Notas iniciais
Fernanda examinou os olhos das mulheres, puxou-lhe sangue das veias, descreveu a pulsação do coração, peso, altura, enquanto Simone lhes colocava no braço uma injeção com hormônios, inventada recentemente pela Marlene, para evitar gravidez. Em seguida, Fernanda analisou seus próprios exames nos microscópios, e deu por escrito seu relatório completo antes do fim do dia. Concluiu no fim dos escritos que elas estavam com frio, por causa da mudança de clima, e aconselhava cobri-las com cobertores de lã, toucas para a cabeça, luvas para as mãos, meias para os pés, ou então, iam morrer de pneumonia em pouco tempo.

Mário subiu para o ônibus espacial, após anos de trabalho e dedicação, com 6 tripulantes, que usavam macacão de astronautas e um capacete esquisito na cabeça. Mário abraçou o Rei Adolfo em frente de fotógrafos e jornalistas, e a rede de televisão, acompanhou o lançamento ao vivo. O mundo todo estava vendo esse acontecimento. O combustível seriam placas luminosas que captariam energia do espaço, e que se encontravam revestindo essa nave externamente. Inclusive o Rei Adolfo ganhara um aviãozinho com as mesmas características. Ninguém entendia muito bem porque havia que colocar esse capacete esquisito, mas, como o avião não voava sem ele, os pilotos colocavam na cabeça, ligavam-no aos controles, e o avião subia como uma pena no ar sem fazer barulho algum.

E Mário partiu rumo as estrelas, com coração palpitante, pois encontrar o mundo da civilização perdida era um sonho que poderia finalmente ser realizado com sucesso.

Durante muito tempo, Mário e seus tripulantes só enxergaram penumbra pelas janelas dessa nave. Afinal, estavam viajando com a rapidez “do pensamento”, uma velocidade incalculável para a mente humana, mais rápida do que a velocidade da luz.

O mais incrível era que dentro dessa nave, tudo parecia imóvel. Sempre estável, sem nada flutuando, pois esse capacete regulava tudo. Inclusive o ar. De alguma forma, a nave captava oxigênio do espaço e o atraia para dentro através de buraco ínfimos. Micro espaços. Visto dos telescópios da montanha, o ônibus espacial era um balão de fogo, que atravessava a imensidão como um meteorito.

Mário começou a diminuir a velocidade dessa nave, quando chegou perto da estrela que iluminava o primeiro planeta que ficara nítido nos registros de pilotagem. A seguir, girou dando uma curva elíptica com destino a esse mundo. Mário desceu verticalmente, pousou cinco estacas altas, que se enterraram na terra, e abriu as portas da nave. Uma escada se alastrou externamente como uma serpente, para a tripulação descer a conhecer esse novo planeta. Perto dali, em meio dos cultivos, homens peludos correram ao encontro, cruzando a planície quais crianças. Infelizmente não era o planeta da civilização perdida, apenas uma sociedade muito primitiva que era descendentes diretos dos gorilas.

Com gestos de mímica, Mário se comunicou com eles, deu abraços, e foi caminhando lentamente, acompanhado da sua tripulação, que começava a tirar a roupa, pois o calor era sufocante e ali estava todo mundo nu. Correram pelo matagal, de cuecas, entraram no rio, comeram sentados ao redor da fogueira, e Mário adormeceu feliz, pois havia realizado um grande sonho. Quando acordou, ele estava dentro da nave, vestido, sentado frente aos comandos, e amarrado, imobilizado, com o capacete na cabeça, portas fechadas e um tumulto desesperador fora dessa nave. Dentro dela, além da tripulação, havia 10 mulheres primitivas, prisioneiras, pois o Rei Adolfo queria conhecer seres de outros mundos. Para fazer espaço, os homens haviam jogado fora o laboratório de pesquisas, e em lugar de levar pedras desse planeta, estavam levando as mulheres peludas, sentadas, imóveis, que choravam em coro e berravam desesperadas.

Sem nada a fazer, Mário acionou a partida, com a única mão livre que tinha, e voltou para casa. Tinha ajudado o governo em mais uma atrocidade e estava se odiando até sua ultima célula. Haviam-no drogado, e ele não tinha percebido por excesso de estupidez. Mais uma vez, ele era derrotado pela sagacidade do inimigo.

