De volta ao Jurassic World
9 Girosfera
Notas iniciais
–É só entrar por aqui – Lane tinha aberto a passagem da grande bola de vidro.
–Você sabe pilotar isso? – Rana e Lane entraram na girosfera.
–Sim – Ela respondeu – Se não me engano há um tipo de local apropriado para a girosfera. Iremos “andar” por ele até achar um jeito de sair.
–Certo.
Lane tomou o controle do veículo e prosseguiu, entrando em um local com cercas quebradas, que deu a um local plano, cheio de grama e lindos dinossauros.
–Meu Deus! – Exclamou Rana.
Havia grandes dinossauros de pescoços longos. Outros com carapaças e clavas nela, que terminavam em uma clava em suas caudas. Alguns com clavas e quatro grandes espigões em suas caudas. A terra tremia com os grandes passos dos lagartos imensos. Alguns se locomoviam entre árvores, eram tão pequenos que só dava para perceber suas cristas achatadas. As poças d’água jogavam pingos para o alto. A paisagem era linda, até que Lane bateu em alguma coisa, e a girosfera parou repentinamente.
–O que foi isso?! – Indagou Rana.
–Batemos em alguma coisa...
Eles olharam para o chão e viram um enorme pescoço orgânico sendo decomposto, enquanto alguns lagartos bípedes de 30 centímetros fugiram do local.
–Deve ter uns seis anos – Disse Rana.
–Também tem uns arranhões ali.
–Um grande carnívoro.
–Não temos tempo para investigar.
–Tem razão, vamos.
Elas voltaram a se mexer, o vidro girando na frente de Lane lhe causava uma agonia. Mas não ligou e continuou. Rana olhou para o lado, mais uma poça de água respingando. Mas não era comum. Possuía três marcas de tubo constituindo a poça. Era na verdade uma pegada.
Os pingos continuavam, Rana seguiu o caminho tomado pelas pegadas e percebeu que entravam em uma mata fechada. Os animais ali perto saiam do local e as folhas se remexiam violentamente.
Quando percebeu, já estava na frente do local.
–Droga! Volta! – Rana tentou pegar o controle, mas Lane lutava sem entender o que estava acontecendo.
–Para com isso! – Lane, lutando, olhou para as folhas e um dinossauro de três metros de altura, com braços pequenos e a cabeça parecida com a de um T.Rex surgiu.
–Vira! – Rana desistiu e Lane mudou rapidamente a direção da girosfera para fugir do dinossauro, mas outro da espécie surgiu e colidiu com a girosfera.
–AH, DROGA! – As duas gritaram em sintonia, enquanto a girosfera ia rapidamente até o outro dinossauro que deu uma cabeçada nela e fez a mesma parar.
Lane vomitou e a substância cobriu o controle. Rana se desesperou e tomou o controle, indo para a outra direção. Mas ela deslizou a mão e um dos dinossauros atacou o veículo com a cauda.
–NÓS VAMOS MORRER!...
–ABRE A PORTA!...
–ELES VÃO NOS PEGAR!...
–PRECISAMOS SAIR DAQUI!...
–SOCORRO!...
As duas emitiam suas falas misturadas, a gritaria era imensa, os dinossauros apenas observavam enquanto cutucavam a esfera com a cauda.
Lane acabou atropelando um deles e foi em direção à área plana.
–Mais rápido! – Gritava Rana ao perceber os lagartos se aproximando.
–Não dá!
Então dois espigões atravessaram o vidro quase alcançando Rana. Um dos dinossauros o espantou, e o herbívoro, percebendo que havia dois, recuou.
Elas olharam para o lado e viram o segundo correr até eles na direção da entrada. Droga, por que ela iria parar ali justo agora? O dinossauro deu uma cabeçada tão forte que a entrada se desprendeu. Ele começou a bater a cabeça na entrada circular até que finalmente ela caiu em cima de Lane. O outro atacava a esfera violentamente com a cabeça e o rabo, até que finalmente seu aparelho eletromagnético quebrou e Rana e Lane tiveram que mudar seu campo de visão, obrigatoriamente, para cima.
As mandíbulas do lagarto entraram na atmosfera de gritos e medo, enquanto o outro esperava para realizar sua função. Lana estava com seu pé paralisado por não ter espaço para movê-lo. Então o lagarto colocou suas mandíbulas para dentro e abocanhou a perna da mesma.
