Notas iniciais
A seguir, acrescentou que a origem do mal estava arraigada no egoísmo extremo. Para essas pessoas, o prazer, que se encontrava na comida, no namoro e no ato de possuir coisas lindas, era algo urgente, imediato, e na mente deles não eram maldoso matar alguém para alcançar seus objetivos. O sofrimento alheio nada significava para eles. Para uma mente assassina as pessoas boas eram tolas, estúpidas, alvos fáceis de manipular. Material de trabalho para atingir sua felicidade. Em seguida, eles falaram de outra coisa, algo que a humanidade nem sabia que existia. Falou-se da “essência”, do fluido primordial, da estrela interior, uma linguagem mais parecida com aulas de religião do que com ciência.

Como Tiago ainda tinha o problema social sem solução, pediu aos visitantes mais velhos, um “Segundo Congresso Criminalista” com todos os Juízes, psicólogos, médicos e educadores, para discutir como terminar com a “mente assassina” e abolir a criminalidade desse mundo, para sempre. E eles aceitaram encantados.

Tiago escolheu o maior teatro da cidade, onde se instalou uma mesa para os palestrantes.

Um visitante, um velho de cabelos brancos e 500 anos de idade, num discurso de abertura, parabenizou Tiago e os Juízes pela decisão de isolar os assassinos numa ilha, pois conforme as leis do carma: — “Todo homem tem o direito de se proteger contra a maldade”. A seguir, acrescentou que a origem do mal estava arraigada no egoísmo extremo. Para essas pessoas, o prazer, que se encontrava na comida, no namoro e no ato de possuir coisas lindas, era algo urgente, imediato, e na mente deles não eram maldoso matar alguém para alcançar seus objetivos. O sofrimento alheio nada significava para eles. Para uma mente assassina as pessoas boas eram tolas, estúpidas, alvos fáceis de manipular. Material de trabalho para atingir sua felicidade.

Em seguida, eles falaram de outra coisa, algo que a humanidade nem sabia que existia. Falou-se da “essência”, do fluido primordial, da estrela interior, uma linguagem mais parecida com aulas de religião do que com ciência.

Explicaram que a conduta humana era uma coisa, e “a essência” era outra questão diferente. O comportamento estava ligado a neurônios, facilmente detectável. Podia-se transformar um ladrão no homem mais honesto do mundo, com uma simples cirurgia no cérebro. Um pequeno corte no lóbulo esquerdo podia desligar uma pessoa da ambição desmedida, como quem fecha uma chave. Também se podia neutralizar um assassino, com choques elétricos na coluna, ou, com uma injeção de “hormônio neutro”. Uma infusão de ervas também impediria o sangue ferver, e poder-se-ia beber a partir da infância dentro de Creches e Escolas. Receitas para mudar o “comportamento humano” existiam muitas, e eles as ensinariam de bom grado.

Mas, mudar “a essência” de uma pessoa, infelizmente era impossível, porque o interior de um ser humano equivalia à soma de todas suas vidas. De um passado que acumulava as boas e as más ações, de encarnação, após encarnação. Não haveria nenhuma certeza de que um ladrão, transformado em sujeito honesto, mudasse sua essência após sua cirurgia. Além do que, o julgamento da essência dos espíritos era trabalho da “Justiça cármica”, ou, dos anjos após a morte, e estava fora do alcance da sociedade humana.

Uma Juíza se levantou e contou sobre a “esterilidade” dos condenados. Perguntou se depois de uma cirurgia deveriam devolver a fecundidade para o criminoso. E um velho deu-lhe uma nova resposta:

— Ali temos outro problema de Justiça cármica. Enquanto houver “um” assassino fértil encarnado, a porta para as trevas estará sempre aberta, pois um delinquente terá o direito de reivindicar seu nascimento. E se ele for fértil, pode trazer ao mundo 30 filhos, ou 50, nunca se sabem. E contra isso nenhum anjo pode disser “não”. É cármico. Todo espírito tem direito de nascer. Mas, se não houver nenhum pai criminosos, esses espíritos seriam encaminhados para outra Dimensão. Vejam nossa história. Compartilhamos o mesmo planeta durante milênios, e nunca nasceu um assassino entre nós. Por quê? Porque não havia um pai para ele. Não havia um delinquente onde encarnar.

Desta vez, uma salva de palmas encerrou o discurso.

E no dia em que tudo estava claro sobre o futuro a serem lavrados, psicólogos, médicos, mestres e visitantes começaram o roteiro da salvação. Os visitantes ensinaram os tratamentos médicos com cirurgias cerebrais, chãs, choques na coluna, hipnose, e tratamentos afins, com os piores detentos, os psicopatas que viviam trancados em corredores escuros, isolados da humanidade. Homens que definhavam dia após dia, sem nenhum remorso de suas maldades. Tinha os que luziam um currículo de 50 estupros com morte. E a lista era longa.

Mas, o mais importante foi que esse Congresso Criminalista, onde se misturou o lado espiritual com as Ciências Humanas, acabou de vez com o poder ditatorial dos Sacerdotes.

As Escolas retiraram às pressas a “Religião” do currículo escolar, e os “Cursos para noivos” ficaram obsoletos. Os ditos “milagres dos Deuses”, que eram o alicerce da Fé, começaram a ser ignorados pela população. Poderia se dizer que a Religião virou ficção, do dia para noite. O povo finalmente virou as costas para as Igrejas, e os templos ficaram à disposição da humanidade como Museus. E, o mais importante, a reencarnação dos espíritos foi levada a sério, pela primeira vez. As bibliotecas estavam abarrotadas com livros sobre reencarnação que ninguém lia. Os homens religiosos, e obedientes aos ditados dos sacerdotes, acreditava que esses livros eram uma ciência escrita por mentes demoníacas. Muitos desses volumes haviam sido queimados pelos vigários em séculos anteriores. Os que haviam sobrevivido estiveram guardados por séculos nas cidades subterrâneas, à espera dos novos tempos modernos.

