De Ontem Em Diante

14 Reencontro com o Inimigo


Notas iniciais
Quero agradecer a Natalie Kunis por mais uma recomendação, parece besteira falar isso, mas é muito bom ver vocês expressando o quanto gostam da história, só dá mais vontade de escrever =). Obrigada mesmo, pelas recomendações e por todos os comentários, garotas.

Então, no capítulo passado tava meio encanada com o desenrolar do Tony e tals, acho que, às vezes, me excedo sim, mas foi como eu disse em um comentário, o Tony está lidando com uma coisa que ele nunca lidou, então acho meio normal, sei lá.

Ah...Como lá no prólogo eu não citei o Rhodes (Máquina de combate) decidi dar uma mudada, sem War Machine nessa fic, ok, girls?

O capítulo tá enorme, deixa eu parar de falar...

Os dias passaram sem que Hammer desse nenhum outro sinal e, Tony não sabia o que era pior, o silêncio ou viver na expectativa de que, a qualquer hora ele aprontasse algo. Para piorar, Pepper ia e voltava sozinha do trabalho contrariando os inúmeros pedidos de Tony para que ela aceitasse a companhia de Hogan.

Era uma manhã de quinta-feira, Tony estava na oficina fazendo reparos na armadura usada em sua última missão, e então a voz de Jarvis ressoou na oficina.

—Sr, há no portão uma moça, ela diz ser oficial de justiça.

—Ela é bonita, Jarvis?

—Utilizando o meu programa de análise de fisionomia, devo dizer que sim.

—Autorize a entrada dela.— ele disse limpando as mãos numa flanela, subiu até a sala para esperar pela oficial, antes de a moça sequer bater na porta Tony a abriu.

—Eu...eu nem cheguei a bater— disse a moça surpresa.

—Jarvis, você tem uma ótima capacidade de análise— ele disse sem que a moça entendesse.

—O que foi?— ela perguntou confusa.

—Nada, a Srta é...?

—Bettina Jordan, oficial de justiça.— a bela morena respondeu.

—A Srta teria um distintivo?— ele perguntou e a moça mostrou a sua insígnia —Pode entrar— ele disse.

—Não é necessário— respondeu —Eu só vim lhe entregar essa intimação.— ela estendeu o envelope na direção dele.

—A Srta terá que entrar e colocar o envelope sobre o móvel ali, porque eu não pego nada das mãos de ninguém.— a moça revirou os olhos e entrou.

—O Sr é mesmo muito excêntrico.— ela disse.

—É o que dizem, além de outros adjetivos.— ele disse caminhando na direção dela.

—Assinar documento o Sr pode? Preciso que assine aqui.— ela parou ao lado dele abrindo a pasta que carregava. Tony pegou uma caneta e assinou o documento, a moça sorriu com a proximidade dele.

—Todas as oficiais de justiça são assim?

—Assim como, Sr?

—Bonitas.— ele disse.

—Bem, isso é tudo, Sr— ela desconversou dirigindo-se à porta.

—Você não quer uma água um café?

—Você flerta assim com todo mundo?

—Flerte?— ele riu —Isso não é um flerte, até porque eu sou comprometido, só estou sendo gentil. Se eu quisesse algo com você eu seria muito mais direto.— ele respondeu.

—Tudo bem, Sr Stark, eu ainda tenho muitas intimações para entregar, aliás, uma dela é para a sua namorada, quer que eu envie algum recado?— ela o provocou. —Talvez ele goste de saber o quanto o Sr é simpático com as mulheres que batem a sua porta enquanto ele está no trabalho.

—Não preciso que você diga nada a ela— ele disse.

—Tenha um bom dia, Sr Stark.— a moça disse e saiu.

No início da tarde, Blake adentrou a sala de Pepper —Qual o problema, Sr Esteves?

—Há lá fora uma oficial de justiça que deseja lhe falar.— ele disse e a primeiro momento Pepper não entendeu o porque da visita da moça, só depois lembrou da audiência que seria marcada.

—Pode autorizar a entrada, Sr Esteves.— ela disse e então Blake saiu para chamar a oficial, e Pepper viu entrar em sua sala uma bela mulher de pela morena e cabelos castanhos presos num rabo de cavalo, trajando uma calça social preta um tanto quanto justa e camisa social branca com corte feminino, as roupas e a sua postura davam-se um ar confiante, seguro e sensual.