Quando essa nave pousou numa ilha desabitada, Mário desceu algemado, e ficou na expectativa da aproximação dos barcos de recolhimento. Um navio com uns 50 médicos, e 50 cientistas estavam aguardando-os com curiosidade. As mulheres saíram chorando, enquanto eram empurradas para bordo. Nenhum jornalista por perto. Era como se isso não estivesse acontecendo. E, para finalizar, o ônibus espacial fez um voo rasante, para que o mundo soubesse que estavam voltando sãos e salvos. E Mário desceu na montanha sem poder falar nada, pois se abrisse o bico Nina seria levada para a cadeia. E lá dentro, ela seria estuprada por 20 soldados. Era o que lhe tinha sido dito antes dele descer.

Fabiano recebeu a notícia no telégrafo, em código Morse, através de Rosa, a mais calma do grupo nesse instante, pois Nina e Marlene choravam, assoavam o nariz, tudo ao mesmo tempo. Falaram-lhe que havia 10 prisioneiras do outro mundo, presas para experiências médicas. Para cúmulo, o paradeiro delas era desconhecido.

Desta vez, Tiago não sabia o que fazer.

Publicar isso no jornal ia desmascarar Mário. Sair pelo mundo em busca daquele barco, ia ser mortal. Só restava chorar ao lado de Fernanda, Simone, e mais 20 amigos que estavam em redor, escondidos no sótão da mansão.

Quando Fernanda chegou à clínica no dia seguinte, encontrou 20 cientistas analisando nos laboratórios suas misturas para cicatrizar feridas, suas pomadas para combater infecções, enfim. E antes de sequer raciocinar, uma médica perguntou-lhe:

— Você é patriota, ou rebelde?

— Patriota! Sou fiel servidora do Rei, alias meu pai é o melhor amigo da família real.

— Sabemos disso. Brincadeirinha. Vamos levá-la para um lugar em missão secreta. Sequer seu marido pode saber o que estará fazendo daqui em diante. Está disposta a colaborar?

— Sim!. Vou aonde vocês quiserem e juro lealdade ao reinado.

Fernanda apanhou seu instrumental, arrastou junto sua assistente Simone, e voaram de helicóptero em direção ao mar. Desceram numa plataforma marinha, e em seguida, caminharam para a parte inferior de uma embarcação com 50 cômodos hospitalares. E finalmente, ficaram frente a frente das gigantas.

Fernanda examinou os olhos das mulheres, puxou-lhe sangue das veias, descreveu a pulsação do coração, peso, altura, enquanto Simone lhes colocava no braço uma injeção com hormônios, inventada recentemente pela Marlene, para evitar gravidez. Em seguida, Fernanda analisou seus próprios exames nos microscópios, e deu por escrito seu relatório completo antes do fim do dia. Concluiu no fim dos escritos que elas estavam com frio, por causa da mudança de clima, e aconselhava cobri-las com cobertores de lã, toucas para a cabeça, luvas para as mãos, meias para os pés, ou então, iam morrer de pneumonia em pouco tempo.

Os cientistas compararam sua análise com mais 20 relatórios que estavam esparzidos sobre a mesa, agradeceram pelos serviços prestados, e levaram-nas de regresso para a cidade.

Mas o que Fernanda não conseguiu evitar foi às atrocidades que surgiram depois de sua partida.

Como todas essas mulheres eram cabeludas, ou seja, horríveis, foram sorteados 80 soldados para ter relações com elas e levados para essa embarcação. Deitadas boca para baixo, amarradas nos braços e pernas, elas foram abusadas por homens diferentes. Como elas não engravidavam, os médicos começaram a fazer experiências como se faziam com as cobaias, nas pesquisas de laboratório. Com agulhas enormes, lhes colocaram no útero sêmen de gorilas, depois sêmen de macacos, de leão, ocasionando as primeiras doenças infectas.

Fernanda foi levada novamente, pois havia duas que estavam em coma. E Fernanda desta vez ficou uma semana naquele lugar tirando-as da morte. Simone ia e voltava todos os dias e trazia para elas o que vinha da montanha. Nunca o telégrafo e o radioamador trabalharam tanto. Rosa escutava o que se passava, preparavam misturas na corrida com Marlene, e Reginaldo saía correndo em meio da noite com a medicação. Carlos encontrava-o no meio do caminho e se falavam pouco. Apenas o uso terapêutico dessas misturas.

