De repente irmão

22 O pedido de Sasuke


Notas iniciais
Prontos para uma treta? Heheh não é uma treta muito tretosa, mas terá ;) Prontos para o capítulo? Boa leitura.

Nem acredito que agora eu posso participar da gincana, nem acredito !

Por falar em gincana, hoje é o dia da gincana, estou ansioso.

Todos os alunos, do sexto ano do fundamental até a terceira série do médio, foram para a quadra de esportes da escola. Cada turma colocou uma fita de uma cor amarrada no pulso para diferenciar as equipes.

Pensei que seria algo injusto, como provas de agilidade, onde os alunos mais velhos com certeza seriam privilegiados, mas não, todas as equipes terão as mesmas chances.

A primeira prova era relacionada a música. Sim, música. A coordenadora pegou um saco preto com alguns papéis dobrados dentro, então ela pegava um papel e lia o que estava escrito em voz alta. A equipe que primeiro conseguisse pensar numa música que tivesse em sua letra a palavra sorteada ganhava um ponto.

Claro, cada turma tinha um representante e o nosso era o Naruto. Os alunos ficavam todos juntos quando a coordenadora dava a palavra, então, se Naruto não soubesse alguma música com a palavra que foi sorteada, alguém cantava o trecho de alguma outra para ele, então ele, que foi escolhido pra representar a turma por ser uma pessoa ativa e desinibida, tinha que correr até a coordenadora e cantar o trecho da música no microfone.

É óbvio que não foram escolhidas palavras bobas que são encontradas em qualquer letra de música. Eram palavras realmente difíceis e nessa prova conseguimos acumular bastante pontos.

Depois dessa prova veio a prova das bugigangas. Como assim ? Bem, eu explico.

A coordenadora dava desafios para conseguirmos algumas bugigangas que algumas pessoas carregam na mochila e outras não. Como lixa de unha, pen drive, presilha de cabelo, esmalte, algum chaveiro com formato específico... Aí, quem tivesse, teria que correr e trazer primeiro.

A terceira e última prova, e que valia mais pontos, era de perguntas e respostas. Só que, para não ser uma coisa injusta, as perguntas eram referentes ao que cada turma está estudando.

– Nós vamos apurar os pontos — A coordenadora da escola falou no microfone após terminarem as provas.

Ela, juntamente com alguns professores do ensino fundamental e médio, olharam algumas anotações num papel.

– Sasuke, é agora ! — Naruto falou ansioso, esfregando uma mão na outra com grande expectativa.

– Acha que temos chance ? — Questionei confuso.

– Sem dúvidas ! — Respondeu convicto — Trabalhamos em equipe pra conseguir ganhar o máximo de pontos possível. Com certeza temos chance.

– A equipe vencedora é... — A coordenadora falou, deixando todos ainda mais ansiosos — A equipe azul.

É a nossa !

Arregalei os olhos e olhei para o pessoal da minha turma que pulava freneticamente.

Ganhamos a gincana, dá pra acreditar ?

É claro que não fiquei pulando feito um retardado que nem o povo da minha sala, mas não significa que eu não tenha ficado feliz.

– Sasuke, ganhamos ! — Naruto me abraçou enquanto pulava e eu desejei que ele morresse.

Poxa vida, a pessoa tá toda molhada de suor e vem me abraçar... Que nojo !

– Sim, já sei que ganhamos — Falei meio irritado, me desprendendo dele.

– Parabéns a turma vencedora e a todas as outras pelo empenho — A voz da coordenadora foi um tanto quanto ignorada pelos alunos que comemoravam a vitória.

Ainda nem consigo acreditar.

[...]

Saí da aula um pouco mais cedo, Sasuke ainda não estava me esperando aqui na UFK, então peguei o carro e fui até a escola dele. O encontrei saindo de lá, então dei uma buzinada para ele perceber que já estou aqui.

– Bora ? — Chamei após abaixar o vidro da janela do carro quando Sasuke olhou.

O garoto assentiu e correu até meu carro, abriu a porta do banco do carona, entrou e afivelou o cinto.