—Boa tarde, Srta Potts, eu sou Bettina Jordan, estou aqui para lhe entregar a intimação para a audiência solicitada por Justin Hammer— a oficial falava e então Pepper se deu conta de que Blake ainda estava na sala.

—Tem algo para me dizer, Sr Esteves?

—Errr...o gerente da construtora de Nova York disse que encontrou o local perfeito para o seu projeto, e lhe enviará imagens por e-mail.

—Isso é tudo?

—Sim, Srta.

—Então, deixe-nos a sós, Sr Esteves.— Blake saiu da sala. —A Srta dizia?— Pepper perguntou a moça.

—Aqui está a sua intimação, a Srta só precisa assinar aqui.— a moça caminhou até Pepper com a pasta aberta, e então numa das folhas na pasta Pepper reconheceu a assinatura de Tony.

—Você...esteve na mansão?— ela perguntou um pouco desconfortável —Eu...não estou bisbilhotando, só vi a assinatura e...

—Tudo bem, Srta— disse a moça —Estive faz algumas horas— a moça sorriu.

—O Sr Stark tratou-lhe bem, ele costuma ser um pouco arredio com alguns assuntos?— Pepper assuntou.

—Ele foi bastante gentil, muito simpático.— a moça frisou colocando uma pulga atrás da orelha de Pepper.

—Isso é tudo?— Pepper perguntou.

—Sim— a oficial sorriu —Tenha uma boa tarde, Srta.— ela disse e saiu, passando pelas mesas de Miranda e Blake acenado em sua direção.

—Quem é Justin Hammer?— Blake perguntou.

—É o dono das Indústrias Hammer, principal concorrente da empresa.— Miranda respondeu —Por quê?

—Nada, só curiosidade.— Blake respondeu.


À noite, quando Pepper chegou em casa, como de costume colocou a sua bolsa sobre o sofá da sala e tirou os sapatos deixando-os ao lado do móvel. Livrou-se do blazer que vestia, expondo o top preto com detalhes em renda nas alças e no decote. Chegando ao quarto, deparou-se com Tony de costas para a porta, ele com certeza havia acabado de sair do banho, o perfume ainda tomava conta de toda a suíte, vestia um jeans, talvez estivesse fechando a calça, não dava para ver. Ele pegou uma camiseta a virou-se na direção de Pepper que o observava sentada a poltrona.


—Eu nem ouvi você chegar— ele disse caminhando até ela, medindo-a dos pés a cabeça —Você e essa sua mania de andar descalça, eu nunca ouço quando você se aproxima, é como viver com um felino.

—Vou pendurar um guizo no meu pescoço.— ela disse irônica.

—Resposta ácida, está de mau humor?

—Não, é que nem todo mundo consegue ser sempre “simpática”— fez aspas com os dedos —Estou apenas cansada.

—Eu recebi a intimação para a audiência do Hammer, é na segunda-feira.— ele disse.

—Eu sei, eu recebi também, outro final de semana tenso— ela disse esfregando as têmporas —Ela era linda não era?— Pepper se levantou e caminhou até o closet, enquanto Tony estudava a atitude dela.

—A intimação?— ele gracejou —Só um pedaço de papel.

—Você sabe que eu estou falando da oficial de justiça não se faça de desentendido, pior, não queira me fazer de tola.— ela disse pegando um short jeans e uma camiseta no closet.

—Ela era bonita, normal.— ele deu de ombros. —Eu não estou te entendendo.

—Você flertou com ela, não foi?— ela perguntou.

—Pela forma que você está se comportando dá para perceber que ela insinuou algo a meu respeito. Ela falou para você que eu disse que eu sou comprometido?

—Você disse?

—Claro que eu disse e, ela era bonita sim, mas ela não fazia o meu tipo.— ele foi se aproximando dela.

—Seu tipo, ele era uma mulher linda, corpo curvilíneo, claro que ela faz o seu tipo.— ela disse sem olhar para ele.

—Não, não faz, em outros tempos, talvez, mas não agora.

—Qual é o seu tipo de mulher, então?— ela perguntou quando ele estava a sua frente.

—A minha.— ele segurou o queixo dela levantando o seu rosto.

—A sua?— ela arqueou uma sobrancelha.

