Notas iniciais
Quando Carlos chegou à sua casa, um dia qualquer, encontrou-a com um sorriso estranho na boca e um brilho diferente no olhar. Ele falou: — Já sei... Descobriu a fórmula da desintegração... — SIM! Melhor do que isso... Telepatia... Falar de longe, sem radioamador, sem telégrafos, e sem códigos, meu amor... E também descobri como produzir energia, com “magnetismo mental”. Tenho tudo decifrado, pronto para entrar em ação... Existe um capacete que ajuda a enviar mensagens telepáticas no ar.

Enquanto os gênios da montanha faziam trabalho de espiões, Tiago e Fernanda se graduaram como médicos, com data marcada para casar. Carlos já era papai, pois engravidara Simone durante umas férias, e a família os obrigara a casar, às pressas, antes que a barriga dela começasse a se notar. Quando Carlos recebeu seu diploma de “Engenheiro em metais”, sua mulher carregava no colo a Carlos Júnior.

O casamento de Tiago foi um acontecimento social nessa cidade, pois a riqueza do sogro era enorme e ele não mediu gastos. Foram convidadas autoridades militares do governo, todos os banqueiros, e todos os donos de hotéis de luxo. O pai de Fernanda deu de presente aos noivos uma mansão, construída durante toda a época do noivado, por Fabiano e Carlos. Aliás, foi assim que Fabiano reencontrou os amigos. No dia em que Carlos entrou na fábrica em busca de vigas de metal. Junto a esses pedidos, Fabiano deu-lhe um relatório sobre as cidades subterrâneas, e o telégrafo. Depois disso passaram a fazer reuniões entre eles para aprender um código simples e enviar mensagens secretas. Para disfarçar, Fabiano se uniu ao trabalho dessa mansão deslumbrante.

Filomena e seus três filhos menores se mudaram para essa mansão, dias antes desse casamento acontecer, e ficaram como donos dessa casa, para sempre. E Filomena começou a governar e administrar os gastos da mansão, e a mandar os empregados a fazer tudo direitinho. Trabalho de casa ela sabia bem. Carlos abraçava-a, dava uns amasso nos irmãos menores, e perguntava: — Está necessitando grana, mãe? Ela puxava sua lista de compras, entregava para ele, e Carlos devolvia sorrindo: — “Mãe, gaste também em algo para você, aliás, tá na hora da senhora aprender a dirigir um carro”. E ela sorria. A vida havia sido generosa, afinal das contas.

Depois dessa festa de arromba, Tiago se perdeu num navio maravilhoso, com dois serviçais a bordo, sem data para voltar. Trancados numa suíte com piscina, Tiago e Fernanda perderam a virgindade com a água até a cintura, pois a sociedade humana continuava louca. Proibia aos jovens a fazer amor, pois a luxúria continuava a ser o maior dos pecados de todos os homens. Tanto a mulher como o homem deveria subir ao altar para casar totalmente virgens.

E foi nesse iate de luxo que descobriram o real tamanho do novo mundo.

Encontraram ilhas com cidades modernas, hotéis luxuosos e encantadores, e dois pequenos continentes que possuíam urbes importantes. Mas, em todo lugar quem mandava era um representante oficial do Rei Adolfo. E em cada cidade, a ordem era mantida com mão de ferro por soldados armados com rifles, pistolas, ou militares que deambulavam sobre carros blindados com morteiros. Além do que, havia tanques de guerra nos recintos militares. Fernanda sequer podia escrever o que encontravam, pois em todos os cais eram revistados. Uma simples lista de mantimentos era analisada com suspeitas. Até falar com pessoas na rua era proibido. Os amigos se abraçavam, entre poucas palavras, e continuavam caminhando.

Enquanto Tiago fazia espionagem pelo mundo, Fabiano e Carlos deram os últimos retoques na residência de Tiago, que possuía um bosque natural nos fundos, e em redor dela. A primeira vista, a mansão de Tiago tinha oito suítes, sala de jogos, biblioteca, escritório, sala de visitas, sala de jantar, cozinha enorme, fornilho na beira da piscina, para preparar uma peixada no fim de semana, sauna, e duchas externas.

