De Ontem Em Diante
15 Escolhas, planos e promessas
Notas iniciais
Então, Flores,esse capítulo é bastante revelador, ou não, tirem as suas conclusões.
Acho que algumas de vocês vão achar esse capítulo meio mimimi. Hahahaha
—O que você está fazendo aqui?— ela repetiu perplexa —Co-como você entrou? O Tony estava lá fora, o que vocês fizeram com ele? O que você quer, Matthew?— exaltada ela fazia uma pergunta atrás da outra sem que ele pudesse responder.
—Seu namorado se distraiu e eu entrei, fale baixo, Virginia, eu preciso falar com você, eu não vou te machucar, não quero que você se machuque.— ele dizia caminhando na direção dela, enquanto ele dava pequenos passos para trás, como se pudesse escapar de Matthew.
—Onde o Tony está? O Hammer o pegou? Você ajudou o Hammer agora veio atrás de mim? É isso?— ele perguntava com os olhos marejados sem muito controle de sua voz.
—Para de dizer bobagem, Virginia, seu namorado está bem, ele sabe se cuidar, eu vim aqui porque preciso alertar você.— ele disse.
—Me alertar?— ela perguntou confusa.
—Sim. Justin Hammer é insano...
—Você ajudou ele— ela o cortou.
—Mas eu não sabia qual era a intenção dele, eu precisava dessa causa, eu acabei de entrar no escritório não podia recusar trabalho e,...
—Incrível.— ela o cortou —Você sempre tem uma desculpa pras besteiras que faz. Eu era muito imaturo, eu precisava da causa...
—Que inferno, Virginia, me deixa falar!— ele bradou coagindo Pepper —Você precisa se afastar do Stark, Justin Hammer vai destruí-lo, ele não vai poupar esforços, ele fará qualquer coisa para atingi-lo, inclusive ferir você.— Matthew disse enfim.
—Eu não vou me afastar do Tony.— ela disse.
—Você não entende, Virginia...
—É você que não entende, Matthew, mesmo que eu termine o meu relacionamento com Tony, se algo acontecer com ele eu vou sofrer. Vou sofrer como se estivesse perto, porque eu amo aquele homem como nunca amei ninguém na minha vida. A dor dele dói em mim também.— ela disse com a voz embargada.
O toalete tinha uma espécie de isolamento acústico, parado no corredor Tony não podia ouvir o que acontecia no interior. Achava estranho a demora de Pepper, decidiu entrar no banheiro e se deparou com Matthew encurralando Pepper contra a parede..
—Larga ela— Tony disse cerrando os punhos.
Matthew fez o que Tony mandou e deu passagem para Pepper que correu para os braços do namorado.
—Você está bem.— ela constatou ao abraçá-lo.
—O que ele fez? Ele machucou você?— Tony perguntou fitando os olhos assustados de Pepper.
—Ele não fez nada...— sem que Pepper terminasse sua frase, Tony a soltou e caminhou na direção de Matthew.
—Stark, eu jamais a machuca...— Matthew não pôde terminar, pois Tony desferiu um soco contra seu maxilar.
—Tony!— Pepper gritou.
—O que você quer? Foi o Hammer que mandou você ameaçá-la?— Tony perguntou enquanto Matthew se recompunha.
—Você acha que eu sou o quê, um capanga de Justin Hammer?!— Matthew perguntou passando a mão no queixo e constatando um pequeno hematoma na comissura da boca.
—Não vou dizer o que eu acho de você. Quero saber o que você quer dela?!— Tony segurou Matthew pela lapela do paletó empurrando-o contra a parede.
—Tony, solte-o, vamos embora, por favor, vamos embora.— Pepper não queria que Matthew dissesse para Tony tudo o que havia dito para ela.
Ainda segurando Matthew, Tony olhou para Pepper por cima do ombro direito —Você vai me dizer o que aconteceu aqui?— ele perguntou.