– Adivinha ! — Falou empolgado enquanto colocava a mochila no chão do carro.

– Você deixou de ser um pé no saco ?

– Não ! — Revirou os olhos — Espera ! Eu não sou um pé no saco — Cruzou os braços em frente ao corpo e inflou as bochechas, fazendo-me rir.

– Tô brincando, moleque — Dei partida no carro para podermos ir pra casa — O que aconteceu ?

– Itachi, nossa turma ganhou ! — Sua empolgação era tanta que eu até me espantei. Quem é esse moleque e o que fez com o Sasuke que eu conheço ? — Vamos pro parque aquático no feriado da semana que vem e vamos ficar hospedados num hotel fazenda !

– No feriado ? — Indaguei confuso — Não seria a semana toda ?

– É, mas o feriado é na quinta, então vai emendar com a sexta. Os outros alunos vão ter só três dias de aula, enquanto que a minha turma vai ser dispensada.

– Que bom, hein — Uma semana de sossego sem criança em casa ! Izumi e eu vamos poder fazer sexo até na cozinha se quisermos — É bom você já ir arrumando as suas coisas pra não esquecer de nada. Se precisar que eu compre algo, é só anotar.

– Acho que meu sabonete tá acabando — Falou pensativo. Espero que esse moleque não seja alérgico a cloro, ou então ele vai estar ferrado lá — Não sei por que não fazem esse negócio nas férias.

– Sasuke, Konoha não é Suna — Expliquei — Em julho é muito frio, não tem condições de alguém ir pra um parque aquático.

– Odeio frio — Bufou.

– Por falar nisso, leve roupa de frio pra viagem — Alertei — Já fui pra esse lugar onde vocês vão e fiquei justamente num hotel fazenda lá. Costuma fazer bastante frio à noite.

– As que eu tenho aqui devem dar — Deu de ombros.

Roupa de frio ? Desde quando o Sasuke tem roupa de frio aqui ?

Sim, ele tem algumas camisas de manga comprida e calças de moleton, mas aquilo não esquenta porra nenhuma no frio que costuma fazer por aqui.

Esse garoto nunca pegou um frio de verdade.

– Sasuke, as que você tem não servem — Falei — Tem que ser agasalhos mais quentes.

– Ora essa, eu não tenho.

Putz, é verdade, o clima em Suna é bem diferente e com certeza Sasuke não precisava de roupas de frio lá. Mas aqui vai precisar bastante quando o inverno chegar.

Já vi que ele vai sofrer muito com a queda de temperatura, uma vez que não está acostumado com isso.

Do jeito que ele é bichado, já vou me preparar psicologicamente pra correr com ele pro hospital.

– Então temos que comprar algumas roupas pra você.

– Não precisa.

– É óbvio que precisa — Retruquei — Sasuke, o inverno tá batendo na porta e você vai precisar de roupas bem quentes.

Ele não respondeu nada, só escorou a cabeça no vidro da janela.

O jeito vai ser ir hoje com ele até o Shopping mais próximo para comprarmos algumas roupas. Agora que o frio tá chegando as lojas já começam a expor as roupas de inverno.

Após o almoço, liguei para Izumi e ela disse que está livre e que pode ir conosco até o Shopping. Isso é ótimo, já que homens não têm espírito de compras, consequentemente, Sasuke e eu num Shopping não daria muito certo... É bom a Izumi ir também.

À tarde, mais especificamente às 15:00, Sasuke e eu saímos de casa e então eu fui até a casa da minha namorada para buscá-la.

Escolhemos as roupas rapidamente, afinal, homem não tem frescura pra escolher roupa e muitas vezes escolhemos só no olhômetro, sem nem experimentar. Sempre funciona.

É claro que a Izumi praticamente pediu pro Sasuke desfilar pra ela e deu sua opinião sobre cor, estilo e várias outras frescuras. Sem contar que ela faz pior comigo, que sou namorado... Ah, mulheres...

