De laços e fitas
12 Capítulo 12
A jovem dançarina ficou triste ao acordar de seu doce sonho para encarar a manhã que trazia uma amarga realidade: Weather já devia estar voando para Cloudsdale. Sentou-se no colchão e pensou por um instante na noite anterior. Desceu da cama e foi em direção ao banheiro. Após banhar-se, voltou para o quarto para trocar a roupa de cama rapidamente. Era domingo e a pônei de cristal não tinha o que fazer. Ainda era muito cedo para começar a fazer o almoço e um tanto tarde para o café. Uma ideia inusitada apareceu em sua mente.
Colocou as fitas na cauda e na crina, pegou os alforjes e saiu de casa. Na pequena viagem até a padaria, não prestou muita atenção nas coisas ao seu redor. Apenas olhava para frente, seguindo seu caminho. Quando entrou no estabelecimento, apoiou-se no balcão e pediu dois croissants – surpreendeu a atendente.
“Há quanto tempo”, Sticks disse, contente, do outro lado do balcão. Não se viam desde o enterro de Turner, e sequer tinham conversado naquele dia. A jovem égua castanha estava mais gordinha do que Can-Can se lembrava, mas isso não a deixava nem um pouco feia.
Perguntou à amiga se tinha um minuto para conversar. Sticks fez que sim com a cabeça. No instante seguinte a pônei de cristal dava a volta no balcão e se acomodava num banquinho perto da velha amiga para perguntar, “Como vai Herr padeiro?”
“Bem, ele deve aparecer a qualquer momento, tava assando mais uns pães lá na cozinha”, Sticks respondeu. A jovem dançarina não fez questão alguma de perguntar sobre a mãe da amiga, tampouco Sticks falou sobre a mãe.
“Então, o que te trouxe até aqui?”, a potra castanha perguntou, oferecendo os croissants.
“Eu queria conversar com alguém”, Can-Can respondeu e pegou um dos pães. “O outro é para você.”
Sticks deu uma mordida no pão e esperou em silêncio.
“Lembra do Clean? Ele foi embora para Cloudsdale, hoje”, a eguinha rubra disse após morder um pedaço do próprio croissant.
“E aí?”, Sticks perguntou distraída. Ouviu um pônei chamá-la para ser atendido; colocou alguns pães quentinhos numa sacola, passou para o cliente e pegou o pagamento.
“Meu melhor amigo foi embora”, Can-Can declarou após respirar fundo algumas vezes.
Ao contar o troco do cliente, Sticks disse sem tirar os olhos do dinheiro, “Você tá meio crescida pra ficar triste porque seu amigo foi embora”. Herr Flour apareceu por detrás do balcão e lançou um olhar curioso sobre Can-Can; e sem dizer nada, voltou para a cozinha.
“Lembra de quando você disse que nós estávamos nos descobrindo?”, a dançarina perguntou, um gosto amargo surgiu no céu de sua boca com aquelas palavras. Sticks assentiu e deu o troco para o cliente, que trotou para fora da padaria levando sua mercadoria. “Às vezes parece que eu estou me descobrindo até hoje”, Can-Can completou em voz baixa.
“Ah, você gostava dele?”, Sticks perguntou, surpresa.
Can-Can não respondeu.
“Você não devia ficar se martirizando. Tá nova demais pra tanta preocupação. Precisa relaxar mais e se divertir.”
“Eu não queria que ele fosse...”
“Vocês não vão deixar de ser amigos só porque ele vai sair da cidade. Você não é mais um bebê, Can-Can, sabe muito bem disso”, Sticks falou em um tom delicado, porém repreendedor. A eguinha rubra assentiu calada, pensou por alguns instantes e, de repente, levantou-se.
“Eu acho que você razão”, anunciou quase confiante. “Obrigada.”