Quando Tiago viu sua mulher regressar para casa, ela finalmente caiu num mar de lágrimas, histérica, exigindo que iniciasse imediatamente a insurreição. Ele acalmou-a na banheira, lhe enxugou as lágrimas, beijou com doçura, e lhe jurou que tudo ia ser resolvido. Mais calmos, ele contou-lhe que finalmente havia encontrado Eloísa, como gerente de um Hotel, na Ilha mais deslumbrante desse mundo. Ela estava para chegar de avião, na hora do almoço, do dia seguinte. Fabiano com certeza ia dormir no Aeroporto de tanta agitação. Ele já havia comprado uma casa, onde só havia uma cama gigante e um fogão. Fernanda começou a gargalhar e a se sentir mais leve. Depois saiu dessa banheira para jantar com Tiago, numa bandeja trazida pela sua servente, sentados por cima da cama, entremeados de beijos e comidas. Nunca o namoro foi tão dócil. Tiago apalpava-a como uma porcelana a ponto de quebrar, cingia-a com doçura, e não parava de beijá-la com doçura.

Na outra cidade, quem tentava acalmar o marido era Nina, pois ele estava tão furioso, mas tão delirante, que chorava sentado numa cadeira se odiando até a alma. Não havia perdão para a falta de inteligência, e mais uma vez havia sido ingênuo e caído nas garras da ignorância. Marlene tentou consolá-lo, contando-lhe que Fernanda estava salvando essas mulheres. Abelardo e Reginaldo tampouco tinham palavras de consolo, pois o Rei Adolfo, eufórico com o sucesso dessa viagem, havia escolhido um novo comandante para fazer a segunda expedição, cujo destino era a “Constelação do macaco”. Existia um planeta gigantesco, que o próprio Mário havia registrado nas câmaras de fotografia. A equipe de bordo também já estava escolhida, e a data dessa turnê marcada para breve. Oito cientistas estavam abastecendo o ônibus espacial para mais uma viagem e nenhum deles estava incluído. Estavam de mãos atadas. Que horrores viriam pela frente, ninguém conseguia vaticinar desta vez.

Enquanto isso, na cidade baixa, muito longe deles, Eloísa e Fabiano, que só se conheciam através de sonhos e pesadelos, onde se chamavam de longe, braços esticados, quando ficaram frente a frente não falaram nada. Beijaram-se na boca, num abraço ardente, e, em seguida, correram para um banheiro feminino. Sem falarem nada, namoraram por longe tempo, sem falarem nada, pois a boca nunca deteve os beijos. Mais calmos, saíram abraçados, direto à mansão de Fabiano, onde ficariam trancados pelo menos durante um mês. Mas, antes de se fechar para essa lua de mel fantástica, Simone entregou para Carlos 60 desenhos de mísseis de longo alcance, que eram fabricados pelo seu tio numa ilha desabitada. Ela os havia roubado na calada da noite. Depois, já na suíte, Simone e Fabiano souberam finalmente o que era a felicidade plena, pois ambos haviam encontrado sua metade, seu par perfeito, e na vida isso era tudo o que importava.

Longe dessa alegria de Fabiano, Tiago na mansão sentia-se derrotado. Carlos ao seu lado sequer falava, pois tinham em frente um mapa estendido na mesa com 50 redutos de arsenais bélicos, e 60 tipos de foguetes. E eles, só possuíam uns 300 homens armados com uma pistola de mão para derrotar o poder. E ninguém sabia como derrotar esse inimigo. Desta vez, nenhum gênio das montanhas lhe daria uma solução mágica. Embora Nina havia-lhes afirmado que suas antenas espaciais, que giravam ao redor do planeta, fariam voar todos os foguetes para o espaço. Mas, disso só teriam certeza quando a guerra estourasse.

Numa outra mansão, Simone, deitada numa rede de balanço num fim de semana, com o capacete mágico na cabeça, tentou um exercício de “Telecinésia”. Fixou o olhar num coco, e depois o fez pular para o lado, para cima, e para sua mão, lentamente. Em seguida, desintegrou-lhe um buraco de um centímetro de diâmetro e bebeu a água com canudinho. Quando Carlos chegou a casa, ela estava com a bexiga a ponto de estourar de tanta água de coco.

