Por Julie.

Estava no avião voltando para o castelo me sentindo a conselheira amorosa do ano — aliás, quem quiser me dá um osca de melhor cupido fique a vontade viu?- quando alguém me cutucou me tirando das minhas imaginações recebendo o tal osca. Olhei e vi que era o príncipe Daniel, sim eu estava sentada ao lado dele, porque eu sem querer "acidentalmente" vi só esse lugar vago.

Sentiram a ironia?

—Sim...-Disse quando me virei e estou me esforçando para não dar aquele sorrisinho bobo/idiota que me deixa com a maior cara de retardada.

—Amanhã poderia me encontrar no jardim pela manhã?-Disse e deu aquele sorrisinho de lado que me faz derreter.

Mas eu sou forte! não sorri de volta, só assenti.

Palmas para mim! Mereço outro osca. Se eu continuar nesse rítimo daqui a pouco terei mais prêmios que muitos famosinhos por ai.

Me virei para o lado contrário dele.

—Pensei que me assistiria hoje.-Ele disse chamando minha atenção.

—Ah, tive que resolver umas coisas.

ME FAÇO DE DIFÍCIL MESMO!

—Compreendo... mas poderá ir amanhã ao jardim não é?

—Vou verificar na minha agenda.-Disse rindo e o fazendo rir também.

—Por favor arrume um horário pra mim.

—Verei o que posso fazer.-Ele riu de novo.

O resto do voo passamos calados. Não demorou muito até decolarmos, estávamos todos em silêncio e isso é um pouco estranho pra mim, sou acostumada a minha dinâmica com a Grace, sempre temos algo pra falar. Fomos para o castelo também em silêncio, até pensei em ficar com a Grace, mas a bonita está com o James e eu vou querer ficar de vela? Deus que me defenderay!

Acabei nem percebendo quando dormi e só acordei com o despertador gritando em meu ouvido. Olhei a hora e vi que era mais cedo do que normalmente costumo acordar. MAS PORQUE EU COL....

AH, príncipe Daniel.

Isso já foi uma grande motivação para eu me arrumar rápido e ir direto pro jardim. Cheguei lá e o encontrei sentado em um banco olhando para o céu que ainda nem tinha amanhecido direito.

—Bom dia.-Ele me cumprimentou assim que me viu se aproximando.

—Me dê bom dia mais tarde, ainda estou dormindo.-Disse me sentando ao lado dele que riu com meu comentário.

—Te chamei aqui porque queria ficar pertinho de você sem ninguém por perto.-Ele disse e eu ri.

—Ai meu Deus, eu deveria ter medo?-Disse ainda rindo.

—Não. Pode ficar tranquila.

—Estou começando a achar que o jardim é nosso ponto oficial de encontro.-Disse e ele riu de novo.

—É, podemos chamar assim... Julie.-Ele disse chamando minha atenção e eu o olhei.-Eu não sei quase nada sobre você...

—E?

—E, que eu queria saber um pouco mais sobre você.

—O que gostaria de saber exatamente?

—Sei lá, me conte da sua infância.

Eu ri.

—Bom, eu cresci no orfanato junto com a Grace, fomos lá que nos conhecemos. Na verdade a gente conheceu de um jeito bem legal, eu deveria ter uns três anos no máximo.

Flashback on:

Porque eu não tenho mamãe nem papai? porque eu tenho que eu tenho que ficar nesse lugar chato e feio?

—Para de brincar com a comida e vê se come, garota!

Tia chata!

Assim que ela deu as costas eu mostrei a lingua pra ela.

Tia chata!

Fiquei olhando o refeitório quando vi que estava tendo uma briga de duas meninas na mesa do lado da minha. Era a Anne -Eu não gosto dela- e uma menina que nem sei o nome, ela mal fala. Mas a Anne parecia estar brigando sozinha porque a outra garota nem estava ouvindo o ela estava dizendo.

—Porque você não fala, garota, é doente?-Ouvi a Anne gritar com a menina que continuou comendo como se ninguém estivesse falando com ela.

—Você não escuta?-A garota continuou do mesmo jeito deixando Anne muito brava.

Só vi quando Anne pegou o prato que a menina estava comendo e derramou em cima dela, sujando todo o cabelo da garota.

Isso não é certo! a menina não fez nada pra chata da Anne fazer isso!

Fui lá.

—Porque você fez isso, Anne?-Disse brava e olhei pra menina que estava quieta só tirando o macarrão que estavam presos no cabelo dela e colocando no prato.

