De repente irmão
23 Dna
Notas iniciais
Deixei o Sasuke de manhã na escola e fui num laboratório para marcar o exame de DNA que ele insistiu pra fazer. Claro, foi uma sorte do caramba minha aula ter começado mais tarde hoje, então fui mais tranquilo e semana que vem irei com o Sasuke fazer o exame.
Cheguei na UFK uma hora antes da minha aula começar, meus amigos sequer estão aqui -na verdade aqueles vagabundos só chegam atrasados-, então comprei um pedaço de bolo na cantina e me sentei numa mesa vazia pra comer.
Minha cabeça está cheia e, por um instante, a semente da dúvida foi plantada no meu coração.
Tô com medo do resultado, admito.
Levei um susto quando tive meus olhos tapados, mas logo reconheci as mãos femininas e o perfume adocicado.
– Adivinha quem é — Cantarolou.
– Quem mais seria, bebê ? — Indaguei com um sorriso, então ela tirou as mãos de cima dos meus olhos e me cumprimentou com um sorriso.
– Essa turma de engenharia anda com a vida mansa demais — Comentou divertida e se sentou ao meu lado — E aí, como você está ?
– Daquele jeito... — Suspirei pesadamente e ela com certeza percebeu do que se trata.
– É o Sasuke ?
Não falei que ela percebeu ?
– É — Assenti.
– Ele ficou mal depois de ontem, né ?! — Indagou penalizada e só a expressão no meu rosto já respondeu por mim — Putz, aquele seu tio é um sem noção. Ele humilhou o Sasuke, disse coisas cruéis pra uma criança que não tem culpa de nada !
– Sasuke pediu pra fazer um exame de DNA — Contei.
– Isso é bom — Ela sorriu — Você vai poder provar para aquele seu tio e seus outros parentes que o Sasuke é sim seu irmão, então ninguém vai mais humilhá-lo.
– Izumi, eu não tinha dúvidas, mas... — Mordi o lábio inferior e fitei o chão meio inseguro por uns segundos, depois voltei meu olhar para a minha namorada novamente — E se não for ?
– Isso muda alguma coisa pra você ?
– É claro que não ! — Respondi convicto. Ora essa, mesmo se Sasuke não for filho do meu pai continuarei gostando dele do mesmo jeito. Não vai mudar absolutamente nada — Ele nem faz questão, odeia meu pai. Mas o Sasuke quis fazer o DNA pra provar que a nossa mãe não mentiu sobre a paternidade dele... Imagina só como vai ficar a cabeça dele se esse resultado der negativo.
– Putz... — Chocada, Izumi cobriu com as mãos a boca semiaberta — Mas, Itachi... — Pousou ambas as mãos sobre a mesa vazia — Você acha que a probabilidade é grande ?
– Amor, o Sasuke só se parece com a nossa mãe na aparência — Expliquei. Na verdade ele é a versão feminina da nossa mãe, pois é uma cópia fiel dela — O garoto tem o jeito do meu pai, o gênio dele, e isso é impressionante, até porque meu pai e o Sasuke nunca conviveram. Sasuke tem as alergias que meu pai tinha, isso sem falar no sinal de nascença que ele tem nas costas.
– Então não há dúvidas.
– Não é tão simples assim — Suspirei — Minha mãe descobriu que estava grávida depois de ter ido embora... Izumi, meus pais não dormiam mais juntos. Eles já não eram mais marido e mulher, entende ?
– Ora, eles deram uma escapulida — Deu de ombros, falando meio risonha.
– Quando minha tia me falou sobre o Sasuke, e até quando ele foi morar lá em casa, eu não acreditava que ele fosse filho do meu pai — Admiti — Mas, com a convivência, eu pude ver meu pai nele mesmo que os dois não se pareçam fisicamente. Mas pode ser coisa da minha cabeça ou mera coincidência — Expliquei e Izumi ouvia tudo atenta — A questão é que existe sim a possibilidade do Sasuke não ser filho do meu pai.
