Ele pegou seu filho no colo, queria chorar, mas não podia fazer isso na frente dele !

Sara se agarrou a eles, beijando suas costas magras.

_O que está acontecendo, papai ?

Os olhos deles brilhavam com a força que faziam para não se desmancharem em lágrimas. Mas Sara não conseguiu.

_Está tudo bem, vai ficar tudo bem !

_Porque está chorando mamãe, eu fiz alguma coisa errada ? Eu não ouvi … de verdade … é isso não é ? Está brava comigo porque não respondi ?

_Não meu amor … não é nada disso.

_Você brigaram … vai viajar de novo papai ? — Ele estava apavorado buscando uma resposta. Ninguém chorava à toa. As mãozinhas macias segurando o rosto de seu pai, áspero pela barba por fazer, à pedido de sua mulher. _Me responde … o que eu fiz ?

Os olhos dele estavam cheios de água também, não entendia o que era tudo aquilo, porque o pai o segurava tão forte e sua mãe estava tão triste. Até há pouco tempo atrás, estavam rindo e brincando.

_Está tudo bem, meu filho !

Ele suspirou e tentou manter a calma, talvez estivesse enganado, talvez ele apenas fosse até mais disperso que ele próprio. Rezou em silêncio para que aquilo fosse apenas engano.

_Vamos tomar sorvete ? — Ele olhou para sua mulher, tentando passar confiança e um pouco de calma.

_Mas … eu quero saber.

Ele precisava de uma explicação.

Sara tocou seu rostinho delicado e beijou o alto de sua cabeça.

_É que o papai e eu … pensamos que estava com algum problema !

_Que tipo ?

_Você está muito disperso … mas sabemos que não tem culpa, meu amor.

_É que … é …. apenas — ele procurava as palavras certas. _Fico pensando demais !

Seus pais riram para ele.

Estava tudo bem, agora ! Só precisava prestar mais atenção ao seu redor.

_Não está mais bravo, papai ?

_Não estava bravo, nem a mamãe … apenas muito preocupados.

_Hum .. achei que … sim.

_E então … vamos ao sorvete ?

Ele colocou o garoto no chão e segurou sua mão.

_Do que vai querer, papai ?

_Creme …

_E você, mamãe ? Já sei … chocolate !

_Isso mesmo.

_O meu também !

Enquanto ele estava concentrado em tomar seu sorvete e preocupado em não sujar a roupa, os dois o olhavam.

Estava havendo um teatro para crianças em um dos palcos montados e ele se virou para eles.

_Posso assistir, mamãe ?

_Vá … mas fique em nosso campo de visão, e não saia de jeito nenhum !

_Tudo bem … até parece que sou um bebê !

Ele limpou as mãos na camisa vermelha, de nada valeu ter tanto cuidado para não cair sorvete.

Sara enfiou um braço no de seu marido e se aconchegou a ele. Estravam sentados, esperando ele se afastar.

_Gil … o que você acha ?

_Eu … não sei querida.

_Tenho tanto medo, amor !

Ele precisava dar força a ela, não se deixar esmorecer, mas estava difícil. Ele se sentia tão impotente.

Adam se levantou e procurou uma cadeira mais perto, sem deixar de obedecer a mãe. De onde estava, ele podia ver seus pais, abraçados, bem juntinhos, olhando para ele.

Queria prestar atenção e havia um garoto maior que ele à sua frente.

_Ele mudou de lugar …

_Será que é para ouvir melhor ?

_Não sei …

_Ele parece bem, Sara. Está se divertindo !

O garoto ria das peripécias de um homem vestido com roupas de rato.

Parecia uma peça baseada no filme Ratatouille, pelo que estavam observando.

Uma mulher muito bonita se aproximou dele e conversou sobre alguma coisa que o fez rir muito.

Ela se sentou ao lado dele, atrapalhando a visão de seus pais. E ele percebeu.

Grissom e Sara viram ele trocar de lugar com ela e apontar com o dedo em direção a eles.

Ele era um garoto obediente, com certeza estava levando à risca o que sua mãe pedira.

_Vamos marcar uma consulta para ele, na segunda feira, e tirar nossas dúvidas.

Sara olhou para ele e parecia assustada.

Ele a abraçou com carinho e beijou seus cabelos, a acalmando.

_Seja o que for … vamos enfrentar juntos, querida.

_É tudo tão desolador.

_Mas devemos acreditar no melhor, senão , estaremos sofrendo por antecipação.

Ele mesmo queria acreditar em suas próprias palavras, mas não era fácil. Era o homem da casa, e tinha que ser forte para dar apoio a eles.

A peça terminou e eles se levantaram.

A mulher viu Adam correr para os braços do pai e foi em direção a eles.

_Você é Gilbert Grissom ?

_Sim … e você é … ?

_Julie Storn, canal 27, sou jornalista. O caso de Mike Dumm, há alguns anos.

_Há … agora me lembro.

_Vocês se casaram ? Ela era de sua equipe, não ? Sara, é isso ?

_Exatamente.

Sara a olhou com surpresa, agora se lembrava dela.

_Na ocasião quis fazer uma entrevista mais específica, mas o senhor se recusou. Me lembro de Sara falar com minha equipe em seu nome.

Era um assunto de muitos anos atrás, ela nem sequer se lembrava mais, mesmo !

_O garoto é muito bonito.

_Obrigado Julie. Temos que ir, com licença.

Grissom segurou na mão de seu filho, e Sara fez o mesmo.

_Se lembra dela, amor ?

_Sobre a entrevista … muito pouco, mas dela ? Absolutamente nada !

Puxando pela memória, Sara se lembrou que ela insistiu muito, chegou a insinuar se ela era sua porta voz e ela respondera que sim !

Eles foram para casa, tinham o aniversário de Jay.

Algumas horas depois, eles se sentavam no jardim da casa de Zoe e seu tio.

Assim que Zoe viu Adam o puxou pela mão.

_Você está bonito ! Já disse que essa cor fica bonita em você !

Grissom e Sara se entreolharam, por isso a insistência dele em colocar aquela camisa azul !

_Que Dom Juanzinho, não ? Puxou ao pai !

_A mim ?? Desde quando ? Sempre fui um cabeça dura, você … mais do que ninguém, sabe disso !

_Um cabeça dura comigo … você quer dizer ! Eu sei o que eu passei !

_Ele é um garoto bonito e temos que nos acostumar !

Sempre que ela falava do passado, ele sorria daquele jeito e mudava de assunto !

_Tem coisas que não mudam mesmo !

_Sabe que não gosto de falar sobre isso. Me incomoda saber o quanto fui um idiota ! E isso já passou … foi há muito tempo. Estamos casados agora, lembra ? E eu te amo cada dia mais !

Pronto ! Quando não se esquivava, sempre vencia !

_Sara, Grissom !