—Não aconteceu nada, Tony.— ela respondeu vacilante —Vamos?
—Ele precisa saber, Virginia— Matthew disse.
—Saber o quê?!— Tony voltou-se para Matthew.
—Dá para você me soltar?— Matthew perguntou, e então Tony o soltou. Matthew foi até a pia e lavou o pequeno corte no canto esquerdo de sua boca —Justin Hammer quer destruir você.— ele disse pressionando um pedaço de papel sobre o local ferido.
—Tá, agora conta uma novidade, Morrison.— Tony desdenhou da informação.
—Ele não vai medir esforços para acabar com você, ele é louco, sem escrúpulos. Hammer disse que sabe que você agora tem algo com que realmente se preocupa, mais do que dinheiro e status.— Matthew jogou o papel no lixo —Acho que você sabe a quem ele estava se referindo, não é?— ele perguntou e, imediatamente, Tony olhou para Pepper.
—Mas... você é advogado dele, o que você ganha nos avisando?— Tony perguntou.
—Eu não trabalho mais para ele, já disse à Virginia os meus motivos de ter aceitado a causa do Hammer. Eu vim alertá-la, ela tem que se afastar de você, eu não quero que nada de ruim aconteça com ela.
—Eu cuidarei dela.— Tony afirmou.
—Como, Stark? Você não pode ficar 24h ao lado dela. Eu entrei aqui e você nem viu. A solução é mantê-la longe de você.
—Cala a boca, Matthew!— Pepper se meteu entre eles —Você não sabe o que é bom pra mim, você nunca soube, você não pode se meter na minha vida.— e então ela virou-se para Tony —Não ouça o que ele diz, por favor, não ouça.— a voz de Pepper estava embargada tingida de um desespero.
Tony arrastou Matthew para fora do banheiro, mantendo Pepper lá dentro para que ela não os ouvisse mais.
—Tony, o que você pensa que está fazendo?— ela gritou batendo na porta —Me deixa sair!— ela batia incessantemente.
—Eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para protegê-la— ele disse a Matthew.
—Pode não ser o bastante, você vai ter que convencer o Hammer de que ela não significa nada na sua vida. Você terá de se separar dela.— disse Matthew.
—Eu não posso ficar longe dela.— Tony disse.
—Se você quer manter Virginia segura terá que ser longe de você, Stark. A magoe, e ela irá embora, foi assim comigo e não será diferente com você.
—Eu não posso fazer isso e, quem me garante que isso não é uma estratégia sua para tê-la de volta?— Tony perguntou.
—Eu perdi a Virginia há anos, eu sei disso, por mais que eu a quisesse ela jamais voltaria pra mim.— Matthew constatou.
—Eu não vou magoá-la...
—Eu fiz a minha parte, avisei você, eu sei que ela o ama, sei que não fui bom para ela quando estávamos juntos, eu só quero o bem dela e, sei que você quer o mesmo, então afaste-se, pois se algo acontecer com Virginia por sua causa você terá que adicionar um outro nome à sua lista de inimigos.— Matthew disse isso e saiu.
Tony não sabia se podia confiar em Matthew, mas de uma coisa ele tinha certeza, mesmo antes do aviso ele sabia que Hammer não hesitaria em usar Pepper para feri-lo. Quando Tony abriu a porta do banheiro deparou-se com Pepper encostada a pia, exausta física e emocionalmente, seus olhos e nariz estavam vermelhos de tanto chorar e, vê-la assim, doeu nele.
—O que você estava pensando, me mantendo presa aqui?
—Eu precisava conversar com ele sem a sua interrupção.— ele disse.
—Eu não gosto mais de você.— ela disse.
—Deixa de conversa, é claro que você gosta de mim.— ele caminhou até ela e a abraçou.
—Não, não gosto.— ela se debatia nos braços dele. —Vou ter que aprender a não gostar.
—Pepper, se acalma, por favor?— ele segurou os braços dela, sua voz era firme.
