De amor e de sangue. Segunda parte
7 Dias de combate
Notas iniciais
A insurreição começou quando Mário, Abelardo e as esposas chegaram à mansão de Fernanda carregando 4 mochilas com bombas. O sentimento de felicidade de estarem juntos tomou conta. Por muito tempo, ficaram abraçados, esperando que a emoção passasse. As mulheres choravam, assoavam o nariz, intercalando risadas, pois estavam finalmente juntos depois de uma longa vida separados. Fernanda e Nina eram as que mais choravam. Havia tanta lembrança no coração. Tantas recordações de outras vidas vividas juntas, pois nesta vida todos tinham imagens nítidas na cabeça sobre outras reencarnações.
Depois, os recém-chegados conheceram o lugar. Percorreu-se a parte de cima, com seus jardins ao redor da piscina, o lugar para fazer festas ao ar livre, e finalmente à parte baixa onde se esconderiam durante o dia.
Fernanda mostrou aos amigos as suítes desse subterrâneo, com guarda-roupas socados de roupas lindas, junto ao banheiro com patente macia, suave, iluminada com luzes indiretas, flores artificiais, banheira com águas mornas, ao lado de bálsamos, e xampus finos. Marlene ria deslumbrada e fazia comentários engraçados. Ela inventara a maioria desses perfumes que estavam ali, mas na casa dela, só havia sabão de coco. Era o que dava para comprar com a grana do governo. Escolheram suas suítes, e se encaminharam para a parte superior, em cujo lugar não havia sequer um empregado. Fernanda tinha-oss enviado para casa, como fazia todo fim de semana. Em seguida, atacaram o banquete, beberam vinho, e, finalmente, escondidos no subterrâneo, o trabalho de guerra começou.
Os maridos se debruçaram sobre um mapa, para examinar onde se encontrava o inimigo. Marcaram os lugares de ataque, que aconteceriam durante a calada da noite, em becos estratégicos. As ruas da cidade subterrânea seriam usadas em tempo integral. Sairiam como baratas, ou ratos, vestidos de negro, espalhando a insubordinação. Para começar os ataques, havia mais ou menos 60 mansões marcadas em vermelho, de militares que eram torturadores sádicos nas cadeias. Eram gênios do mal, que atormentavam, com requinte de crueldade, qualquer suspeito que por desgraça caía nas suas mãos. Seriam as primeiras vítimas desse levante.
Para despistar o inimigo, Carlos e Fabiano ficariam durante o dia passeando. Começariam o roteiro no Banco, olhando as contas, depois visitariam a Metalúrgica para conversar com operários, tomariam café no centro da cidade, e ao meio-dia almoçariam com as esposas no centro, em restaurantes elegantes, muito bem-vestidos. ao poder. Tambem oticias sobre os mortos, as vitorias ndo Tiago voltou, a festa na mansros helicopteros o desde outro Dormiriam a sesta, e de noite sairiam às ruas matando o inimigo, ao lado do pessoal, prontos para o combate. Depois, correriam e desapareceriam nos bueiros que davam acesso aos esgotos. Regressariam para casa antes do amanhecer.
Mário e Abelardo ficariam no subterrâneo da mansão durante o dia, ou na cidade subterrânea, e de noite apareceriam nas ruas, rostos cobertos com máscara.
Tiago iria para a Clínica fazer cirurgias. Dormiria a sesta lá mesmo, na sala dos médicos, regressaria para casa com Fernanda. De noite, tomaria conta do grupo que ficava perto do palácio. Mário e os demais atacariam os espiões do LEA, “Liga de Espiões Anônimos”, e dos conselheiros de governo, dentro de suas próprias casas.
Enquanto tudo isso era escrito, gravado e discutido na mansão, nas montanhas Reginaldo deu aviso do sumiço dos amigos, assim que chegou aos Laboratórios. Chamou os soldados, contou que eles não estavam em casa, e que não fazia ideia para onde teriam fugido. Imediatamente, Rosa foi presa, e Reginaldo foi levado para outra cela, onde foi torturado nas costelas com chibatadas para contar a verdade, se quisesse sua mulher viva. Desmaiou várias vezes. Rosa também foi torturada com pancadas nas costelas, mas aguentou firme. Lacrimejou, enquanto gritava que não sabia nada de nada.