—É, Pepper, você!— ele a pegou pela cintura. —Com o seu corpo esguio e perfeito pra mim.— ele foi caminhando, empurrando-a contra a cama até que ela caísse —Eu quase não te vejo com ciúme, chega a ser afrodisíaco, sabia? —ele disse pairando sobre ela, prendendo-a entre seus braços e pernas.

—Não foi nada afrodisíaco ficar insegura a tarde toda.— ela disse o encarando.

—E agora, você está se sentindo segura?— ele sussurrou próximo ao ouvido dela.

—Agora? Acho que sim.— ela sorriu

—Que bom, pois, a minha missão é te manter segura.— ele disse, mantendo-a presa entre ele e a cama.

—Tony...

—Oi?

—Você flerta com uma estranha e eu é que sou torturada?

—Tortura?— ele perguntou.

—É, essa aproximação de corpos sem um contato maior, esse diálogo sussurrado que parece não evoluir para coisa alguma. Sabe o que isso despertou em mim?

—O quê?

—Fome.— ela disse.

—Desejo?— ele correu o nariz pelo decote dela.

—Não, Tony, fome mesmo. Embora você esteja muito cheiroso, sem camisa, me seduzindo a sei lá quanto tempo, sem nem me dar um...

E antes que ela terminasse a frase ele lhe deu o mais doce dos beijos, seus lábios movendo-se suavemente junto aos dela. Pepper, literalmente amoleceu nos braços dele, deixando-se levar pelas carícias, prolongando a sessão de beijos apaixonados.

—Era isso o que você queria?— perguntou deitado ao lado dela.

—Exatamente isso.— ele correu os dedos pelo rosto dele e depois se levantou da cama recompondo-se.

—Você acreditou no que eu disse sobre a moça?— ele perguntou.

—Só posso acreditar, embora eu saiba que você não resistiria em usar o seu sex-appeal, mesmo que tenha sido só para não perder o hábito.— ela disse e ele deu um sorriso amarelo por se dar conta de que tinha sido isso mesmo o que ele fez.

—Agora eu preciso lavar o meu corpo esguio— ela o provocou —E depois pedir algo para comer.

—O que você pretende comer?— ele perguntou.

—Hummm, acho que pizza, faz tempo que não como pizza.— ela disse parada na porta do banheiro enquanto abria o zíper da saia.

—Pizza sem vinho.

—Eu gosto de vinho.— ela torceu a boca.

—Eu sei, mas não quero que você durma depois do jantar.— ele deu-lhe um sorriso sacana.

—Você está mal intencionado, Sr Stark?— ele perguntou tirando o top exibindo o sutiã de renda preto.

—Claro que não, mas a Srta está, senão estaria tirando a sua roupa dentro do banheiro e não parada aí na porta.— ele disse e ela deu-lhe uma piscadela e fechou a porta.

Depois que Pepper entrou no banho Tony desceu e ligou para o delivery, o entregador não demorou a chegar com o pedido dele e por isso pediu um autógrafo em troca. Em pouco tempo Pepper descia as escadas em direção à cozinha.

—Hummmm, cheiro bom.— ela disse ao ver a caixa de pizza sobre a bancada —Pepperoni— ela disse ao bisbilhotar.

—Gosta?

—Adoro!— ela foi até o armário e pegou os pratos e os talheres colocando sobre a bancada e voltava ao móvel para pegar as taças.

—Sem vinho, eu disse.

—Uma taça?— ela fez bico.

—Tá bom— deu-se por vencido.

Sentaram-se como sempre nos bancos altos um de cada lado da bancada, serviram-se da pizza e do vinho e começaram a comer. Até que num determinado momento Pepper chamou a atenção de Tony.

—Você se importa se eu fizer uma coisa?

—Não.— ele respondeu sem nem perguntar o que, e então Pepper pegou a pizza com as mãos fazendo uso apenas de um guardanapo. —Você sempre me surpreende.— ele disse visivelmente encantado —Às vezes eu me pergunto aonde foi parar a Srta Potts com quem eu convivi por quase 10 anos?

—Você não gosta de mim assim?— sem graça ela colocou a pizza de volta no prato e limpou as mãos.

—Não é isso, Pep. Eu gosto de você, cada dia mais. É que agora eu vejo você. Você entende?— ele balançou a cabeça positivamente —Eu gosto do que eu vejo, você está mais leve, mais solta, menos reticente.

