De Ontem Em Diante
16 Quando ele a chamou, foi silêncio o que ele ouviu
Notas iniciais
Eu nem sei o que dizer sobre esse capítulo.
Tem romance(?), ciúme e tensão. O final é tenso, mas não vale pular parágrafos, hein? Tem que ler tudinho. Rum.
Nessa terça-feira, Pepper se deu ao luxo de usufruir um pouco mais da confortável cama em que dormia com Tony. Mas agora que, passavam das 8:30h da manhã, era hora de levantar e encarar a realidade. Saiu da cama sem muito alarde e seguiu para o banho, ficou por muitos minutos sob o jato de água quente de saía do chuveiro deixando que cada gota de água massageasse seu corpo.
Saiu do banho e constatou que Tony ainda dormia tranquilo, sereno, ao vê-lo assim, teve que resistir a vontade de ficar ali com ele, afinal, teria poucos dias para ficar junto de seu amado. Passou pela cama e foi até o closet escolher o que vestir. Acabou optando por uma saia de cintura alta e na altura dos joelhos e uma camisa com listras azuis e brancas na vertical, fez uma maquiagem leve, e penteou os cabelos sem prendê-los, pois ainda estavam úmidos, escolheu um scarpin azul-marinho, no lugar dos pretos tradicionais. Já estava pronta para sair. Tony ainda dormia, sentou-se na beira da cama ao lado dele e inclinou o corpo para dar-lhe um beijo.
—Estou no céu?— murmurou de olhos fechados ao sentir os lábios dela nos dele. —Meu Deus, que cheiro bom.— ele disse ao abrir os olhos preguiçosamente.
—Você estava acordado esse tempo todo?
—Não, acordei agora com o seu beijo.— ele respondeu.
—Acordou com o meu beijo, isso é o avesso dos contos de fadas.— Pepper brincou e ele sorriu sentando-se na cama, encostando-se na cabeceira.
—Você já vai?— ele perguntou.
—Já, estou atrasada.
—Que horas são?
—Passa das 9h.— ela respondeu.
—Porque você não me acordou?— ele perguntou —Eu podia levar você.
—Você estava tão lindo dormindo, eu não quis te incomodar.
—E agora que eu acordei?— ele perguntou.
—O que tem agora que você acordou?— ela respondeu com outra pergunta.
—Continuo lindo?— ele sorriu.
—Continua, insuportavelmente lindo, com essa cara de sono e esse cabelo bagunçado.— ela respondeu —Deixe-me ir— ela disse ao olhar no relógio, levantava-se quando Tony segurou sua mão.
—Eu vou buscar você às 5h, tudo bem? Agora você vai com o Hogan e ele fica com você até a hora do almoço, depois ele volta.
—Eu não preciso sair da empresa para almoçar, posso pedir para o meu assistente...
—Da última vez que o seu assistente super-eficiente— disse com desdém —foi comprar o seu almoço ele quase matou você.
—Ele não sabia da minha alergia...
—Não há o que discutir, Hogan fica a sua disposição, e depois eu busco você.
—Se o Happy vai ficar colado em mim feito uma sombra você não precisa ir me buscar.— ela disse.
—Você não quer que eu vá?
—Não foi isso que eu quis dizer, só acho desnecessário o Happy ficar na empresa até o meio da tarde e vim para cá, e você ir até a empresa e, ninguém garante que você estará disponível à tarde, pode surgir um imprevisto.— ela disse —E se você tiver que sair numa missão?
—Você é a minha missão.— ele afirmou —Eu vou buscar você às 5h.
—Tudo bem. Estou me sentindo como aquelas pessoas dos programas de proteção a testemunha.— ela gracejou.
—O que você sabe sobre programa de proteção a testemunha?- ele arqueou a sobrancelha.
—Só que eu vi nos filmes— ela deu de ombros e ele riu —Chega de conversa, eu tenho que ir agora.— ela disse levantando-se da cama.
—Você está linda.— ele afirmou quando ela se afastava.
—Obrigada.— ela respondeu o olhando sobre o ombro.