Reginaldo Júnior recebeu os gritos da mãe através de telepatia. Gritou para seus amigos que seus velhos estavam sendo martirizados, e correu para fora juntando pedras do Laboratório. Acompanhado de 50 amigos, quebrou vidros desse presídio, incendiou 6 veículos militares, enfrentaram os soldados a patadas, mas também todos os guris foram presos, espancados na rua com pontapés, cassetetes, em frente de um povo que olhava tudo sem reagir. Era o costume. Dessa cadeia poucos saíam vivos.
Mas, desta vez, 80 cientistas apareceram correndo em frente ao Quartel, exigindo a liberdade de todos, ou fariam uma greve de fome na rua. Todos os pais desses guris, que aguentavam uma surra por cima deles, desta vez ninguém conseguiu suportar a tortura em adolescentes recém-saídos da infância. Foi o ponto culminante, que fez essa gente reagir pela primeira vez.
Reginaldo saiu do calabouço se apoiando no Júnior, com um olho inchado, roupas rasgadas, e Rosa com a cara vermelha de tanto chorar, rodeada de duas amigas que a sustentava, pois ela mal caminhava. Doía seu corpo inteiro.
A divulgação de todos esses fatos foi narrada pelo Júnior, através do radioamador, e escrita no jornal clandestino dando detalhes das torturas, o nome dos torturadores, dos colegas do Júnior, o nome dos cientistas que fizeram a greve de fome, e que estavam presos em casa, sem poder se comunicar com ninguém.
Enquanto isso, no telejornal oficial era comentado que 250 cadáveres, sem sinal nem de bala, nem de veneno, se encontravam no instituto médico legal para autópsia, pois era possível que existisse um vírus misterioso, desconhecido, que atacava somente os homens. Como os mortos se encontravam nos bairros mais elegantes da cidade, um policiamento rigoroso tomou conta das ruas.
Mas, apesar da vigilância, no dia seguinte, morreram 150 pessoas da mesma forma, sem sinais de violência, nem de balas, no dia seguinte mais 380, incluindo conselheiros de Palácio, e amigos íntimos do Rei Adolfo. Algumas pessoas falavam que tinham visto vultos negros correr com destino aos esgotos da cidade na calada da noite. Mas, no interior desses esgotos só se encontrou cocó. Nenhum sinal de vida, pois as portas vermelhas já não eram mais vermelhas. Eram portas sujas, escuras, enferrujadas, com aparência horripilante, que nenhum militar conseguiu abrir.
E, finalmente, foi à vez de explodir os arsenais.
Fabiano e seus valentes foram para os exteriores mais longínquos nas motos, através das ruas subterrâneas. Entraram pelo mato, com as mesmas motos, e dispararam sobre os guardas externos. Em seguida, ativaram as bolas pequeninas, lançaram, e assim que explodiam corriam abaixados para lançar mais outra. Quando tudo era fumaça, escombros, e gritos, regressavam correndo nas motos, que não faziam barulho algum. Todos os recintos lotados de mísseis explodiram um atrás do outro, e os bombeiros só chegavam ao lugar, quando todos os rebeldes estavam de regresso nas ruas subterrâneas.
Para enfrentar os soldados dentro dos quartéis-generais, Tiago e Mário tiveram que organizar grupos maiores de ataque. Os revolucionários se posicionaram sobre os telhados das casas vizinhas, enquanto um helicóptero deixava cair às bombas incendiárias no meio da caserna. Assim que o fogo tomava conta, os portões dos quartéis se abriam e os soldados fugiam para a rua, tentando acertar o helicóptero no ar, com metralhadoras de longo alcance. Mas, morriam de “parada cardíaca” fulminante, antes de agir.
Depois do segundo ataque aos quartéis militares, o governo decretou o “chamado para se recolher”, usado uma vez no passado pelo Rei Augusto, com sucesso total.
Desta vez, somente os helicópteros saíam do meio do mato, sempre em lugares diferentes, e deixavam cair bombas incendiárias nos quartéis. Helicópteros desconhecidos. Diferentes. Sequer faziam barulho ao voarem.
Foi a vez de o Rei suspeitar que Ana e Ariel estivessem na cidade escondidos em algum lugar. Ou eram Abelardo e Marlene, ou, Mário e Nina, ou, os quatro mancomunados com amigos. O Rei Adolfo então ordenou um ataque noturno sobre 50 bairros miseráveis, onde com certeza esse inimigo estava escondido.
E o horror aconteceu.
