De repente
1 Londres
Notas iniciais
Boa leitura.
POV HERMIONE
Olho para o pequeno e amassado pedaço de papel em minha frente. Sim, doze países em seis anos, me aventurando pelo mundo, sem rumo, apenas escrevendo desde que saí de Londres. Escrevendo dia após dia. Seis anos, doze países, dois livros lançados, 27 anos.
Olho a minha volta, estou em um hotel luxuoso, sempre assim nestes últimos anos. Hotéis caros e luxuosos, muitos passeios, culturas diferentes e noites em claro escrevendo meu livro.
Papai e mamãe sempre que me ligam, reclamam por eu nunca ter voltado a Londres, reclamam de sempre ter que me encontrarem em um país diferente. Dou um sorriso sem humor ao olhar para minha pequena lista. Londres é o próximo país, jurei a mim mesma que estaria totalmente recuperada quando tivesse que voltar pra casa. A quem eu quero enganar?! Eu nunca o esqueci mesmo, nem mesmo o mundo conseguiu fazer esse trabalho.
Ronald Weasley o homem que amei com todas as minhas forças e que quebrou meu coração com a mesma intensidade. Estranhamente ainda me dói pensar o que deixamos de viver. A última notícia que tive de Ronald é a que ele seria pai, Gina quem me falou, nesse mesmo dia pedi a ela que não me contasse mais nada que fosse a respeito de seu irmão. Não podia mais voltar atrás, não me permiti voltar atrás, voltar atrás significava me machucar mais.
Conheci Ronald ainda no ensino fundamental, na verdade não só ele, Harry também, doce Harry, meu melhor amigo que por pura ironia do destino é casado com minha melhor amiga e irmã de Ronald, Gina. O famoso trio de ouro, foi assim que ficamos conhecido no ensino médio. Éramos inseparáveis, nós três sempre. Gina e Harry começaram a namorar quando entraram na faculdade, foi lá também que nos tornamos melhores amigas. Engraçado é pensar que quando eu tinha 19 anos pensava que o mundo fosse meu, estava tudo planejado em minha mente, assim que fiz 18 anos entrei na universidade, não só eu, Harry e Ronald também. Harry fazia arquitetura, Ronald engenharia de produção e eu letras. O plano era que faltavam três anos para eu me formar e quatro para Ronald, começaríamos a trabalhar, compraríamos nossa casa, casaríamos e teríamos dois filhos ou quatro como ele falava, dois meninos e duas meninas, todo final de anos iriamos unir os Weasley e Potter para uma viajem extraordinária, esse era o plano, o combinado, o sonho de vida. Solto um pequeno sorriso sem humor e olho para cima tentando não deixar a lágrima escorrer.
Por que Ronald? Por que você tinha que me trair, me trair quando o que eu só sabia fazer era te amar. Por que me traiu com Lilá Brow, a garota que você sempre jurou não gostar, e que eu sempre acreditei em suas palavras. Me traiu em sua fragilidade, já escutei mil vez a história.
Flashback on
- Amor! – Rony me chamou assim que entrou em meu apartamento, um presente que meu pai me deu assim que eu fiz 20 anos.
- Oi amor, estou aqui no quarto.
Assim que eu olhei pra cara de Ron, sabia que algo ruim havia acontecido, ele estava com uma aparência péssima.
- Bebeu todas ontem pelo visto – Falei com um tom falso de repreensão, eu não ligava dele sair com os amigos, eu também saia com as minhas amigas, uma vez ao mês, fazíamos isso.
Mas eu sabia que tinha algo a mais, porque assim que eu acabei de falar ele desabou no choro.
- Ron, Ron meu amor, olha pra mim – Eu pedi já ficando desesperada – Amor olha pra mim – ele se sentou encostado na parede e chorava copiosamente, fui até ele e coloquei minhas mãos em seu rosto – Amor, eu estou aqui, me fala o que aconteceu – Eu fazia carinho em seu rosto tentando acalma-lo – Fala pra mim, eu te amo e quero te ajudar – Assim que pronunciei essas palavras o choro se intensificou e Ron me abraçou com muita força, como se eu não pudesse fugir.