Embaixo de tudo isso, havia um subterrâneo, e a entrada principal estava localizada no banheiro da piscina, com uma porta giratória, atrás do espelho da parede do lavabo. Subterrâneo que ninguém sabia que existia. Muito menos Filomena e seus outros filhos. Havia lá embaixo salas para guardar armas, ginásio para treino de luta corpo a corpo, e o mais importante, uma estação de radioamador, que ligava com cinco rádios clandestinos. Também havia uma máquina impressora, um telégrafo, papel para imprimir, e tipos móveis de Tipografia. No final de tudo isso, três suítes, e uma cozinha com sala de jantar conjugados.

E tudo que Mário entregava para Fabiano foi sendo armazenado naquele lugar para ser lido e analisado. Coisas que começaram sendo estudadas por Simone, que acompanhava Carlos nas obras, com o filho no colinho. Simone sabia de cor o idioma dos povos desaparecidos da montanha. Enquanto Carlos trabalhava com Fabiano, ela lia os livros enviados por Mário, na sombra dos jardins, e escrevia anotações em cadernos. E foi assim, que ela descobriu coisas fascinantes no volume que se chamava: — “O poder secreto dos homens”. Havia 50 exercícios para se comunicar a longa distância com Telepatia, e um desenho estranho de um artefato que servia para captar energia do ar, com “magnetismo mental”. Também achou exercícios para mexer objetos, e algo insólito, como desativar uma arma mortal em caso de guerra. Tudo com a força do pensamento. Nossa! E ninguém jamais deu importância, pois o poder da mente só era levado a sério nas igrejas, para hipnotizar o povo com historinhas mentirosas.

Quando Carlos chegou à sua casa, um dia qualquer, encontrou-a com um sorriso estranho na boca e um brilho diferente no olhar. Ele falou:

— Já sei... Descobriu a fórmula da desintegração...

— SIM! Melhor do que isso... Telepatia... Falar de longe, sem radioamador, sem telégrafos, e sem códigos, meu amor... E também descobri como produzir energia, com “magnetismo mental”. Tenho tudo decifrado, pronto para entrar em ação... Existe um capacete que ajuda a enviar mensagens telepáticas no ar.

— Nossa!... Temos que contar para o Mário...

— Acho que consigo descobrir onde está a Eloísa... Mas, necessito do capacete...

— Maravilha! Fabiano está um solteirão triste. Ele não ri, não faz piadas, eu nem sei como tirá-lo da solidão. Agora venha a fazer outra pesquisa... Como se transforma um homem arrebentado, como eu, num leão cheio de energias?

— Com Reik! Prepare-se que isso está na primeira página, meu querido. Deite, e deixe comigo. A partir deste momento, você nunca mais vai saber o que é o cansaço. Uau!

Rindo, ele tirou a roupa, estendeu-se de bruços, enquanto sua mulher acariciava toda a coluna para uma massagem. Ele dormiu. Quando abriu os olhos depois do cochilo, namorou sua esposa com o ardor de sempre, ou seja, até o dia clarear. E foi assim que Simone engravidou do segundo filho, pois o namoro fora sem trégua.

Nas montanhas, Nina, Rosa e Marlene enlouqueceram quando chegou às anotações de Simone, com as massagens, projeção de energia sobre o plexo masculino, que deixava um macho cheio de brios. Nos laboratórios, os namorados liam outra coisa, ainda mais interessante, Simone enviara o desenho de um capacete, mas não era a máquina que captava a energia cósmica, eram os homens que alimentavam os dínamos, com sua própria eletricidade. Energia que saía da cabeça. Do encéfalo. Só havia que experimentar se isso causava danos cerebrais. Além disso, estava mais um desenho esquisito, algo assim como uma antena, que deveria ser lançada para o espaço e fazê-la girar numa órbita lentamente. Em caso de lançamento de foguetes de longo alcance, essa antena puxaria os projéteis para o espaço, e não feririam ninguém.