Mísseis foram disparados na calada na noite sobre bairros com gente farroupilhas, espalhando o terror, enquanto os carros com metralhadoras cruzaram ruas, entraram nas favelas, e disparavam em quem estivesse por perto. As pessoas gritavam, corriam apavoradas de suas casas, e homens vestidos de preto apareciam para socorrer. Todos em motos esquisitas. Foi à vez de alguns revolucionários morrerem. Desta vez era uma guerra frente e frente, pois o Rei não poupara brutalidades nessa empreitada.
Embora os mísseis voassem com destino ao espaço, sem ferir ninguém, os tanques foram muito bem-sucedidos. Mataram muita gente, não poupando crianças nem velhos, sequer mulheres grávidas, pois as balas eram lançadas em todas as direções. Mário lançava as bombas contra os taques com pouco sucesso. Eram fortes, impenetráveis, prontos para exterminar as pessoas em grandes quantidades.
Era o caos.
Os militares também começaram a levar para cadeia muita gente inocente.
Tanto cientistas da montanha quanto pessoas de todas as cidades foram presas. Principalmente quem possuía radioamador, quem estava ligado a Mário na construção dos helicópteros invisíveis, ou, quem possuía carros, enfim.
Foi então que 200 rebeldes vestidos de preto, da cabeça aos pés, abriram as portas dessas prisões com uma bomba, mataram os guardas, e libertaram todos os reprimidos.
Todos esses acontecimentos também fez reagir o povo em geral, pois não era possível que um punhado de encapuzados enfrentasse os governantes, e a maioria da população ficasse em casa dormindo.
Assim que Tiago chegou com 200 homens frente a um presídio, ao anoitecer, apareceram do nada, umas 500 pessoas armadas com pedaços de madeira nas mãos, dispostas a dar a vida pelo fim do domínio militar.
E foi uma noite em que muita gente deu a vida pelo semelhante.
Depois que se abriram as portas desse cárcere e todos os homens já estavam correndo pelas ruas, Carlos espalhou as bombas incendiárias, que fez desse presídio um inferno. Muita gente morreu quando carros militares chegaram a conter a turba enfurecida. Pouco a pouco, Tiago pediu em retirado, e os rebeldes foram desaparecendo nos bueiros, carregando quem estava por perto.
Durante dois meses, os acontecimentos se repetiriam, pois o número de revolucionários multiplicou protegidos pelas ruas subterrâneas, e desta vez apareciam de outros lugares. Enquanto a milícia revistava os esgotos, eles saíam por portas secretas em meio de praças, bosques, chafarizes, teatros abandonados, e igrejas. Havia mais ou menos 60 igrejas com túneis secretos que sequer os vigários sabiam de sua existência.
O Rei Adolfo recebia todos os dias as estatísticas das baixas, e, em seguida lotava os quartéis com gente nova. Soldados que não passavam de adolescentes obrigados a vestir a farda, e a cuidar desse quartel.
E foi por isso mesmo que Mário e Tiago mudaram os alvos. Atacaram o alto comando militar com uma bomba mais pesada, mais potente, trazida por Reginaldo numa moto envenenada. Os donos do poder morreram durante uma reunião, onde se discutia o que fazer para proteger o Rei e evitar a tomada do palácio. Sobraram desse castelo somente as paredes de pedras sobre pedras, e um Rei que não sabia o que mais fazer.
Numa atitude inteligente, Adolfo se vestiu com roupas de favelado e correu para a casa do pai da Fernanda, solicitando ajuda.
Quem levou o rei para a montanha com seus cinco filhos, sua esposa e sua mãe, foi o jato particular de Carlos, com ele mesmo nos comandos. Atrás dele, em outro avião Tiago viajou com os irmãos e sobrinhos do rei. Num outro aviãozinho pequeno, iam nos comandos Fabiano com os tios e primos da família real, e no fim desse grupo aéreo, Eloísa colocou os “tesouros do rei” dentro de seu avião. Eram cofres com dinheiro, joias, ouro em barras, que ele guardava no seu palácio.
Enquanto o rei escapava, Marlene chamava no radioamador para Rosa se preparar para fugir às pressas. Mas enquanto elas falavam atropeladamente, sentiram uma voz vinda do espaço, de pessoas desconhecidas, que as acalmava, pois havia chegado “socorro” de outro mundo. 300 pequenas naves com guerreiros intergalácticos estavam voando ao redor do planeta, prontos para entrar em ação.