Ele a levou no colo para o banheiro, rindo, pois ela começava a urinar, deixando um rasto molhado no chão. Enquanto jantavam com os filhos, Carlos ria com os garotos, pois a mãe havia mijado no chão. Eles não paravam de fazer gozação por cima dela. Quando Carlos lhe pediu para cortar pão para ele, como fazia sempre, pois ela o mimava que nem guri, Simone levantou uma faca no ar, cortou o pão e o fez voar através da mesa. Carlos Júnior pedia para ensinar o truque, e seu menino mais novo aplaudia, pois todos achavam que era “mágica”. Simone lhe colocou o capacete ao filho mais velho e lhe disse: — tente você. Mas, o guri só conseguiu levantar o pão no ar 10 cm. E as gargalhadas se transformaram em bagunça, Carlos só levantava 5 cm, ou mexia um pouquinho. E os guris aplaudiam e riam sem parar. Dias depois, Simone contou tudo para Fernanda na clínica, rindo, e lhe pediu um tempo de férias. Carlos estava na beira da depressão, e seus filhos queriam rever Filomena e Eugênio. Carlos necessitava de descanso.

Simone e Carlos partiram num avião particular ao entardecer. Ele até dormiu durante a viagem de cansaço, pois havia virado a noite deixando jornais nas favelas mais imundas da cidade.

Tarde da noite, depois do jantar com a família, e da alegria do reencontro, Simone e Fabiano deixaram os filhos aos cuidados de Filomena, e saíram a passear pela praia, abraçados. Entraram no mar, e se amaram no meio das ondas, embaixo de uma Lua cheia que transformava o ambiente num lugar mágico. Carlos a beijava banhados pela água salgada, pois a batida das ondas contribuía para o encanto desse encontro. Depois, dormiram abraçados sobre a areia, como dois bebezinhos.

No dia seguinte, de capacete na cebeça, Simone tentou telepatia. Recebeu a Rosa, e Simone pediu um encontro nos subterrâneos, para conversar. Tiago estava paralisado de desgosto, Fernanda arrasada por causa das prisioneiras, e Carlos meio louco de tanto trabalhar. Assim que Fabiano e Eloísa se juntassem a eles, havia que fazer um plano. Juntos.

Após uns oito dias, sem fazer nada além de namorar sua mulher na praia durante a noite e brincar com os filhos durante o dia, Carlos conversou com seus irmãos sobre assuntos dessa fábrica, com um sorriso nos lábios. Ele tinha descoberto que estava muito mais rico ainda, pois seus irmãozinhos eram gênios das finanças. Depois falou com seu pai, pois deixaria os filhos com eles. Pediu-lhe para cuidar de todos, pois tinha pela frente uma longa viagem de iate pelo mar. Se alguém perguntasse onde ele estava, Eugênio devia responder: — “Está viajando”- e não dar endereço, nem nada.

Foi a primeira vez que Eugênio sentiu que seus filhos estavam para aprontar algo muito perigoso, mas, não perguntou sobre nada, pois era melhor não ser informado. Se ele fosse preso e atormentado nunca saberia o que falar, e ele conhecia bem a maldade dos militares em caso de torturas. Só deu-lhe um abraço e disse: — sabia que sempre terei orgulhos de vocês, de todos vocês, e eu vou cuidar da família. Pode ir. Só tente não morrer...

E finalmente, partiu com Simone, antes de raiar o Sol. Filomena, que adorava seus netinhos, começou a organizar a casa, como fazia todos os dias, com o menor no colo. Já Carlos Júnior perdeu-se com o avô pela praia, para um passeio de pescaria no mar.

Quem desceu da montanha para essa reunião foram às esposas. Tiago, Mário, Abelardo e Reginaldo ficaram em casa abraçados com uma almofada, para despistar os espiões. Primeiro foi à alegria do encontro, as lágrimas que saíram sem pedir licença, e a emoção de se verem. Uma vez mais calmos, Nina contou que estavam sendo vigiados de dia e de noite, e que, mais cedo ou mais tarde alguém ia ser preso. Nos laboratórios, ainda se discutia sobre o sucesso das viagens pelo espaço, mas, ninguém conseguia entender como se atingia a velocidade além da luz. Reginaldo e Abelardo mentiam, inventavam histórias, mas, cedo ou tarde, descobririam que era a energia da mente que fazia o milagre, e seriam no mínimo enforcados. Havia que fazer a revolução imediatamente. Era o que todos os maridos achavam. Além do que, Reginaldo inventara bombas explosivas para atacar grandes espaços. Uma bomba dessas matava 100 pessoas de uma vez. Podiam-se incendiar quartéis, subterrâneos com arsenal bélico, e até o próprio castelo do Rei. Em seguida, abriu sua mochila e esvaziou bolas de pingue-pongue no chão. Em seguida, Marlene esvaziou a dela, Rosa mais uma, e ficou na frente uma pirâmide de bolas que todos começaram a pegar com a mão.