– O Sasuke vai ficar destruído se esse resultado der negativo...
– Nem consigo imaginar a decepção que vai ser pro Sasuke... Descobrir que a pessoa que ele mais amava mentiu pra ele a vida inteira.
– A última coisa que o Sasuke precisa agora é de uma decepção dessas.
– Eu acredito que ele seja filho do meu pai... Mas tenho que admitir que existe a possibilidade de não ser.
– Itachi — Ela segurou minhas mãos e me encarou com o semblante sério — Não quero insinuar nada, mas... Você já pensou que até mesmo a sua mãe poderia não saber quem é o pai biológico do Sasuke ?
– Não acho que a minha mãe tenha traído meu pai. Se ela engravidou de outro homem, então foi depois de ter ido embora. Mas meu pai não assumiria uma criança sem ter certeza...
– Itachi — Izumi me interrompeu — Você sabe exatamente o tipo de acordo que seus pais fizeram depois que o Sasuke nasceu ?
– Meu pai assumiria o Sasuke como filho se a minha mãe não aparecesse nunca mais — Respondi — Inclusive ele a ameaçou, caso ela pensasse em voltar e me procurar. Foi isso que a minha tia contou.
– Tá, mas até que ponto a sua tia sabia da história ? — Arqueou a sobrancelha, questionando com a face séria. Eu acabei ficando sem palavras — Itachi, a verdade é que nós não temos como saber com cem por cento de certeza o que aconteceu entre seus pais porque eles estão mortos. Mas existem muitas possibilidades. Quem garante que sua mãe já não sabia da gravidez quando foi embora ? Quem garante que ela contou pra sua tia tudo como realmente aconteceu ? Quem garante que seu pai não tenha feito um exame de DNA antes de registrar o Sasuke ? Seu pai pode inclusive ter dado ajuda financeira pra sua mãe durante todos esses anos.
– Não, não acho que ele tenha feito isso — Comentei — Minha mãe não sabia da morte do meu pai, até porque minha tia ficou surpresa quando eu contei, então isso significa que ambos não mantinham contato. E eu tenho certeza de que ela viria atrás de mim se soubesse que meu pai não estava mais aqui.
– É, você tem razão... — Falou pensativa após levar o dedo indicador até o queixo — Mas ele podia ter certeza da paternidade. Um homem tão rico como seu pai não daria o nome para uma criança sem ter certeza de que a criança realmente é dele, até porque, o Sasuke tendo o nome do seu pai na certidão, é reconhecido como filho dele e tem direito a herança.
Talvez meu pai não fosse uma pessoa muito ruim... Talvez ele soubesse mesmo que o Sasuke é dele e o tenha registrado justamente por isso, para que o garoto tivesse um bom dinheiro na conta bancária e pudesse estudar, enfim, ter uma vida confortável.
Mas por que ele aceitaria viver longe do filho ? Ele tinha tanta raiva assim da minha mãe para ameaçá-la, para exigir que ela ficasse longe de mim ? Que acordo ridículo !
Que eu saiba, quando um casal se separa, tanto o pai quanto a mãe têm direito de ficar com os filhos -a não ser que algum deles tenha feito uma merda muito grande e a justiça tenha proibido-, mas eu nunca tinha visto esse negócio de que o pai fica com um filho e a mãe fica com outro. Caralho, que negócio escroto !
– Concordo com você — Falei — Mas eu temo pelo Sasuke se esse resultado der negativo. Ele vai ficar muito pra baixo... — Suspirei — O moleque já é problemático...
– Itachi ! — Ela me repreendeu. Tentou ficar séria, mas acabou rindo — O Sasuke não é problemático. Bem, ele estava meio traumatizado depois que a mãe de vocês morreu, mas agora ele está mudando.