Em seguida, os extraterrestres voaram em direção do mato, examinando-o centímetro a centímetro. Foi assim que 200 redutos subterrâneos com arsenal bélico e escombros desapareceram, deixando no lugar um buraco enorme, que começou a se inundar de água, com vertentes naturais, formando lagos de águas cristalinas. Depois, examinaram cidade por cidade, ilhas por ilhas, inutilizando os carros blindados, e fazendo desaparecer como por arte de magia, cada fábrica desse planeta onde se fabricavam armas. Sobraram dessas empresas apenas as paredes. Nada dentro delas. Sequer uma lâmpada. Ou uma chave na porta, pois os ETs se concentravam na matéria feita pelo homem, e restavam do lugar apenas as pedras, os mármores, ou, granitos, que faziam parte da natureza. Só.
Quando descobriram as 10 mulheres prisioneiras de “W”, as içaram no espaço, e, em seguida, desintegraram o Zoológico por inteiro. Desta vez até as pedras. Levitaram a bicharada, e deixaram-na cair no meio da mata como uma pena esvoaçando no ar. Leões deram o grito do alvedrio, onças saíram correndo em busca de uma presa, e as cobras se enroscaram em altas árvores, respirando o ar da liberdade. Afinal, todas as bestas desse Zoológico eram da mais alta periculosidade. Matavam com a mordida certeira.
No entusiasmo da faxina indispensável nesse mundo asqueroso, que fedia para o alto, desapareceram como “mágica”, num dia só, todos os cemitérios, todos os lixões dentro e fora da cidade, toda a merda que corria pelos esgotos, os “agrotóxicos” dentro e fora das empresas.
Enquanto os militares se rendiam, todos eles sem mais armas, pois elas desapareceram como por encanto, dentro da nave dos extraterrestres as 10 prisioneiras gigantas e cabeludas foram induzidas a um longo sono, para esquecimento das dores da alma e do corpo. Médicas dessa nave fizeram exames ginecológicos, e optaram por uma limpeza completa, pois estavam infectadas por milhares de vírus desse mundo. Rasparam os ovários, o útero, as trompas, a vagina, delicadamente, e deram duchas internas com um líquido aquoso. Retiraram cistos, cicatrizaram úlceras internas, hérnias do colo, limparam o intestino com lavagem, desinfetaram o sangue, e as esterilizaram, ligando as trompas. Quando as prisioneiras acordaram, não lembravam nada de nada, e estavam sadias, do corpo e da mente, prontas para regressar ao seu mundo. Voltariam para “W” de uma viagem que não saberiam explicar. Os maridos e filhos chorariam de alegria, e depois do reencontro das famílias, a festa ao redor de uma fogueira começaria no meio da felicidade.
Depois, os extraterrestres se foram, tão rápido como chegaram. Eles apareceram do nada e desapareceram em meio da estupefação do povo, que os olhava para cima. .
Enquanto isso, Carlos havia pousava o helicóptero no meio do povo das montanhas, para que o Rei Adolfo saísse com sua família, e para que Reginaldo, Rosa e o Júnior subissem sorrateiramente. E se afastaram das montanhas o mais depressa possível, olhando pelas janelas o voo rasante dos alienígenas, que lhes faziam sinais com as mãos.
O Comandante alienígena olhou para essa cidade Universitária da montanha, horrorizado, pois ainda havia muitas armas apontando para lugares diferentes. Também havia animais como cobaias, e nas prisões havia cientistas na beira da morte. Examinou o que havia de bom nesse lugar para ser poupado. Isolaram as casas dos fazendeiros, as lavouras, a Pirâmide, e depois enviaram um raio “mental” que desintegrou a cidade Universitária, os laboratórios, as habitações, os aviões, armazéns, supermercados, carros, helicópteros, cadeia, e todas as armas. E foi dessa maneira que as cidades das cordilheiras, que eram o orgulho do reinado pela sua sabedoria, desapareceram.
As cobaias livres, caminhando pelo chão, olhavam para os homens de ciência correndo apavorados, pois havia ursos de 2 metros, ofídios de 10 metros, leões mostrando os dentes de forma ameaçadora, pássaros voando para todos os lados.
E em meio da vastidão, pois só havia mato e casas ao longe, o Rei começou a chorar. Ficara apenas com a roupa do corpo, pois todo seu tesouro também fez fumaça no ar.
Os Deuses desta vez haviam descido do céu, para castigar os homens.
Muita gente começou a rezar de joelhos no chão.