—Quem te chamou?

Nem respondi, só peguei outro prato de macarrão que ainda não tinha dono e taquei na cabeça da Anne também.

—O que você fez?!!!!-Disse doida.

—Se você pode fazer isso com ela eu também posso fazer isso com você.-Disse cruzando os braços.

—Vocês me pagam.-Disse saindo e eu fui até a garota que ainda estava tirando macarrão do cabelo dela.

—Oi.-Disse sentando do lado dela e a ajudando a tirar os últimos fios de macarrão que tinha no cabelo dela.

—Oi.-Ela disse.-Obrigada.

Sorri.

—De nada. Acho que não vai dar mais pra você comer sua comida, está cheia de cabelo.-Disse rindo e indo pegar meu prato na mesa do lado.-Mas eu posso dividir o meu com você.

Ela sorriu.

—Obrigada.

—Eu sou Julie.

—Grace.

Flashback off

—Você jogou mesmo o prato de macarrão na cabeça da garota?-Perguntou Daniel rindo e eu assenti.

—Sim, a Grace não tinha feito nada, eu não podia deixar aquilo impuni.

—E a garota deixou a Grace em paz?

—O que?-Dei risada.-Ela começou a encher o nosso saco mais ainda, mais da Grace do que do meu. Nós eramos tipo arquinimigas sabe? mas se não fosse ela eu não teria conhecido a Grace.

—Vocês se tornaram amigas des desse dia?

Assenti.

—Nunca mais nos separamos.

—Me conta mais, estou gostando de ouvir.

—Se você der corda eu não paro mais hem.-Disse e ele riu.-Teve uma vez que eu queria matar aula, mas a Grace toda certinha tentou me fazer mudar de ideia, a gente se deu mal.

Flashback on:

—Fala sério, você não cansa de ver aqueles professores chats falando e falando o tempo todo?-Perguntei indignada.

—Não.-Ela disse calma.

—Ah qual é? você não tem vontade de saber o que acontece a essa hora por fora desses muros?-Perguntei tentando entusiasma-lá.

—Julie, são 7 horas da manhã, o máximo que pode acontecer de inusitado é vermos pessoas irem comprar pão!

—Ah, para! você nunca sonhou em se aventurar? ir além dos limites? fazer o que não nos é permitido nessa idade?

—Julie, nós temos 11 anos, como vamos nos aventurar? ir além de que limite? o máximo que conseguimos ir é até a esquina, porque nem ônibus a gente pode pegar porque não temos 1 centavo no bolso. Agora para de graça e vamos pra sala que a professora já deve ter chegado.

—Se você não vem comigo eu vou sozinha!-Disse determinada e Grace suspirou.

—E como, só por curiosidade, você pretende sair, porque se você não lembra já estamos dentro da escola.

—Eu conheço um caminho.-Disse sorrindo.

Grace respirou fundo.

—Eu vou me arrepender disso... vamos logo antes que eu mude de ideia.

Sorri e dei uns pulinhos de alegria e a puxei pelo braço pelos corredores menos movimentados.

Assim que ela viu que estávamos em frente a um muro ela riu nervosa.

—Você está de brincadeira comigo. Eu não vou pular esse muro não! já estou me vendo morta do outro lado.

—Para de drama! vai ser fácil, tá legal? pense nas histórias que teremos pra contar.-Ela riu nervosa de novo.-Vai ser fácil, eu te dou o impulso e quando você chegar lá em cima me dá sua mãe pra me ajudar a sumir e pulamos juntas, entendeu? fácil!

E assim fizemos, mas quando pulamos pro outro lado começamos a ouvir latidos de cachorro.

—Nossa, esse cachorro do vizinho late alto não é?-Perguntei me virando e me assustando com o que via.

—Não é o cachorro do vizinho....-Disse Grace se virando também e olhando assustada junto comigo pro cachorro que rosnava pra nós.

—Calma, Totó! amigas. manso!-Disse mas o cachorro rosnava ainda mais.

—Julie o que a gente faz agora? não tem saída. Eu disse que isso era má ideia.

—Isso não é hora de dar sermão, Grace.

— A gente vai morrer!

—Pensa pelo lado positivo, pelo menos a gente vai morrer juntas.

—CORREEEEEEEEEEEEEEEE.-Gritou Grace quando o cachorro parou de rosnar e começou a correr em nossa direção.

Flashback off.

Daniel até virava pra trás de tanto rir.

—E o que aconteceu?-Ele perguntou.

