De Ontem Em Diante
18 Qual é o fio que une e separa?
Notas iniciais
Tony me deu nos nervos nesse capítulo, a Pepper também.
Não vou falar muito, capítulo pra gente grande. Se é que vocês me entendem.
Mais uma vez fui influenciada por uma música.
Deixo o link pra quem quiser ouvir http://www.youtube.com/watch?v=6Fs-cCtNtws
Era estranho para Tony pensar em amor, em estar apaixonado, em estar totalmente entregue a alguém que sempre esteve ali. Mesmo tendo a certeza de se apaixonar mais por Pepper a cada dia, não entedia como ele, que fugiu disso por tanto tempo, que sempre soube separar desejo de sentimento, sexo de amor, deixou-se abater de tal maneira. A ponto de se olhar no espelho e ver-se diferente, de olhar para o lado da cama em que ela dormia e pegar-se suspirando por ela não estar lá. E, em momento nenhum, cogitar a hipótese de colocar outra em seu lugar.
Tony ligou para Pepper nas primeiras noites em que ela estava em Nova York, porém, ao perceber a ansiedade na voz dela, parou de ligar. Sabia que ela ficaria magoada, mas era difícil falar com ela por telefone, quando na verdade ele queria que ela estivesse ao seu lado. Imaginar que ela perguntava: Como o dia dele havia sido? Na esperança de ouvir que tudo estava resolvido, que ela podia voltar. Não poder dizer o que ela esperava ouvir o irritava profundamente. Com o passar dos dias o contato com ela foi ficando escasso, ele não mais ligou e, quando ela ligava, ele evitava atender.
Fazia pouco mais de uma semana que Pepper estava em Nova York, Tony não apareceu como havia prometido, a ela só restava trabalhar e fazer o que tinha se proposto a fazer, mesmo que, às vezes, sentisse vontade de largar tudo, de parar de cuidar dos negócios e das empresas dele e voltar. Não para ele, não para a casa dele, mas a dela. Sentia-se ignorada, as notícias que tinha eram através da tv ou internet, sempre ressaltando as habilidades e a coragem dele como super-herói. Tony salvava vidas quando o relacionamento deles parecia não ter mais salvação.
Na segunda quarta-feira sem Pepper, Tony acordou disposto a ir para a empresa, que talvez estivesse uma bagunça, já que nem ele, nem ele davam as caras por lá há mais de uma semana. Vestiu um terno preto risca de giz, com uma camisa branca e uma gravata cinza. Desceu até a cozinha, esperou a cafeteira processar uma xícara de café, puro e forte como ele precisava. Bebeu o líquido quente aos poucos e depois saiu.
Ao chegar à empresa foi sondado por olhos curiosos, não era segredo que ele não gostava de estar lá e, que quando estava não era pela empresa, mas por Pepper, só que ela também não estava. Ao chegar ao andar da presidência, viu Blake e Miranda em suas respectivas mesas. Fez sinal para que Miranda o seguisse.
—Srta Parker, você tem acesso à agenda da Srta Potts?— perguntou ao sentar-se na cadeira de Pepper. —Tenho sim, mas o assistente dela é o Blake —Tony fez uma carranca, ao ver que até Miranda o chamava pelo primeiro nome —digo, Sr Esteves. Quer que eu o chame?
—Se eu quisesse falar com ele não teria lhe chamado, Srta Parker.— ele revirou os olhos.
—Desculpe-me, Sr.— respondeu Miranda.
—Eu quero ter acesso à agenda da Srta Potts.
—A agenda dela está vazia, Sr, ela cuidou de tudo antes de se ausentar. Porém...
—Porém...?— mostrou curiosidade.
—No meio da semana passada chegou o convite de um evento beneficente e, bem, a Srta Potts nunca faltou a esse evento. A empresa é benfeitora da ONG responsável pela organização.
—Entendo— Tony passou os olhos pela mesa e achou o envelope com o convite —Eu irei representando a empresa.— disse ele.
—Sr, desculpe a minha intromissão, mas, a Srta Potts está bem? Ela nunca se ausentou por tanto tempo...
—Isso é tudo, Srta Parker— Tony cortou o assunto com a secretária —Ao sair, diga ao Sr Esteves que quero falar com ele.— Miranda assentiu e deixou a sala.
—Sim, Sr Stark?— Blake não demorou a adentrar a sala.
—Seus serviços não são mais necessários, Sr Esteves.— disse sem rodeios.
—Mas, Sr...— Blake mostro-se confuso. —Srta Potts disse algo contra mim?