Quando Pepper chagou a empresa, seguiu direto para a sua sala, ao sair do elevador no último andar, caminhou o extenso corredor até chegar às mesas de Blake e Miranda cumprimentou-os cordialmente e entrou em sua sala. Sentou se à sua mesa e passou os olhos sobre as pastas com relatórios que, com certeza, só esperavam a avaliação dela.
—Srta Potts— Blake bateu na porta —Posso entrar?— perguntou enfiando-se entre a fresta aberta, Pepper assentiu.
—Algum problema, Sr Esteves?
—Não, eu só...— titubeou —Queria saber se a Srta está bem? Já que se ausentou da empresa ontem e não havia nenhum compromisso fora da empresa na sua agenda.
—Nada demais, Sr Esteves, apenas problemas particulares para resolver, nada com que você deva preocupar-se, mas, mesmo assim, obrigada pela atenção.— ela respondeu e ele percebeu que era hora de sair.
No início da tarde, na mansão, Tony analisava os dados das indústrias Hammer a partir do programa espião instalado por Jarvis. Encontrou apenas projetos de armamentos do governo e outros dados que julgou irrelevante.
—Isso é tudo o que temos até agora, Jarvis?
—Sim, Sr.— Jarvis respondeu e Tony bufou em descontentamento.
Por volta das 4h da tarde, Tony deixou a oficina e foi tomar uma ducha. Após o seu rápido banho, vestiu um jeans escuro, uma camiseta preta, seus tênis e uma jaqueta de couro preta. Depois de pronto passou pela sala, pegou as chaves de seu carro e saiu ao encontro de Pepper.
Na empresa, mesmo faltando pouco para as 5h, Pepper ainda estava presa ao trabalho. Analisava um relatório cujas informações não batiam com os documentos vistos por ela há algumas semanas. Buscava arquivos em seu computador para que pudesse comparar as informações, porém, não obtinha sucesso.
—Sr Esteves, venha até aqui, por favor?— ela pediu ao ligar na mesa de Blake.
—Sim, Srta Potts?— ele disse já adentrando a sala.
—Por acaso o Sr ou alguma outra pessoa mexeu em meu computador na minha ausência?
—Claro que não, Srta. O que houve?
—Eu estou à procura de uns arquivos que, aparentemente, sumiram do meu banco de dados.
—Ah, sim, eles disseram que isso poderia acontecer.— disse Blake.
—Eles quem?— perguntou confusa.
—O setor de TI. Estão atualizando o sistema de dados da empresa, ontem eles circularam um memorando dizendo que alguns arquivos poderiam mudar de pastas.— ele a colocou a par do ocorrido.
—Talvez seja isso.— ela disse.
—Eu posso lhe ajudar a achar, me permite?— ele disse chegando ao lado de Pepper atrás de sua mesa.
Pepper se afastou um pouco dando espaço para que ele tivesse acesso ao computador. Blake apoderou-se do mouse, inclinando-se sobre a mesa. Explicava cada passo para chegar aos documentos que ela procurava, em menos de 1min, o arquivo estava aberto na tela do computador em sua frente. Blake se aproveitava da proximidade para inalar a doce fragrância que a pele de Pepper exalava. Ele estava tão próximo, que ela podia sentir a respiração quente dele em sua bochecha.
—Esses atalhos são meio complicados.— ela disse sem graça.
—Assim que o sistema estiver estável volta tudo ao seu devido lugar.— ele disse.
—Obrigada, Sr Esteves, isso é tudo.— ela disse fitando os olhos verde-acinzentados dele —O Sr está dispensado.
—Posso ficar até que a Srta deixe a empresa, talvez inda possa precisar de mim.— ele disse ainda debruçado sobre a mesa. —Eu faço questão...
—Ela não vai precisar de você, Esteves— Tony surpreendeu-os parado à porta —Você já foi dispensado, pode sair.— ele adentrou a sala.
—Ok, até amanhã, Srta Potts.— ele ajeitou a postura e caminhava para fora —Sr Stark— ele acenou ao passar por Tony e saiu.
—Há quanto tempo você estava aí?— Pepper perguntou.
—Tempo o suficiente.— ele respondeu franzindo a testa.
—Tempo suficiente, para?
—Para presenciar a proximidade que você tem com o seu assistente.— disse desconfortável.
