De Primavera À Inverno
8 Capítulo 8 - Conhecendo Um Pouco Mais...
Notas iniciais
Trago mais um cap. pra vocês, espero que gostem.
Estavam os dois ali, naquela cozinha, sentados à mesa apreciando a companhia tão desejada um do outro. O sol que adentrava pela janela, sentia-se ofuscado pela felicidade dos dois. Em consolo e compaixão as nuvens faziam-lhe companhia e por vezes, impediam sua visão para que não sofresse tanto, tal velho e mimado sol. Os pássaros cantavam majestosamente felizes . O ar naquela manhã estava mais leve, mais puro.
Kaoru não parava de falar, contando ao pai suas travessuras, aniversários, seus medos e receios. O capitão ouvia com atenção imaginando cada lembrança e rindo pelas trapalhadas de Nanao. Via o menino falar com tristeza e alegria. “Mais um contraditório” pensou. Até que der repente:
__ Está muito bom outo-san! Foi o senhor que fez?
__Hai. — respondeu Shunsui esquecendo de comer alguma coisa.
__Oka–san nunca cozinhava sozinha. Baa-chan sempre cozinhava com oka-san. Ela dizia que oka-san não sabia cozinhar direito.
__ Eu queria ter conhecido baa-chan... — disse naturalmente, sem prever o que aqueles palavras causariam no menino.
O semblante do garoto mudou, o que antes era alegre e caloroso, tornou-se frio e tristonho, fazendo Shunsui querer jogar-se num penhasco.
__ Ela provavelmente lhe daria uma bronca – levantou-se da cadeira e começou a imitar a avó — “Seu desnaturado! Por que demorou tanto deixando sua mulher sozinha? Primeiramente, devi tê-la impedido de lutar!” e começaria a te bater com o que estivesse mais próximo. — dizia rindo só de imaginar a cena.
__ Queria que tivesse conhecido eles, outo-san...
O menino começou a chorar sem perceber com as lembranças, para desespero do pai coruja. Era tudo muito recente, muito novo e várias coisas estavam acontecendo ao mesmo tempo. Shunsui viu como seu filho se esforçava para não chorar. “Orgulhoso como Nanao-chan” pensou. Mas não queria que Kaoru agisse assim consigo. Ele era seu pai e ele ainda era uma criança, sem mencionar que não fazia nem uma semana que tinham falecido. O capitão não iria julga-lo. Não iria toma-lo por fraco. Não havia porque reprimir o choro em sua presença.
__ Esta tudo bem, Kaoru. Não há problema em chorar. — disse o capitão gentilmente sobre dois olhos castanhos que o fitavam com confusão.
__ Mas... oka-san, me disse uma vez pra ser forte.
Shunsui sorria. Sem dúvida, ele já era forte. Mas não tinha que ser forte em todos os sentidos. Levantou-se e foi até o garoto, abaixando-se para ficar em sua altura.
__ Há várias formas de ser forte Kaoru-kun, momento e pessoas para quais devemos ser, mas você não precisa ser forte comigo, não chorando na minha frente. Eu não vou julga-lo. — parou um pouco para observa-lo. O cabelo bagunçado, os olhos cheios de lágrimas, o quimono roxo escuro. O menino parecia entender suas palavras, então continuou – Eu sou seu pai, Kaoru. Não se esqueça disso, hein?
Com um leve aceno, Kaoru concordou com o acordo subentendido por parte do pai. Ele realmente tinha um agora, então assim como com sua oka-san, podia chorar. Aos poucos as lágrimas foram escorrendo naturalmente pelo inocente rosto ate tocarem no chão. Sem mais forças para reprimir toda aquela onda de emoções que o consumia, agarrou o pescoço do pai e chorou. Chorou, como nunca antes, tentando acabar com a dor em seu peito, que mau cabia em seu coraçãozinho.
Aquele choro... aquela dor... Shunsui sofria com aquilo. Definitivamente odiava vê-lo chorar.Lamentava pela morte do casal, pareciam ser ótimas pessoas, pelo que Kaoru dizia. Nem teve a chance de agradece-los por terem cuidado de sua Nanao-chan e de seu filho por todo esse tempo.
Duas horas passaram-se até Kaoru se acalmar e parar de chorar para o alívio do capitão, que já estava ficando louco apenas de poder consolá-lo, sem poder amenizar sua dor.
Fizeram suas higienes e saíram as 8 da manhã, em direção ao décimo terceiro esquadrão. Iria deixar o menino com Ukitake enquanto falava com Yama-jiji. Não queria deixa-lo trancado em casa sozinho então ia pedir esse favor ao amigo de longa data.
