De repente um bebê
2 Capítulo 2
Eu jogo a bomba sobre a mesa de jantar – não literalmente, apenas largo o cesto com o bebê com cuidado – todos me olham confusos, Plutão surge ainda sacudindo as mãos molhadas, para olha o cesto e faz uma cara confusa.
— Que merda é isso aí? – Me questiona.
— Um bebê foi largado na porta da base – Respondo.
— Que?!
— Ta zoando né? – Cobra se aproxima para checar e seus olhos arregalam – Nem fodendo!
— Tem mesmo um bebê aí? – Mercúrio que roubava um pedaço de carne da bandeja pergunta.
— Quais as probabilidades disso acontecer? Digo, estamos na superfície de Marte a meses, não há sinal de outros humanos além de nós! — Cobra se afasta da criança e cruza os braços pensativo.
— Bem, não chegamos a explorar tudo, há probabilidades de outros humanos por aí, posso tentar fazer um calculo e... – Inferno continua falando, coloca os óculos de inteligência artificial no rosto e começa a conversar com a IA perguntando sobre probabilidades e etc.
— Você não viu nada? — Hades gesticula e eu nego com a cabeça.
— E agora? O que a gente faz? – Plutão questiona, todos me encaram.
— Por que estão olhando para mim?!
— Você achou essa coisa – Cobra responde.
— Não é uma coisa... – Faço uma careta.
— Que seja, esse treco – Olho feio para Cobra que se corrige – Esse bebê, foi largado aqui e você achou. Então, nada mais justo que você cuidar.
— Como é?
— Eu concordo com ele – Plutão levanta a mão como se aquilo fosse algum tipo de votação.
— Eu não sou a porra de uma babá! – Elevo um pouco a voz.
— Pessoal... – Mercúrio chama, mas todos ignoram
— Ninguém ta dizendo isso, é só que você achou e cai entre nós – Cobra se aproxima um pouco de mim – Nós dois sabemos que você tem mais experiências com criança do que qualquer um aqui.
— Estão jogando a responsabilidade toda nela, não é justo — Hades escreve em uma pagina do caderninho que ele guarda no bolso da calça – Não é como se a BC tivesse feito a criança, não faz sentido.
— Pessoal... – Ouço a voz de Mercúrio ao longe, ignoro novamente assim como os demais.
— Bom, você quer cuidar? Fica para você então – Cobra dá de ombros.
— Podemos parar de falar da criança como se fosse um objeto? – Olho feio para Cobra e Plutão – E vocês parem com essa merda! Isso aqui não é a porra de uma votação!
— Bem, segundo a IA as chances de haverem outros seres humanos além de nós aqui são de 4,3% — Inferno se pronuncia ainda com os olhos atentos ao que os óculos mostram – Sabiam que esse lugar também é chamado de Cemitério? Como todos que vieram para a superfície de Marte acabavam mortos e nunca voltavam então ficou conhecido como Cemitério, as pessoas tem medo daqui e... – Inferno continua falando, claramente lendo algo que os óculos lhe mostram.
— PESSOAL! – Mercúrio grita e finalmente olhamos para ele.
— Que é?! – Plutão pergunta um pouco assustada com o grito repentino.
— O bebê ta chorando – Mercúrio aponta para o cesto e finalmente percebemos.
Estávamos tão entretidos na “conversa” que não percebemos o bebê que começou a chorar. Ele chorava baixinho, porém mesmo assim parecia bastante agoniado com a situação na sala de jantar.
— O que fazemos? – Inferno pergunta desta vez os óculos está repousado em sua cabeça.
— Tem que acalmar— Hades gesticula com as mãos e todos me esperam para traduzir.
— O Hades tem razão, temos que acalmar ele – Me aproximo do cesto e com receio seguro o pequenino em meus braços.
Cabelinhos pretos, mãozinhas pequeninas, vestindo apenas uma frauda, o bebê não deve ter menos de sete meses. Ele vai se acalmando aos poucos enquanto o balanço de um lado a outro, todos me olham em silêncio e fico envergonhada pela atenção. Quando finalmente se acalma, abre os olhinhos e vejo que são castanhos claro.
— Como eu disse, você é a mais indicada.
— Cala a porra da boca Cobra – Lhe encaro com raiva.
— Vamos esperar o Professor voltar, ele é o líder afinal – Mercúrio sugere roubando mais um pedaço de carne, Hades percebe e afasta a bandeja dele.
— Se é que ele ta vivo – Plutão suspira derrotada.
— Ele ta vivo – Ignoro a platinada e me volto ao homem de mechas coloridas — Inferno, tem como rastrear o Professor ou entrar em contato?
— Na verdade, tem sim, pode demorar – Ele mexe nos bolsos do sobretudo a procura de algo – Eu ainda não finalizei o receptor que venho projetando, ele nos permitira saber de tudo o que acontece nas plataformas, até falar com pessoas de lá.
— Não vamos nos apressar com isso, quer dizer, ninguém jantou ainda. Professor sabe se cuidar, você pode fazer isso depois que comermos — Hades escreve no caderno e todos leem.
— Eu to morrendo de fome – Cobra nem ao menos senta e já começa a partir um pedaço da carne de lobo.
Plutão senta e eu fico em pé observando-os começarem a se servir. O bebê me encara confuso, minha barriga ronca. Hades puxa uma cadeira e eu me sento, ainda com o pequeno nos braços. Todos parecem ignorar o acontecido, comem e conversam normalmente, com um pouco de dificuldade por ainda estar com a criança no colo – o bebê voltava a chorar quando lhe deixava no cesto – sou a ultima a terminar de comer.
— Toda vez que você coloca o garfo na boca ele parece querer um pedaço – Mercúrio analisa.
— Deve ser fome — Hades gesticula.
— O que damos a ele? – Inferno questiona e todos ficamos em silêncio.
— Não tem mamadeira e nem nada de criança – Cobra responde.
— Ele já tem dentes? Será que consegue mastigar algo? – Plutão se aproxima mexendo na boca do bebê – Olha tem os dois de cima!
— Isso não vai ajudar a mastigar – Explico – Tem que ser algo como uma sopa.
Dito isso Hades levanta-se e vai até a geladeira tirando de lá um ensopado que fez ontem. Todos comemoram, nem parece que brigamos a pouco tempo atrás. Hades esquenta um pouco do ensopado e coloca em um prato, espero esfriar um pouco e pego um pouco da comida na colher, aproximo da boquinha e ele rapidamente come.
— O moleque come bem – Cobra se pronuncia sorrindo -De fome não morre.
— Eu estou tendo umas ideias, preciso ir pra garagem montar umas coisas – Inferno levanta-se da cadeira e vai saindo – Também vou dar um jeito no receptor para falar com o professor e... – Sua voz vai sumindo aos poucos.
— No final brigamos à toa – Chamo atenção dos presentes – Porque não só criar juntos enquanto o Professor não volta? Eu conheço as pessoas que seriam os pais perfeitos dele.
— Tudo bem, acho que podemos fazer isso – Plutão fala e todos concordam.
— Só tenho uma pergunta – Mercúrio chama nossa atenção – Onde ele vai dormir?
Todos ficam em silêncio por alguns minutos, os rapazes se entre-olham depois nos encaram.
— Acho que temos uma ideia... – Cobra sorri e eu e Plutão nos entre-olhamos confusas.
Fale com o autor