De Ontem Em Diante

19 De bem, por enquanto


Notas iniciais
Exatos quatros meses da postagem do prólogo. Yeah.Parabéns pra mim e pra vcs. Haja paciência, néam?Quase que não apareço.Mas enfim, sem drama.Taí capítulo foufo, pra comemorar o Valentines Day.

Tony não esboçou nenhuma reação diante das palavras dela, o que era estranho, no mínimo. Estava atônito, seus grandes olhos a fitavam, mais escuros do que nunca, e então ele começou a piscar nervosamente, como se estivesse processando algo o que dizer. Pepper esperava que ele fosse explodir a qualquer momento. Ele se levantou da cama e sem muita cerimônia caminhou pelo quarto enrolado a colcha a procura de suas roupas.

—O que você vai fazer?— ela perguntou.

—Vou me vestir e vou embora, oras.— disse ríspido.

—Eu... não mandei você embora.— ela ajoelhou-se sobre a cama ainda enrolada ao lençol.

—Você quer que eu fique esperando você me mandar embora?— perguntou —Acho que quando você compara a nossa relação com um brinquedo de parque de diversões e diz que ‘não pode mais’, significa que acabou. Então eu não tenho porque ficar aqui.— ele alterou o tom de voz. —Eu só acho que se a sua intenção era me mandar embora você não deveria ter aberto a porta.— ele vestia a calça —Qual era a sua intenção, me punir? Me ferir?— vestiu a camisa branca amarrotada —A noite passada foi o que, uma despedida?— Pepper nada respondia, agora era ela quem estava quieta —Diz alguma coisa, Pepper, foi você quem começou com isso. Diga algo que me faça ir de vez, ou que me faça ficar, porque eu não quero ir, mas, se eu sair eu não vou voltar.

—Eu não quero que você vá, eu me expressei mal...

—Então o que é que você quer, Pepper?— ele esbravejou.

—Eu não quero passar a minha vida esperando por você, Tony. Por anos eu esperei que você me notasse, agora eu tenho que esperar que você cumpra as promessas que me faz. Eu quero me sentir segura.— ela disse exaltada.

—Isso tudo é sobre eu não ter ligado, por eu não ter vindo antes?— perguntou atordoado —Pepper, eu já expliquei os meus motivos. —Eu não sei por que você se sente insegura, eu já te garanti que ninguém vai tomar o seu lugar na minha vida...

—Eu também acho ridículo me sentir insegura, ainda mais quando você dá todos os sinais de que faz tudo por mim, mas você só faz isso quando eu estou próxima de você.— ela o cortou —Não é sobre fidelidade a questão, Tony, no entanto, se você não consegue cumprir uma simples promessa de me ligar uma vez por dia, como eu vou poder acreditar nas coisas que você me diz?— ela perguntou com os olhos cheios d’água, permanecendo ainda na mesma posição.

—Acho que você precisa ter um pouco mais de paciência e um pouco mais de fé em mim.— ele disse a ela já mais calmo.

—Você diz isso por saber que, antes mesmo de você pedir desculpas, eu já terei perdoado você. E eu não quero que a nossa relação seja assim, você fazendo o que bem quer, me manipulando e depois se desculpando.

—Você sabe que a nossa relação não é assim.— ele disse.

—Eu sei, mas...

—Deus do Céu, com você sempre tem um mas.— ele disse e ela se encolheu sobre a cama.

—Se você não me ligava e não me atendia, como podia ter tanta certeza de que eu estava bem e segura?

—Eu apenas sabia.— ele deu de ombros.

—Você não colocou alguém para me vigiar, colocou?

—Isso você nunca saberá, mas se eu fosse você não olharia para o lado.— ele disse.

—Devido aos últimos acontecimentos, acho que você não merece ser mais considerado o melhor namorado do mundo.— ela disse.

—Ainda posso me considerar seu namorado?— ele sentou-se na cama.

—Pode.— ela sorriu fraco, a verdade é que ela o ama, e não importa os motivos que ela podia arrumar para tentar ficar longe dele, não era isso o que ela queria.

