Dead Is Alive
4 Capítulo 4
A equipa Alpha dirige-se para a ala esquerda da mansão enquanto a equipa Beta se desloca para o lado oposto. As pistas que lhes foram fornecidas indicam que o vírus se iniciou próximo da mansão e alastrou, posteriormente, à cidade. Uma pequena família da floresta de Raccoon foi a primeira a ser encontrada, completamente mutilada. Desconfia-se que foi esta que iniciou a propagação mas não há nada de concreto que valide estas especulações. Antes das equipas serem formadas todas estas informações foram partilhadas para ficaram em pé de igualdade e agora o mais importante é chegar à verdade. E para tal é necessário sobreviver a uma infestação de mortos-vivos, sedentos por um pedaço de carne humana.
Patrícia está convencida que tomou a melhor decisão no entanto ainda há algo que a preocupa, Alexander. O colega, apesar de ser experiente e bastante inteligente, poderá não sobreviver sozinho. Um grupo considerável de zombies poderá aniquilá-lo sem dó nem piedade. O seu corpo está junto da sua nova equipa mas o seu pensamento há muito que se encontra distante, tentando procurar as respostas certas para as perguntas que a atormentam. Onde estará o colega e porque razão lhe virou as costas? Talvez a perda de John, o seu melhor amigo, tenha sido um choque demasiado grande para suportar. Os corredores da mansão parecem cada vez mais longos, mais escuros, mais perturbantes à medida que um passo é tomado. Joana, tal como sua irmã, tem o coração a mil à hora, e não consegue afastar o pensamento de que Alexander poderá estar morto. Esta não sabe se conseguirá suportar a morte de mais um colega, colega este com quem desenvolveu uma amizade profunda. Esta relembra o dia em que a equipa foi formada. Todos eles eram uns jovens com sonhos semelhantes, destacados pelo seu brilhante trabalho e pelas suas capacidades únicas. Prometeram servir o país mas acima de tudo comprometeram-se a proteger a equipa, cada membro desta, pondo a vida em jogo se fosse necessário. Um simples olhar entre irmãs é suficiente para que percebam o que ambas estão a pensar. Alexander precisa de ser encontrado e confrontado com a realidade. Este tem de aprender que não pode fazer tudo sozinho, a irmandade tem de persistir. Tomada a decisão Patrícia tenta contactar Leon através de um dispositivo do F.B.I. mas não consegue alcançar sinal no sítio onde se encontra. Acaba por desistir e indica aos restantes colegas o que irão fazer, procurar Alexander. Uma biblioteca é o local aonde vão ter, uma das divisões mais interessantes da mansão. Patrícia e a restante equipa começa a procurar algo que possa fornecer alguma pista mas num primeiro instante nada encontram. Ao fim de algumas horas o cansaço começa a tomar conta dos corpos dos polícias. Barry e Joana acabam por adormecer sabendo que estarão seguros com Patrícia e Carlos sob vigia. A chefe começa a desesperar. No meio de tantos livros, no meio de tantos documentos nada consegue encontrar. Uma simples pista é o único desejo desta naquele momento. Não desistindo acaba por encontrar uma planta da casa e observa um pormenor interessante que desconhecia. A mansão possui um velho laboratório que não se encontra anexado a esta. É neste momento que a F.B.I. relembra uma casa de menores dimensões junto à mansão e segundo os seus cálculos encontrará o laboratório lá. Um laboratório?! Hum… Talvez possa ter sido aí o local da criação do vírus. Ao observar tudo com mais atenção fica confusa. É certo que aquela divisão existe mas não consegue encontrar como ir até lá. Esta prepara-se para chamar Carlos quando é interrompida por um barulho estrondoso. Este barulho é de tal forma perturbante que acaba por acordar ambos os colegas. Barry rapidamente se levanta seguido de Joana, ficando ambos perplexos com o que avistam. Os olhos de Patrícia ficam automaticamente semi serrados. A expressão presente é de raiva. Esta conhece bem a criatura que se encontra à sua frente tal como ela certamente não se esqueceu da responsável pelo corte da sua língua. Joana fica paralisada tal como Carlos. Barry, por sua vez, não teme aquela cobra gigante e começa a disparar. Sentindo-se ameaçada a cobra ataca o S.T.A.R. que acaba por ser projectado para a parte superior da biblioteca. O sangue deste começa a escorrer pela parede deixando os presentes apavorados. Joana e Carlos reagem e começam a atacar a criatura e quando esta se aproxima de ambos o desespero aumenta. Aqueles dentes enormes estão cada vez mais próximos dos polícias, cada vez mais próximos. Patrícia não está disposta a perder mais ninguém, muito menos a sua irmã e tenta surpreender a intitulada yawn, no entanto sem sucesso. Esta apercebe-se do movimento do membro da F.B.I. e com a cauda projecta-a até uma das estantes, deixando-a inconsciente. Carlos tenta proteger Joana e acaba por ser mordido, ficando caído num dos cantos da sala. Um frente a frente entre Joana e a cobra é o que se segue. Joana nunca tinha demonstrado um olhar tão ameaçador e ao mesmo tempo tão assustado. A yawn faz o seu primeiro ataque mas Joana consegue desviar-se. Sucessivos ataques mal sucedidos acabam por levar a agente até ao canto oposto onde Carlos caíra. Esta olha para o colega e observa o olhar desesperado deste, percebendo que está incapaz de a ajudar, demasiado fraco, mal se consegue manter sobre os joelhos. De seguida olha para a irmã que ainda se encontra atordoada devido ao impacto. Continua a dar passos para trás até que a palma das suas mãos sentem o frio da parede. Joana está encurralada, sem hipóteses de sobreviver. A cobra ergue-se à frente dela e mostra a sua poderosa arma, os seus grandes dentes. Esta prepara-se para atacar...Joana fecha os olhos por segundos, e vê a sua vida passar-lhe toda a frente relembrando-se de um dia de verão que jurou nunca mais esquecer…