—Você não vai me abandonar, vai?— ele perguntou com a voz chorosa e olhos tristes.
—Não— ele afirmou e então ela o abraçou forte.
—Promete que não vai me deixar?
—Pepper, em casa a gente conversa, tudo bem?
—Tony, jura que você não vai...
—Eu juro.— ele disse sabendo que a qualquer momento poderia quebrar a promessa.
Em silêncio eles deixaram o fórum. Quando chegaram ao carro, Hogan estranhou a feição do patrão, mas não se atreveu a perguntar nada. Chegaram à mansão e seguiram direto para o quarto. Calados, como no momento em que saíram do fórum. Quieta, Pepper tirou o blazer que vestia, sentou-se na poltrona e livrou-se dos sapatos e assistia Tony fazer o mesmo, tirar os sapatos, o blazer, afrouxar o nó da gravata e livrar-se dela, abrir os primeiros botões da camisa. Tudo em silêncio, o que abria um abismo entre eles.
—Tony, esse silêncio está me matando, eu olho para você e a sua expressão é ilegível, eu não consigo adivinhar o que você está pensando.— ela disse baixo.
—É porque eu não estou pensando, tem acontecido tanta coisa nas últimas semanas que eu não estou conseguindo formular tudo aqui dentro.— ele apontou para a cabeça. —Mas e você, você está bem?— ele perguntou.
—Eu estarei bem se você estiver.— ela disse.
—Então estamos bem.— ele afirmou, mentindo pra ela e pra si mesmo. — O dia hoje não foi fácil, nossos dias não têm sido muito fáceis. Você precisa comer algo, tomar um banho e descansar.— ele afirmou.
—Nessa ordem?— ela perguntou.
—Na ordem que você quiser.— ele disse caminhando até ela.
—Acho que não quero comer, minha cabeça está doendo.
—Por isso você precisa comer e, vamos acrescentar um comprimido nessa lista.— ele segurou o rosto dela com as mãos e encostou as suas testas.
—Primeiro o banho.— ele disse.
—Não era eu que escolheria a ordem?— ela arqueou uma sobrancelha.
—Você enrolou demais, Srta Potts, alguém tem que tomar as rédeas dessa situação.— ele brincou, aos poucos a tensão se dissipava, pelo menos por enquanto.
—Você podia vir comigo.
—Aonde?— ele perguntou.
—Tomar banho.— ela respondeu.
—Ora, ora.— ele sorriu malicioso.
—Sem segundas intenções, apenas banho.— ela afirmou.
—De banheira?— ele perguntou.
—Pode ser.— ela deu de ombros.
Após alguns minutos estavam na banheira, Tony sentado encostado à borda e Pepper entre suas pernas de costas para ele, que massageava as costas dela.
—Hummm— ela gemeu apertando as coxas de Tony sob a água, quando ele desfez um nó de tensão nos ombros dela.
—Pep, não gema desse jeito e não me aperte, tá bem difícil de me controlar.— ele disse.
—Deus do céu, você precisa trabalhar seu autocontrole. Acho que ioga ajudaria bastante.— ela riu.
—Vi em algum lugar que ioga ajuda na flexibilidade...
—Tony, comporte-se e volte a se concentrar nos meus ombros.— ela o recriminou.
—Detesto que você tenha chorado por minha causa.— ele mudou de assunto.
—Eu não chorei por sua causa.— ela disse —Chorei pra aliviar a tensão, o peso, sei lá.— ela se justificou, enquanto ele se concentrava em massagear suas costas.
—Isso não é muito justo.— ela disse depois de alguns minutos em silêncio.
—O que não é justo?
—Você tem uma vida estressante de super-herói e sou eu quem ganha massagem.
—Daqui a pouco a gente inverte as posições, tudo bem?
—Hum-rum.— ela murmurou.
—Sem gemer— ele disse.
—Me desculpe.— ela riu.