– Ele tá virando um moleque hiperativo — Comentei risonho — Acho que ele era assim antes da mamãe morrer. Todo falante e empolgado com tudo... Eu tô até estranhando, mas gosto mais dele assim.
– É, eu também — Assentiu — Agora sim parece que você tem uma criança em casa.
– É verdade — Não contive uma gargalhada — Antes parecia um velho rabugento.
– Tadinho, Itachi.
Olhei no relógio de pulso e arregalei os olhos. O tempo voou que eu nem vi, e ainda tenho que pegar uns livros na biblioteca.
Geralmente o Deidara sempre passa por aqui antes de ir pra sala de aula, pois aquela praga come mais do que soda cáustica -deve ser resultado dos baseados que ele deve fumar com o povo da antiga turma dele- e todo dia compra uma coxinha antes de ir pra sala. Então pensei "Ah, quando aquele espírito de Humanas passar por aqui eu vou saber que é hora de ir pra sala", mas aquele puto adorador de miçangas não deu as caras.
Vou me atrasar e a culpa é dele !
Aquela porra deve estar fazendo dreddy no cabelo ou aplaudindo o sol, só pode ! Coisas de Humanas.
– Amor — Levantei rapidamente e dei um selinho na minha namorada — Eu preciso ir voando pra sala.
– Tudo bem, boa aula.
– Tchau — Peguei meu bolo, que sequer cheguei a tocar, e fui correndo na velocidade da luz pra minha sala de aula.
Esse negócio de ser proibido comer em sala de aula é coisa de colégio, na faculdade a gente faz até acampamento com fogueira dentro da sala se quiser.
[...]
Não estou com medo desse exame, muito pelo contrário, pois tenho absoluta certeza de quem é meu pai biológico.
Sei que o nome do Fugaku está na minha certidão, portanto ele é meu pai, mas não admito que aquele tio do Itachi -que por acaso também é meu tio, mas que eu não considero- e os outros malditos Uchiha abram a boca pra dizer que a minha mãe mentiu por puro interesse no dinheiro dele.
Quero provar que a minha mãe não era uma mentirosa e só conseguirei com um teste de DNA feito com o Itachi, aí sabermos se somos meio irmãos ou irmãos completos.
Mas estou ansioso não somente com o resultado desse exame -que demorará alguns dias pra sair- também estou ansioso para viajar logo.
Minha viagem será na segunda feira, hoje já é sexta, então falta pouco.
A parte ruim é que terei que arrumar malas e isso é um saco, pois a gente sempre acha que está esquecendo de alguma coisa. No meu caso, eu não posso de jeito nenhum esquecer meu xampu, sabonete e nem meus anti alérgicos, pois eu posso sem querer acabar comendo algo que eu tenho alergia -como aconteceu no zoológico- e aí vai dar merda. Então é sempre bom ter meus remédios por perto, para o caso disso acontecer.
Saí do colégio no mesmo horário de sempre e fui saindo portão a fora quando uma voz irritante me chamou.
– Sasuke ! — Virei-me e dei de cara com Naruto. Esse loiro grudou em mim feito carrapato, mas admito que é melhor ficar com ele do que sozinho — Você vai embora com quem ?
– Ué, vou sozinho.
– Sozinho ? — Indagou surpreso.
Percebi que, quando se está numa turma com alunos na faixa etária de 12 a 13 anos, o fato de você sair da escola sozinho é chocante para os outros.
Tipo "Nossa, ele vai embora sozinho!", como se isso fosse coisa de outro mundo. Eu também era assim quando a minha mãe ia me buscar na escola e eu via alguns alunos da minha turma saírem sozinhos, já que moravam pertinho da escola. Ainda assim, andar na rua sem um adulto por perto é algo bastante radical quando se tem 12 anos de idade, principalmente numa cidade grande como essa.
– É — Assenti.
– Ah sim, você mora perto da escola — Supôs.
– Na verdade moro um pouco longe e nem sei o nome do bairro — Admiti meio desconcertado.