Caminhava de mãos dadas ao garoto, que admirava a paisagem da Seretei. Era primavera, quando as flores desabrochavam esbanjando sua beleza aos olhos das pessoas e seu perfume delicado ao vento. Kaoru sorria ao ver as flores caindo no chão.
__ Tão lindas...Parecem com Oka-san!
__ Verdade – sorria o taichou parando um pouco com o filho para admirar as pequenas flores – Que flor acha que é mais parecida com a mamãe? — disse recomeçando a andar.
__ Hum... — como uma mania, o garoto olhava para o alto enquanto andava e pensava na resposta. — os olhos da mamãe são meio roxos e ela é doce e gentil, como um lírio quando não está zangada mas...
__ Mas?
__ Oka-san é forte e tem uma beleza única como... um... um.. um copo-de-leite!. Ah! Agora não sei qual das duas se parece mais com ela!
O taichou ria com a indecisão dele, chamando um pouco mais atenção. Como se o fato do capitão da Hachi Bandai estar andando de mãos dadas pela Seretei com uma criança não despertasse a atenção de curiosos.
__ Ei, outo-san!
Contolando o riso que escapulira, disse:
__ Gomen ne, Kaoru-kun. Mas a sua cara estava muito engraçada. — o menino não se agradou da atitude do pai e fechou a cara.Olhava para frente com os olhos cerrados e os lábios levemente num bico. Shunsui segurava-se para não rir, estava gostando de conhecer seu filho – Eu tenho essa dúvida até hoje.
__ Outo-san também acha a mamãe parecida com essas duas flores?
__ Hai. Uma vez eu falei sobre ela a oka-san.
__ E o que ela disse? — perguntou ligeiramente curioso e não mais zangado.
__Bem, eu levei uma livrada na cabeça.
__ Livrada?
__ Sim, naquela época oka-san escondia sua zanpakutou num livro e nunca a usava.
__ Por quê? Eu sempre tentava acordar a tempo de ver os treinos dela. — perguntou confuso.
__ Eu não sei, acho que ela não era boa com sua zanpakutou ou não conseguia usar shinkai. Eh... Nanao-chan era muito orgulhosa. Bom, chegamos.
Estavam parados em frente ao portão de número treze, os guardas cumprimentaram o capitão da Hachi Bandai e abriram-lhe o portão curiosos para saber quem era o menino ao seu lado. Entraram no esquadrão e logo encontraram Ukitake tentando entender a discussão de seus subordinados.
__ Eu que entreguei os relatórios a Ukitake-taichou! — disse o homem
__ Isso porque você os tirou da minha mão! — revidou a mulher loira de cabelos curtos.
Do outro lado da porta, Shunsui ouvia a discussão sem entender porque que aqueles dois brigam tanto.
__Kaoru-kun, espere um pouco, sim? Não saia daqui.
__ Hai. — respondeu o menino.
O capitão abriu a porta e os olhares foram dirigidos para ele. Os dois shinigamis logo posicionaram-se e cumprimentaram-no.
__Ohayo – disse Shunsui
__ Ohayo Kyouraku! O que o traz aqui tão cedo?-virou-se levemente para os dois e disse-Podem se retirar, por favor – disse Ukitake
__Hai! – responderam em uníssimo e retiraram-se silenciosamente.
__Tenho um pedido a lhe fazer Ukitake
__Um pedido?
__Lembra do garoto que encontramos ontem? — o Kyouraku estava um pouco sério, enquanto o capitão de cabelos brancos recordava o dia anterior.
__Sim, me lembro.
__ Ele é meu filho e de Nanao-chan.
__Nani? — surpreendeu-se Ukitake ao mesmo tempo em que tentava digerir o que acabara de ouvir.
__Preciso que tome conta dele enquanto vou falar com Yama-jiji, Ukitake. — pediu descontraído – não se preocupe, ele só é um pouco tagarela. — confessou sorrindo
__ Não é com ele que estou preocupado. Espero que não perca a cabeça quando for lutar com Memna.
__Não se preocupe, só darei a Memna o que ele merece.
__Espero – falou o capitão de cabelos brancos desconfiado.
Enquanto isso, do lado de fora...
__Hã? Um menino? — perguntou a jovem parando seu trajeto junto ao companheiro.
__O que faz aqui moleque? Está espionando a conversa de Ukitake-taichou e Kyouraku-taichou? — disse o shinigami se aproximando dele.