Sticks deu um meio sorriso e balançou a cabeça de leve. Can-Can jogou quatro bits sobre o balcão, despediu-se amistosamente da filha do padeiro e saiu. Trotou de volta para casa pensativa. Sentia-se idiota por fazer tempestade em copo d’água daquele modo. Fizera o certo em não interferir na decisão do amigo. Não podia ser tão egoísta assim, tampouco lamentar-se por uma perda inexistente. A mente e o coração de Can-Can estavam mais calmos quando chegou no quarteirão de casa.
Ao virar a esquina, Can-Can viu Skylark sentada em frente à porta de casa, esperando. Assim que a pônei bege reparou a amiga vindo em sua direção, levantou-se e trotou brincalhona para perto.
“Ei, adivinha?!”, Sky disse num tom misterioso. Como não houve resposta por parte da amiga, continuou, “Rhiannon passou lá em casa ontem e disse que os figurinos tão prontos! Vamos começar essa semana. Quarta-feira é o nosso dia”. A novidade animou a pônei de cristal, cujos pelos fulguraram um pouco mais fortemente.
“Nem acredito que o dia finalmente está chegando”, Can-Can disse reflexiva. Preciso contar para a Fräulein, pensou. Trotou pela calçada, mas passou de casa sem sequer fazer menção a entrar.
Sky não entendeu, mas logo se aproximou para perguntar, “Onde você tá indo?”
“Tem algo para fazer hoje, Sky?”, Can-Can retrucou. Skylark respondeu com um aceno de cabeça negativo. “Então vem comigo”, a pônei rubra falou animada. “Vamos visitar a minha antiga escola.”
A pônei bege olhou com estranhamento para a amiga, deu de ombros e a seguiu. Trotaram por dois quarteirões até chegar numa casa que se destacava entre as demais da rua. A residência de Balance era um antigo casarão de dois andares, as paredes do lado de fora começavam a descascar; era a maior casa do quarteirão, no entanto, não chegava nem perto da menor mansão que margeava a praça das camélias. A casa da professora havia sido adquirida pelo pai dela num leilão – nenhum pônei quisera comprar a propriedade porque se dizia que um assassinato havia ocorrido dentro dela há muitos anos. Can-Can reparou que uma das janelas no andar de cima estava quebrada. Trotou até a porta e tocou a campainha.
“Isso é uma escola?”, Skylark perguntou, seus olhos perscrutando cada canto visível da frente da propriedade.
“Mais ou menos”, Can-Can respondeu contente, tinha lembranças boas daquele lugar – apesar de ter deixado de aparecer em tantas aulas. A porta se abriu com um leve estalo de madeira velha. A pégaso negra sorriu para sua aluna e deu-lhe um abraço forte; cumprimentou Skylark educadamente e deu passagem para que as duas jovens entrassem. A eguinha rubra reparou que alguns fios de cabelo branco apareciam pela crina turquesa da professora.
“Posso perguntar o que as traz aqui?”, Balance perguntou, sua voz estava cansada. O barulho de vidro quebrando vindo da cozinha a fez virar-se e gritar, “Sunny, eu realmente espero que não tenha sido uma das minhas taças, mocinha!”
“Desculpa, Fräulein!”, uma vozinha infantil gritou de volta da cozinha.
Balance virou-se de volta para as convidadas inesperadas e disse, “Sinto muito, estamos no intervalo. Eu disse que ia fazer biscoitos, foi difícil levar os potrinhos para brincar no quintal enquanto eu preparo o lanche. Sunny insistiu em me ajudar, mas acho que não vai dar muito certo”.
O largo corredor de entrada da casa estava exatamente como Can-Can lembrava dele: três portas ao longo do corredor; do lado direito, a primeira levava a uma sala de estar, a segunda para a pequena biblioteca da professora, a terceira para a sala de aula. Ao final do corredor ficava a escada que ia para o segundo andar. Do lado esquerdo, uma grande abertura na parede, do tamanho certo para portas duplas, levava à cozinha. Algumas pinturas ainda eram penduradas nas paredes. Balance fez um sinal com a cabeça para que a seguissem. As três pôneis trotaram até a cozinha, lá, uma potrinha amarela, de cabelos vermelhos, tentava varrer cacos de vidro de um copo, do chão.