Reginaldo e Abelardo construíram o capacete, com uns geradores de energias de formato mínimo, do tamanho de um feijão, pendurados ao lado das orelhas como enfeites. As mulheres trabalharam junto. Entremeado de carícias, ou, de fugas para o banheiro, onde puxavam o uniforme ridículo, tomavam banho com espumas e faziam amor. Sempre na desculpa da assepsia obrigatória. Afinal, os cientistas eram neuróticos. Tudo que se fazia nos laboratórios era contagiante.

E foram por esses péssimos costumes de fugir aos banheiros, que obtiveram autorização para casar. Em seguida, ganharam duas semanas de licença para lua de mel. Rosa estava feliz. Finalmente, o Júnior teria o pai em casa, e formariam uma família feliz. E o Júnior já não era mais criança, estava começando aprender na Escola a ler e escrever.

Quando Fernanda e Tiago voltaram da “lua de mel”, as novidades estavam empilhadas no subsolo de sua mansão, para ler, selecionar, escrever, imprimir, distribuir, e começar a fazer barulho, pois estava mais do que na hora de espalhar, na clandestinidade, o primeiro “jornal do povo”.

Sentados em poltronas confortáveis, fechados nesse subterrâneo, Tiago, Carlos e Fabiano começaram ler em voz alta o que poderia ser fabricado pela empresa metalúrgica. Mário lhes havia enviado das montanhas fotografias de todos os inventos empoeirados em sótãos esquecidos. Havia um “transmissor de imagens” a longa distância, batizado com o nome de “televisão”, máquinas pensantes chamadas de “computadores”, disco com músicas gravadas e aparelhos para escutar esses discos, batedeiras de frutas, batedeiras de massa para pão, 100 modelos de fogão, 200 modelos de máquinas de costuras caseiras, forno de micro-ondas, lavadoras com centrífuga, secadoras de roupas, ferros domésticos a vapor, uns 200 modelos de máquinas fotográficas, telefone celular, máquina calculadora capaz de fazer contas infinitas, carro movido com “energia solar”, antenas para captar energia da Lua, torres eólicas que captavam a energia dos ventos. Até diamantes sofisticados podiam ser obtidos, num processador de carbono. Aliás, até ouro.

A maior informação era de que os desenhos desses inventos permaneciam em Bibliotecas entupidas, apodrecendo, pois não interessava ao governo colocá-las em prática, e muito menos dar de graça para um empresário fabricá-las. Enquanto isso, as pesquisas de como matar um ser humano estavam todas autorizadas. Aliás, havia uma coleção de modelos de foguetes capaz de terminar com a vida humana, cujas distâncias eram de 10 km, de 20 km, de 30 km e de 150 km. Os foguetes podiam cruzar o espaço entre a montanha e o mato, entre o mato e as cidades, ou, de uma Ilha para outra Ilha. A única coisa que ninguém sabia, é onde estavam escondidas, pois não foram construídos na montanha. Os militares com certeza haviam-nas fabricado em “lugares sigilosos” e instalado em recintos mais clandestinos ainda.

Tiago escondeu a cabeça entre as mãos e gritou desta vez:

— Bombas! Não são atômicas, mas podem terminar com a vida de toda população mundial...

Carlos perguntou:

— Que vamos fazer?

— Esperar... Temos que descobrir onde estão e se for possível explodir com tudo... Estamos de mãos amarradas...

Fernanda disse:

— Vamos fazer festas. Meu pai e o pai da Simone conhecem todos os militares importantes. Temos que fazer esses homens soltar a língua, espionar os miolos de todos, descobrir onde estão essas bombas, quem sabe no meio da selva, ou, no meio do mar, na verdade não sabemos nada do inimigo.

Carlos completou:

— Isso! A Simone já consegue ler a mente, cara...

— Conta outra!

— Verdade, cara... Está tentando a “telepatia” com Nina, e sem capacete por em quanto... Mas, com o capacete vi ser moleza. Vamos começar a andar de bicicleta. Vai ser tiro e queda, em cada viagem vigiamos os filhos de abastados, e vamos fabricar uma bicicleta que encha de orgulho aos ricaços. Temos que incentivar o ciclismo como esporte mundial. E fabricar dois modelos de capacete, aquele que incentiva a telepatia, bem barato, bem sem graça, e outro cheio de cores deslumbrantes e caríssimos que não sirvam para nada além de proteger a pessoa contra os tombos.