—A Srta Potts não tem nada a ver com isso.— Tony disse.
—Eu sou assistente dela, acho que, apenas ela pode me demitir.— ele disse fazendo Tony rir dele.
—Você acha mesmo que eu não posso demitir você?— perguntou com um sorriso irônico.
—Acho, e acho que a Srta Potts não vai gostar disso.
—Eu posso demitir você e qualquer outra pessoa, não sei se você reparou, mas é o meu nome está impresso nesse papel timbrado que você carrega para cima e para baixo.— Tony beirou a arrogância ao proferir essas palavras.
—Mas...— Blake piscou duro.
—Não há um, mas, Sr Esteves, pode passar no RH. Tenha um bom dia.
Blake deixou a sala, confuso e aparentemente derrotado, Tony usou de uma soberba que há tempos não exercitava. No entanto, não ter que se preocupar mais com o assédio, mesmo que velado, de Blake para com Pepper dava-lhe certo alívio. Tony ficou mais algumas horas na empresa, depois voltou para casa, para seus projetos e pesquisas.
—Jarvis, ela ligou aqui hoje?— perguntou.
—Algumas vezes, Sr.— respondeu.
—Ela deve estar me odiando.— pensou alto —Não a culpo, me sinto meio inútil em não ter conseguido nada até agora.
À noite, Tony tomou um banho demorado, fez a barba e vestiu-se com um dos seus melhores ternos, para enfrentar os olhares de espanto ao ser visto num evento. Treinou o seu melhor sorriso, sempre soube fazer social, mas nunca teve paciência para isso, tinha preguiça na verdade. Antes de sair, serviu-se de uma dose de uísque e, pensou na possibilidade de encontrar com Hammer, o que não o agradou nem um pouco, não conseguiria conter o impulso em atacá-lo. Cogitou não ir. Depois de algum tempo mudou de ideia, passava das oito quando ele deixou a mansão.
Nunca entendeu como Pepper tinha estômago para toda aquela hipocrisia. Por que aquilo parecia ser tão necessário no mundo corporativo? Olhares vazios, apertos de mão frouxos, sorrisos amarelos e tapinhas nas costas. Circulou pelo salão e, acabou parando no bar, dispensando a mesa reservada em nome das Indústrias Stark, o garçom demoraria demais para passar por lá.
—Um uísque, por favor?— pediu ao dar uma gorjeta generosa ao garçom que prontamente atendeu.
De costas para o salão, desfrutava de sua bebida quando uma voz feminina chamou a sua atenção.
—Tony Stark num evento social?— disse a moça de voz fina, fazendo com que Tony voltasse à atenção para ela.
—Katherine?— apontou na direção da moça e fez cara de dúvida.
—É, Christine. Christine Everhart, não sei por que você insiste em fingir que não me conhece.— ela disse ofendida.
—Você é aquela jornalista.— ele voltou à atenção para a bebida.
—Está vendo como você me conhece.— disse ela.
—Não, eu não conheço.— ele disse e sorveu um gole de uísque.
—Você dormiu comigo.— ela disse beirando a irritação.
—E daí?— ele deu de ombros.
—Ok, você pode fingir que não sabe quem eu sou, mas eu sei quem você é. Sabia que não demoraria muito para que você voltasse a circular por aí sozinho novamente. Até que demorou, a ponto de ter gente apostando que ela seria a futura Sra Stark...— a moça interrompeu a fala venenosa quando Tony segurou o braço dela com certa brutalidade.
—Você acha que me conhece por que dormiu comigo?— Tony perguntou entre dentes —Pois você não conhece, para me conhecer realmente você teria que ter acordado ao meu lado e a gente sabe que não foi isso o que aconteceu, não é?— ele largou o braço dela, sorveu o restante do uísque e saiu salão afora.
Só uma pessoa o conhecia, e era dela que ele precisava, mas sabia que ao chegar em casa ela não estaria lá.
(...)
A quarta-feira foi fria em Nova York. Cinza. Nublada, como o humor de Pepper desde que Tony passou a ignorar as suas ligações. Era pouco mais de onze da noite quando Pepper chegou de um jantar com os executivos da construtora responsável pela futura obra da Torre Stark. Uma garoa fina não deu trégua aquela noite, efeito climático da transição do verão para o outono. Ao chegar, livrou-se do pesado sobretudo que vestia, há anos não usava um casaco como aquele, não precisava dele na Califórnia e há muito tempo não visitava Nova York nessa época do ano. Caminhou até a cozinha, pegou uma taça no armário, abriu uma garrafa de vinho. Foi para a sala e ligou o aparelho de som, um blues começou a tocar. Colocou a garrafa e a taça sobre a mesa de centro e jogou-se conta o sofá, tirou os sapatos e apoiou os pés sobre a mesa. Pegou o celular dentro da bolsa e pensou em ligar mais uma vez. Pensou um pouco mais e largou o aparelho.