—Não há proximidade alguma.— ela rebateu —Ele só estava me ajudando a encontrar um arquivo perdido.
—Desde quando você tem dificuldade com computadores, Pepper?— ele perguntou descrente.
—Desde quando os arquivos mudam de lugar e somem entre as pastas no computador.— ela respondeu impaciente.
—Como assim?— ele caminhou até ao lado dela.
—Blake disse que o TI está atualizando o sistema da empresa.— ela explicou.
—Deixe-me ver isso.— ele disse e acessou o computador dela, ficou alguns minutos fuçando em todo o sistema —Parece tudo normal, mas vou mandar Jarvis dar uma varredura.— ele disse enfim.
—O que você achou que tivesse acontecido?— ela perguntou.
—Sei lá, alguém poderia ter tentado invadir o sistema da empresa.
—Bem, acho que ninguém invadiu nada, eu preciso terminar o que eu estava fazendo...
—O que você estava fazendo antes ou depois do seu assistente ficar pendurado em você te admirando com cara de paspalho?— perguntou enciumado.
—O que eu estava fazendo antes de Blake me ajudar a encontrar o arquivo.— ele revirou os olhos.
—Você o chama pelo primeiro nome durante o horário de trabalho também?— ele alfinetou.
—Aonde você quer chegar?
—Não gosto dessa sua intimidade com ele.
—Não há intimidade!
—Então não o chame pelo primeiro nome!
—Tudo bem.— ela disse visivelmente irritada, mas sem vontade de continuar discutindo. —Você poderia esperar só alguns minutos enquanto eu termino isso para que nós possamos ir embora?— ela perguntou e ele aquiesceu sentando-se na cadeira a frente dela.
—Como você consegue trabalhar com esse monte de enfeite sobre a sua mesa?— ele perguntou depois de algum tempo calado —Isso é irritante, principalmente esse treco que fica girando.
—Simples— ela disse irritada fechando as pastas sobre a mesa —Eu trabalho, não fico reparando na decoração e, a decoração não conversa comigo enquanto eu estou trabalhando.
—Ei, nervosinha.— ele provocou.
—Vamos embora, Tony.
—Mas você já terminou o que estava fazendo?
—Não, não terminei, amanhã eu vejo isso.— ela levantou-se e pegou as suas coisas.
—Então tá, vamos embora.— ele deu de ombros.
(...)
Os dias passaram sem maiores transtornos, Hogan levava Pepper para a empresa e Tony a buscava ao fim do dia. Na sexta-feira, quando Pepper saiu para o trabalho Tony ainda não havia voltado de sua última missão, o que a deixava aflita. Fazia mais ou menos duas horas que ela tentava trabalhar sem notícias dele, e por isso ela não conseguia se concentrar, decidiu então ligar na mansão.
—Oi, Pep.— Tony prontamente atendeu a ligação.
—Como você sabia que era eu?— ela perguntou —Esquece, claro que o Jarvis avisou de onde era a ligação.— ela disse confusa, mas contente em ouvi-lo do outro lado. —Tony, porque você não avisou? Você sabe que eu fico preocupada. Que horas você chegou?
—Ei, calma.— ele disse —Uma pergunta de cada vez. Eu me esqueci de avisar, cheguei faz meia hora e, nesse exato momento, estou jogado no sofá com uma bolsa de gelo no ombro.
—Hum— ele suspirou.
—Não quer saber o que eu estou vestindo também?— ele gracejou tendo certeza que ele a fazia uma careta.
—Não.— ela respondeu —Você já tomou remédio para dor?
—Não.
—Mas com certeza tomou uísque.— ela disse num tom reprovativo.
—Ainda estou tomando— ele riu.
—Tony!— se ela estivesse ao lado dele com certeza teria dado-lhe um tapa ou tirado o copo de suas mãos como fez várias vezes.
—Pep?
—Oi?
—Vou desligar, tá? Pra depois você não insinuar que eu atrapalho o seu trabalho.
—Você atrapalha o meu trabalho.— ela afirmou —O que você vai fazer agora?
—Terminar o uísque, tomar uma ducha e dormir um pouco.— ele disse.
—Tony?
—Diga.
—Tome um analgésico.— ela pediu com voz doce.