–Eu vou morrer! – Lane ficou desesperada.
–Você não vai! – Rana puxou Lane, que teve um pedaço de sua pele rasgada, mas conseguiu se soltar.
Então o dinossauro recuou e empurrou o veículo, que girou e fê-las pararem de ponta cabeça, o outro tentou puxa-la e a entrada foi parar na direção dele. O réptil tentou pegar Rana, que conseguiu se livrar, mesmo sendo atrapalhada pelo cinto. Ele pegou sua sandália, que se desprendeu e serviu de atraso para o dinossauro. Ele começou a cheirar a mesma, enquanto Rana tentava se soltar do cinto, mas quando ela olhou para o lado, o réptil estava olhando para ela, e logo em seguida, deu uma rabada tão forte no veículo que o fez girar psicodelicamente. As duas começaram a gritar, até que o outro o parou bruscamente.
Eles giraram o veículo noventa graus, o que fez as duas caírem para o lado. Lane sentiu uma enorme dor em sua perna. Um dos dinossauros novamente enfiou sua cabeça lá dentro e pegou Lane pela perna. Rana tentou segura-la pelo braço, mas dessa vez o dinossauro foi violento e a arrancou quase que totalmente Lane para fora. O mesmo a soltou, e Lane tentou entrar novamente, mas o outro a pegou e puxou para fora da girosfera. Rana caiu para trás e sentiu uma leve pontada nas costas.
Os dinossauros a pegavam pelo pé e balançavam, os dois se revezavam, até que Lane finalmente ficou tonta e vomitou. Rana fechou os olhos, mas abriu levemente um deles para ver o que acontecia. Os dois estavam a pegado pelas duas extremidades – pés e mãos – Lane gritava. Eles desistiram para pegar fôlego. Então Rana pegou sua pistola tranquilizante e recarregou com um dardo, que nem sabia de quantos mm eram. Ela apontou para um deles que se preparava para pegar Lane, e atirou. O projétil branco acertou sua coxa, ele olhou para Rana e foi até ela, se inclinou um pouco para alcançar a entrada e aproximou sua cabeça para ela. Rana fechou os olhos e sentiu o vento abafado se chocar contra ela. Então a girosfera virou para baixo e fez Rana se desequilibrar. Ela apoiou seu pé no outro assento e abriu os olhos. Por sorte o sedativo fez efeito e o dinossauro caiu. O dinossauro poderia ter adormecido ou morrido de uma parada cardíaca, mas isso não importava. Ela olhou para o lado e viu o outro dinossauro examinando Lane, que estava agonizando no chão. Rana novamente recarregou a arma e atirou na cabeça do dinossauro, que caiu no chão na hora. Ela então passou por cima da cabeça do dinossauro abatido e foi até Lane.
–Obrigada – Ela tossiu sangue.
–Droga, vou ter que estampar essas hemorragias.
Rana foi até a girosfera e pegou a mochila de medicamentos, pegou uma faixa e cobriu os ferimentos de Lane.
–Consegue andar?
–Acho que sim.
Lane levantou com ajuda de Rana e começou a andar. Logo os antigos lagartos pequenos voltaram e foram até os outros dois dinossauros caídos no chão.
–Você sabe o que eram? – Perguntou Rana.
–Não tenho certeza. Não sei muito sobre os dinossauros, só era uma fã do parque. Mas acho que eram metriacantossauros.
–Foca aqui, eu vou procurar ajuda. – Rana colocou Lane encostada no vidro da girosfera, pois sabia que os dois dinossauros estavam sendo devorados pelos pequenos lagartos.
–Alguém?! Alguém está aí?! – Ela tentava obter respostas, mas só espantava os herbívoros que estavam por perto.
–Rana... – Lane falava rouca e com a voz baixa, fazendo com que Rana não a escutasse.
Ela sentiu uma dor no braço e olhou para o mesmo. Um dos lagartos a tinha mordido.
–Droga! Rana!
Ela o espantou balançando o braço, o que a fez sentir a mesma dor pelo corpo inteiro. Quando se deu conta, sua pele era rasgada por centenas de procompsognatos.
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