E dando boas gargalhadas, pois era difícil acreditar, saíram desse subterrâneo para se juntar às famílias.

Filomena, que brincava com Carlos Júnior, correu em direção de Tiago rindo que nem criança. Simone, que ajudava na cozinha a preparar um ensopado, enviou um beijo para Carlos de longe. Filomena olhou a todos e enxugou uma lágrima de gratidão, pois a felicidade havia entrado finalmente em sua vida. Ver seus filhos gêmeos endinheirados, elegantes, casados com duas mulheres lindas, esquentava seu coração. Principalmente Simone, que era a que mais amava. Seus outros três menores estavam também para se formar, e os mais velhos escreviam sempre para ela. A única coisa que não entendia, era o porquê os Deuses haviam sido tão magnânimos com ela e com todos seus meninos.

E foi assim que a vida de casados tomou um rumo diferente.

Os revolucionários dando festas, comilanças regadas com muito vinho, pois era assim que os machos se soltavam para falar de suas grandezas. Todas as semanas eles davam festas, ou eram convidados a despedidas de solteiros, casamentos de gente importante, batizados, aniversários, pois a alta sociedade sempre encontrava uma desculpa para se embebedarem. Simone deixava o filho com Filomena, e falava bobagens com amigas, principalmente sobre moda, ou novos penteados, enquanto Carlos ouvia o que os machos falavam.

Pouco a pouco, foram sendo desenhados lugares “possíveis” com bombas escondidas. Eram quartéis no meio do mato, outros perto da montanha, lugares onde circulavam caminhões fechados a caminho dos cais.

Enquanto eles esquematizavam mapas, nas cordilheiras Abelardo e Reginaldo deram início à invenção de uma arma. Para despistar os colegas, ajudavam de vez em quando Nina e Rosa, na pesquisa de um protótipo de nave espacial, que seria lançada com foguetes de alta potência. Ela lançaria no espaço 10 estações com uma antena para fotografar o mundo do alto e corrigiria os mapas do planeta. Quem receberia as imagens seria um monitor instalado na base de lançamento. Mas, na verdade, eles também puxariam para si todos os foguetes, em caso de guerras.

Mário por sua vez estava desenhando um “ônibus espacial” pilotado por humanos, que era a maior piada entre os cientistas, pois possuía pranchas fluorescentes para captar energia do espaço, e não se elevaria através de foguetes. Ela subiria no ar como uma leve pena de avestruz.

Em surdina, os cinco examinavam o protótipo da nova arma, que funcionava com “energia humana”. Ela tinha aparência de uma “batedora de frutas”, e batia frutas e legumes muito bem, mas, desmontada, podia ser transformada numa arma mortal que matava até uma distância de 500 metros, sem nenhum combustível, nem bala, pois ela paralisava o coração da vítima. Só. O inimigo morria de parada cardíaca fulminante, instante depois de ser atingido por uma luz azul.

Quando os desenhos do “liquidificador mágico” chegaram à mansão e às mãos de Tiago, Fabiano achou que podia fazer as peças na Metalúrgica, mas, a montagem deveria ser feita longe da cidade.

Fernanda pediu um empréstimo para seu pai, para levantar uma fábrica montadora, que seria dela mesma. Queria seu cunhado Carlos como Diretor geral e seus outros três cunhados, recém-formados, como gerentes. Tiago pediu autorização ao Rei Adolfo, para levantar esse estabelecimento numa ilha gigante, com a desculpa que encontrariam mão de obra barata. Escravos, na verdade. Como todos os escravos modernos que trabalhavam nas fábricas do Rei. E como o rei era amigo de infância do pai da Fernanda, receberam autorização imediata.

Na última hora, Tiago conseguiu, depois de muito pedir, tirar seu pai da prisão para que fosse junto, alegando, frente ao Rei, que agora seu pai era um homem rico, que não necessitava mais roubar para alimentar os filhos. Além do que, ele trabalharia na fábrica da família dali em diante. E conseguiu. Eugênio saiu desse calabouço algemado, com roupas de réu, barbudo, era o retrato vivo de um homem que definha no sofrimento.