Entramos em apenas cinco lojas, o que é muito para um homem, mas que não é nada para uma mulher. Como estamos em dois homens e uma mulher, então o negócio foi bem equilibrado.

Comprei bastante coisa para o Sasuke, afinal, ele não tem uma única roupa para enfrentar o frio que virá, sem falar que semana que vem viaja pra um lugar que costuma fazer bastante frio à noite, então ele vai precisar de bastante roupa.

Isso sem falar que ele está em fase de crescimento, ou seja, acaba perdendo muitas roupas porque elas vão ficando pequenas ou apertadas, então aproveitei pra já comprar um bocado de roupas novas pra ele e ficar um bom tempo sem precisar vir ao Shopping novamente.

Sou um gênio.

Decidimos ir ao cinema, pois tem vários filmes muito legais passando. Pra não precisarmos ficar carregando sacolas e mais sacolas, deixei tudo dentro do carro e então seguimos para o cinema.

Sasuke adorou o programa, ele está realmente feliz e empolgado por causa da viagem.

Nem parece mais a mesma pessoa e não parou de tagarelar quando saímos do cinema.

– Nossa, o filme foi muito legal — Falou contente — Izumi, eu já te falei que vou viajar com a minha turma ?

– Já sim — Respondeu minha namorada — Acho que essa é a quinta vez.

– Pois é — Sasuke sorriu meio sem graça, mas depois voltou para a sua empolgação inicial — Eu já vi fotos daquele parque aquático pela Internet, parece ser muito legal.

– Com certeza você vai adorar, Sasuke -Disse Izumi.

– Acho que ele não vai nem conseguir dormir de noite até o dia da viagem — Falei em tom de brincadeira e os dois riram.

Esse garoto nem parece mais o Sasuke que eu conheci. Ele era todo sério e calado, sem falar que parecia sempre de mal com a vida.

Agora ele está diferente, está mais feliz, alegre e bem falante.

Parando pra pensar, não acho que o Sasuke esteja mudando, acho que ele está voltando a ser o que era antes da mamãe morrer... Feliz.

É até estranho vê-lo empolgado e tagarela, mas crianças são sempre crianças.

– Olha só, quem é vivo sempre aparece — Uma voz masculina e bastante conhecida nos chamou a atenção.

Encontramos por acaso com meu tio, Madara, quando estávamos indo para a praça de alimentação.

– Tio Madara ?! — Falei surpreso e o Sasuke logo perdeu o sorriso que tinha no rosto.

Os membros da família Uchiha sempre foram muito ambiciosos e não muito amigáveis.

– E esse garoto ? — Questionou com falsa simpatia e Sasuke segurou no meu braço, como se aquilo fosse alguma forma de defesa.

– É meu irmão — Respondi.

– Seu irmão ? — Sorriu com deboche e olhou para Sasuke — Ouvi a história. A família já sabe do bastardinho, mas... — Madara se aproximou mais do Sasuke, olhando-o como se quisesse analisar seu rosto — Não vejo nada do Fugaku nele — O homem olhou pra mim com a cara mais cínica do mundo — Que esse garoto é filho da Mikoto, disso eu não tenho dúvidas, mas quem garante que ele é filho do Fugaku ?

– Eu garanto — Falei firme.

– Itachi, sejamos racionais. Eu compreendo que você tenha aceitado cuidar do garoto que não tinha mais ninguém, afinal, ele é seu irmão... Ou meio irmão, isso não importa. Mas aquela vagabunda da sua mãe pode ter feito ele com qualquer um...

– Não fala assim da minha mãe ! — Sasuke interrompeu o tio Madara, falando com raiva.

– Quando adultos estão conversando, criança não se mete — Madara olhou com ódio para Sasuke, mas ele não abaixou a cabeça e nem perdeu seu olhar desafiador — A sua mãe não te deu educação e nem te ensinou a ter respeito pelos mais velhos ?

– Eu não dou respeito a quem não merece — Rebateu, com a petulância típica de um verdadeiro Uchiha — Não abre a boca pra falar da minha mãe novamente.

