De volta ao Jurassic World
8 Camuflado
Notas iniciais
–Estamos caminhando há horas! Seria bom parar para descansar. – Mike estava caminhando pela floresta junto de John e Joey.
–Você venceu – Disse John se roçando em uma árvore.
–Você tem certeza que essa tal de... Rana... está viva? – Interrogou Joey.
–Pra ser sincero – Respondeu John – Não.
–Então, senhor descendente do criador disso tudo – Disse Mike – Como iremos sair desse mundo perdido?
–Vou tentar achar um mapa – Ele respondeu – Não vou conseguir me orientar aqui sem um.
–Então como você... aquela vez... você...
–Eu me oriento melhor na parte urbana. Isso é uma selva, caminharemos em círculos até acharmos um jeito de se orientar ou sermos devorados.
–Posso fazer outra pergunta?
John apenas olhou para ele.
–Como aquele bicho saiu da praça de alimentação e nos seguiu?
–Não era o mesmo – John olhou para cima – Não era nem da mesma espécie?
–Não?
–Não. Aquele que ma... pegou Jonathan era um Suchomimo jovem, o que estava na praça era um Baryonyx.
–Como sabe? Eles são quase idênticos.
–O polegar.
–Polegar?
–O Baryonyx possuiu uma enorme garra, e o Suchomimo não. Além de sua vela em formação. Além de que acho... que esses dois não são mais os únicos da espécie.
–“Mais”?
–Os raptores... Só sobrou um... Ou melhor, uma.
–Mas nós vimos aqueles lá...
–Eu não sei. Devem ter nascido em incubadores, criados por ela...
–Ela?
–Blue... E talvez, não seja só um bando.
–Um bando?
–Quantas perguntas você vai continuar fazendo?
Mike ficou em silêncio.
–Silêncio! – Murmurou Joey – Vocês ouviram isso?
As folhas e os matagais perto deles se moviam violentamente.
–Eu não quero correr mais depois de quase morrer andando – Disse Mike suando.
–Droga. Devem ser raptores... – Murmurou John.
As remexidas começaram a se locomover pelas folhas e ficarem cada vez mais perto deles. Todos sentiam que algo iria ataca-los a qualquer momento.
–Corram!!! – Gritou Joey enquanto corria e mirava sua arma para trás ao mesmo tempo.
John e Mike fizeram o mesmo, correram como se não houvesse amanhã. Joey atirava no mato sem sucesso, até que acertou o alvo e ouviu um rincho, ao mesmo tempo em que a grama verde se transformou em vermelho vivo.
John se arriscava em olhar para trás a cada dez segundo, estudando os movimentos. Então chegou a conclusão que eles não estavam caçando... e sim, fugindo.
–Pare de atirar! – Ordenou John.
–O quê?! – Joey não ouviu direito devido ao barulho dos tiros.
–Pare de ati...
Antes que John terminasse de falar, algo saltou da folhagem e abriu sua boca se aproximando de Joey, que não teve tempo de agir e aceitou sua morte fechando seus olhos.
–Mas o quê?! – Ele tinha caído, e percebeu que o que pulou nele tinha apenas 30 centímetros. Ele se levantou, pegou o lagarto que estava em seu ombro e o jogou violentamente contra a árvore.
Joey inspecionou o chão procurando sua arma, mas não a achou, reclamou silenciosamente.
John olhou para trás novamente, e viu que uma grande quantidade de folhas se moviam no mesmo lugar. Não eram vários procompsognatos, era um bem maior. Um dos pequeninos lagartos não teve sorte, e acabou sendo pego pelas bocas do predador escondido entre as folhas. Mas algo intrigou John, ele não estava apenas se cobrindo na mata alta, ele estava camuflado. John só conhecia duas espécies que tinham cromatóforos e podiam se camuflar, mas não podiam ser elas. Nenhuma delas estava no parque. Ele também percebeu que ele não se contentava em matar só um, ele matava todos comps que via pela frente, mas não comia nenhum. Acabou por eliminar umas das alternativas. Mas como? Ele pensou.
–Corre! Joey continue correndo!
Joey percebeu o monte de folhas se agitando cada vez mais perto dele, não hesitou em correr, mas quase que batia sua cabeça por não achar um caminho limpo. Algo verde surgiu entre as folhas, abriu a boca e, desajeitadamente, tentou pegá-lo. Mas não teve sucesso.
Desajeitadamente? Pensou John, isso poderia restaurar a outra alternativa. Droga, o que era aquilo?
Joey conseguiu ultrapassar os dois enquanto o dinossauro os seguia.