FlashbackO dia mais quente do Verão. Joana tinha 8 anos, Patrícia 12. Esta brincava junto à floresta, perto de sua casa, ignorando os conselhos da irmã mais velha. Todo o mundo à sua volta lhe suscitava curiosidade, cada canto daquele local, na sua mente, deveria ser explorado. Ela continuava a caminhar indo cada vez para mais longe de casa. Patrícia que dera por sua falta começa a chama-la mas não obtém resposta. Assustada começa a procurá-la seguindo os trilhos da floresta. Joana brincava sem se aperceber que a observavam. A inocência desta tornava-a uma criança frágil ao contrário da irmã que desde cedo aprendeu a defender-se dos perigos que podia encontrar. Uma cobra venenosa aproximava-se sem deixar que a sua presença fosse notada. Subitamente Joana vira-se e assusta-se. A cobra já estava erguida perante esta, sacudindo a cauda e mostrando a sua língua comprida. Esta fecha os olhos e começa a chorar repreendendo-se mentalmente por ter desobedecido à irmã e rezando para que nada lhe acontecesse. Sentia aquela criatura cada vez mais perto e mais perto até que chega o momento. Joana solta um grito mas nada acontece. Quando reabre os olhos dá com a cobra sem cabeça e com a sua irmã junto dela. Tremendo por todos os lados só acalma quando é abraçada pela irmã que lhe sussurra ao ouvido – Eu estarei sempre aqui para te proteger! Os olhos desta continuam fechados, as lágrimas escorrem-lhe pela face, tal como naquele dia, mas desta vez está pronta para aceitar que nada poderá fazer. Ninguém a irá salvar. Esta fecha as mãos e contrai os olhos preparando-se para um destino cruel quando ouve um estrondo. A cobra cai ao seu lado, Patrícia uma vez mais conseguiu salvar a sua irmã e desta vez aniquilou de vez aquela criatura, perfurando-lhe o cérebro com a sua preciosa faca. Joana abre novamente os olhos e depara-se com ar cansado de Patrícia, o suor a escorrer-lhe pela face, caindo gota a gota no chão, a respiração ofegante, o longo cabelo louro a tapar-lhe a face. Bruscamente esta levanta a cabeça com atitude e olha para Joana dizendo – eu fiz-te uma promessa, lembras-te? Esta, ainda em estado de choque apenas acena que sim com a cabeça. Percebendo que Joana está bem corre até junto de Barry mas o S.T.A.R. não resistiu, a réstia de esperança que ainda tinha desvaneceu quando não sentiu qualquer pulsação. Seguidamente corre até Carlos que ainda está vivo embora muito fraco. Patrícia solicita a ajuda da irmã percebendo, num primeiro instante, que esta não está ali, o seu pensamento, a sua mente ausentaram-se. Após algumas tentativas mal sucedidas a chefe solta um grito, trazendo-a de novo à realidade. Joana meio atordoada levanta-se e desloca-se até junto do S.T.A.R. erguendo-o com a sua irmã. Conseguem carregá-lo até o corredor mais próximo mas o polícia é demasiado pesado e acabam por desistir, encostando-o à parede. Este pede-lhes que prossigam sem ele mas ambas recusam. Começam a discutir sobre o que será melhor rejeitando de imediato a hipótese de ir buscar o antídoto, ele morreria entretanto, tendo em conta a gravidade da dentada.Inesperadamente ouvem ruídos e ficam desesperadas.O desespero aumenta quando confirmam as suas suspeitas, um grupo de zombies aproxima-se e rapidamente apressam-se a levantar Carlos. Começam a disparar mas percebem que não terão sucesso se tiverem de carregar o S.T.A.R.. Este chegando à mesma conclusão, empurra bruscamente as irmãs e manda-as avançar sem ele. Nenhuma delas está disposta a abandonar o colega mas não há mais nada que possam fazer senão fugir. Carlos manda-as ir, pegando na caçadeira que o acompanhou até ao momento. Um tiro segue-se após outro. Corpos vão se estendendo no chão mas o grupo é demasiado grande. Patrícia apercebe-se que o S.T.A.R. não irá sobreviver e ao olhar para trás fica reticente se deverá ou não voltar contudo o olhar reprovador da irmã leva-a a seguir em frente. Os tiros continuam a sentir-se, continuam audíveis até que surge um grito e tudo fica em silêncio. Os zombies conseguiram fazer mais uma vítima e assegurar mais uma refeição. Aquele último grito entra na cabeça das irmãs de forma tão penosa que nem se apercebem que estão novamente reduzidas a duas. O perigo está cada vez mais mortal. O cansaço torna-se cada vez maior mas não podem ceder. Ao virar da esquina estará certamente uma criatura disposta a arrancar-lhes os membros e a saboreá-los de forma intensa e não chegaram até ali para terminarem na bocas destes. Um momento de silêncio, uma troca de olhares, um abraço profundo e uma nova promessa. Estamos nisto juntas! Agora ninguém nos pode parar…
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