—É só isso o que me importa.— ele pegou as mãos dela e as beijou.

—Acho que eu preciso de um banho— os olhos dele brilharam com o comentário dela —Não se anime, isso não é um convite.— ela disse firme.

—Até quando você vai ficar brava comigo?— ele perguntou.

—Eu não sei.

—Mas você quer que eu fique?— ele perguntou.

—Mais do que você pode imaginar.— ela disse com um sorriso travesso.

—Já que eu não fui convidado para o seu banho, acho que mereço tomar banho antes de você.— ele disse.

—Não sei se você merece, mas eu vou deixar, a sua cara está péssima e você precisa trocar essas roupas amassadas.— ela disse —Você teria mesmo coragem de sair assim?

—Acho que as pessoas já me viram pior do que eu estou vestido agora. Você já me viu em pior estado. A questão é: Você me deixaria ir?— ele perguntou.

—Não, você é importante demais para eu te deixar ir. Ainda mais assim, transtornado.

—Você me deixa transtornado, Virginia.— disse firme.

—Que história é essa de Virginia?— perguntou confusa.

—Seu nome não é Virginia, Virginia?— ele provocou.

—Para, Tony! Porque isso agora?

—Sua amiga disse que quando está brava com você só te chama de Virginia.— ele respondeu.

—Você está bravo comigo?— ela perguntou.

—Não, eu só queria te desestabilizar.

—Como se eu já não estivesse desestabilizada o bastante.

—Você é a Pepper, minha Pep.— ele deu-lhe beijo casto —Posso te fazer um convite?

—Pode.

—Mas você não vai poder recusar.— ele sorriu.

—Eu já aceitei.

—Então levanta.— ele levantou-se e estendeu a mão pra ela.

—Para quê?

—Vem tomar banho comigo.— ele sorriu malicioso.

—Você vive me enrolando isso não é...— ele juntou os seus lábios dos dela — justo.— ela terminou a frase.

—Estou longe de você há tempo demais para ser justo.— ele disse.

Após o banho, Tony vestiu um jeans e uma camiseta preta de mangas longas, e ficou com os pés descalços. Ele bisbilhotou todos os cantos do modesto apartamento e, não pode deixar de reparar na semelhança com o apartamento que ela possuía em Malibu. Dois quartos, um balcão separava a sala da cozinha. Na sala havia um móvel, onde estavam expostos porta-retratos em ordem cronológica, Pepper aparecia ao lado das amigas desde a época em que haviam se conhecido até a última vez em que as três estiveram juntas. Ainda sobre o móvel estavam os alto-falantes para o IPod e na parede uma tv de tela plana de tamanho médio. Uma grande janela lateral iluminava a sala, por mais que o dia estivesse nublado, e as gotículas de chuva fraca escorriam no vidro.

—E então?— ela o surpreendeu ao chegar à sala. —Qual é o veredito?

—Sobre?— ele virou-se na direção dela.

—Sobre o apartamento, o que você achou?

—Acho que você é uma saudosista, esse apartamento é uma versão menor do seu. Não pela decoração, mas pelo apartamento em si.— ele disse.

—Eu sempre fui nostálgica, ao contrário de você.

—A sua nostalgia já salvou a minha vida.— ele disse, afinal, se não fosse ela ter guardado o primeiro reator dele, Tony não estaria vivo. Pepper sorriu com a afirmação dele. —Você está diferente com essas roupas, acho que nunca a vi assim.— ele disse caminhando até ela. Pepper usava uma calça de ioga e um moletom caindo sobre um ombro.

—Nada sexy.— ela torceu o nariz.

—Você não tem a menor ideia do que é sexy, Pep.— ele a pegou pela cintura trazendo-a par si, ela envolveu os braços ao redor dele e ficaram abraçados por alguns segundos.

—Que saudade do seu cheiro.— disseram juntos.

—Não vai trabalhar hoje?— ele perguntou.

—Não, olha esse tempo, vou me permitir ter preguiça hoje.— ela respondeu. —Eu vou ficar com você o dia todo.