Ficaram no banho por um longo tempo, a ponto dos dedos ficarem enrugados e a água quase esfriar. Saíram e trocaram-se colocando as suas roupas de dormir. Pepper vestiu uma camisola de seda azul-marinho com detalhes em renda na barra, e Tony vestiu sua calça de pijama de algodão preta e uma camiseta regata da mesma cor.
—Estamos de banho tomado, muito cheirosos, agora vamos comer.— ele disse.
—Não quero.— ela fez manha.
—Mas você vai.— ele disse imperativo.
Desceram até a cozinha e fizeram sanduíches com o que encontraram na geladeira. Tony prontamente espremeu laranjas para fazer um suco.
—Suco de laranja é a minha especialidade.— ele gracejou enquanto sentavam-se para comer.
—Ah, sim, porque espremer laranjas é muito difícil.— ela desdenhou.
—Tão difícil que você nunca se ofereceu para espremê-las.— ele a alfinetou.
Comeram tranquilamente trocando olhares e poucas palavras. —Ainda dói?— ele perguntou.
—O que?
—A sua cabeça.
—Um pouco.— ela respondeu, e então Tony se levantou e foi buscar um comprimido.
—Eu queria poder retribuir tudo o que você faz por mim.— ela disse pegando o remédio das mãos dele.
—Retribuir?— perguntou —Você já parou para pensar no quanto já cuidou de mim? Quantos porres você me ajudou a curar, quantos curativos você já me fez? Você sempre agiu além das suas obrigações, Pepper.
—Porque eu sempre amei você.— ela disse. —E, sabe eu estava pensando nisso tudo.
—Nisso tudo?— ele fez cara de dúvida.
—Tudo o que o Matthew disse, eu sei que você está pensando nisso também.
—Aonde você quer chegar, Pepper?
—Eu... posso me afastar...
—Não, Pepper, não.— ele a cortou.
—Não me afastar da maneira que você está pensando. Estou querendo dizer que, eu tenho que ir a Nova York e, sei lá, posso ficar longe por umas duas ou três semanas. Até que o Hammer faça uma idiotice, meta os pés pelas mãos e acabe perdendo tudo de novo.
—Três semanas?
—É, a construtora me mandou umas fotos e, eu preciso dar continuidade no projeto, para isso tenho que ir a Nova York resolver assuntos burocráticos, ir a reuniões na secretaria de infraestrutura e urbanismo, obter uma série de autorizações, enfim, uma obra do porte da Torre Stark envolve uma porção de coisas.
—Torre Stark?— ele perguntou.
—Sim— ela sorriu —Gostou do nome?
—Gostei.— ele sorriu.
—Uma massagem no ego, não? Um prédio com o seu nome. — ela o provocou.
—Três semanas?
—É, Tony, o que você me diz?
—Acho que é o suficiente, mesmo não tendo ideia do que o Hammer pretende fazer agora que tem o controle da empresa de volta. — ele disse. —Só tem uma coisa.
—Que coisa?— ela perguntou.
—Alguém na empresa sabe dessa sua negociação?
—Meu assistente sabe por alto, sem maiores detalhes, ele não sabe que eu pretendia viajar, por exemplo.— ela respondeu.
—Ótimo, porque eu não confio naquele cara.— ele disse. —Você vai viajar sem que ninguém saiba para onde você está indo.
—Ok, mas tem que ser no final da semana, pois eu ainda tenho uma porção de coisas para pôr em ordem.— ela disse.
—Até sexta-feira você vai e volta da empresa comigo ou com o Happy.— ela revirou os olhos —Sem protestos.
—Tudo bem— ela levantou os braços rendendo-se.
—Três semanas longe.— ele entortou a boca tristemente.
—É quase um mês.— ela disse com pesar.
—Mas eu prefiro ficar longe de você, do que imaginar que você possa se ferir ou acontecer algo pior por minha causa.
—Nada vai me acontecer.— ela disse.