—Tony, você me viu por anos como sua funcionária, assistente, alguém de sua confiança, até como amiga. Agora você me vê como sua namorada, mulher, eu sou isso que você vê, sem deixar de ser aquela. Está entendendo aonde eu quero chegar?— ela perguntou.

—Estou, continue.

—Por mais intimidade que nós tivéssemos antes, não era o suficiente para que eu me abrisse.

—Eu também mudei aos seus olhos?— ele perguntou.

—Não muito, quer dizer, você continua o mesmo Tony, direto, sexy, impulsivo, mas agora você me mostrou o seu lado romântico e passional. Eu já gostava de você antes, eu gosto do que você se tornou.— ela segurou na mão dele e então Tony a levou nos lábios e beijou os dedos dela. —É disso que se trata um relacionamento, se expor, ainda mais na minha situação, eu praticamente me mudei para cá. Nós dormimos e acordamos juntos todos os dias, nós brigamos e fazemos as pazes, não dá para mantermos máscaras, não dá para não nos expormos.— ela concluiu.

—Você é fantástica, quem é você agora?— ele gracejou.

—Prazer, Virginia Potts, mas pode me chamar de Pepper.— ela respondeu.

—Eu amo você, Virginia Pepper Potts.— ele diz.

—Eu também amo você, Anthony Stark.— ela sorriu —Agora eu preciso saber se você ainda tem alguma face que eu ainda não conheço?

—Não, este sou eu, desse jeito torto que você conhece.— ele brincou.

—Você prefere a Srta Potts contida em suas roupas sociais e vestidos longos nos eventos da empresa ou essa Pepper aqui, de jeans, camiseta e pés no chão? Ah...lembrando que ambas têm o corpo esguio.— ela ironizou.

Ele levantou-se e foi até ela que virou-se no banco para ficar de frente para ele —Você pegou pilha por causa do meu comentário, Srta Potts? O seu corpo é perfeito, eu amo cada centímetro dele.

—Cada centímetro?— ela lhe deu um olhar luxurioso.

—Cada centímetro!— ele afirmou.

—E sobre a minha outra pergunta?

—Eu não preciso escolher, eu tenho as duas.— ele segurou a cintura dela.

—Que bom que você percebeu isso, porque eu tenho me entregado a você por inteiro desde o primeiro dia do nosso relacionamento.— ela disse e o beijou, lentamente acariciava a sua língua contra a dele. O desejo percorreu o corpo de ambos os fazendo ansiar por um contato maior. Pepper envolveu os braços no pescoço dele e as pernas ao redor de sua cintura. Tony levou aos mãos aos quadris dela, tirando-a do banco, aproximando ainda mais seus corpos. —Vamos subir?

—E a pizza?— ele perguntou.

—Depois a gente esquenta no micro-ondas.— ela disse com a boca abafada pela dele.

Atrelado a Pepper, Tony subia os primeiros degraus da escada quando a voz de Jarvis reverberou pela casa. —Sr Stark, ameaça de bomba na sede do governo, terroristas invadiram o prédio.

—Chama a SWAT, Jarvis, estou ocupado agora.— ele disse sem largar Pepper.

—Tony, me põe no chão.— ele fez o que ela pediu —Agora vai, e volta inteiro, por favor.— ele deu um último beijo nela.

—Um esforço tremendo para esquecer o Hammer e poder curtir, e vem um terrorista. Será que essa gente não namora?— ele saiu resmungando.


(...)



O fim de semana passou e, Tony e Pepper sabiam que aquela segunda-feira era decisiva, a partir daquele dia teriam que voltar a se preocupar, ou não.

—Você acha mesmo que nós não precisamos estar com um advogado?— ela perguntou escolhendo que vestir.

—Não vejo necessidade, não somos réus, somos testemunhas, quem precisa de defesa é o Hammer— ele disse enquanto abotoava a sua camisa preta —E, a gente sabe quem é que irá defendê-lo, quer dizer, você sabe, eu nem conheço o sujeito.

—Tony, sem cena de ciúmes hoje, por favor.— ela disse quando escolheu enfim um vestido preto e um blazer cru para vestir.

—Eu não pretendo fazer cena alguma, nem dizer nada além do necessário, para o Hammer ou para o advogado dele.