—O dia todo a minha disposição?— ele perguntou com um sorriso lascivo.

—Não a sua disposição, mas com você. Deixa de ser sacana. Agora eu vou preparar algo para comermos, porque eu não sei você, mas eu estou morta de fome, e depois o Sr vai me contar tudo o que aprontou na empresa nos últimos dias.— ela se desvencilhou dele.

—Eu trouxe uma coisa para você.

—O que é?— ela mostrou curiosidade.

—Depois eu te dou, vou te deixar curiosa por algum tempo.

Pepper foi para a cozinha e Tony ficou da bancada a assistindo preparar o café. A principio ele tentou ajudar, mas só atrapalhou, se nem na própria casa ele sabia onde ficavam as coisas o que dirá num apartamento estranho. Depois do café pronto, comeram calmamente.

— O que é que você tem para mim?— ela perguntou com um sorriso enorme ao terminar de lavar a louça do café.

—Porque você está sorrindo desse jeito? Pode ser uma coisa ruim.— ele disse.

—Não acho que seja uma coisa ruim, não estamos na hora das coisas ruins.— ela disse caminhando para o lado onde ele estava no balcão.

—Existem horas para as coisas ruins?

—No nosso relacionamento sim, você não percebeu isso ainda?— ela perguntou parando entre as pernas dele.

—Não.

—Nós sempre nos desentendemos à noite, ou pela manhã. Mas entre o café da manhã e o jantar sempre estamos bem.— ela disse.

—Não acho que isso seja uma regra.— ele disse.

—Não é uma regra, é uma observação, mas talvez não faça sentido.

—Acho que nós dançamos conforme a música.— disse ele.

—Então a nossa relação deve ser um tango.— ela brincou.

—Tango é sensual.— ele deu de ombros.

—E um tanto trágico.

—Ainda assim carnal.— ele levou a mão à nuca dela trazendo-a para um beijo. —Acho que precisamos para de falar besteiras.

—Também acho— concordou —Onde está o meu presente?— perguntou.

—Quem disse que é um presente?— ele caminhou até a sua mala que ainda estava ao lado do sofá.

—Namorados que pisam na bola, se sentem culpados e dão presentes.— disse vitoriosa.

—Acho que não vou te dar mais nada. Que presunção toda é essa, Srta Potts?— perguntou irônico sentando-se ao sofá, escondendo uma caixa de veludo atrás de si.

—Eu só estava brincando, o que é que você tem aí?— ela questionou.

—Não vou dizer, você vai ter que me convencer a te entregar, ou tomar de mim.— ele disse com um sorriso mal-intencionado.

—Será um prazer.— ela sentou-se no colo dele, beijou-lhe os lábios, e depois seguiu para o pescoço, chegou à orelha e mordiscou o lóbulo —Me dá?— ela sussurrou no ouvido dele. Tony riu e fez que não com a cabeça. Pepper continuou a provocação, correndo os lábios pelo pescoço dele, chegando ao queixo e por fim aos lábios novamente. Ele relaxou o corpo e então, ela conseguiu pegar a caixa que ele escondia. —Peguei!— ela disse saindo do colo dele.

—Não precisava parar a brincadeira só por causa disso.— ele disse decepcionado.

—O que é isso?— ela perguntou segurando a pequena caixa, revestida de veludo preto, que era uma joia estava evidente, porém, era grande demais para ser um anel, e muito estreita para ser um colar. —É uma pulseira?

—Abre, Pep.— ele sorriu —Você já tem a caixa nas suas mãos.— ele disse e então ela abriu a pequena caixa.

—Isso é... lindo, Tony!— ela exclamou.

—É cafona.— ele disse.

—Não, não é. Eu nunca ganhei nada que significasse tanto.— Tony deu a ela uma pulseira em ouro branco, seus pingentes eram uma pimenta, o símbolo de I♥NY, e uma pequena réplica do capacete do Homem de Ferro —Me ajuda a colocar?— ela pediu sentando-se ao lado dele.

—Você gostou mesmo?— ele perguntou ao fechar a pulseira ao redor do pulso dela.