—A gente gritou tão alto que o inspetor ouviu e veio correndo ver e abriu uma porta que tinha lá deixando o cachorro de fora.

—E o que aconteceu com vocês?

—Uma semana de suspensão e no orfanato tivemos que limpar os banheiros por 1 mês pra " aprendermos a lição".

Daniel riu.

—E aprenderam?

—Não.-Comecei a rir também.- Podemos dizer que nós limpávamos mais os banheiros do que a própria moça da limpeza.

—MEU DEUS.-E ele riu ainda mais.

—Teve uma vez também que a gente tentou fugir do orfanato.

—E vocês iam pra onde?

—Nosso primeiro plano era ser artistas de circo, se não desse certo nós iriamos viver fazendo mimica nas ruas.

—Vocês são boas com mimicas então?

—Não.-E nós rimos ainda mais.-Graças a Deus a gente nem conseguiu passar da porta, Grace esbarrou em uma estátua que tinha lá e nos pegaram antes de passarmos pelo refeitório.

—Com licença senhorita, Alteza!-Disse uma funcionaria fazendo uma reverência rápida pra Daniel.

—A princesa Grace solicita sua presença em seus aposentos.

—Obrigada, já estou indo.-Disse e ela foi embora.

—Como você veio morar aqui no castelo também?-Ele perguntou.

—Como acaba de testemunhar, Grace não vive sem mim.-Disse e ele riu mais um pouco.

—Muito modesta!

—É sério.

—Isso não te cansa?

—O que?-Perguntei confusa.

—De sempre ter que defender ela, ajudar, essas coisas.... não te cansa?

—Grace é minha família, o mesmo tanto que eu faço por ela ela faz por mim, é isso que a gente faz, nós ajudamos uma a outra, seja pra jogar pratos de macarrão na Anne, correr de cachorros, ser pegas fugindo do orfanato ou até mesmo no cargo de princesa nós estaremos sempre juntas. Até o fim.

Ele sorriu.

—Isso é lindo e raro de se ver.

—Deixa eu ir que o dever me chama.-Disse me levantando e indo em direção ao quarto de Grace.

—Socorooooo que eu não sei o que faço com esse cabelo.-Ouvi ela dizer assim que abri a porta.

—Não acredito que você me tirou de uma conversa maravilhosa com um príncipe maravilhoso pra te ajudar com seu cabelo.-Disse rindo.

—Desculpa eu na...VOCÊ ESTAVA COM O DANIEL? CONTA TUDOOOOO.

—Não tem o que contar.

—Claro que tem! ora essa!

—Ele só queria saber um pouco da minha infância.

—Hmmmmm, todo interessadinho.

—Dá pra você parar se não vou começar a te zuar com o James!-A provoquei arrumando o cabelo dela.

—Não está mais aqui quem falou.

Terminei de arrumar o cabelo dela e saímos do quarto.

—Poxa, Grace, esqueci de pegar uma coisa lá no meu quarto.-Disse me virando, mas quando me virei vi uma cena que me deixou chocada.-Grace, em circunstância alguma se vire.

—Porque eu não posso me virar?-Ela perguntou se virando.

EU DISSE PRA NÃO VIRAR.

Ela estava paralisada enquanto eu estava chocada ao ver James e Molly se beijando.

EU PEGO ESSE CARA E CORTO ELE EM PEDACINHOS MINÚSCULOS.

—Vamos, Julie, não queremos atrapalhar ninguém.-Disse Grace um pouco alto e me puxado pelo braço para a direção oposta que eles estavam.

—Grace, para.-Disse tentando chamar a atenção dela.-Grace, não sei se você está percebendo, mas está andando muito rápido, vai acabar tropeçando.-Disse tentando fazer alguma piada pra diminuir a tenção, apesar de querer voltar lá e estrangular o James por ter partido o coração da minha amiga.-Grace! — tentei chamar a atenção dela de novo, mas foi em vão pois ela parecia ouvir somente seus pensamentos.

—Grace? porque está com essa carinha de triste?- Oliver perguntou quando Grace meio que esbarrou nele.

—Nada.-Disse seca.

—Claro que é alguma coisa, querida. Me conte.-Disse acariciando a bochecha dela.-Julie, pegue uma água pra Grace, ela não parece estar muito bem.

E DEIXAR ELA SOZINHA COM VOCÊ?

Já ia retrucar quando Grace assentiu e sussurrou um "tudo bem" e contra a minha vontade fui embora deixando Oliver e Grace sozinhos.