Mas a maioria começou a descer a montanha a caminho das cidades das planícies. Quando chegaram ao mato, tiveram uma surpresa, pois havia um túnel iluminado, aberto, mostrando uma rua com motos aos lados, e mais ou menos uns 40 homens vestidos de negro prontos para lhes mostrar o novo lar. Uma cidade subterrânea onde havia conhecimento, casas lindas para morar, e um lago de águas cristalinas, cheio de peixes, com pomares abarrotados de frutas e hortas com legumes em redor. Parecia surreal. Como era isso possível? Era como entrar num sonho. Depois entenderam tudo. A antiga civilização perdida lhes deixara isso de presente. Alguns sentiram vergonha. Principalmente, os cientistas que inventaram todos os mísseis, todas as bazucas, os fuzis, as metralhadoras, que induziu a humanidade a viver escravizada durante muitos séculos.
Depois da fuga do Rei Adolfo, os rebeldes invadiram todos os quartéis, e obrigaram os soldados a voltar para casa, enquanto faziam uma fogueira para queimar o que restara. Fardas, facas, cassetetes, e o que foram encontrando.
Enquanto os revolucionários trabalhavam limpando os quartéis, a mansão de Fernanda abriu suas portas para os amigos que chegaram da montanha, e quem quisesse entrar. Pessoas que lotaram os jardins, a rua, e os arredores. Eram homens ricos, que estavam com os brigantes, e homens pobres, que haviam lutado lado a lado com Tiago e seus amigos. Aliás, a maior felicidade de Carlos e Tiago foi encontrar entre os rebeldes seus dois irmãos mais velhos, ainda solteirões, que cruzaram o mundo para lutar junto com eles. Sequer Fabiano sabia que estavam em seu pelotão. Afinal, sempre estavam todos mascarados, vestidos de negro da cabeça aos pés.
E no meio de toda essa festa, que explodiu noite adentro, as pessoas pouco a pouco começaram a se perguntar quem era Ana e quem era Ariel.
Assim que Mário e Tiago subiram numa mesa, com Nina e Fernanda abraçadas neles, os aplausos começaram e os assobios também. Só que ninguém sabia qual desses dois homens iria governá-los. Mário fez um pequeno discurso, e diz que nesta vida ele havia estudado demais, trabalhado que nem escravo e estava estressado. Por tanto, pedia que, por favor, Tiago assumisse o poder, pois ele era rico, tinha vida mansa, e merecia esse cargo.
O povo começou a aplaudir novamente enquanto Fernanda chorava e Tiago perdia a fala. E ele se perguntou a si mesmo: — Ele seria um bom rei? Olhou para sua esposa e se questionou se teria chegado até esse momento sublime, sem ela. Como se respondeu a si mesmo que não, beijou-a na boca docemente e falou-lhe: -“Obrigado meu amor... Este momento não existiria sem você”. Depois Tiago aceitou o cargo de governante e nomeou ali mesmo seus assessores, a viva voz, fazendo um resumo da vida de cada um. Metade deles, homens de empresa, inteligentíssimos, que sabiam tudo de dinheiro, e metade revolucionários pobres, que sabiam tudo de sofrimento.
Depois, a folia continuou.
Chegou um caminhão com trio elétrico, que ficou na rua, rodeado de milhares de pessoas que cantavam e dançavam abraçadas, já outros fazendo trenzinho. O povo festejou o fim da dinastia, o fim da miséria, o fim da desigualdade, das humilhações, vividas durante longos séculos.
Ao raiar do Sol, quando ficaram sós, os amigos começaram a fazer planos para o futuro. Afinal, Reginaldo, Mário, Abelardo, e os dois irmãos mais velhos de Tiago e Carlos eram homens “pobres”, pois não tinham casa própria, nem grana. Rindo às gargalhadas, Tiago convidou Mário viver às suas custas, pelo resto da vida. Podia morar na mansão, teria talão de cheque para gastar no que quisesse, e a Nina poderia ter uma dúzia de filhos. Os irmãos mais velhos preferiram viver na ilha, com Filomena e Eugênio, e trabalhar na empresa de Fernanda, que nessa altura era considerada pelo mundo como “milionária”, de tanto dinheiro que essa empresa ganhava. Carlos ofereceu sua mansão para Reginaldo e Abelardo. Estava vazia, pois ele viveria na ilha, e quando viesse para a cidade ficaria com Tiago, numa suíte especial. Também podiam trabalhar na Metalúrgica com Fabiano, com ordenado alto. Meio expediente, para não cansar.
E as risadas irromperam no ar.
Quase ao meio dia, pularam todos na piscina, quais crianças. Reginaldo e o Júnior davam cambalhotas, pois, afinal, eles eram nadadores invencíveis.
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