Simone falou:

— Nossa! Uma bolinha dessas vai fazer um estrago desses? Mas, como é que funciona?

— Tem um pino. É só puxar, contar até 10, e lançar na direção certa. Vai ser um inferno...

Em seguida, Tiago sentiu uma calma interior. Afinal, ser inteligente era uma arma muito mais poderosa do que a força. E disse:

— Pessoal, só vamos usar isto como medida desesperadora. Primeiro, vamos atacar só com as armas de luz. Não fazem barulho, ninguém vai saber de onde veio o disparo, e muito menos que os matamos. Para todos os efeitos, eles vão cair ao chão com parada cardíaca.

Fabiano, recomposto depois de encontrar sua mulher, falou a seguir que os homens dispostos a tudo, para dar o primeiro passo, eram uns 120. Todos solteiros, favelados, com nada a perder além da vida. Se algum deles desaparecesse, a milícia não perderia tempo os procurando, pois não se era ninguém. Além do que, eles ficariam vivendo nas cidades subterrâneas dali em diante. Já estavam levando colchonetes, fogão, e se instalando em casa e apartamentos. Em seguida, estendeu o mapa com vários pontos vermelhos. Cada sinal era um arsenal bélico. Numa noite só, poderiam ser sabotados. Bastava explodir as entradas. Deixá-las soterradas de escombros. Elas recebiam os trabalhadores ao raiar do Sol, e durante a noite só ficava a milícia fazendo a guarda noturna.

Carlos falou:

— Mas, já estamos sendo vigiado, cara. Eu vi 5 helicópteros me seguindo em alto mar. Esses rebeldes podem ser descobertos a qualquer momento. E se encontrarem as cidades subterrâneas, todos nós estaremos fritos.

Simone abriu uma pasta, sorriu, e em seguida disse:

— Amor, eu tenho a lista desses espiões...

— E não me falou nada, sua bandida?

— Você nunca me perguntou...

— Mas, você não sabe adivinhar pensamentos?

— SEI! E é por isso que trouxe esta lista.

Tiago imediatamente começou a rir. Fernanda gargalhou junto, pois afinal, ela mesma escrevera tudo com Simone, e guardado a lista num cofre de segurança, com todas suas joias.

Eloísa interveio:

— Mas, antes disso temos que atacar com as palavras. Que tal desmascarar Adolfo? Ninguém sabe que estão martirizando mulheres trazidas de outro mundo. Se os sacerdotes souberem disso vão abrir a bico, enfrentar o governo, e vamos fazer tumulto. Temos que levantar a opinião pública. Fazer mais escândalos.

Nina finalmente pegou um papel e rascunhou. Em seguida, falou:

— Poderíamos começar pelas denúncias, paralelamente à morte dos espiões, e como “chave de ouro”, logo após, explodiríamos todos os arsenais. O que vai nos acontecer depois poderia ser escondermos todos nas cidades subterrâneas.

Rosa começou a gargalhar.

— O triste é que se UM de nós desaparece, o resto vai para o cárcere para interrogatório.

Tiago sentiu um arrepio. Imaginou Filomena e seus irmãos nas cadeias, e se disse a si mesmo que isso estava fora de questão. Mas, as ideias eram boas. Ele mesmo escreveria para os sacerdotes uma carta anônima, relatando as barbáries que aconteciam com as prisioneiras. Assinaria como Ariel, logicamente. E por último, se abraçaram, as mulheres choraram de novo, e regressaram cada um para o seu destino.

E foi desta maneira que os sacerdotes do templo fizeram algo inteligente.

Assim que as cartas foram lidas, ameaçaram o Rei Adolfo com a excomunhão, se não parasse com as experiências genéticas com essas mulheres, que ninguém sequer sabia que existiam. Adolfo negou tudo cinicamente. Inclusive afirmou que estavam aos cuidados de médicos respeitáveis, para se certificar que não traziam junto micro-organismos que colocassem em perigo a vida de todos. Até Fernanda teve que corroborar as palavras do Rei.