“Sunny! Afaste-se, você pode se cortar. Eu disse que se quebrasse algo de vidro, você deveria se afastar”, a professora falou preocupada, tomando a vassoura da boca da aluna. “Vá lá para fora com os outros, por favor.” A potrinha baixou a cabeça e saiu decepcionada.
“Eu adorava o recreio”, Can-Can comentou saudosamente em voz baixa. Olhava para o quintal por uma das janelas da cozinha, observava potros galopando, uns usavam o balanço, outros apenas faziam rodas de amigos para conversar.
“Lembra daquela vez que eu tive de chamar a sua atenção porque não quis entrar para assistir as últimas aulas?”, Balance murmurou, nostálgica. Can-Can assentiu com um risinho de embaraço.
“Bom, mas, voltando a pergunta, a que devo a visita?”
Can-Can encarou a professora e disse, “Eu vou começar a dançar no Sun essa semana”. O rosto de Balance se iluminou com a notícia, trotou até a pônei rubra e deu-lhe um abraço apertado enquanto falava, “Meus parabéns, minha querida! Parabéns”.
Inexpressiva, Skylark observava as duas. Desviou o olhar para o quintal, onde viu um dos potrinhos tentando se equilibrar de cabeça para baixo, sobre os cascos dianteiros. Sorriu com a cena. Saiu da casa e foi em direção aos alunos sem que as duas outras éguas percebessem.
“Seu papa ficaria tão orgulhoso”, Balance disse ao deixar o abraço. “Era o sonho dele, ver você num palco.”
Can-Can assentiu e comentou, “Se ele ainda estivesse conosco, com certeza iria na minha estreia. Bem... eu queria convidar você para ir me ver dançar, Fräulein”. A pégaso ficou surpresa com o pedido.
“É claro que eu vou”, Balance respondeu lisonjeada. “Eu vou buscar um caderno para você anotar o endereço e o horário para mim.” A égua negra saiu da cozinha e subiu as escadas. Can-Can esperou ela retornar. Sorria contente; gostava muito da professora, e quando descobriu – nos anos em que o pai recebera visitas dela – que a pégaso tivera um discreto relacionamento com Turner há muito tempo, passou a gostar ainda mais dela.
Deu-se conta de que Skylark não havia dito nada até então. Uma rápida olhada pela cozinha revelou que a pônei terrestre não estava por lá. Chamou pelo nome da amiga duas vezes, foi olhar no corredor, chamou mais uma vez. Balance voltou pelas escadas e perguntou o que acontecera. A ex-aluna respondeu que sua amiga tinha sumido. As duas éguas se encararam em estranhamento por um segundo. Os risos altos dos potros no quintal chamaram a atenção das duas, que se dirigiram à janela da cozinha.
Skylark equilibrava-se de cabeça para baixo com os cascos dianteiros no quintal. Os pequenos pôneis a observavam com olhares admirados. Todos bateram cascos e gritaram pela proeza. Balance deixou escapar um leve riso e disse, “Ela é boa”. Can-Can deixara o queixo cair, perguntava-se onde Sky teria aprendido tal coisa. De repente, a pônei bege desequilibrou-se e caiu de costas no chão, foi então pega de surpresa por uma classe inteira de pôneis brincalhões que se jogaram em cima dela. Skylark ria junto com os pequenos.
“Então, vocês duas...”, Balance murmurou vagamente, atraindo a atenção da pônei de cristal.
“Oh! Não, não. É só uma amiga”, Can-Can disparou.
“Ah, desculpe, eu não quis...”
“Tudo bem, Fräulein. Não tem problema.”
“Aliás, como estão as coisas na sua casa? Tudo em ordem? Precisa de algo?”, Balance pôs-se a perguntar. Can-Can apenas balançou a cabeça negativamente e agradeceu a preocupação da professora.
“Breath pediu para que eu tomasse conta de você. Eu deveria ir olhar como você está mais vezes. Acho que não estou fazendo o trabalho direito”, a professora disse num suspirou.