- EU. TE. AMO. MUITÍSSIMO – Rony falou pausadamente entre um soluçar e outro – Promete que nunca vai esquecer disso? – Ele agora me pergunta olhando pra mim em meio a lágrimas.
- Jamais – Falei olhando em seus olhos – Porque você vai me lembrar disso pelo resto de minha vida. Todas as manhãs quando a gente levantar da nossa cama – Depois que eu falei isso ele deitou em meu colo e chorou feito uma criança por longos minutos.
- Hermione – Rony falava em um tom baixo.
- Estou aqui – Falei dando um beijo em sua testa.
- Eu bebi ontem e fiquei muito bêbado – Rony falou e as lágrimas voltaram a escorre, se levantou e ficou sentado em seu próprio joelho.
- Amor, não tem problema uma vez na vida ficar de porre – Eu falei simples tentando acalma-lo – Não chore mais se for isso que tanto te aflige.
- Não, não... Não é só isso – Rony passava a mão no rosto inutilmente tentando secar as lágrimas – Eu, eu...
- Fala Ron, está me deixando preocupada –Falei com tenção na voz.
- Eu estava bêbado demais, perdão! Me perdoa! – Rony chorava como um menino indefeso.
- Pelo que? – Eu pergunte já com lágrimas nos olhos, o medo da resposta invadiu meu corpo – Pelo que? – Eu perguntei novamente com mais lágrimas nos olhos.
- Eu te amo – Rony repetiu.
- Eu também – Falei segurando seu rosto com as minhas mãos e depositando um beijo em seu rosto. Ele fechou os olhos e suspirou, como se tentasse pegar folego.
- Eu passei a noite com a Lilá – Ele falou e naquela mesma hora minhas mãos saíram de seu rosto e foram direto para o chão, para ter certeza de que ele ainda estava ali – Me perdoa, me perdoa, me perdoa – Dessa vez ele que segurava meu rosto com as duas mãos para que eu olhasse pra ele, coisa que eu já não fazia mais, não sei se foi por causa das lágrimas, ou porque estava de olhos fechados rezando para que fosse um pesadelo – ME PERDOA – Rony pedia chorando, nossos choros se misturaram se tornando apenas um. Recolhi toda as forças que tinha e me desvencilhei dele.
- Não consigo – Apenas falei isso e cai no choro novamente, não sabia que haviam tantas lágrimas para serem derramadas, nunca havia chorado tanto. O meu Ron havia me traído, me enganado, quebrado todos os nossos sonhos. Choramos por minutos, horas, não sei, apenas eu e ele, eu de um lado e ele de outro.
- Fala alguma coisa – Ele pediu – Me bate, grita, xinga, me maltrata – Ele pediu piedosamente – Mas não me dê esse silêncio, o silêncio não, por favor.
- Vai embora – Foi a única coisa que eu pedi.
- Isso não, não me tira da sua vida – Rony implorava.
- Eu não te tirei, você saiu sozinho – Falei olhando pra ele pela primeira vez depois da descoberta, os olhos de Rony não eram mais azuis, eram vermelhos de tantas lágrimas – Eu só estou pedindo que vá – Pedi implorando – Por favor, não acabe mais comigo, eu já estou despedaçada, não tem mais nada pra ser quebrado, tudo já está aos cacos.
- Não, não, NÃO, NÃÃÃÃÃOO – Rony implorava – Eu quero ficar aqui com você, eu te amo.
- Por favor – Implorei a ele, e logo depois fui em busca do meu celular.
- Vai ligar pra quem? – Ele perguntou ao meu encalço. Disquei o número já mais que gravado em minha mente, deu três toques e a voz que eu tanto procurava atendeu.
- Alô!
