Por Grace.

Acordei com alguém batendo na porta.

—Entre. -E continuei deitada, confortável, bem debaixo da minha coberta.

A pessoa se aproximou.

—Bom dia.- Era James.-Sabe que dia é hoje?.

— O dia que você poderia me deixar dormir por mais 5 minutos?-Perguntei enfiando minha cara no travesseiro.

—Sem drama,Grace.-Gargalhou.

—Só gostaria de saber porque desse bom humor logo de manhã.-Disse finalmente o olhando.

—Ah, qual é? Você sempre está de bom humor de manhã.

—Não hoje.-Disse seria.

—Mas logo hoje? O dia da sua coroação?-Ele perguntou incrédulo.

Eu o olhei.

—Ah, entendi. Sophia.-Eu assenti.- Olha, nao deve se preocupar com ela, logo ela vai perceber que está vendo chifre na cabeça de cavalo.

Eu fiz uma careta.

—Não seja ridículo! Chifre na cabeça e cavalo? Quem fala isso?-Perguntei rindo.

—Minha mãe, ora.

—Mas como ela vai perceber isso se aquele inseto parece que está me perceguindo? É provável que ele esteja ouvindo nossa conversa nesse exato momento!-Ele gargalhou.-Verifique de baixo da cama.-Disse e também ri.

—Deboches a parte. Hoje você terá um dia longo e a noite uma comemoração explendida-Disse indo em direção a porta.

—James.-O chamei antes que ele saísse.

—Você estará lá não é?

—Acha mesmo que eu perderia você caindo do salto na frente daquela gente toda?-Perguntou rindo e eu o joguei um travesseiro mas ele saiu e fechou a porta antes que o atingisse.

Merda.

Tomei meu banho e vesti um vestido confortável. Assim que sai do meu quarto logo esbarrei em Julie que estava passando em frente ao meu quarto indo direção às escadas.

—Belo modo de dizer bom dia.-Disse ela esfregando o queixo que havia batido na minha testa.

—Desculpa, Julie.

—Ja soube que tem um Príncipe esperando por você no Jardim?.-Disse sinica.

—Esse cara nao dorme nao?-Ela deu de ombros.-Então que ele aproveite e crie raiz lá.

Ela deu uma risadinha.

—Que maldade, Grace.

—Maldade é o que ele fez a Sophia pensar. Ela nem quer falar comigo! Por culpa daquele traste!

—Boba é ela que não vê que você só tem olhos pro James.

— O que?-Perguntei indignada.

Ela está enlouquecendo, só pode. Como assim só olhos pro James? Nem do James eu gosto.

—Grace, Grace. Eu te conheço desde sempre. E a unica vez que vi você olhar pra alguem do jeito que você olha pro James foi pro... como era mesmo o nome daquele menino bonitinho que você gostava? ... Ah, León.

Léon,era um amigo nosso que estudava na mesma sala que nós e depois de alguns anos juntos eu acabei criando um sentimentozinho por ele. Que infelizmente nunca foi correspondido,ele só tinha olhos pra Bruna, uma menina que só de ouvir a voz ja me irritava.

—Me poupe!

—Me poupe você desse papinho.

—Julie!

—Ah, Grace, eu estou aqui pra falar a verdade. E você está caidinha pelo James. Não te culpo, ele é um partidao.

—Julie!

—Até ficou vermelha.-E caiu na gargalhada.

—Não seja ridícula. Nós só somos amigos, ele é meu guarda, passamos quase o dia todo juntos. Você queria o que? Que vivêssemos brigando.

—Vou fingir que acredito só porque ainda tenho que resolver alguns detalhes para essa noite.-Eu assenti um pouco aliviada. Não tinha quem a fizesse parar quando ela cisma com algo.-Ansiosa pro discurso?

Começamos a andar em direção às escadas.

—O que? Nunca nem vi. Um discurso que vai marcar minha vida, com quase 500 pessoas presentes me ouvindo, fora a impressa que vai transmitir ao vivo?! Não vejo motivos pra estar nervosa.

—Entendi. Apavorada te descreve mais.E a valsa?

— Que que tem a valsa?

— A que o noivo, ex noivo, sei la! Da Sophia pediu que dançasse com ele. A mesma valsa que vai ser logo após o seu discurso.

—Ah,essa valsa! Então... eu não vou dançar com ele não. Seria outro motivo pra alimentar a imaginação da minha irmã.

—Isso eu sei, tonta. Só queria saber quem vai dançar com você.

Pensei um pouco.

—Talvez eu chame você.-Disse rindo.

—Desculpe, alteza, mas estarei lá apenas pela comida.-Não pude não rir.

Continuamos conversando baboseiras até que encontramos Molly em um dos corredores do Castelo.

—Bom dia.-A cumprimentei.

—Veremos até que horas ficará bom.-Disse passando por nós.

—Sai de ré, satanás.-Disse Julie.

Molly parou e a encarou, mas Julie não baixou o olhar, ficou a encarando.

—Se eu fosse você ficava esperta pra não cair também.-Disse Molly sinica.