– A sua mãe era uma vagabunda e você pode ser filho de qualquer um, seu bastardo ! — Madara falou com deboche, pareceu sentir prazer ao ver Sasuke fervendo de raiva.

O garoto apertou meu braço, com certeza com raiva por estar ouvindo aquilo e não poder fazer nada.

– Já chega — Interrompi a discussão dos dois — Tio, não se esqueça de que é da minha mãe que o senhor está falando. Respeite pelo menos a memória dela.

– Itachi, você sabe que esse garoto pode não ser filho do seu pai — Ele falou sério dessa vez, sem deboche ou sarcasmo — Não estou criticando o fato de você tê-lo na sua casa e de dele depender de você, até porque ele é filho da sua mãe, então é seu irmão. Mas eu já sei dos detalhes e sei que ele carrega nosso sobrenome, assim como o nome do Fugaku na certidão de nascimento. Consequentemente esse garoto tem direito a metade de tudo o que seu pai deixou pra você.

– Eu não quero nada — Sasuke se manifestou novamente — Não tô interessado em herança alguma.

– Ah, mas daqui pra quando você for maior de idade e puder colocar as mãos em tudo que lhe é de direito, garoto, as coisas mudam e a ambição fala alto.

– Tio, por favor...

– Itachi — Ele me interrompeu — Ele diz isso agora, mas com certeza no futuro vai querer colocar as mãos na herança, isso porque seu pai o registrou como filho, então ele tem direito. Só que eu duvido muito que seu irmãozinho seja filho do Fugaku, esse moleque vai colocar as mãos numa fortuna sem ter direito a nada. Ele não é um Uchiha.

– Eu não tenho dúvidas — Falei convicto — Sasuke é meu irmão de sangue e é um de nós. Meu pai queria a minha mãe longe, mas acho que ele não registraria um filho sem ter total certeza de que era mesmo dele — Afirmei — E também, nós não precisamos provar nada. O senhor e o resto dos Uchiha que também pensam assim, vocês que se explodam ! Meu pai o registrou e a desconfiança de vocês não vai mudar isso.

– Eu bem que avisei... Eu falei pro Fugaku não se casar com aquela moleca, mas ele não me escutou, veja só no que deu — O homem balançou a cabeça em sinal negativo — Agora, metade de tudo que ele conquistou vai para as mãos de um moleque que sequer é filho dele, que com certeza é fruto de alguma traição.

– A minha mãe não traía o Fugaku — Sasuke falou com um pouco de mágoa no tom de voz, como se estivesse se segurando pra não chorar. Com certeza essa conversa não está fazendo bem pra cabecinha dele — Ela não era assim. Minha mãe não era uma mentirosa.

– Quanta inocência ! — Madara riu com deboche — Fugaku e Mikoto, por muito tempo, foram marido e mulher só de nome, só de fachada. Eles sequer dormiam juntos. Então diga, como a Mikoto, depois de ir embora, descobriu que estava grávida do Fugaku ? — Ele olhou para Sasuke que já fervia de raiva — Você sabe que não foi trazido pela cegonha, não é, garotinho ?

Obviamente que a minha mãe foi embora no início da gravidez, por isso descobriu pouco tempo após ter partido. Realmente meus pais não eram mais marido e mulher e não dormiam mais no mesmo quarto, apenas residiam na mesma casa e brigavam muito. Por muitas noites minha mãe dormia junto comigo no meu quarto.

Só que é claro que os dois tiveram uma recaída e fizeram coisinhas, afinal de contas, o Sasuke está aqui.

Eu tenho certeza absoluta de que meu pai não registraria o Sasuke se não tivesse total certeza dessa paternidade. Não sei exatamente o que houve entre ele e a mamãe na época, que tipo de acordo ridículo foi esse, mas não tenho dúvidas de que o Sasuke é filho do meu pai.

– Chega dessa conversa — Falei ríspido e Madara se mostrou indiferente.

– Tudo bem então — Ele sorriu de canto e fitou meu irmão com um olhar de superioridade, como se dissesse "Você nunca será um Uchiha", como se sentisse prazer ao ver uma criança abalada desse jeito — Pensa no que eu falei, Itachi.