—Ok. Mais alguma recomendação?
—Não.— ela disse. —Tony?— ela o chamou outra vez.
—Oi?
—Eu amo você— ela disse e pôde ouvi-lo sorrir.
—Eu também te amo, Pep, eu irei buscá-la às 5h.— ele disse e encerrou a ligação.
Após a conversa com Tony, Pepper tranquilizou-se, e o dia fluiu tranquilamente. À tarde houve um breve encontro com os acionistas e todos estavam surpreendentemente receptivos. Após a reunião, Pepper passou rapidamente por sua sala para enviar uns últimos relatórios, pegou as suas coisas e saiu. Ao entra no elevador deu de cara com Blake. Seu telefone vibrou em sua mão, era Tony.
—Oi?— ela disse e esperou que ele dissesse algo do outro lado. —Não precisa subir, estou descendo.— disse e desligou a ligação.
A porta do elevador ainda permanecia aberta parada no andar da presidência, Blake deu um passo à frente e apertou o botão para que ela se fechasse.
—Dia tranquilo hoje, não foi?— Blake assuntou.
—Muito, ainda bem.— Pepper respondeu brevemente.
—Desculpe me intrometer, mas...reparei que a Srta não tem vindo trabalhar com o seu carro.— disse Blake.
—Ele está na oficina, revisão.— ela respondeu.
Faltavam seis andares para que o elevador chegasse à garagem.
—Srta Potts, há um cílio grudado em seu rosto.— disse Blake, Pepper imediatamente passou a mãos no rosto. —Errr...não saiu, eu posso?— sem que ela consentisse ele deu um passo à frente e levou a mão ao rosto dela.
—Não precisa...
—Pronto.—ele disse sem se afastar, mostrando o longo cílio grudado em seu indicador.
O elevador chegou à garagem, Tony esperava por Pepper e não escondeu seu descontentamento ao ver Blake com ela.
—Até segunda-feira, Srta Potts.— ele disse cordialmente saindo do elevador —Sr Stark— acenou na direção de Tony.
Blake estava já a alguns passos do casal quando Tony chamou e então, ele parou onde estava.
—Eu vou lhe dar um conselho, Esteves.— Tony disse ao chegar perto de Blake. —Acho melhor você parar com essa aproximação, a próxima vez que ela entrar no elevador você sai, se ela já estiver no elevador você não entra.— Tony disse duramente —Entendeu?
—Não estou entendendo o que o Sr...
—Eu sei que você está entendendo. Eu não costumo bater em criança— Tony referiu-se a pouca idade de Blake —Mas eu não vou hesitar em te dar uns sopapos se você continuar dando em cima dela.
—Eu não estou dando em cima dela, só sou seu assistente— ele disse acuado —Sei bem o meu lugar.
—Espero mesmo que você saiba.— Tony disse dando uns tapas no ombro de Blake e depois permitiu que ele fosse embora.
—O que foi que você disse para ele?— Pepper perguntou quando Tony voltou onde ela estava.
—Nós estávamos conversando, acho que você terá que demiti-lo.
—Tony, você vai regredir e voltar a ter ciúmes do Blake?— ele a encarou friamente. —Digo, Sr Esteves, ele é só um garoto.
—Um garoto, quantos anos ele tem?
—Vinte e poucos, 25, acho.
—Com 25 anos eu sabia muito bem o que eu queria, principalmente, quando se tratava de mulheres.— ele disse.
—Nem todo mundo é com Tony Stark.
—Não mesmo, eu sempre fui direto. E ele está cercando você, e você nem percebe as intenções dele.— ele disse nervoso.
—Eu não percebo mesmo, eu não reparo nele, porque eu tenho você.— ela afirmou.
Tony empurrou Pepper contra uma parede no estacionamento. —Você me manipula terrivelmente, Srta Potts.— ele disse com seu rosto próximo ao dela.
—O que foi que eu fiz?— ela perguntou confusa.
—Essa sua resposta— ele disse encurralando-a —Eu não quero saber se você não o vê, quero que você demita ele.
—Já reparou que você sempre me encurrala?— ela perguntou —Estou sempre entre você e uma parede, uma porta, a cama. Você gosta de me ver por baixo, cativa, submissa. Mania de controle, sempre querendo mostrar que é o macho-alfa.