—Essa garota não tem noção que eu posso arrancar os cabelos dela com uma mão só?.-Disse Julie olhando pra mim.

—Querida, eu tenho classe. Não dou ousadia a barraqueira, favelada igual você.-E saiu nos deixando sozinhas no corredor.

—Algum dia ainda faço essa baranga engolir asfalto!-Disse Julie estressada.

A acalmei e fomos fazer nossas tarefas.

....

Meu vestido estava deslumbrante, esse salto está me incomodando, confesso! Mas isso não tira a minha animação,não por virar um princesa, mas por ter encontrado meus pai, saber que eles não me abandonaram e que me amam, esse sim era o motivo da minha animação.

Desci as escadas ao som de um piano de fundo. Coisa de filme! Todos ja estavam la no grande salão, todos os olhares direcionados a mim enquanto eu descia as escadas. Me permiti apenas sorrir. Quando acabaram os degraus muitas pessoas vinheram me cumprimentar. Era estranho ter todas as atenções voltada para mim. Depois de falar com inúmeras pessoas, todas da realeza, conhecidos dos meus pais, aliados do Reino,finalmente pude me sentar em uma das cadeiras que havia em uma das mesas que tinham em uma parte do grande salão.

Não sei quanto tempo fiquei ali sentada até que Sophia sentou ao meu lado.

—Grace.-Ela disse meu nome de um jeito não elegante que estranhei meu próprio nome.

—Sim...-E a olhei.

—Me pede desculpas.-Ela disse e eu a olhe confusa.

—Creio que não sou eu que devo um pedido de desculpa.

—Facilita vai?.

—Eu não fiz nada, ora. Você que ficou com chateado comigo sem motivo.

—Claro que havia motivos.

—Sim, motivo de você ficar chateada com ele, mas comigo? Sophia francamente!- Acabei elevando minha voz atraindo alguns olhares.-Desculpem-me.- E eles voltaram ao que quer que estavam fazendo.

—Eu sei...-Ela baixou a cabeça.

Meu pai começou a falar lá em frente a todos.

—Depois a gente conversa.-Eu disse e ela assentiu.

Com toda formalidade meu pai falou sobre estar orgulhoso em nomear a mim como princesa e fez sinal para que eu disse até ele. Quando cheguei lá me ajoelhei e meu pai falou por mais um tempo. Pedi mentalmente que o discurso acabasse logo pois meus joelhos ja estavam doendo. Depois de um longo discurso e algumas regalias ele colocou a coroa em minha cabeça e sorri por poder finalmente me levantar. Ao som de palmas meu pai me deu a oportunidade para o meu discurso.

—Gostaria de primeiramente agradecer a presença de todos aqui presentes. Obrigada mesmo por estarem aqui desfrutando dessa comemoração juntamente comigo e minha família. Quero também dizer que é com muita alegria que estou aqui, não aqui como princesa. Mas aqui como filha que encontrou seus pais. Porque o real motivo da minha alegria não é que me tornei princesa, claro que agora que tenho esse cargo farei o possível é darei o meu melhor para cumprir com êxito essa chamada. Mas me tornar princesa não estava nos meus planos, e o real motivo da minha alegria é que tenho país que me amam, amigos que posso confiar e acima de tudo pessoas que estão dispostas a me ajudar a melhorar. Porque desculpem decepcionar mas eu não sou perfeita, me tornei princesa mas ainda acordo com cabelo bagunçado e tem dias que ele não colabora comigo.-Algumas mulheres riram. -Me tornei princesa mas ainda tenho dias de azar, tem dias que não quero sair da cama, que por sinal é muito confortável.-Alguns riram de novo.-Ainda fico indecisa sobre qual roupa usar e tem dias que parece que nada fica bom. O que quero dizer é que mesmo com o título o que me difere das outras garotas? Então que não seja só a princesa Grace, seremos todas princesas. Inclusive, estes saltos estão me matando.-Pude ver Sophia negar com a cabeça e rindo.- Então, em nome de todas as garotas que acordam de cabelo bagunçado, não conseguem de decidir sobre a roupa, problemas com alto estima assim como eu, é por vocês garotas que aceito essa honra de representa-las. Seremos todas princesas.-Disse por fim a todos aplaudiram. Esperei as palmas cessarem, agora eu deveria anunciar o "sortudo" que dançarua a valsa comigo.- Como eu disse, esses saltos estão me matando, então para essa banda chamarei o único ser que dançaria comigo descalça.-Pude ouvir algumas risadas enquanto eu tirava o salto.-James, sua vez de brilhar, querido.

Pude ver a cara de surpresa dele, mas veio até mim para dançar prontamente. A música começou.

—Eu sabia que você ia aprontar alguma.-Ele disse rindo.

—Aquele salto estava realmente me matando.-Ele riu mais um pouco e dessa vez o acompanhei.

Por um tempo ficamos só dançando a olhando um para o outro, aproveitando o momento e sorrindo algumas vezes.

—Obrigada pelos 5 minutos de fama.-Ele disse sinico e ainda rindo quando a dança acabou.

—Eu sei que gostou.- E começou a tocar uma música mais agitada e ficamos ali só aproveitando o momento.