—Eu não vou deixar que aconteça.— ele disse segurando as mãos dela.
—E o Sr terá que se comportar, nada de paquerar estranhas.
—Ok, sem flerte com estranhas, eu conheço um monte de gente mesmo.—ele a provocou.
—Não ouse me passar para trás.— ela semicerrou os olhos.
—Ei, só estou descontraindo.— ele disse.
—Não é hora para descontração.— ela disse séria. —Eu vou subir, você vem?
—Eu vou daqui a pouco.— ele respondeu.
—Tudo bem, não demore.— ela disse caminhando em direção à escada.
—Pep?
—Oi?— ela virou-se para ele apoiando-se ao corrimão.
—O Morrison ainda ama você, sabia? Depois de tanto tempo ele se deu conta de que ainda te ama.
—Acho que eu sei aonde você quer chegar me dizendo isso.— ele caminhou de volta para Tony. —E, antes que você pergunte, eu vou responder.— ela envolveu os braços no pescoço dele. —Eu não amo mais o Matthew há anos, não há a menor possibilidade de voltar a amá-lo, ele me magoou demais.— dito isso, Pepper deu um beijo suave nos lábios de Tony. — Não demore.— ela retomou o caminho para quarto.
Depois que Pepper desapareceu na escada, Tony desceu até a oficina. —Jarvis, acordado?
—Sempre, o que o Sr deseja?
—Nós conseguimos invadir o sistema das Indústrias Hammer sem sermos notados?
—Possivelmente, Sr, mas isso seria ilegal.— respondeu Jarvis.
—Desde quando você tem princípios?— Tony riu. —Invada, Jarvis, copie arquivos de projetos em andamentos e de projetos dos últimos doze meses, instale um programa espião. Na situação em que me encontro tenho que deixar os princípios de lado.
—Isso é tudo, Sr?
—Por enquanto, Jarvis.— disse subindo as escadas.
Quando chegou ao quarto, Pepper já havia pegado no sono, Tony deitou-se ao lado dela sob os lençóis, passou um braço em sua cintura aconchegando os seus corpos.
—Você demorou.— ela murmurou.
—Não foram nem dez minutos, sua dorminhoca.— ele cheirou os cabelos dela.
Pepper virou-se para ele, a luz no quarto ainda era média ele pôde fitar os olhos azuis sonolentos dela.
—Nada vai destruir o que nós temos, não é?—ela perguntou —Não importa o que aconteça.
—Nada vai acontecer.— ele disse acariciando o rosto dela, enquanto ela fazia uma força incrível para manter as pálpebras abertas.
Tony sempre foi um sujeito, duro, engessado, alheio a qualquer aproximação ou sentimento profundo, mas Pepper o desarmava, mesmo antes de terem algo, ele sempre soube ser meigo com ela e, talvez por isso, ela tenha se deixado apaixonar por ele.
Exausta e sonolenta, Pepper tentou murmurar algo. —Shhh— ele disse pondo os dedos nos lábios dela, e não pôde resistir ao impulso de beijar-lhe a testa, Tony aconchegou Pepper com a cabeça em seu peito, a envolveu eu seus braços —Você está segura comigo, eu vou cuidar de você.
Aas pálpebras dela se abriram, e então com os seus olhos azuis muito enevoados pelo sono ela sibilou —Eu sei.
(...)
Mansão Hammer
Justin Hammer estava na sala de visitas de sua casa trajando um roupão azul-marinho com detalhes bancos na barra dos punhos e dos bolsos, na lapela do bolso direito ainda havia as iniciais JH bordadas, talvez por uma necessidade de autoafirmação. Conversava cordialmente com um rapaz de pele clara, cabelos castanho-claros e olhar desconfiado.
—Confesso que estou lhe recebendo a essa hora da manhã, por pura curiosidade.— disse Hammer.
—São 8h da manhã e, eu precisava passar aqui antes de ir para o trabalho.— disse o rapaz.