- Vem me ver, me tira daqui, faz parar – Foi a única coisa que eu consegui falar no meio de tanto choro. E essas palavras bastaram para que Harry fosse ao meu encontro o mais rápido que pode. Foram os 10 minutos mais longos de minha vida até que Harry chegasse. Assim que a campainha tocou eu abri a porta imediatamente me atirando nos braços que tanto sabiam me amparar.
- O que aconteceu? – Harry perguntou me abraçando forte e fazendo carinho em minha cabeça, enquanto olhava Rony que estava aos prantos.
- Eu já pedi pra ele ir embora – Falei ao meio das lágrimas. E essa frase bastou pra Harry se desvencilhar de mim e ir na direção de Rony. Harry e Rony eram melhores amigos, desde sempre, mas sempre soubemos que ele me protegeria acima de qualquer circunstância. Harry foi na direção de Rony e levantou o amigo que estava encostado no sofá.
- Me fala – Harry pediu preocupado.
- Ontem cara, foi ontem depois daquela festa, eu estava bêbado – Rony fez uma pausa – Eu estava bêbado e acabei dormindo com Lilá – Na mesma hora Harry pegou pelo colarinho da blusa de Rony e o colocou pra fora do apartamento. Rony não reagiu, se o amigo resolvesse bater nele, eu tinha certeza de que ele não tentaria reagir.
- Depois conversamos de homem pra homem, agora vá, se tem um pouco de piedade de Hermione, já foi feito muito estrago por hoje – Harry pediu grosso, mas com pena do amigo, e logo depois deu um aperto em seu ombro como se desse força pra encarar a situação – Se você a ama, a deixe sozinha, comigo, eu vou cuidar dela, eu prometo.
- Obrigado – Rony falou derrotado, e olhou em minha direção e dessa vez eu não tive força de desviar o olhar. Ele rapidamente passou pela porta novamente e veio em minha direção e me abraçou, me deixando totalmente sem reação – Me perdoa, por favor, está acabando comigo te ver desse jeito, eu te amo mais que tudo.
- Eu não consigo – Falei me abraçando a ele e chorando sem controle – Eu te amei e respeitei por todos os segundos nesses 4 anos de namoro, eu queria um futuro com você.
- Me perdoa pelo mal que eu estou te fazendo – Rony me apertava, eu apenas queria sair dali.
- Chega Rony – Harry o puxo como se estivesse lendo meus pensamentos – Vai embora agora! – Harry falou impaciente o puxando em direção a porta – Eu estou mandando você se afastar dela, eu já fui compreensivo ao bastante. Vá pra casa, tome um banho e levanta a cabeça. Amanhã é um novo dia, depois eu passo lá – Rony apenas assentiu – Vou mandar Gina pro seu apartamento – Harry falou e fechou a porta e sacou o celular, nessa hora eu já estava deitada no sofá me perguntando aonde eu havia errado com ele, as lágrimas já não eram tão intensas, talvez já estivessem acabando.
- Harry – Eu apenas o chamei e ele se colocou ao meu lado e colocando o celular na mesa de centro – Por quê? – Perguntei e ele apenas me aninhou em seu colo e eu fiquei ali sendo consolada pelo meu melhor amigo, pelo meu irmão. Apaguei depois de um tempo e tudo já estava feito, a decisão já havia sido tomada, não existia mais Ronald e Hermione.
Flashback off
Lágrimas teimosas insistiam em cair sempre que me lembrava daquele dia, nunca me permitia chorar quando me lembrava, mas era inevitável. Olhei mais uma vez para o pequeno papel em minhas mãos, o próximo pais de minha lista era Londres.
- É Londres – Falei com cansaço em minha voz – Aí vou eu, seja bonzinho comigo – Falei em voz alta e pegando o celular para dar a notícia a minha mãe.
Notas finais
Aceito qualquer tipo de crítica.
Mandem MP's qualquer coisa.
Perdão pelos erros de português.
Beijos da B
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