—Melhor assim.— ela disse fechando o zíper lateral do vestido.—Achei estranho a audiência não ser em Washington como foi aquele sua.

—Eu também, mas é até melhor, não estava a fim de viajar.— disse fazendo o nó em sua gravata grafite.

—O Rhodes estará presente?

—Ele não me disse nada— ele respondeu —Você está pronta?

—Falta terminar a maquiagem.— Pepper fazia uma maquiagem discreta como de costume —E colocar os sapatos.

—Só isso?— ele debochou —Acho que leva uns trinta minutos ainda, eu vou descer e tomar um uísque enquanto espero.

—Uísque, Tony? São dez da manhã!— ele o repreendeu, sem que ele ligasse.

Depois de alguns minutos de espera, Pepper estava pronta. —Dois uísques— ele disse a fazendo revirar os olhos em reprovação.

Saíram no carro com Happy na direção, quando chegaram ao fórum havia uma porção de repórteres de prontidão, flashes espocavam através do vidro. Tony desceu do carro e parado a porta do veículo esperando Pepper saltar. Ele envolveu o braço na cintura dela e sem dirigirem a palavra aos jornalistas subiram a escadaria do fórum. No saguão, foram guiados por um oficial que os levou até a sala da audiência. Quando o casal entrou na sala, Hammer que vestia um terno preto, camisa braça com as suas iniciais bordadas nos punhos, e Matthew que trajava um terno num tom cinza claro e camisa azul-clara, já estavam lá.

—Anthony, há quanto tempo!— disse Hammer fingindo simpatia.

—Mesmo que eu fique um tempão sem te ver, nunca será tempo suficiente.— disse Tony.

—Anthony, sem ressentimentos, meu caro.— disse Hammer.

—Ah, claro, você tentou me matar, não há ressentimento nenhum entre nós.— Tony ironizou.

—Cuidado com o que diz, Anthony, as palavras tem força aqui dentro...

—Escuta, nós temos mesmo que ficar aqui sem a presença do juiz?— Tony perguntou ao oficial que os conduziu até a sala.

—Sim, Sr.— disse o homem.

—Sem animosidades, Anthony, somos todos civilizados, essa é uma audiência de conciliação. Eu só quero de volta o que é meu. Você mais do que ninguém sabe como é ruim tentarem tomar o que é seu. Você passou por um processo semelhante há alguns meses.— disse Hammer, Tony nada respondeu, na verdade, ele queria saber qual era a intenção de Hammer com toda aquela encenação, cogitou a hipótese de estarem sendo observados. Pepper quieta, trocava olhares tensos entre Matthew e Hammer.

—Srta Potts, desculpe-me a indelicadeza, aí esse tempo todo e eu nem lhe cumprimentei.— Pepper sorriu sem graça. —Gostou das flores?— Hammer perguntou —Sinceramente, eu havia pensado e outra cor, mas branco simboliza melhor o meu estado de espírito.

—Não precisava ter se incomodado.— ela disse tentando disfarçar a tensão.

—Deixe-a em paz, Hammer.— Tony disse entre dentes.

—Paz é tudo o que eu quero.— Hammer disse com um sorriso falso.

—Sr Hammer, você devia sentar-se e deixar que o casal ocupe o seu lugar, a juíza não deve demorar.— disse Matthew.

—Anthony, Virginia, esse é meu advogado, Matthew Morrison.— o casal acenou para Matthew.

—Muito prazer, Sr Stark, Srta Potts.— Matthew estendeu-lhes a mão e, nesse momento, tanto Tony quanto Pepper estranharam a reação dele em fingir não os conhecer.

Uma porta rangeu ao fundo da grande sala, então um oficial de justiça anunciou a entrada da juíza. Tony e Pepper posicionaram-se de um lado da mesa de reuniões, Hammer e Matthew do outro. Uma mulher altiva, trajando toga preta adentrou a sala com caminhar firme, seu nome era Diane Lockhart , aparentava cinquenta anos os mais, tinha cabelos loiros num corte chanel, olhos claros e um rosto expressivamente forte.

—Podem sentar-se— ele disse com voz firme e rouca. —Como vocês já devem ter percebido, essa é uma audiência fechada, eu sei que alguns de vocês adoram se exibir— nesse momento ele virou-se para Tony —Mas hoje será diferente, o circo esta armado lá fora, depois do meu veredito, você podem agir da forma que desejarem.