—Eu não preciso me preocupar com horário, nem com trabalho, estou com a vida ganha.— respondeu Hammer.
—Vida ganha, mas você deseja algo mais...
—Aonde você quer chegar, garoto?— Hammer interrompeu-o
—Eu sei que você quer o legado de Tony Stark.
—Eu quero destruir Tony Stark.— Hammer disse entre dentes.
—Eu posso te ajudar nisso, posso ser seus olhos e ouvidos dentro das Indústrias Stark.— disse o rapaz.
—E o que eu teria que te dar em troca? É claro que você não veio aqui pelos meus belos olhos castanhos.— ironizou Hammer.
—Você é concorrente das Indústrias Stark há muitos anos, claro que conheceu Obadiah Stane, quero saber mais sobre ele e como ele morreu. Na Stark falam pouco sobre esse assunto, com certeza é um tabu, apesar de todos ressaltarem que o Sr Stane sempre foi um pai para Anthony Stark.
—E qual é o seu problema com o Stark, o que o Stane tem a ver com isso?— indagou Hammer.
—Eu cresci tendo migalhas do amor e da atenção do meu pai enquanto ele se dedicava a herança de um homem que hoje nem toca no nome dele.— dizia com rancor —Eu vi meu pai em capas de revistas ressaltando a genialidade de Tony Stark enquanto ele nem aparecia nos meus aniversários.
—Você é filho de Obadiah Stane?!— Hammer levantou-se de seu confortável sofá.
—Sim.— o rapaz respondeu monossilabicamente.
—Quem é a sua mãe?
—Minha mãe era uma imigrante latina, trabalhava como dançarina numa boate em Las Vegas, onde conheceu o meu pai...
—Sua mãe era uma prostituta? Não me surpreende ele não ter assumido vocês.
—Dançarina!— ralhou o rapaz.
—Claro, mães são sempre santas, mesmo as dançarinas de boate.— ironizou.
—Depois que meu pai a conheceu ela mudou de vida, ele nos deu apoio, nos sustentou, mas raramente aparecia. Ela nunca me deixou procurá-lo e, eu respeitava a vontade dela. Mas depois que ela morreu eu decidi conhecer melhor o meu pai e então descubro que ele também morreu num acidente que ninguém sabe explicar...
—Chega dessa história triste de filho renegado. —Hammer disse —Eu vou aceitar a sua assistência. Só uma coisa me intriga, como ninguém sabe dessa sua ligação com Obadiah Stane?
—Sinceramente, não sei. Acho que o fato de não ter o nome dele em meus documentos e a minha contratação ter sido feita sem a interferência de Tony Stark facilitaram o meu ingresso na empresa.
—Acho que você servirá então. Vou destruir Tony Stark aos poucos, começarei pelo coração dele.
—Coração?
—Sim, vou separá-lo da ruivinha.— disse com desdém.
—Você não vai machucá-la, vai?
—Não pretendo, aliás, você é até bonito, use o seu charme para seduzi-la, provoque ciúmes nele. Destruir o relacionamento é o primeiro passo para a destruição de Tony Stark. E não deixe essa sua paixonite por ela estragar os meus planos.
—Eu não sou apaixonado por ela.
—É você quem está se enganando.— disse Hammer.
—São 8:30h, eu vou indo.— disse o rapaz ao olhar no relógio. —Temos um acordo?— perguntou levantando-se e estendendo a mão direita para Hammer.
—Temos um acordo.— Hammer apertou a mão do rapaz. —Qual é o seu nome mesmo?— perguntou caminhando em direção à porta.
—Esteves, Blake Esteves— respondeu parado na soleira da porta.
—Esteves Stane? Soa estranho, ainda bem que seu pai não o registrou.
—Poupe-me dos seus comentários, Hammer.— Blake disse ao deixar a mansão de Hammer.
Notas finais
E aí, revelador? ^)
Beijos, e até o próximo ;)
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