando tarde...
— É verdade... — disse Mikey, desanimado, mas parecendo notar o meu desespero. — Quer que eu vá com você?
— Não, não precisa... — sorri. — Olha lá, fica lá com o Caleb, ele tá segurando vela do Ray — apontei para o casal se beijando e Caleb quieto, bebendo sua cerveja.
Procurei por Amy na cozinha, , no lavabo, na sala e não encontrei nada. Na hora meu coração acelerou, olhei escada acima e... Será? Pensei comigo mesmo. Senti minhas pernas enfraquecerem. Não, tenho que procurar melhor. Olhei em direção a cozinha e vi a porta dos fundos, que davam para o tal jardim dos fundos. Andei apressadamente em direção à porta.
Caleb sempre fora um cara sonhador, romântico. Nunca se casara, mas sempre planejou casar e ter filhos. Sua casa era uma típica casa de família.
Nos fundos havia uma churrasqueira com piscina. Tudo muito bem iluminado e decorado. Em uma mesa, perto da churrasqueira, vi Amy com Gerard, é claro. Senti o sangue subir por minha face. Sem dúvida alguma, Gerard estava dando em cima de Amy.
Eles estavam tão perto um do outro. Vi que Gerard quase sussurrava no ouvido de Amy, e via que ela ria, meigamente. Aquele sorriso lindo que ela dava só para mim...
— Amy? — chamei-a, interrompendo-os.
— Frank?! — virou-se bruscamente para trás. — Que susto!
— É mesmo?! — disse eu sarcasticamente. — Vim aqui pra te chamar pra irmos embora.
— Mas já?! — perguntou Gerard. — Ainda é cedo e amanhã é sábado...
— Eu sei — respondi seco .- Acontece que estou cansado e queria curtir um pouco a MINHA — fiz questão de dar ênfase — namorada esse final de semana.
— Você pode curtir ela sempre, e não precisa ir pra casa pra curtir ela... — disse ele com um sorrisinho sarcástico.
— Pois é, acontece que eu quero curtir ela sozinho... — sorri cínico. — Se é que você me entende...
— Ah sim, claro... — disse ele, já completamente bêbado. — Você quer dizer que você e a Amy vão...
— Já chega! — gritei. — Será que você não se toca? — disse eu irritado, pegando no braço de Amy. — Vamos embora Amy, a "festinha" acabou!
Nem deixei Amy dizer nada, eu estava muito nervoso. Oras, quem ele pensava que era para ficar se intrometendo na minha vida pessoal? Entrei na sala bufando.
— Hei, pessoal. Amy e eu já estamos indo... — avisei indo em direção à porta.
— Mas já, Frank? — perguntou Caleb, meio bêbado. — A noite é uma criança...
— Eu sei, mas eu já sou adulto apesar da minha altura — respondi cínico. — Quem sabe numa outra ocasião?
— Claro.. Isso seria ótimo — disse Caleb, notando minha irritação e sorriu.
Nos despedimos de todos, vi que Amy estava emburrada. Dane-se, pensei comigo mesmo, não era ela que tinha que suportar toda aquela humilhação pública.
— Hei, Frank! — era Mikey.
— Oi — falei sem ânimo.
— Ah... Foi legal te conhecer hoje — ele disse olhando para o chão, envergonhado. — Espero que haja mais vezes...
— Espero também Mikey, eu adorei te conhecer... -falei arrumando a gola da minha camiseta. — Você é um cara muito legal.
Nesse momento, Gerard apareceu, vindo dos fundos, ele aparentava estar nervoso.
— Ora, o casal ia embora sem se despedir de mim é?! — disse ele.
Ele disse isso enquanto vinha em nossa direção. Dava para ver que ele estava completamente bêbado.
Ele veio, e me abraçou com força. Nem me mexi. Como ele era babaca!
— Mas como você é nervosinho... — ele sussurrou no meu ouvido, rindo, enquanto me abraçava.
Ele me largou e virou-se para Amy. Abraçou-a tão forte quanto havia me abraçado. Largou-a, olhou-a nos olhos e lhe deu um selinho na boca. Rápido e brusco. Não tive reação, foi rápido demais. Vi que Amy ficou vermelha. Talvez de vergonha, talvez de excitação... Não suportei o que vi. Virei-me bruscamente, abri a porta e saí. Batendo-a logo atrás de mim. Não demorou muito e ouvi sons de passos vindo correndo em minha direção. Era Amy.
Não disse nada durante todo o percurso que fizemos a pé de volta para casa. Não havia o que dizer. E aquilo não era nada. Era apenas o começo do meu pesadelo.
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