—Chega de correr atrás, Virginia. Você fez isso por anos, tenha um pouco de amor próprio.— disse para si mesma.
Desligou a música, era depressiva demais. Ouviu o telefone tocar e viu o nome de Tony aparecer no visor. Sentiu o coração apertar, mas não atendeu. Ele precisava sentir o que ela sentiu, nem que fosse por alguns minutos. Sorveu todo o vinho que havia despejado na taça, e a abasteceu outra vez. Por mais ou menos cinco minutos seu telefone tocou. Uma, duas, três...perdeu a conta de quantas chamadas perdidas. Um tempo em silêncio, o suficiente para beber a segunda taça de vinho, e então o celular voltou a tocar.
—O que foi Tony, o que fez você lembrar que eu existo?— ela perguntou nervosa.
—Pep...
—Não me venha com Pep— a raiva na voz era evidente.
—Pep, me desculpa por não ter ligado?— pediu num tom doce, e então ela silenciou, sabia que, só de ouvi-lo já havia perdoado, e se odiou por ser tão fraca.
—Tony, você não pode me abandonar, não atender as minhas ligações, não responder os meus e-mails e depois ligar me pedindo desculpas.— tentou manter-se firme.
—Eu sei, Pep, mas...
—Não tem um MAS, Tony. Você disse que ligaria, eu te esperei no fim de semana e você não veio.— sua voz ficou tremula —Eu sabia que isso terminaria assim.
—Não fala assim. Não acabou. Eu não liguei mais porque, eu sentia que, todas às vezes você esperava por uma solução, que eu dissesse que esse nosso martírio havia acabado. Mas eu não tinha uma resposta, eu não tenho uma solução, Pepper.
—Ridículo você querer me responsabilizar, eu jamais pressionaria você, Tony.— disse ríspida.
—Eu sei, mas, também sei que você não está contente, que você esperava que eu...
—Você não precisava dizer nada ao ligar, Tony, além de um bom dia ou boa noite.
—Me perdoa?
—Onde você está?
—Resolvendo um caso importante.— ele respondeu.
—Vá resolver o seu problema e me ligue depois.— disse ela.
—Não antes de você dizer que me perdoa.— disse com voz serena, fazendo-a render-se.
—Eu desculpo você, Tony.— ela suspirou.
—Mas ainda está com raiva de mim.
—Não estou.
—Mesmo?
—Você sabe que sim, eu não consigo sentir raiva de você por muito tempo.— ela disse.
—Você ainda me ama?— ela pode sentir a esperança na voz dele.
—Tony, você disse que está no meio de uma missão, eu não quero que você seja atingido por uma bomba ou coisa do tipo por estar falando comigo ao telefone!
—Calma. Quem disse que eu estou...?
—Você disse que estava resolvendo um caso importante.
—Saber se você ainda me ama é um caso importante. Você me ama?
—Amo, Tony. Eu amo você. Mas agora eu tenho que desligar.
—O que você vai fazer?— ele quis saber.
—Beber outra taça de vinho, talvez.
—Quando você bebe demais, você dorme, Pep.
—Nem todo mundo tem a sua tolerância ao álcool e, eu pretendo dormir, aliás, tenho uma cama grande e gelada me esperando. Adeus, Tony.— ela desligou o telefone.
O celular tocou novamente. — Você ainda não me desculpou.— ele disse divertido do outro lado da linha quando ela atendeu.
—Anthony Edward Stark, se você morrer numa missão por estar falando comigo ao telefone eu mato você!— ela disse enérgica e ele não conteve o riso.
—Se eu morrer, você me mata, isso não é coerente, você sabe.— ele riu não podendo vê-la revirar o olhar.
—Tony!
—Eu não estou em missão, Pepper.
—Onde você está?
—Falando com você.
—Perguntei: Onde você está? Não. O que você está fazendo?— disse impaciente.
—Olha o seu tom de voz, é claro que você ainda está brava.
—Eu estou, mas...
—Mas...?
—Queria que você estivesse aqui.— ela disse com carinho.
—Eu também queria, estou com saudade.