—Correto, meritíssima.— disse Hammer.

Depois de alguns minutos de explicações do oficial de justiça a juíza tomou a palavra novamente. —Essa audiência foi solicitada pelo Sr Justin Hammer, que perdeu o domínio de sua empresa ao ser preso durante um atentado, numa feira de tecnologia promovida pela empresa do Sr Anthony Stark.

—Correto, meritíssima— disse Tony.

—Nos autos do processo, consta a informação de que, o Sr Hammer atentou contra a vida do Sr Stark e de civis, fazendo uso de robôs.

—Não eram quaisquer robôs, meritíssima, eram hamertrônics e, eu não atentei contra a vida de ninguém, eu nem tinha controle deles.— Hammer cortou a juíza.

—Sr Morrison, controle o seu cliente, ele deve falar apenas quando for solicitado.— disse a juíza —O Sr está dizendo que os robôs não eram da sua empresa, Sr Hammer?

—Eram, meritíssima, porém, o meu cliente foi ludibriado pelo engenheiro recém contratado, o indivíduo alterou a configuração das máquinas.— disse Matthew.

—O mesmo engenheiro morto em combate com Homem de Ferro?— perguntou a juíza.

—Sim, meritíssima.— afirmou Matthew.

—Tenho informação de que as máquinas apenas se rebelaram após a chegada do Sr Stark a feira.

—Sim, meritíssima, mas eu só fui à feira, quando soube da ligação de Justin Hammer com Ivan Vanko, um homem que havia atentado contra a minha vida dias antes em Mônaco, ele foi preso e, dado como morto na ocasião, e dias depois apareceu vivo e responsável pelo departamento de engenharia eletrônica das Indústrias Hammer.— disse Tony.

—Isso é verdade, Sr Hammer?

—Sim, meritíssima, mas eu só soube que Vanko era um foragido da justiça depois de sua morte.

—Mentira, você auxiliou Vanko em sua fuga em Mônaco, Hammer!— Tony bateu contra a mesa.

—Protesto, meritíssima, o Sr Stark está fazendo acusações sem provas.— disse Matthew.

—O Sr pode provar o que está dizendo, Sr Stark?— perguntou a juíza.

—Não, meritíssima, mas...

—Então, o Sr não pode levantar falso testemunho.— Tony calou-se irritado.

—Eu só soube dos problemas do Sr Stark com Ivan Vanko após a morte dele, não poderia imaginar que um engenheiro tão competente usaria a minha boa fé e os meus recursos para vingança.— disse Hammer.

—Vingança?— perguntou a juíza.

—Sim, a família Vanko possuía problemas antigos com a família Stark.

—Desconsiderando problemas familiares, há informação de que, no momento de sua prisão, o Sr tinha absoluto controle dos robôs.

—Hamertrônics— ele corrigiu.

—Que seja, Sr Hammer. O Sr tinha ou não controle?!

—Não, meritíssima.

—Tinha sim!— disse Pepper —Eu e os policiais encontramos o Hammer num dos estandes da feira, de onde ele controlava o ataque dos robôs contra o Tony, digo, contra o Sr Stark.

—Eu não controlava nada, eu estava tentando restaurar a configuração do meu exército. Convenhamos, Virginia, eu havia acabado de assinar um contrato com as forças armadas, porque eu arruinaria tudo?— Hammer fez-se de vítima.

—Srta Potts, você tem certeza da sua afirmação?

—Não, meritíssima, eu só...

—Só queria se livrar de um concorrente, para favorecer a empresa do seu namorado.— disparou Hammer.

—A Srta tem um relacionamento afetivo com o Sr Stark?— perguntou a juíza.

—Tenho mas..., naquela ocasião nós não tínhamos nada um com o outro, eu não tinha motivos...

—A Srta Potts tinha acabado de ser promovida presidente das empresas, era natural que ele quisesse afastar a concorrência.— disse Matthew, Pepper o fuzilou com o olhar.

—As indústrias Stark não são mais produtoras de armamento, Sr Morrison, portanto, naquela época não éramos mias concorrentes das Indústrias Hammer, acho que lhe falta informação.— Pepper disparou.