“Pelo que eu estou vendo, a Fräulein está fazendo o trabalho direitinho”, Can-Can garantiu, olhando pela janela os jovens alunos de Balance – potros pobres que não podiam pagar as despesas de uma escola comum e que ganhavam a oportunidade de aprender por baixíssimo custo nos fins de semana ali.
A égua negra olhou para a jovem ao lado e disse com a voz tomada de emoção, “Você está aí, toda crescida, e eu fico perguntando se precisa de algo”.
A ex-aluna sorriu cheia de doçura para a professora. Balance deixou seu olhar vagar pela janela e falou em voz baixa, “Sempre que precisar de alguém com quem conversar, estarei aqui. E outra coisa, não que eu esteja dizendo que você está mentindo, nem nada, mas, no dia que quiser me apresentar seu pônei especial, vou gostar muito de conhecer, seja quem for”.
“Fräulein, eu não estou saindo com ninguém”, Can-Can assegurou. Não demonstrou, mas ficou contente com a mostra de cuidado da professora.
“Seu papa era tão preocupado com os pôneis com os quais você saía que acho que peguei um pouquinho dessa paranoia dele”, Balance brincou. Ficou calada por um instante, procurando as palavras certas. “Não quero me intrometer na sua vida, nem decidir as coisas por você. Você já é uma égua, sabe tomar suas próprias decisões, mas gostaria que você me contasse como as coisas vão de vez em quando. Tudo bem?”
“É claro. Pode deixar”, a jovem concordou e sorriu levemente.
Após anotar o endereço e um horário aproximado – pois não sabia ao certo que horas dançaria – para Balance, Can-Can abriu a porta que dava para o quintal e chamou a amiga. Skylark passou vinte minutos tentando se despedir de todos os potrinhos para poder ir embora. Foi uma tarefa difícil, pois os jovens se apegaram a pônei que brincara com eles no recreio e não estavam dispostos a deixá-la partir.
Quando Can-Can e Skylark saíram pela porta da frente, várias cabeças se amontoavam para espiar da entrada da cozinha. A pônei bege balançou o casco fazendo adeus para os pequenos. A pônei de cristal trocou rápidas palavras de despedida com a professora e então as duas dançarinas partiram.
Trotaram devagar de volta para a casa de Can-Can.
“Então... como foi a noite com Rain?”, a eguinha rubra indagou, de súbito. Arrependeu-se de fazer a pergunta no momento em que ela escapou da boca.
“Divertida, nós fomos numa festa na casa de um amigo dela. Por que a pergunta?”
“Ah, por nada”, Can-Can retrucou, fingindo desinteresse. Skylark continuou a trotar sem dizer nada por alguns momentos até que um esclarecimento surgiu como uma luz em sua mente.
“Alguém aqui queria muito estar com ela, hum? A mana me contou.”
A eguinha rubra estancou, constrangida. Sabia que não devia querer saber o que Rain fazia com outras pôneis por aí, mas a curiosidade havia sido mais forte.
“Apenas pra que você saiba, eu não fiz nada com ela”, Skylark confessou. Can-Can ficou surpresa, tinha uma sobrancelha levantada. “É sério. Todo mundo diz que ela é uma safada e tal, mas ela nem é tudo isso. Tipo, ela dormiu com três, talvez quatro pôneis do Sun no decorrer de uns anos. Eram sim amigos dela e tudo mais, mas não é como se ela dormisse com todo pônei que é amigo dela.”
Can-Can não sabia muito bem o que dizer. Sem pensar muito, perguntou, “E esses amigos dela, ainda trabalham no Sun?”
“Hum, alguém aqui quer exclusividade? Can-Can, cresce, por favor”, Skylark disse sem responder à pergunta. A pônei rubra lançou um olhar resignado à amiga e permaneceu em silêncio.
“Faz o seguinte, chama ela pra sair. Vão passear em algum lugar. Mas não pressiona ela, isso é burrice”, Skylark sugeriu. “Além do mais, eu acho que ela já gosta de você. Até mesmo porque parecia que vocês iam se engolir semana passada.”
Can-Can vacilou, mais constrangida ainda.