Não, eu não sei o nome do bairro onde moro, algum problema ? Konoha é muito grande e eu só decorei o caminho da minha escola até a Universidade onde o Itachi estuda.
– E tu não se perde ? — Questionou curioso.
– É porque eu não vou direto pra minha casa — Expliquei — Meu irmão mais velho estuda na UFK e geralmente sai um pouco depois de mim, então eu vou pra lá e fico esperando por ele.
– Ah sim — O loiro sorriu — Você tem um irmão mais velho que faz faculdade, que legal !
– Pois é... Agora tenho que ir. Tchau !
Saí correndo rapidamente e nem sei se Naruto me deu tchau, mas não dou muita importância a isso.
Aquele loiro parece ter gostado da minha companhia, por mais desagradável que eu seja na maioria das vezes.
Ele é como a Sakura, gosto da companhia por mais que seja irritante... É melhor do que ficar só, não é verdade ?
Por falar em Sakura, nunca mais falei com a rosada. Às vezes quero sentar perto dela e puxar assunto, mas sou orgulhoso demais pra fazer isso depois do que aconteceu.
Ora, se ela não me procura é porque não sente a minha falta, então pra que diabos eu vou ficar me humilhando pra ela ?
Cheguei na UFK morto de cansado. Não é uma caminhada longa, mas cansa fazer isso de baixo do sol escaldante de 12:30 e eu chego todo suado e preguento, que nojo ! Ok, reclamo do calor, mas ainda assim não estou psicologicamente preparado para o frio que disseram que está próximo. Odeio frio.
Ainda bem que Itachi não demorou mais do que quinze minutos pra sair e meu estômago agradeceu por isso. Ué, tô com fome.
– E aí, garoto — Ele se aproximou de mim e bagunçou meu cabelo com a mão — Nossa, você tá suado... — Falou com uma cara de nojo e limpou a mão na calça jeans — Vamos pra casa.
– Eu vim andando no sol, você quer o quê, que eu esteja limpinho e cheiroso ? — Levantei-me da cadeira onde estava sentado e pus minha mochila nas costas — Vamos pra casa, eu tô com fome e tenho que arrumar minhas coisas pra viagem !
– Veio andando no sol ? — Itachi arregalou os olhos e fingiu surpresa — E não se queimou ?! Como ?
Meu irmão é um idiota !
Quando uma pessoa fala que veio andando no sol, não quer dizer que ela estava andando sobre o sol, mas sim que o sol estava escaldante enquanto a pessoa andava !
– Você entendeu — Revirei os olhos e a criatura riu — Vamos logo antes que aquele seu primo inconveniente apareça.
– Seu primo também.
– Pode ser de sangue, mas não de consideração. Agora, o único Uchiha que considero minha família é você. Os outros não são.
– Tudo bem — Suspirou — Vamos.
Fomos andando até o carro do Itachi e senti um alívio imenso, pareceu um verdadeiro paraíso quando ele ligou o carro e eu senti o vento gelado do ar condicionado. Virei o máximo possível pra mim e Itachi riu.
– Ué, tô com calor — Falei.
– Espere mais algumas semanas — Comentou risonho enquanto saía com o carro do estacionamento da Universidade — Você vai sentir saudade desse calor infernal.
Putz, como uma temperatura muda assim tão radicalmente ? Não imagino esse lugar tão frio como todos falam.
– Nem me fale — Murmurei.
– Ah, marquei nosso exame.
– De DNA ? — Questionei com expectativa. Que bom que ele aceitou a idéia.
– Não, de fezes — Ironizou e eu revirei os olhos. Como alguém pode ser desse jeito ? Admito que até acho engraçado, mas às vezes irrita — É claro que eu tô falando do DNA, Sasuke !
– E que dia vamos fazer ?
– Segunda feira.
– Segunda ?! — Arregalei os olhos — Mas... Itachi, eu vou viajar na segunda.