—Ah, que injustiça— ele balançou a cabeça negativamente —Eu nunca me importei em ter você por cima.
—Tony!— ela se desvencilhou dele —Você sempre subverte as coisas!
—Eu estava bastante concentrado até ouvir a palavra cama, mas, voltando ao assunto.— ele disse —Eu não gosto dele, Pepper, desde o primeiro dia em que eu coloquei os olhos nele sabia que ele era problema.
—Demita-o então, eu vou ficar três semanas fora, você terá total autonomia para fazer o que quiser. Mas, você não vai contratar nenhuma assistente enquanto eu não voltar.— ela disse.
—Eu terei que trabalhar no seu lugar?— perguntou surpreso.
—Claro, a empresa não pode ficar abandonada na minha ausência.
—Mas...
—Sem, mas— ela disse —Você não precisa vir todos os dias, eu sei que você tem as suas preocupações, mas venha pelo menos duas a três vezes por semana, só para que as pessoas saibam quem é que manda.— ela explicou.
—As pessoas sabem quem é que manda.— ele disse.
—Claro que sabem. Eu mando.— ela o encarou. —Então, qual será a sua desculpa para demitir o Sr Esteves?— ela perguntou enquanto caminhavam até o carro de Tony.
—Direi. Você está demitido Sr Esteves, por que a Srta Potts precisa de um homem ao lado dela e não de um garoto.
—Postura super profissional a sua— ela ironizou —Espere...— ela encostou-se à porta do luxuoso carro de Tony —Eu preciso de quê?
—Um homem ao seu lado.— ele sorriu.
—E esse homem seria...?
—Eu, claro.— disse convencido.
—Você é muito pretensioso, Sr Stark, sabe do eu preciso mesmo?
—Do que?
—Um beijo.— ela disse aproximando os lábios dos dele.
—Meu?— ele perguntou pegando as coisas que ela tinha nas mãos e colocando sobre o carro.
—Não, Tony, do primeiro homem que aparecer nesse estacionamento.— ela ironizou.
—Só tem eu aqui— ele disse olhando para os lados —Acho que você terá que se contentar comi...— ela o calou com um beijo.
—Às vezes você fala demais, sabia?
—Você é tão bonita, sabia?— ele perguntou pausadamente, sua voz era rouca, seu olhar é intenso.
—Só quando você diz.— ela respondeu.
Inclinando-se na direção dela ele a beijou, extasiado. Envolve os dedos nos cabelos dela, mantendo uma mão em sua cintura. As mãos dela estão firmes nos ombros dele. E, de repente, o beijo mudou, não mais doce, de reverência e admiração como no começo, mas carnal, profundo, devorador. Tomando-a numa necessidade desesperada.
—Tony?— ela gemeu contra a boca dele, e então ele se afastou. —Estamos no estacionamento da empresa, esqueceu?— perguntou ofegante.
—Estamos, eu sei, é que...eu perco um pouco da noção muito perto de você.— ele se justificou.
—Vamos para casa então, pois não vai ser nada legal aparecer alguém e pegar o dono e a presidente da empresa namorando no estacionamento feito dois adolescentes.
Pepper pegou a sua bolsa sobre o carro, Tony abriu a porta para que ela entrasse, deu a volta e entrou no veículo. Não demorou para que estivessem fora do estacionamento da empresa.
—Podíamos jantar fora hoje.— disse Pepper —Afinal, eu vou ficar um bom tempo longe de você.
—Podíamos jantar em casa— ele disse levando a mão livre à coxa dela —Afinal, eu vou ficar um tempão longe de você.— sorriu lascivamente para ela.
—Podíamos não jantar.— ela retribuiu o sorriso.
—Ah, Srta Potts, ainda não sei como vou fazer para não morrer de saudade de você.
—A saudade vai nos aproximar, acho que você devia passar os finais de semana em Nova York.— ela disse.
—É uma ótima opção.— ele sorriu sem deixar de prestar atenção ao trânsito.
—Na verdade eu queria não precisar sair daqui.— ela deitou a cabeça sobre o ombro dele.
—Eu também queria que você não fosse...mas,...nós já conversamos sobre isso, Pep.