“Se todos esses pôneis que falam dela vissem como você fica depois de beber, a safada seria você”, a pônei bege escarneceu. Can-Can torceu o focinho, agora estava também ofendida. Skylark deu um sorriu com ironia.
“Falando sério, agora. Não é porque você beija um pônei, que ele é o seu pônei especial e que vocês vão passar a vida juntos e ter um ‘felizes pra sempre’. A vida não é conto de fadas, ouviu?”, Sky aconselhou.
Can-Can limitou-se a concordar em silêncio. As palavras de Sky fizeram-na pensar em Sticks. Verdade, Sky está certa, pensou.
Pararam em frente à porta de casa.
“Hum, acho que é isso. Pensa bem no que eu te disse. Nos vemos amanhã. Tchau”, Skylark despediu-se com um abraço e partiu, deixando Can-Can com seus pensamentos no batente. A jovem dançarina ficou olhando a amiga trotar pela calçada e desaparecer ao virar a esquina.
Entrou em casa. Trotou até o banheiro, mas ao alcançar a porta, um estalido seguido de um forte cheiro de enxofre chamou sua atenção de volta para o centro da sala. Em cima do sofá havia um pedaço de pergaminho enrolado, selado e esfumaçado. Precipitou-se para a carta assim que se deu conta de que deveria ser a mensagem que Weather disse que enviaria quando chegasse em Cloudsdale. Estava prestes a pôr os cascos no papel, mas conteve-se. Temeu que estivesse quente. Apenas para se certificar, soprou três vezes antes de encostar nele. O pequeno selo de cera mágico ostentava uma diminuta versão da Marca de Weather. Can-Can rompeu o selo e desenrolou o papiro. A carta tinha uma escrita tremida e imprecisa; deu-se conta de que nunca tinha visto a letra do amigo. Por um segundo, imaginou-o tentando escrever em cima de nuvens fofas que fizeram com que sua letra ficasse daquela forma. Sorriu timidamente e leu a carta, que dizia:
Can-Can,
Meu voo foi mais rápido do que eu achei que seria. Pensei que só chegaria no final da tarde. Bom, já que você tá lendo isso, quer dizer que eu cheguei bem e que não há com o que se preocupar. E nossa! Que cidade bonita, Cloudsdale. Queria muito que você visse. Eu já dei uma olhada, de longe, na fábrica de clima. Vi em primeiro casco a produção de nuvens!
Vou ficar num quartinho perto do centro. Consegui alugar por um preço razoável. Sabe, é até engraçado, eu estou morando num quarto feito de nuvens, dá pra acreditar? Eu ainda fico me perguntando como a vida em Cloudsdale funciona, qualquer pônei poderia simplesmente atravessar a parede do meu quarto e roubar tudo o que eu tenho. O pônei que alugou o quarto pra mim disse que tem um tipo de magia nas nuvens que impede estranhos de passarem por elas, mas eu não confio muito nisso não. Aliás, eu já coloquei a cabeça pra fora da parede pra olhar o quarteirão e quase dei de encontro com uma pônei que passava voando.
E outra coisa, você ia ficar impressionada, as construções da cidade não parecem em nada com as de Germane. Tudo aqui parece lembrar aqueles templos antigos dos livros de História. E a temperatura é tão amena! Não existe aquele friozinho na espinha que tinha ao sair de casa pras ruas de Germane. Amanhã eu vou procurar emprego. Logo cedo eu vou estar na porta da recepção da fábrica de clima, me deseja sorte. Eu acho que por enquanto é isso. Vou escrever mais assim que puder.
Clean Weather.
Can-Can terminou de ler a carta e imaginou como deveria ser Cloudsdale; seus pensamentos não chegavam sequer próximos ao que a cidade no céu realmente era. Ficou contente, pois Weather, pelo menos, parecia feliz. Ergueu-se do sofá, foi até o quarto e deixou a carta em cima da cama. Escreveria uma resposta mais tarde. Após tomar um longo banho, a pônei de cristal deitou em na cama e adormeceu.
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