Depois disso, Adolfo mandou desalojar a jaula das serpentes de 20 metros, com vidros, cuja localização ficava num Zoológico, e pediu para colocá-las ali dentro, com colchonetes, e roupas de lã. Também lhes construíram um banheiro para defecar, com “papel higiênico” e uma torneira para lavar as mãos.

Depois dessas mudanças, a fila de pessoas defronte a esse Zoológico dobrava a esquina. O que deixou o Rei mais rico. O custo da entrada desse recinto, com animais em jaulas, quintuplicou em poucos dias. A curiosidade de ver seres de outros mundos tomou conta de todas as cidades, pois todos os jornais oficiais as mostravam dia a dia, com o povo tomado de uma curiosidade insana. Afinal, eram peludas. Pareciam gorilas.

E Tiago não obteve nenhum levante popular. Para cúmulo, a segunda expedição com destino a um novo mundo foi anunciada, e o Rei nunca foi tão popular, festejado, e admirado pelo povo.

Humberto, amigo íntimo de Reginaldo, que viajaria com a namorada Luísa, soube de Mário um “segredo” antes de partir, numa festa de despedida entre amigos íntimos: — “Não é a máquina que transporta o homem, é o homem que carrega a máquina. Nunca tirem os capacetes da cabeça, nem para fazer xixi, pois a nave vai explodir como uma bomba”. Depois, lhe deu um abraço e lhe desejou sorte.

No dia da partida, Humberto e Luísa foram abraçados pelo Rei Adolfo, rodeados de jornalistas, fotógrafos, e todos os cientistas comprometidos com essa segunda excursão interestelar.

A seguir, a nave subiu lentamente, deu uma curva, e desapareceu como mágica.

Depois da partida de Humberto, a insurreição começou a ser arquitetada. Desta vez, Tiago chamou para essa reunião, na cidade subterrânea, a todo mundo. Os líderes, e alguns rebeldes que já viviam nessa cidade embaixo da terra.

Todos se juntaram no meio do caminho, onde havia uma delícia de lugar, com árvores, bancos, fontes naturais de águas, cujos peixes coloridos se alimentavam de algas verdes. Sentados no chão, formando um semicírculo, Tiago e seus revolucionários discutiram os planos da insurreição.

Examinaram um mapa, marcando cada inimigo conhecido.

Depois, contaram quantas armas possuíam, e analisaram desenhos de outras novas bombas que Abelardo e Reginaldo estavam inventando.

Só faltava uma coisinha. Avião. Teriam que combater do ar. E não podiam ser aviões particulares.

Mário deu uma risada cínica.

Em seguida, mostrou a foto de um helicóptero minúsculo. Entrava nele uma pessoa apenas. Não fazia barulho, pois teriam que colocar um capacete na cabeça para fazê-lo voar. Não usava combustível, era preto, com vidros pretos, era invisível, na verdade. Ele só tinha uma antena que sugava “energia do ar”, uma mentira que estava deixando os colegas de cabelos em pé, pois não conseguiam entender essas fórmulas de Mário. E nos hangares, ele já havia fabricado uns 30. Serviam, ou não?

Tiago perguntou:

— Vamos trazê-los de que maneira?

— Vão descer a montanha daqui a cinco dias. O rei os quer inaugurar pessoalmente. Temos que assaltar o comboio, bem aqui, perto da entrada principal desta cidade subterrânea. Fabiano examinou o mapa, falou com seus revolucionários em redor, e acharam fácil, fácil. Trancariam o caminho com árvores, depois desmaiariam os soldados, e os helicópteros entrariam na cidade como mosquitinhos gigantes.

Depois se marcou a data em que Mário e Abelardo fugiriam com as esposas. Reginaldo ficaria só na Cordilheira, pois o destino do Júnior dependia de sua obediência ao poder, inclusive ele delataria o desaparecimento dos amigos, com cara de susto, alegando que não fazia ideia de onde se encontravam.

Notas finais
Depois da partida de Humberto, a insurreição começou a ser arquitetada. Desta vez, Tiago chamou para essa reunião, na cidade subterrânea, a todo mundo. Os líderes, e alguns rebeldes que já viviam nessa cidade embaixo da terra. Todos se juntaram no meio do caminho, onde havia uma delícia de lugar, com árvores, bancos, fontes naturais de águas, cujos peixes coloridos se alimentavam de algas verdes. Sentados no chão, formando um semicírculo, Tiago e seus revolucionários discutiram os planos da insurreição.