— Parece que você andou dando trabalho – Falei ao encarar a bebê que foi deixada em meus braços.

— Não vejo a hora do Professor aparecer para levar ela. A vida era tão mais calma – Plutão resmunga.

— Admita que essa bebê proporcionou um ótimo momento – Mercúrio que parava de rir aos poucos disse ao enxugar uma lágrima.

— De fato – Plutão acompanhou Mercúrio nas risadas ao lembrar-se de Cobra.

— Preciso cobrir ela – Chamo a atenção dos dois para a bebê enrolada em uma toalha nos meus braços – Vou procurar algo no quarto.

Deixo os dois e sigo para o corredor dos quartos, ao andar tomo cuidado com o rastro de água que Cobra deixou que leva até o banheiro. Entro no meu quarto e deito a bebê na cama, ela ainda está enrolada e parece estar quase adormecendo, pois fica quietinha com os olhinhos quase fechando. Procuro pelo local alguma coisa para cobrir e me deparo com um pano fino, isso me lembra aos paninhos que meus pais enrolavam nos meus irmãozinhos.

— Este vai servir, só preciso de algo para prender.

Procurando nas coisas de Plutão encontro um grampo fino de cabelo. Volto até a bebê que ainda está quieta, ela fecha os olhos aos poucos e depois os abre com rapidez como se estivesse lutando contra o sono. Aproveito a oportunidade e visto ela, ainda bem que a pequena estava sonolenta, pois vestir ela foi mais difícil do que meus pais faziam parecer. Com ela já devidamente vestida percebo que finalmente dormiu.

— Deixar você numa cama tão grande não teria problemas certo? – Penso em voz alta, antes de sair do quarto opto por fazer um forte de travesseiros envolta dela para que não caia caso se mecha muito durante o sono.

Deixo a porta do quarto aberta para caso ela acorde, alguém possa escutar o choro. Saio do ambiente e sigo para a garagem, Inferno com uma mascara de proteção mexe nos fios de uma máquina, a todo momento faíscas são vistas quando ele encosta os fios uns nos outros.

— Esse é o transmissor? – Pergunto e ele se limita em apenas balançar a cabeça concordando – Precisa de ajuda? Quanto antes conseguirmos falar com o professor melhor.

— Tudo bem, pega a solda na terceira prateleira a esquerda do motor térmico – Dita ele sem ao menos desviar o olhar do que estava fazendo.

Faço o que me pediu e volto ao seu lado, coloco meus óculos e a inteligência artificial deles me pergunta o que pode fazer por mim, peço para me mostrar os componentes que Inferno usou na máquina para ter uma noção do que estou mexendo. Em menos de um minuto meus óculos ligam setas em todos os componentes visíveis e me detalha o material de cada um. Puxo uma cadeira e me sento ao lado oposto de Inferno, ligo a máquina de solda e enquanto ela esquenta vou tirando algumas soldas do pote para por em algumas partes que precisavam ser soldadas.

Ficamos bastante concentrados e não percebo o tempo passar, de repente pisca nos nossos óculos uma frase em código morse. A inteligência artificial automaticamente traduz para “almoço pronto”. Só então sinto minha barriga reclamar de fome, acordei tão tarde que já não tinha mais café da manhã e acabei ficando sem comer nada.

Vamos até a cozinha e como sempre Hades está a nossa espera deixando todos irritados por estarem famintos.

— Finalmente! – Cobra como sempre resmunga algo antes de começar a comer.

— Estamos trabalhando no receptor – Informa Inferno aos demais – acho que vai demorar, preciso de peças que nem existem por aqui então estou fabricando aos poucos com o que tenho.

— Isso é uma merda, espero que o Professor apareça logo! – Diz Cobra com a boca cheia de carne.

— Ué BC, aonde tá a criança? – Mercúrio me encara confuso.

— Dormiu, vocês vão ter que ficar de olho nela enquanto eu trabalho.

— Tô muito ocupada – Plutão se adianta logo antes que alguém peça para ela tomar conta da bebê.

— Idem – Cobra se apressa em dizer e Mercúrio concorda com eles.

Eu fico essa tarde com ela, não tem problema— Hades gesticula para mim e eu faço sinal de positivo.

— O bebê é menina? – Inferno fala de repente chamando nossa atenção que rimos com sua expressão confusa.

[...]

A tarde passa rapidamente, passo o dia todo trancada com Inferno na garagem, nós dois só parávamos quando encontrávamos dificuldades em alguma parte da máquina, também discutimos bastante sobre o projeto do motor da máquina que estava incompleto por falta de componentes. Ao cair da noite escutamos Mercúrio nos chamando no comunicador para jantar.

— Pode ir na frente, preciso terminar uma coisa.

— Tudo bem então, vou tomar um banho – Saio de lá me espreguiçando, sinto meus ombros pesados.

Parto para o banheiro, mas não antes sem pegar uma muda de roupas no quarto, percebo a cama arrumada e nem um sinal da bebê, Hades provavelmente está com ela. Tomo meu banho e saio de lá me deparando com Inferno no corredor, caminhamos em silêncio até a cozinha e a cena que vejo me pega de surpresa.

Cobra conversa algo com Plutão enquanto Mercúrio tentava roubar um pedaço de carne, mas é impedido por Hades que com uma colher de pau bate em sua mão. Esse tipo de cena é comum, porém o que me deixa surpresa é a bebê amarrada por um pano no colo de Hades.

— Você fez da cortina um bebê carona? – Inferno fala surpreso.

É que preciso das minhas mãos livres sempre que possível— Gesticula e eu traduzo os sinais para Inferno.

— Simplesmente genial – Comento ao sentar, Cobra já comia desesperado – Você é bom com crianças – Sorrio para Hades que estava sentado em minha frente.

Você também— Ele gesticula de volta sorrindo.

Lembro das vezes que vi meus pais cuidando dos meus irmãos mais novos e das vezes em que me fazia tomar conta deles.

— Digamos que tive oportunidade de treinar – Digo e Hades ri.

— Vocês dois sãos uns amores, mas a pergunta é – Plutão interrompe nossa conversa – Com quem ela vai dormir essa noite?

Todos nos encaramos apreensivos.