O lagarto quase pegou Mike, que caiu e ficou exposto as mandíbulas do feroz réptil. Ele quase o pegou quando levou um tiro. Olhou paro o lado e viu John com sua escopeta apontando para ele. O mesmo se escondeu no mato e foi até ele.
–Droga – Murmurou John.
Mike levantou-se rapidamente e continuou correndo. Olhou para o chão e viu gotas de sangue cair na grama. Ele tinha feito um corte em seu braço.
O réptil desistiu deles e sumiu em meio à mata.
–Eu não tive tempo nem de fazer o sinal da cruz – Mike caiu no chão ofegante.
–Se não se levantar logo os comps vão fazer de você uma carniça – John apoiou as costas de seu braço em uma árvore – Acho que quanto mais tempo passo com você, mais você se torna confiável.
–Praticamente é por isso que eu uso armas. — Disse Joey.
–?
–Eu era policial – Disse Joey – Nunca dei muito valor a minha vida. Minha mãe era drogada e meu pai me largou antes d’eu nascer – Ele abriu um cantil – Então, eu resolvi cuidar da vida dos outros. A minha nunca faria diferença. Decidi viver sacrificando minha vida pela dos outros. Até que um dia... fui acusado de um crime falso. – Ele tremeu de raiva e deixou o cantil cair no chão derrubando toda a água.
–Ei – Reclamou Mike – De onde vamos tirar água agora?
Joey não se deu ao trabalho de responder.
–Por quê? – Indagou John.
–Amigos de escola que ficam no fundão, aqueles que são tomados totalmente pela inveja.
–Entendo.
–Um deles virou bandido, e organizou um assassinato perfeitamente para me culpar, com todas as evidências necessárias. Tentei dizer que era inocente muitas vezes, mas não teve outro jeito. Peguei pena de cinco anos e perdi minha carteira de trabalho.
–Teve uma oportunidade?
–Exato. A BioSyn ficou sabendo dos meu três tiros.
–Hã...
–Foram três tiros que eu levei durante minha carreira. Um foi no quadril, quase fiquei paralítico. Outro no peito. E por último, na cabeça.
–Isso que é duro de matar – Mike estava espantando alguns comps com um pedaço de papel.
–Esse é meu primeiro trabalho nela. Juro que não sabia do que se tratava.
–Muitas pessoas, inclusive Muldoon, foram engados no primeiro parque. Mas aceitaram o trabalho como uma boa oportunidade. Wu que o diga, poderia ficar milionário expandindo o projeto.
–E se ele já não estiver fazendo isso? – Mike jogou o papel no chão – É impressão minha ou eles estavam me zoando?
–Estranho... – John pegou o pedaço de papel.
–O que foi? – Perguntou Joey.
–Droga! – Exclamou John – Sair daqui será mais difícil do que eu imaginei.
–Por quê? – Perguntou Mike.
–Primeiro eu preciso de um mapa e da colaboração de vocês.
–Eu não vou sair daqui sem ao menos um sobrevivente – Disse Joey, Mike apenas assentiu.
–Droga, Mike, seu braço tá sangrando horrores e você nem liga?
–É só um corte, nada de mais – Disse Mike.
–Isso pode infecionar – Disse Joey.
–Não só infeccionar, isso pode atrair o...
Eles ouviram algo se mexendo nas folhas e logo Joey – com a arma de Mike – e John miraram para o mato.
–Não me matem! — Um homem meio velho, de cabelos loiros e grisalhos implorou.
–Mais um – Joey abaixou a arma, mas John continuou apontando.
–Quem é você? – Ele perguntou.
–F-Fred – Ele estremeceu.
–Fred... — John abaixou a arma – Veio do avião?
–Sim. – Ele se acalmou – Eu estava com mais quatro pessoas, uma delas era náufraga de um navio, mas algo nos atacou. Eu preciso dar mais detalhes?
–Quantas morreram? Como você escapou? Como era o algo?
–Eu não tenho certeza, só sei que os outros dois homens morreram. O primeiro se paralisou e foi pego. O outro tentou me matar enquanto corríamos, ele me derrubou, por sorte eu não fiz nenhum movimento brusco e a criatura não percebeu. Mas ele acabou perdendo o equilíbrio e foi morto. O animal era bípede, branco tinha olhos vermelhos – pelo que eu me lembre – chifres oculares e algumas pequenas estacas no dorso.
–Você o considera... inteligente?
–Sim. Ele fez Luke se levantar de onde estava por conta própria para pegá-lo com mais facilidade.
–Ah ,meu Deus, não...
De repente, um rugido estrondoso foi ouvido enquanto a terra tremia violentamente.
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