—Eu sei.— ela disse chorosa —Só queria que tivesse outra maneira.
—Não há— ele a olhou brevemente, segurou a mão dela e levou aos seus lábios beijando-a —Coloque o cinto de segurança.— ele disse.
—Eu ainda tenho que fazer as malas, detesto arrumar malas.— ela disse após prender o cinto.
—Depois do jantar você se preocupa em arrumar as suas coisas— ele disse.
—Pensei que nós não fossemos jantar.
—Vamos jantar fora, o que são duas horas num restaurante, não é?— ele perguntou —Ainda teremos uma noite inteira.
—O que é uma noite inteira juntos, comparada a três semanas separados?
—Pepper, não seja tão dramática, são três semanas, não três meses, nós já ficamos mais do que esse tempo longe um do outro.
—Não depois que nós começamos a namorar— disse deixando o olhar perder-se no retrovisor lateral —E eu não gosto de lembrar daqueles três meses em que você sumiu. Péssima hora para recordar isso.— seus olhos marejaram.
—Me desculpa, eu não queria te deixar triste, eu não quero brigar com você.— disse ele.
—Eu também não quero brigar.— ela disse —Vamos chegar logo em casa, que eu preciso tomar um banho para podermos sair novamente.— enfim, encontraram um consenso, Pepper calou-se e Tony voltou a prestar total atenção na estrada.
Fazia um belo fim de tarde em Malibu, o sol que se punha dava ao céu um tom alaranjado. Num determinado ponto do caminho até a mansão, surgiu na estrada um carro esportivo, de pintura e vidros negros como a noite. Ao perceber o automóvel, Tony afundou o pé mo acelerador, Pepper imediatamente olhou para ele, suas mãos tensas no volante e seu olhar oscilando entre a estrada a sua frente e o retrovisor.
—Aquele carro está nos seguindo?— ela perguntou um tanto nervosa ao olhar no retrovisor e depois para trás entre o vão dos bancos.
—Acho que sim— ele respondeu —Eu acelero, ele acelera, eu vou devagar, ele também reduz a velocidade.
—E o que faremos?— ela perguntou.
—Manteremos a calma, eu não posso simplesmente parar o carro pôr a armadura e deixar você vulnerável no meio da estrada.— ele disse —Nós vamos correr, ok?
Tony pisou fundo no acelerador, Pepper viu o contador de velocidade chegar ao máximo, o carro preto estava a centímetros dele e, por uma mórbida diversão, tocava a traseira do Audi R8 cinza-cromo de Tony. Por vezes, os veículos se emparelharam, e o carro misterioso jogava-se contra o automóvel de Tony, fazendo com que ele saísse da pista. Pepper soltava gritos histéricos cada vez que sentia o impacto contra o carro deles, Tony já havia desistido de pedir que ela se acalmasse.
A estrada até a mansão era praticamente deserta no ponto onde estavam. Uma sinuosa via de mão dupla, entre um abismo que acabava no mar e um paredão rochoso. O automóvel misterioso costurava a pista, hora a frente do carro de Tony, hora atrás ou ao lado. Sempre batendo contra o carro para que ele perdesse a direção. Numa última investida o automóvel jogou-se brutalmente contra a lateral do Audi batendo no lado do motorista. Tony não conseguiu manter o controle do veículo, rodou algumas vezes na pista até derrapar nos seixos do acostamento e, colidir contra o paredão de rochas justamente do lado de Pepper. Ao atingir o seu objetivo, o esportivo preto fez o retorno e queimou pneus, sumindo nas curvas da estrada.
Não se ouviam mais os gritos nem a respiração sôfrega de Pepper, fez-se silêncio no interior do veículo.
—Pepper?— ele chamou meio atônito —Você está bem?— ele perguntou ao olhar para o lado do passageiro. —Pepper?!— o grito dele possivelmente foi ouvido a quilômetros dali.
Pepper não respondeu ao chamado de Tony. Estava desacordada, com a cabeça apoiada contra o vidro.
Notas finais
Um carro preto e esquisito seguindo o Tony? Desde quando o Batman e comparsa do Hammer? ~comentário infame, eu sei~
Té mais ;)
Beijos
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