Durante mais de três horas a juíza ouviu os argumentos de Tony, Pepper, Hammer e Matthew, além de outras testemunhas e oficiais das forças armadas, Rhodes não pôde depor por ser amigo de Tony. Depois de algum tempo a juíza se pronunciou.

—Estabelecerei um recesso de uma hora, e então darei o veredito.— dito isso, a juíza pediu que eles saíssem da sala.

Já passava da metade do dia, Tony estava nervoso pela situação, Pepper acreditava que Hammer não conseguiria o controle da empresa de volta, mas Tony tinha certeza do contrário. Após o tempo estabelecido eles voltaram à sala, era hora do veredito.

—Com base nos autos e nos testemunhos durante a audiência— a juíza dizia, então sob a mesa Pepper segurou firme na mão de Tony, a mão dela suava e a dele estava gelada —Declaro que o Sr Justin Hammer volta a ter o controle das suas empresas, porém, durante os próximos seis meses ainda será supervisionado pelas forças armadas.— concluiu a juíza, e deixou a sala levando consigo o oficial de justiça que acompanhou as longas horas de audiência.

Hammer deu um grito exteriorizando o seu contentamento. Tony não escondia a sua indignação, era a primeira batalha com Hammer e ele havia perdido, restava esperar pelas próximas que, com certeza, não tardariam. Estando apenas os quatro na sala, Hammer não perdeu a oportunidade de tripudiar.

—Não se pode ganhar tudo, Anthony.— disse Hammer estendendo a mão que Tony recusou —Às pessoas têm que saber perder.

—Eu não perdi nada.— disse Tony cerrando os dentes.

—Não ainda, Anthony.— ele disse em tom de ameaça olhando para Pepper, ela sentiu as suas pernas vacilarem, discretamente apoiou-se em Tony que, percebendo o nervosismo dela, envolveu o braço em sua cintura e a tirou dali.

—Sr Hammer, a nossa parceria acaba aqui.— disse Matthew após a saída do casal.

—Não Sr Morrison, eu posso precisar de você ainda, a festa está só começando. Eu vou tirar tudo o que ele ainda tem. Eu quero jogar pedra na janela de Tony Stark, vou perturba-lo tanto, o quero no chão, sem dignidade, quero que ele não consiga se reerguer. E agora eu sei que tem algo com que ele se preocupa mais do que dinheiro e poder.— disse Hammer com um sorriso de escárnio.

—Hammer, eu também tenho os meus motivos para não gostar de Tony Stark, mas acho que você está exagerando. Você já conseguiu o que queria— disse o advogado.

—Não, eu quero destruí-lo e tudo o que estiver ao lado dele.

—Você é insano, eu não vou compactuar com isso, já fiz o que me propus a fazer.— Matthew disse e saiu.


Pepper tentava convencer Tony a não saírem do prédio até que a imprensa se dissipasse. —Eu não tenho porque fugir.— disse ele.


—Tony, por favor, nós também não temos porque nos expormos agora, a tarde já foi estressante o suficiente.— ela rebateu.

E então ele concordou em esperar que burburinho dos jornalistas terminasse. Depois de algum tempo decidiram que era hora de voltar para casa.

—Podemos ir agora?— ele perguntou —O Hogan deve estar entediado esperando por nós.

—Podemos, mas eu preciso ir ao toalete antes.— ela sorriu sem graça.

Um guarda indicou a direção dos sanitários. Pepper entrou no local e Tony entrava atrás dela.

—Tony você vai esperar aí fora.— ela riu. —O que você acha que pode acontecer comigo dentro do banheiro feminino?

—Sei lá.— ele deu de ombros.

—Espera aí fora, ok— ela disse.

Pepper entrou no toalete e Tony ficou esperando por ela, o fórum estava tranquilo o expediente já havia acabado, havia apenas alguns faxineiros e guardas dispersos pelos extensos corredores. Tony por um momento se distraiu com um segurança que puxou assunto e se descuidou de Pepper.

No toalete, enquanto lavava as mãos Pepper teve a sua atenção voltada para a porta. —O que você está fazendo aqui?!— ela perguntou assustada.


Notas finais
E aí? Quem cês acham que a Pepper encontrou no banheiro?

~mistério~ Esse final ficou mais ou menos, sou muito ruim com mistério. Hahahaha.

Beijos, até o próximo ;)