—Eu também. Mas estou achando deprimente esse papo por telefone.
—Quanto você bebeu, Pep?— mostrou curiosidade.
—Do que importa isso?
—Quanto?— perguntou firme, fazendo-a tremer ao ouvi-lo.
—O suficiente.— ela respondeu.
—Suficiente para dormir ou ficar solta?— perguntou com a voz rouca.
—Queria chegar ao grau de sono, mas acho que ainda não ingeri o bastante.— ela respondeu.
—Isso é bom...
—Para quem, seu eu dormirei sozinha?
—Você não precisa dormir sozinha.— ele disse.
—Realmente, acho que vou bater no apartamento do vizinho do andar de baixo e pedir uma xícara de açúcar.— ela o provocou.
—Pepper!— ele a repreendeu.
—Tony, olha o tempo que estamos perdendo ao telefone? Dava para você entrar no avião e vir até aqui.
—E se eu estivesse aí?— ele perguntou.
—Sem, e se...Tony, você não está. Você não quis, você não quer estar. Cansei dessa conversa.— impaciente, ela desligou o telefone e colocou-o sobre a mesa de centro.
A campainha soou duas vezes, Pepper levantou-se a caminhou até a porta, ao olhar pelo olho-mágico o viu ali parado, com cara de desconfiado, como uma criança que acabara de fazer traquinagem.
—Você me perdoou mesmo?— perguntou com o seu melhor sorriso lateral, quando ela abriu a porta.
Sem responder, Pepper jogou-se em seus braços e o beijou de uma maneira voraz. —Você é um cretino— ela disse com a boca contra a dele —Eu odeio você.
—Você tem um jeito meio estranho de odiar.
—Entre— disse puxando-o para o interior do apartamento. Tony pegou as suas coisas, entrou e ela fechou a porta atrás deles.
Tony segurou Pepper pela cintura, trazendo-a para outro beijo saudoso e arrebatador, liberando-a pela necessidade de ar. Para depois tomá-la outra vez.
—Tony, não. Eu não posso...
—Pepper?— ele tentou pegá-la quando ela se desvencilhou —Nós conversamos...
—Por telefone, você me manipulou, Tony. Você estava o tempo todo aí fora?— perguntou exaltada.
—Eu não...— vacilou —Eu estava, sabia que se eu simplesmente batesse na porta você não abriria. Mas eu precisava ver você, precisava que você me desculpasse.— ela o ouviu sem se pronunciar, até a sua expressão era ilegível —Pepper?
—Você veio de armadura?— mudou de assunto deixando-o confuso.
—Não, de avião, peguei um táxi para chegar até aqui.
—Você num táxi?— ela juntou as sobrancelhas em sinal de descrença.
—Para você ver o quanto eu queria te ver. Eu não podia voar com uma mala nas mãos, podia?
—Mala para quantos dias?— arqueou uma sobrancelha.
—Uns dois ou três, não sei fazer mala.
—Fez mala sozinho e andou de táxi...
—Por você.— ele sorriu.
—E como foi?
—Estranho, acho que não sou famoso entre os taxistas. Nem fui reconhecido.— ele respondeu.
—Por que você está vestido assim?— perguntou ao reparar no seu impecável terno azul-marinho.
—Fui a um evento representando a empresa, mas não fiquei mais do que trinta minutos.— torceu a boca lateralmente.
—Hum— ela murmurou.
—Hum, o quê, Pepper? Você pula em mim quando me vê, depois se afasta, me faz uma porção de perguntas. E eu estou aqui parado sem saber se eu vou embora ou se fico. Isso é uma espécie de castigo?— ele perguntou sem desviar os olhos dos dela.
—Gosto desse terno que você está usando.— ela disse sem responder a pergunta dele.
—Acho que é melhor eu ir embora.— ele deu as costas —Eu vou me hospedar num hotel, e amanhã a gente conversa...
—Tony...— ela segurou na mão dele —Se eu não quisesse que você ficasse eu não teria aberto a porta.
Sem que ela pudesse ver, um sorriso sacana e vitorioso formou-se no lábio dele. Nessa altura não sabiam quem manipulava quem. Ele virou o corpo na direção dela novamente e deu-lhe uma boa olhada. Pepper usava um vestido preto clássico, com mangas ¾. Joias delicadas enfeitavam as orelhas e o pescoço. Cabelos presos num coque.
—Você está usando meias.— seus olhos brilharam de forma lasciva.
—7/8— ela mordeu o lábio.
