Notas iniciais
Desconfianças ...

_Adam !

Deitado de barriga para baixo no tapete macio, ele parecia totalmente concentrado em sua miniatura.

Fazia frio e ele estava de agasalho e meias. Adorava andar de meias !

_Adam ....

De novo e ele não ouviu.

Sara estava na sala de jantar, ajeitando um enorme vaso com flores coloridas. Eles se entreolharam.

Mais uma vez, ele aumentou um pouco seu tom de voz.

_Filho !

Adam continuou olhando para a peça em sua mão, falando sozinho.

_Que estranho ... tem alguma coisa errada.

_Adam ...- ele tocou seu ombro e o garoto se assustou.

_Oi papai !

_Você não ouviu o papai te chamar ?

_Não ! — Ele olhou para seu pai, que parecia triste. _Desculpe, acho que estava prestando atenção no avião ...

_Não tem problema, filho ! — Ele ficava alheio quando se tratava de seus pequenos tesouros.

_Isso tá estranho, papai, olhe ... essa peça não se encaixa em lugar nenhum.

Grissom se aproximou e sentou no chão junto com ele, para verificar de perto.

_Tem razão. Espere aqui.

Ele subiu e pegou seu notebook. Pesquisou o modelo e a forma de montagem.

_Este diagrama está errado, olha a diferença.

Adam já havia montado um boa parte, apenas de conhecimento. Ele era seu pequeno geniosinho !

_Termine de acompanhar pelo computador.

Ele olhou para o pai.

_O que disse ?

_O diagrama ... acompanhe pelo computador.

Ele notou que o garoto prestava atenção em sua boca, se lembrou dele próprio há alguns anos atrás.

_Não está ouvindo direito, meu filho ?

_Às vezes ... tenho a impressão que as pessoas estão falando de bem longe ...

_Me explique direito !

_Quando estou fazendo alguma coisa, acho que não consigo prestar atenção em mais nada ...

Era isso ! Ele sentiu um alívio enorme e sorriu. Sara, que prestava atenção de longe também se acalmou.

Em segundos, terminou sua montagem.

_Você sabia que eles vendem painéis também ? Com manche e tudo !

_Sério ... eu adoro painel.

_Também já vi alguma coisa ... — Sara se aproximou e se sentou perto deles, no chão.

_Achei alguma coisa, garotão !

Adam terminou de encaixar os detalhes e subiu no colo de seu pai. com seu mais novo brinquedo.

_Papai ! Olha que lindo !

Ele segurou o monitor e parecia enfeitiçado. Passava o dedo na tela como se tocasse a peça. Como era fissurado naqueles objetos, era impressionante !

_É caro, papai ?

Ele olhou para Sara e sorriu. Era a primeira vez que o filho falava sobre o preço das coisas.

_Por que, querido ?

_Ah ... mamãe, o Jay vive dizendo para a Zoe tomar cuidado com a locomotiva, que era cara e que se ela quebrasse nós estaríamos fritos. Ele fala sempre, tanto que ele fixou a estação inteira na mesa de projetos dele.

O pai deu uma gargalhada alta e depois beijou suas costas com carinho.

_Ele tem razão, Adam. E vocês tomam cuidado ?

_Hãham ...

Na verdade ela era sim, bastante cara, mas ver a alegria do seu garoto, não tinha preço ! Aquele era seu mundo, e eles faziam questão de respeitar.

_Você gostou, filho ?

_Sim ... é mais que impressionante.

_O que você acha de darmos uma olhada ...

_Tem como ?

_Olha ... a loja do shopping tem disponível, podemos olhar de perto.

_Você me leva ?

_Claro ....

_Desta você vai com a gente, mamãe ?

Sara sorriu para ele e bagunçou seu cabelinho.

_Eu adoraria.

….......

Adam andava na frente deles, olhando tudo. Grissom e Sara estavam de mãos dadas, carregando cada um, uma sacola. Era sábado e logo mais à noite teriam o aniversário de Jay.

_Olha amor … comprei uma polo como aquela para o nosso vizinho.

_É bonita. — Ele sorriu de lado, simpático. _Quer sorvete, querida ?

_Quero ! Chame o Adam, vamos nos sentar.

_Filho ?

Ele continuou andando, não havia escutado seu pai.

_Adam ….

Nada.

Sara apertou a sua mão e parou. O coração batendo na garganta.

Grissom resolveu chamá — lo mais uma vez, em outro tom.

_Filho !

Ele se virou e olhou para eles.

_Me chamou papai ?

_Sim …você não ouviu ?

_Parecia bem longe …

_Quantas vezes ouviu ouviu te chamar ?

_Uma …

_Gil ! — Não podia ser … ! — Sara não queria acreditar que pudesse acontecer.

_O que foi, mamãe ?

_Nada meu amor !

Ela não conseguiu disfarçar o pavor. Grissom tentou parecer calmo, mas uma dor aguda lhe atravessou o coração.

Ele não queria, mas fez um teste dolorido, quase insuportável. Tinha a sensação que seu coração explodiria. Olhando para baixo, ele testou seu filho, mais uma vez.

_Quer sorvete ?

O garoto se aproximou dele, percebendo que sua mãe não estava bem.

_Não entendi, papai !

Os olhos dele ardiam, não podia ser … não com seu filho !