Dito isso, Madara seguiu o seu caminho, nos deixando livres de sua presença desagradável.

Sasuke soltou o meu braço, estava nitidamente triste e deixou as lágrimas rolarem pelo seu rosto.

– Sasuke, não chora — Izumi finalmente se manifestou, falando toda preocupada com meu irmãozinho.

– Sasuke, olha pra mim — Segurei em seu rosto cabisbaixo e o levantei, fazendo-o olhar em meus olhos — Esquece o que aquele louco falou, ok ?!

– Como, Itachi ? — Suspirou após falar com a voz trêmula por causa do choro — Como é que dá pra esquecer aquilo ?

– Você é um Uchiha, não tenha dúvidas disso — Falei.

– Tô pouco me importando pra isso ! — Exclamou com um pouco de irritação na voz — Você não ouviu o que ele falou da minha mãe ? Da nossa mãe...

Sasuke ficou abalado, não há dúvidas. As palavras de Madara foram cruéis, aquilo não é coisa que se diga na frente de uma criança.

Puxei o garoto para um abraço e ele retribuiu, ainda chorando muito. Olhei par a Izumi como se perguntasse o que fazer nessa situação, pois Sasuke parece destruído, eu tô com o coração na mão e não sei o que fazer. Não sei como agir.

– Vamos comprar um sanduíche bem gostoso ? — Izumi perguntou risonha, com a intenção de descontrair o clima tenso.

Sasuke olhou para ela e balançou a cabeça em sinal negativo.

– Não tô com fome.

– Ora, mas você não tinha dito que estava morrendo de fome ? — Questionei enquanto desprendia nosso abraço, segurando nos ombros do garoto — Vamos lanchar.

– Perdi a fome — Respondeu emburrado, ainda com cara de choro.

– Um sorvete você quer ? — Izumi tentou novamente, mas em vão.

– Não.

– Poxa, Sasuke... — Falei com desânimo — Aqui tem uns sorvetes tão bons, você ia adorar experimentar. Você mesmo se serve, pode colocar o que quiser e o quanto quiser.

— Itachi, não — Negou novamente.

Porra, tava tudo ótimo, pra que diabos aquele pau no cu do tio Madara teve que aparecer pra falar merda ?

É por isso que eu digo que a vida é aquele eterno bife duro que quando você corta voa arroz pra tudo quanto é lado...

– Vamos comprar alguns doces então — Izumi não desiste — Jujuba, chiclete, bala de goma, bala de gelatina... Eu adoro aquela em formato de dentadura, vamos comprar ?

– Pode comprar pra você, mas eu não quero.

– Putz, cara — Me abaixei um pouco para ficar na mesma altura que Sasuke — O passeio tava tão bom. Esquece isso, vamos nos divertir um pouco.

– Sasuke, aqui no Shopping tem um parque bem grande no último andar, podemos comer alguma coisa no Mc Donald's e ir lá depois — Minha namorada realmente é persistente. Eu não teria tantas idéias assim — O que você acha ?

– Eu acho que tô um pouco grande demais pra ir na piscina de bolinhas — Ele respondeu, o que me fez rir.

– Mas lá não tem apenas brinquedos pra criança — Expliquei — Tem uns jogos muito legais, você ia gostar.

Sasuke ficou sério e pensativo por uns segundos, enquanto isso eu só pensava em matar aquele filho da puta do Madara. Ele não precisava ter dito aqueles absurdos na frente do Sasuke. Eu já fiquei mordido, uma vez que aquele insensível estava falando da minha mãe, então posso imaginar o ódio do Sasuke.

– Tudo bem, não vou deixar aquele idiota estragar meu dia — Sasuke assentiu — Vamos.

Ainda bem que ele pelo menos tentou não ficar tão abalado. Fomos lanchar no Mc Donald's, Sasuke continuou meio sério e nitidamente triste, embora tenha tentado não deixar isso transparecer; mas era óbvio, visto que antes da conversa com o Madara ele estava bem diferente.