Junto a esses acontecimentos e transformações importantes, aconteceu o casamento dos 80 casais, entre jovens dos dois planetas. Alguns desses recém-casados viajariam para o outro mundo e estavam de partida, e a outra metade ficaria por tempo ainda não definido.

O casamento foi coletivo, num campo de futebol, e na ocasião os noivos fizeram seus votos de fidelidade. Eles chegaram numa longa fileira, desfilando entre os visitantes presentes, onde permaneciam as famílias dos noivos, todos os Universitários que conseguiram se apinhar, e todos os Alienígenas vestidos de branco.

Reginaldo e Rosa choravam abraçados, pois Reginaldo Júnior falou no seu discurso que decidira ficar por causa do quanto os amava, e Amanda falou para o marido: -“Onde quer que tu estejas eu estarei, pois teu mundo será meu mundo e teu povo será meu povo”. Ao lado deles, os amigos de Reginaldo seguravam as lágrimas, pois adoravam esse garoto desde a infância. Já Fernanda e o resto das damas não faziam questão de segurar nada, pois choravam e tinha as que soluçavam.

Depois da cerimônia regada a lágrimas e sorrisos de felicidade, os recém-casados se separaram para festas em casa de suas famílias. Fernanda e Rosa prepararam a folia do Júnior e Amanda na mansão, onde entraram mais ou menos 200 pessoas. Houve danças, bebedeira, comilança, e ao raiar do Sol, Reginaldo Júnior tomou a esposa no colo, para subir no helicóptero do tio Tiago. A lua de mel seria numa Ilha desabitada, seguindo um mapa entregue pelos tios Fabiano e Carlos. Ele já sabia que nesse lugar, podia-se viver eternamente do que a natureza providenciava. Era um matagal de frutas e delícias que um dia acolhera fugitivos sofredores, e onde os cavalos eram os donos do pedaço. Poder-se-ia praticar o nudismo, sem data para terminar. E, Reginaldo Júnior, para dar conta do recado, havia se submetido a uma pequena cirurgia equitativa. Um médico do outro mundo lhe colocara um “sangue verde” diretamente no baço. Algo que o transformaria num supermacho. Havia-lhe falado ao pai no ouvido que ia namorar durante um mês sem dormir, e Reginaldo caíra na gargalhada, sem acreditar nisso.

Enquanto os jovens desfrutavam de uma vida de recém casados, acontecia à inauguração do “Canal Espacial”, com programas de televisão dos dois planetas, em todas as cidades. Desde o outro mundo se viram as paisagens, as cidades maravilhosas, as pessoas elegantes, e os animaizinhos em todo lugar compartilhando a vida com os homens. Depois se começou a ver as novelas, os filmes, as series, que em pouco tempo deixava o mundo encantado.

O primeiro programa vindo do outro mundo foi um seriado de 35 capítulos. Uma história transmitida em horário nobre, quando a família está reunida no fim da tarde. Dali em diante, os homens saíam do trabalho correndo para casa a ver a novela junto à família. Riam, choravam, pois era uma história com pessoas de pele manchada igual a eles, mas com roupas magníficas, paisagens exóticas, e lindos cenários.

Falar dos atores desse outro planeta virou mania.

As fotos e os nomes dos artistas saíam em revistas e jornais, e se escreviam palpites diários sobre o que iria acontecer nessa narrativa. No dia em que o primeiro protagonista da história morreu, a humanidade lacrimejou junto. Até homens choramingavam, pois esses atores eram excelentes. Sabiam passar a emoção através do vídeo. O mais incrível ainda era que tudo se baseava numa história real, acontecida em outra Dimensão, com outros seres extraterrestres, que lutaram de verdade nessa guerra. Eram universalmente conhecidos como “Os guerreiros de Arethi”. E Arethi era a guerreira mais importante dessa história, junto do marido, seus amigos e seus filhos.

Enquanto a novela transcorria, as roupas do romance começaram a inundar prateleiras de lojas, e Hipermercados, pois as costureiras e as grifes famosas copiaram todas elas. Eram trajes que marcavam a cintura, realçavam o busto, com decotes maravilhosos, deixando metade dos braços a vista, e metade da perna. Mais lindos ainda eram os “penteados”, verdadeiras obras de arte de cabeleireiros inteligentes. As guerreiras quando usavam seus uniformes tinham os cabelos cingidos no alto, ou, enrolados aos lados, misturados com presilhas, fitas, e coroas. Quando tiravam o uniforme, os cabelos iam além da cintura, ou, caíam pelas costas em cascatas incríveis.

Podia se avaliar que o mundo ficou mais feliz e muito bonito, pois essa telenovela incentivou a humanidade entrar na elegância e no bem-vestir. E uma secreta ambição de conhecer esse outro planeta instalou-se na alma de todos os homens.

Principalmente de Mário, que um dia inaugurara as viagens espaciais, com a intenção de descobrir a civilização perdida. Um sonho que agora seria bem possível. Humberto sabia o trajeto, podiam construir de novo um foguete como os de antigamente, e podia levar todos os amigos numa viagem paradisíaca. .

Notas finais
O primeiro programa vindo do outro mundo foi um seriado de 35 capítulos. Uma história transmitida em horário nobre, quando a família está reunida no fim da tarde. Dali em diante, os homens saíam do trabalho correndo para casa a ver a novela junto à família. Riam, choravam, pois era uma história com pessoas de pele manchada igual a eles, mas com roupas magníficas, paisagens exóticas, e lindos cenários. Falar dos atores desse outro planeta virou mania.