Tony caminhou até ela levou as mãos firmes a sua cintura, aproximou mais os seus corpos, correu o nariz pela curva do pescoço dela, chegando ao pé do ouvido. —No telefone você disse algo sobre uma cama grande?— sua voz era sexy, gutural.
—E fria.— ela disse envolvida.
Foi a deixa para Tony. Ele a beijou lascivamente, suas mãos ávidas e saudosas percorreram o corpo dela. —A gente esquenta.— ela disse ao separar suas bocas por um momento.
Pepper guiou-o até o quarto. Uma suíte modesta, sem a pompa da mansão Stark, ou de qualquer hotel de luxo, mas com o seu charme. Decoração clássica, uma tanto vintage, paredes claras, um guarda-roupas grande, uma cômoda, a cabeceira da cama trabalhada em ferro. Com o corpo, Tony foi empurrando Pepper contra a cama, ao sentir suas pernas tocarem o móvel e as mãos dele começar a abrir o zíper do vestido ela pareceu acordar de um transe.
—Não.— ela protestou.
—Qual o problema?— Tony perguntou confuso.
Pepper o olhou sem responder, e, por um momento, passou pela sua cabeça a possibilidade de estar sendo usada por ele, mas depois essa insegurança a deixou. Não era só sexo o que ele queria, ele poderia ter isso sem precisar viajar quilômetros. Era dela que ele precisava. Da proximidade com ela, do frenesi do toque em seu corpo.
—O que foi?— ele perguntou novamente.
—Nada, eu só...
—Pep— ele levou as mãos ao rosto dela —Nós não precisamos fazer isso, não foi por isso que eu vim.
—Eu sei.— ela levou as mãos ao primeiro botão do paletó dele abrindo-o, e depois ao segundo botão. —Eu quero.
Tony a beijou, enquanto Pepper se encarregava de liberá-lo do blazer, da gravata e da camisa branca, expondo a luz do reator e os músculos do peitoral e abdômen. Desceu as mãos ansiosas pelo torso trabalhado, chegando ao cós da calça. Ela abriu o cinto, o botão, o zíper, introduziu sua mão feminina na calça dele e pôde senti-lo, firme. Tony interrompeu o beijo e seu olhar castanho e perverso encontrou o dela. Ele levou as mãos ao zíper do vestido, sem protestos dessa vez, o abriu e ao deslizar o vestido viu o corpo que tanto amava e ansiava. A pela clara em contraste com lingerie preta.
—Nunca vou cansar de dizer o quanto você é linda.— ele disse e juntou seu corpo ao dela, beijou-a com fome, enquanto ambos corriam as mãos pelo corpo um do outro, como se a ponta dos dedos marcasse território.
Pepper girou o corpo e então era ele quem estava com a perna encostada na beirada da cama, ela o empurrou e ele caiu sentado, livrou-o da calça. Montou em seu colo, sentindo-o rijo sob ela, sabendo que pequenos pedaços de pano impediam um contato maior. Tony facilmente deslizou as mãos pelas pernas dela, dos joelhos à altura das coxas, chegando à renda das meias que ela usava.
—Sem ligas.— ele disse ao apertar a pele exposta.
—Não sabia que você vinha.— ela envolveu o pescoço dele com os braços e mordiscou seu lábio inferior.
—Sempre soube que você só usa liga quando está mal intencionada.— ele disse e continuou o caminho com uma das mãos subindo pelas costas dela até chegar ao colchete do sutiã. Espalmando as mãos em suas costas para segurá-la. A outra mão, antes fixa, deslizou para o interior das coxas até chegar ao centro, tocou-a sobre a renda da lingerie, sentindo-a úmida. Estimulou-a fazendo movimentos circulares com polegar, em seu ponto mais sensível.
Para Tony, ouvi-la gemer era afrodisíaco, chamar por ele segurando firme em seus ombros. Pepper pedia por mais, e um momento depois, pedia que ele parasse e, naquela confusão, ela movia-se em seu colo deixando-o cada vez mais excitado, mais vivo. A respiração dela estava acelerada, seus olhos azuis semicerrados. Ele a conhecia, sabia que ela estava no limite, e então parou com o estímulo, ela não chegaria ao ápice sem ele, não depois de tanto tempo separados.
—Tony— ela protestou ofegante.
—Sem pressa, Pep.— ele disse com a boca próxima a dela, antes de beijá-la. Gemeu contra a boca dela, ao sentir as unhas dela correrem os músculos de suas costas.