Pra tentar animá-lo mais um pouco fomos até o parque e compramos várias fichas. Isso até resolveu um pouco o problema, já que Sasuke ficou bem entretido com os jogos e eu, bem, até no carrinho bate-bate eu fui com meu irmão.

Pois é, no parque do Shopping não tem apenas brinquedos infantis, tem até uma espécie de montanha russa e aquele elevador que despenca de uma vez.

Fazia muito tempo que eu não vinha num parque, confesso que foi muito divertido. Eu acabei voltando a ser criança por algumas horas. Pensei que estivesse um pouco enferrujado pra isso, mas vejo que não, pois naquele parque parecia que eu tinha a mesma idade que o Sasuke.

Deixei a Izumi na casa dela e segui para a minha casa com Sasuke. Ele ficou, durante todo o trajeto, calado e apenas olhando para o saco de doces em suas mãos. Pois é, acabamos comprando diversos doces antes de vir embora, mas até agora o Sasuke não tocou em nenhum.

– Que foi ? — Mesmo sabendo a resposta, perguntei assim que ambos entramos em casa.

Sasuke se sentou no sofá, colocou o saco de doces sobre a mesinha de centro e o fitou, parecendo pensativo.

– Quero pedir uma coisa pra você, posso ?

É horrível ver o Sasuke todo tristinho. Ele estava tão alegre e tagarela mais cedo, super empolgado com a viagem.

– Sasuke, eu estive pensando... O que você acha de eu te levar numa psicóloga ?

— O que ? — Questionou confuso — Eu não tenho nenhum distúrbio mental, se é o que está pensando.

– Não é isso, garoto — Não pude conter um riso baixinho — É só pra você conversar, desabafar... Enfim, pode ser bom pra você.

Ele pode conversar comigo quando quiser, sem ter vergonha de dizer o que está sentindo, mas talvez eu não seja a melhor pessoa para aconselhá-lo ou até mesmo compreendê-lo.

– Não quero — Negou emburrado.

– Tudo bem então — Suspirei — O que você queria me pedir ?

– Itachi, eu quero fazer um exame de DNA.

O que ? Como assim DNA ? De onde o Sasuke tirou isso ?

Eu nunca fiz questão disso, não tenho dúvidas de que Sasuke é filho do meu pai e nós não temos que provar nada pra ninguém. Qual é a necessidade de um DNA agora ?

– Por que isso ? — Sentei ao lado dele — Sasuke, os Uchiha são assim mesmo. Existem várias desavenças entre os membros da família e nosso pai, digo, o Fugaku, ele não era muito querido — Falei meio sem graça. Sei que o Sasuke não considera o Fugaku como um pai, então é melhor evitar treta — O tio Madara pode muito bem ter dito aquilo só pra implicar comigo e com você também. Cara, não liga.

– Você não tá entendendo, Itachi — Sasuke soltou um longo suspiro e me encarou — É por causa do que ele falou da minha mãe. Não é porque eu quero herança ou porque faço questão do sobrenome Uchiha; é porque, insinuando que eu não sou filho do Fugaku, ele quis dizer que a minha mãe o traiu. Que ela não era uma boa pessoa. Que era uma interesseira.

– E por isso você quer provar o contrário — Deduzi e ele assentiu. Levei uma mão até a testa e respirei fundo — Faz sentido. Eu também não gostei do que ele falou, afinal, Mikoto também era a minha mãe.

– Eu quero fazer esse exame pra provar que a minha mãe não era uma mentirosa — Argumentou — Itachi, vamos fazer, por favor.

Pensei novamente sobre essa idéia e, por um segundo, tive medo do resultado.

– Tudo bem — Assenti — Amanhã eu vou procurar um laboratório e marcar o exame.

Notas finais
E agora? Será que Sasuke é mesmo filho do Fugaku? Tudo pode acontecer... Pode ser, pode não ser heheh. O que acontecerá nesse passeio? Comentários? Beijos e até o próximo ♡