__Não, eu... — Kaoru não sabia o que dizer nem o que estava acontecendo ali.
__Vamos, você não pode ficar aqui. — cada um dos dois pegaram um dos braços do garoto e começaram a arrasta-lo para fora do esquadrão.
Seu pai havia lhe dito para ficar ali e aqueles dois estavam levando para fora esquadrão. Resolveu chamar seu pai mesmo receoso, pois não queria incomoda-lo, ainda mais que ali ele não era só o seu outo-san, mas também um capitão. Um...Capitão...Ninquem sabia que ele era filho dele então, chama-lo de outo-san podia não ser a melhor opção, pensava.
__ Kyouraku-taichoouuu! — gritou o garoto – Socooooorro! Kyouraku – taichououuu!!
Ao ouvir os gritos , reconheceu logo seu dono.” Mas por quê Kyouraku-taichou?” pensou.”Para uma criança, ele até que é bem sério.”
Levantou-se rapidamente seguido por Ukitake e encontraram os dois shinigamis tampando a boca de Kaoru que parecia assustado.
__Tudo bem, podem solta-lo, eu o trouxe aqui.- disse Shunsui um pouco... irritado?!
__Hai – responderam juntos com uma pontada de medo. Soltaram Kaoru no mesmo instante que correu para traz do taichou da Hachi Bandai ainda assustado pelo”quase sequestro”.
__ Gomenasai Kyouraku-taichou – curvaram-se os dois em sinal de respeito e desculpas.O cilma parecia um pouco...pesado?
__ Está tudo bem agora. — disse Ukitake mais para Kaoru que se mantinha atrás de Shunsui, do que para os dois shinigamis.
Shunsui olhava Kaoru como se reafirmasse o que Ukitake acabara de dizer. Esperto, o pequeno Kyouraku entendeu a mensagem e saiu meio receoso ainda de trás do capitão. Os dois shinigamis haviam saído discretamente. Tanto que nem um dos dois taichous percebeu.
__ Você é o taichou que estava com outo-san ontem não? — falou, virando-se de frente para Ukitake.
__ Hai, sou Ukitake Juushirou – o capitão de cabelos brancos sorria para o menino que tentava entender porque ele tinha cabelos brancos, se não era tão velho. Só então percebeu que não se apresentara.
__ Gomensai, meu nome é Ise Kaoru – curvou-se em frente a Ukitake surpreendendo os dois taichous. “Ele realmente é uma caixa de surpresas”, pensou Shunsui
O Kyouraku olhava a cena não acreditando muito no que via. “Nanao o educou bem” pensou. Porém ele o achou um pouco sério para uma criança de cinco anos. Se bem que ele não parecia nem no jeito ou na aparência uma criança de cinco anos.
__Kaoru-Kun, preciso falar com o soutaichou. O Ukitake vai tomar conta de você enquanto isso. Comporte-se!
__ Hai! — respondeu Kaoru animado.Era a primeira vez que parecia que seu pai mandava nele. Sorria, deixando confusão no cérebro de Shunsui.
__Hum...Kaoru-kun está feliz por eu ter que ir? — perguntou
__Ele não gosta de você, Kyouraku. — Ukitake disse provocando o amigo, que fazia uma cara de choro, ligeiramente abalado.
__ Não é isso! — gritou sem perceber, nervoso com a possibilidade de deixar seu pai triste – É que...- vermelho, abaixou a cabeça deixando os dois com cara de tacho sem entender nada. — é a primeira vez que outo-san me diz pra fazer alguma coisa sem parecer um pedido. Me lembrou até a oka-san ...eu fiquei feliz por também ter um outo-san agora.
Ele olhava para o chão, incapaz de encara-los devido a timidez. Shunsui viu-o assim, feliz e aliviado por saber que seu filho gostava dele, já Ukitake estava sem palavras pela fofura do garoto.
__ Que fofo! — disse Ukitake chamando a atenção dos dois e rindo com o taichou.
__ Por que todo mundo diz isso? — perguntou o pequeno olhando para os dois.
__Por que você é muito fofo! — respondeu Shunsui – eu já vou indo, cuide dele Ukitake!
__Hai. — depois disto, o Kyouraku desapareceu num shympo.
O capitão dirigia-se rapidamente a Ichi Bandai. Não demorou muito devido a velocidade e o empenho do taichou para salvar sua Nanao-chan e cumprir sua promessa a Kaoru-kun o mais rápido possível.O vento soprava calmamente, desejando boa a sorte ao capitão.Ele iria precisar.
Notas finais
O próximo deve vir um pouco mais rápido.
Até logo, pessoas!
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