– Moleque, relaxa... — Meu irmão falou tranquilamente — Vamos no laboratório, fazemos o exame e de lá eu te levo pro colégio.
– O exame vai ser feito com saliva ou com sangue ? — Ué, não gosto de agulha. A final de contas, quem gosta ? Ninguém.
– Sei lá — Deu de ombros — Acho que a mulher lá falou alguma coisa sobre isso, mas eu nem prestei muita atenção.
No mínimo ele estava olhando o decote da mulher ou alguma coisa do tipo.
Como o Itachi não presta atenção no mais importante de tudo ?
Agora, por causa da falta de atenção dele, eu corro risco de precisar deixar uma enfermeira furar meu braço; e todos sabem que nessas situações nossas veias parecem sumir e até acertar uma nós já estamos com o braço todo furado, parecendo viciados em heroína.
Deus queira que seja só uma furadinha no dedo, como quando precisamos medir o nível de glicose. Mas ainda estou rezando para que o exame seja feito com saliva mesmo, pois é mais rápido e indolor.
Chegamos em casa e eu fui tomar um banho caprichado enquanto o Itachi fazia o almoço.
É engraçado, quando cheguei aqui nós só comíamos lasanha, miojo, ovo frito... Agora, por incrível que pareça, Itachi está fazendo comida todos os dias.
Meu irmão está criando responsabilidade, isso é lindo.
Depois do almoço eu fui arrumar minhas coisas. Tá, sei que a viagem é só na segunda e hoje ainda é sexta, mas estou ansioso demais e vou pirar se já não deixar minhas coisas arrumadas.
Acho que daqui pra segunda feira não vou nem conseguir dormir direito.
[...]
É hoje.
Segunda feira, dia do exame de DNA.
Sasuke quase me deixa doido no fim de semana, só sabia falar nessa maldita viagem e toda hora ia olhar a mala pra ver se faltava alguma coisa.
Detalhe: A viagem é hoje e na sexta feira à tarde ele já estava com tudo arrumado.
Alguém merece ?
Porra, eu nunca pensei que o Sasuke fosse hiperativo desse jeito. Embora às vezes ele pareça introvertido... Na verdade acho que o Sasuke é do tipo que demora pra se soltar, o que explica o fato de ele ser meio anti social na escola e não ter amigos. Ele é meio tímido, mas quando se solta ninguém aguenta.
Acordamos mais cedo que o normal hoje, pois após o exame preciso deixar o Sasuke na escola, pois é de lá que o ônibus com as pragas, digo, crianças, vai sair.
Tomamos café da manhã e eu coloquei as coisas do Sasuke no porta malas do carro, perguntei umas duzentas vezes se ele não tinha esquecido nada, pois não quero ninguém me ligando de lá dizendo que o Sasuke tá bichado por causa das alergias.
Fomos direto para o laboratório e não demorou muito para uma enfermeira nos levar até uma sala de coleta.
– Quem vai primeiro ? — Sasuke questionou quando entramos na sala.
– Sei lá — Dei de ombros.
A mulher vestida de branco estava parada de costas pra nós, mexendo em alguns materiais esterilizados.
Sasuke ficou olhando desconfiado para a cadeira -aquelas que as pessoas sentam pra tirar sangue- ao lado dele e com certeza deduziu que o DNA será feito com uma amostra de sangue.
Também gelei, pois eu detesto essas coisas... Tá, me cago de medo, mas consigo me controlar.
– Quem vai ser o primeiro ? — A enfermeira perguntou e, ao ver a seringa na mão dela, Sasuke afastou-se da cadeira.
– Os mais velhos primeiro, Itachi.
Maldito !
Ele acha que vai se livrar da agulha se eu for primeiro ? Só vai adiar sofrimento, esse mané.