Tony levou as mãos aos cabelos de Pepper, tirou o grampo os prendia, os fios ruivos caíram sobre os ombros. Desfez o fecho do sutiã e, liberando-a do mesmo, teve em sua frente os belos seios dela, com a boca reverenciou um e depois o outro. Cansada da tortura sensual imposta por Tony, Pepper empurrou-o com as costas sobre o colchão, com as mãos espalmadas sobre o peitoral, curvou o corpo de encontro ao dele, beijou-o nos lábios, no pescoço, correu os dentes pelo maxilar um tanto tenso. O provocou assim por longos minutos, enquanto ele mantinha as mãos em seus quadris. Deslizando o corpo esguio sobre o dele, chegou peito, beijou-o, Tony arfava, fazendo seu peito subir e descer, cada vez mais rápido. Com um movimento ágil, Tony voltou ao comando da situação, agora era ela sobre a cama, sentindo o corpo vigoroso sobre o seu.
—Eu juro que deixaria você no controle por mais algum tempo, mas estou desesperado para deslizar essas meias pelas suas pernas lindas.— com adoração, enrolou a meia correndo as mãos firmes pela perna feminina e comprida, uma depois a outra.
Pepper desejava um contato mais íntimo, ele sabia disso, também queria. Ao colocar-se entre as pernas dela, beijou o seu ventre, o roçar do cavanhaque na pele delicada a fez se contorcer sob ele. Tony levou as mãos a cintura dela, descendo em direção aos quadris, encontrou a renda da lingerie e, por suas pernas, deslizou a última peça que ela ainda vestia. Livrou-se também de sua última peça e uniu-se a ela. Sentiu ser acolhido aos poucos e, uma vez dentro dela, passou a mover-se, devagar, com investidas calculadas.
Ela envolveu o pescoço dele com os braços, seus lábios buscaram os dele com certa urgência, suas mãos exploravam o corpo dele, ela precisava senti-lo.
—Achei que tivesse perdido você.— ela disse ofegante.
—Você nunca vai me perder.— ele respondeu acelerando os movimentos.
Pepper envolveu as pernas ao redor dele, incentivando-o a ir mais fundo, mais rápido. Segurou-se aos lençóis, pois tinha necessidade de ater-se a algo enquanto era tomada por Tony. Movendo os quadris com agilidade, ele sentiu as paredes do colo dela se comprimirem. Ela cravou as unhas em suas costas e, gemendo, afundou o rosto na curva de seu pescoço, chegava ao seu limite. Sentiram os corpos tensos e depois tomados por êxtase. Juntos, como ele desejou chegaram ao clímax. Sem se desconectarem, entreolharam-se ainda tomados por luxúria, e beijaram-se apaixonadamente. Pepper sentiu um calafrio correr a sua espinha ao senti-lo deixar o seu corpo. Tony caiu ao lado dela, exausto, a trouxe para deitar em seu peito. Uma onda de parazer quente pairava no cômodo outrora frio.
—Isso foi...— ela buscava a palavra.
—Incrível?— ele fitou-a arqueando uma sobrancelha.
Ela sorriu concordando, o vinho parecia começar a pesar em sua cabeça, sentia-se esgotada, pelo esforço de minutos atrás, pelos seus últimos dias. Reuniu forças para pegar uma colcha e cobri-los, aconchegou-se ao corpo dele.
—Se eu fechar os olhos, amanhã de manha você ainda estará aqui?— ela perguntou.
—Claro que estarei.— respondeu estranhando a pergunta.
Pepper não disse mais nada, em poucos minutos estava dormindo. Deixando Tony com um ponto de interrogação pairando sobre sua cabeça, ele demoraria a pegar no sono.
O dia seguinte amanheceu cinza como o anterior. Pepper acordou e Tony dormia ao seu lado, já dando os primeiros sinais que acordaria em breve. Ela se envolveu num lençol e ficou ali, sentada, encostada a cabeceira da cama. Quando Tony abriu os olhos ela o vislumbrava com o olhar perdido.
—Bom dia.— ele disse com aquela voz de quem acabou de acordar.
—Bom dia.— ela respondeu.
Tony logo se sentou trazendo a colcha consigo, a cara dela não era boa, sabia que algo estava errado. —Qual é o problema?
—Nosso relacionamento é uma montanha-russa...— ela engoliu em seco —E eu...não posso mais...acho que não tenho inteligência emocional para isso...
Notas finais
Ah... acho que mais uns 5 ou 6 capítulos e game over.
Até o próximo.
Beijos.
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