Antes de levar seu velho para casa, o levou a uma loja de roupas, um cabeleireiro, e o aconselhou a fazer amor com camisinha, pois a mãe ainda estava fértil. Em seguida, lhe pagou uma semana de lua de mel, num hotel elegante, pois a mãe estava toda envergonhada lá em casa.

Filomena, que passou os anos de casada fazendo amor escondida entre folhagens, sem fazer barulho algum, para não acordar os guris, recebeu o maior prêmio de sua vida. Seu marido, 15 anos mais jovem do que ela, saiu dessa prisão como um leão, disposto a namorá-la de verdade. Na suíte daquele hotel elegante, teve uma lua de mel própria dos mais afortunados, numa cama macia, enorme, piscina interna na suíte e banquetes de comidas deliciosas que eram trazidas 4 vezes ao dia. Era comer e fazer amor. E pelo resto da vida, eles repetiriam o ritual, dia após dia, pois Filomena não havia percebido que durante todos esses anos ela se convertera numa mulher bela. Fernanda tinha-a levado a tingir o cabelo, e aprendera com a nora a fazer maquiagem nos olhos, na boca, e nas sobrancelhas. Como sempre fora magra, com uma boa alimentação havia ganhado curvas generosas, e suas pernas estavam grossas e firmes. Com seu homem se babando de paixão ela estava finalmente no éden dos afortunados. Nada mais faltava no cardápio da felicidade completa.

Depois da chegada de Eugênio ao lar, Carlos e Simone marcaram a partida, carregando seus dois filhos. Carlos Júnior sentado sobre os ombros do pai, e o recém-nascido mamando no peito da mamãe Simone. Filomena e Eugênio, lado a lado deles, choravam, abraçados aos três filhos menores que riam tempo todo. Recém-formados, e a caminho de um paraíso em meio do mar, onde teriam trabalho, e um futuro promissor, era um premio na vida de todos eles. E o melhor, estavam reunidos como fora na infância como uma família feliz que se amava de verdade.

Fernanda e Tiago os viram partir num navio gigante, cujo carregamento era composto de material de construção, casas pré-fabricadas, mobílias, para construir uma fábrica e uma casa. Ficaram no cais, acenando, com Tiago arrasado, pois sua grande família era a maior felicidade nesta vida. Nunca havia tido tantos irmãos, e pais que o amassem tanto.

Um ano depois, Simone e Carlos reuniram toda a nata da sociedade mundial, para a inauguração da empresa, e o lançamento do primeiro produto dessa indústria. Foram convidadas personalidades importantes, muitos jornalistas, e o liquidificador, com vários modelos de fabricação, entrou no mercado batendo recorde de venda, antes de aparecer nas lojas. Os modelos que se convertiam em armas foram comprados por Tiago, para serem guardados na mansão de Fernanda. Os demais, que só serviam para bater frutas e legumes lotaram lojas, supermercados, e apareceram nos jornais oficiais do reinado, com anúncios de propaganda. Em menos de dois anos, Fernanda devolveu o empréstimo ao seu pai, e fez uma escritura pública dando 50% da empresa para Carlos e Simone.

E foi depois de tudo isso, que Fernanda, Fabiano e Tiago começaram a impressão do primeiro “Jornal do povo”, escondidos no subterrâneo da mansão.

Notas finais
Na última hora, Tiago conseguiu, depois de muito pedir, tirar seu pai da prisão para que fosse junto, alegando, frente ao Rei, que agora seu pai era um homem rico, que não necessitava mais roubar para alimentar os filhos. Além do que, ele trabalharia na fábrica da família dali em diante. E conseguiu. Eugênio saiu desse calabouço algemado, com roupas de réu, barbudo, era o retrato vivo de um homem que definha no sofrimento. Antes de levar seu velho para casa, o levou a uma loja de roupas, um cabeleireiro, e o aconselhou a fazer amor com camisinha, pois a mãe ainda estava fértil. Em seguida, lhe pagou uma semana de lua de mel, num hotel elegante, pois a mãe estava toda envergonhada lá em casa.