Me fazendo de forte, mas me borrando de medo, sentei na cadeira e estiquei o braço direito sobre aquele apoio cujo nome eu não sei, mas é onde as pessoas põe o braço quando vão fazer exame de sangue.
Olhei para cima, para o lado, para o chão... Olhei pra tudo quanto é canto, menos pro meu braço porque isso dá agonia demais.
Não sei o que é pior, se é a maldita agulha dentro do braço ou se é aquela porra daquele negócio que fica apertando o braço. Os dois são ruins.
É claro que ninguém percebeu o quanto eu estava apavorado e o quanto minhas mãos suavam frio. Claro, se o Sasuke fizer algum drama eu preciso ter moral pra falar com ele, e não teria moral alguma se demonstrasse que estava com medo pra caralho.
Mas o Sasuke é forte, lembro do dia em que ele teve uma crise alérgica no zoológico e fomos pro hospital, lá ele teve que tomar medicamento na veia e nem reclamou... Se bem que o moleque estava ficando inchado e com falta de ar, então não tinha nem como reclamar de alguma coisa.
Enfim, a vez do Sasuke chegou e ele se viu obrigado a sentar na cadeira onde eu estava. Colocou o braço sobre o apoio e fechou os olhos.
Que diabos esse moleque tá pensando ? Só estamos aqui porque ele insistiu, então tinha que fazer o exame sorrindo e ainda vendo a enfermeira furar ele !
Moleque frouxo do caralho !
Ele só resmungou um pouquinho quando sentiu a agulha, mas logo a enfermeira já estava com dois tubos de sangue, um meu e outro do Sasuke. O resultado ficará pronto dentro de poucos dias, mas Sasuke só saberá o resultado quando voltar da viagem.
Saímos do laboratório e fomos direto pro colégio. Alguns alunos já estavam lá, ansiosos. O ônibus também já havia chegado, mas nenhum aluno tinha subido ainda. Com certeza estão esperando por todos e vão fazer a chamada antes de entrarem.
– Pegou tudo mesmo ? — Questionei enquanto tirava a mala dele de dentro do carro.
– Sim, você já me perguntou isso umas mil vezes ! — Resmungou.
Nunca vi o Sasuke tão ansioso, é até engraçado.
– Garoto, se acalma — Falei risonho — O ônibus não vai sair sem você.
Fiquei com ele por uns dez minutos, as mãos de Sasuke estavam suando de ansiedade e ele não parava de esfregar uma na outra.
– Tá demorando... — Ele resmungou e eu revirei os olhos. É já que ele bota um ovo aqui.
– Não precisa ficar agoniado desse jeito.
– Os alunos que já quiserem ir subindo no ônibus, fiquem à vontade — Disse a coordenadora — Só guardem as malas antes.
Os olhos do Sasuke até brilharam e ele foi andando até o ônibus. Claro que eu fui atrás, e levando a mala dele ainda por cima.
– Não quer esperar mais um pouco ? — Questionei, então entreguei a mala do Sasuke para um moço que estava etiquetando e guardando as malas dos alunos — O ônibus não vai sair agora.
– Ah, mas eu quero entrar logo e pegar um lugar perto da janela — Ele respondeu após assinar seu nome na etiqueta, então teve a sua mala guardada.
– Ok então — Assenti com um sorriso. Essa ansiedade infantil chega a ser engraçada — Não esqueça de me mandar uma mensagem quando chegar.
– Será que no hotel fazenda pega sinal de celular ?
– Ah, com certeza tem wi-fi — Respondi — Peça a senha e me envie uma mensagem.
– Tá. Tchau !
O garoto saiu correndo que nem um desesperado e entrou no ônibus.
Putz, isso é que é uma empolgação. Por que criança é assim ?
Logo vi Sasuke sentado num canto perto da janela, então ele acenou pra mim e eu acenei de volta antes de sair para ir à faculdade.
Vou curtir alguns dias de sossego sem o Sasuke, mas admito que vou sentir falta dele.
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