—Eu, você e Nova York.— ela sorriu com os olhos.

—Nova York sempre foi bacana com a gente.— ele disse.

—Eu amei, obrigada— ela segurou o rosto dele e o beijou. —Quando foi que você mandou fazer?

—Tem algum tempo, mas só ficou pronta semana passada. É para você usar sempre.— ele disse com voz doce.

—Por quê? Você colocou algum tipo de rastreador aqui?

—Claro que não Pep, que ideia.— ele disse, mas ele não ficou muito confiante com a resposta dele. —Por que isso de achar que eu estou rastreando você?— perguntou cismado.

—Pelo simples fato de ter sido esquecida por quase uma semana. Tony, você mantinha o Happy como uma sombra atrás de mim nos meus últimos dias em Malibu, e me deixou solta em Nova York. Eu não consigo acreditar nisso.— ela disse.

—Eu não abandonei você, eu só sabia que você não corria perigo longe de mim.

—Como você podia ter tanta certeza?

—Eu não tinha certeza.— ele disse —A gente pode mudar de assunto?

—Podemos.— ela respondeu descontente —Como andam as coisas na empresa?

—Outro assunto sem ser a empresa.— ele levantou-se do sofá passando as mãos sobre os cabelos.

Ela balançou a cabeça em negativa —O que foi que aconteceu na empresa?

—Nada, é que eu demiti o seu assistente.— ele respondeu.

—Eu sabia que você o demitiria assim que eu me ausentasse. Quando foi que você o mandou embora?

—Ontem.

—Até que demorou.

—Demorou por que...

—Por quê?— ela arqueou uma sobrancelha.

—Só ontem eu fui até a empresa.— ele disse finalmente.

—Tony!— ela levantou-se também —Você deixou a empresa a Deus dará por uma semana? Aquilo deve estar uma bagunça.

—Não está, eu me certifiquei disso passei um bom tempo lá ontem.— ele respondeu sentando-se.

—Você resolveu fazer tudo ontem, ir à empresa, veio me visitar. Algo deve ter acontecido.

—Decidi ir à empresa porque eu não conseguia mais ficar em casa sem descobrir nada, quando eu não estava em missão ficava socado na oficina, eu estava quase enlouquecendo...

—E o que deu em você para aparecer aqui?— ela sentou-se ao lado dele outra vez.

—Saudade.— ele respondeu.

—Você só sentiu saudade de mim ontem?!— ela deu-lhe um tapa na coxa.

—Ai, Pep.— ele resmungou —Eu senti saudade de você todos os dias...

—Então porque você só veio ontem?— mostrou-se impaciente.

—Porque eu precisava estar com você, por que todo mundo acha que me conhece, mas é somente para você que eu me mostro— Pepper fez que iria perguntar algo, mas ele continuou —Eu fui a um evento ontem e encontrei aquela jornalista que você não gosta —Pepper revirou os olhos. —Ela me viu sozinho e veio até mim para dizer que, não importava o que as pessoas pensavam sobre nós, ela me conhecia e sabia que não demoraria para que eu ficasse sozinho novamente.

—Não foi você que me disse uma vez para que eu não me importasse com o que os outros dizem?— ela perguntou —Espera, o que andam falando sobre nós?

—Ela disse que as pessoas ficaram tão surpresas com a duração da nossa relação que estavam cogitando que você seria a futura Sra Stark.— ele disse sem graça.

—Que...— desconcertada ela buscava a palavra —Que absurdo isso.— ela disse.

—Absurdo?— ele pareceu ofendido.

—Não sei, Tony, eu nunca pensei nisso.— ele respondeu confusa.

—Nunca, mesmo?

—Não, claro que não. Já, acho que já, não sei, Tony.— ela ficou visivelmente mexida.

—Calma, Pep, eu já entendi.— ele colocou uma perna sobre o sofá, trazendo par junto de seu corpo, ela ficou de costas para ele entre as suas pernas. —Acho que não é o momento para falarmos sobre isso, não é?

—Tenho certeza que não.— ela respondeu.

—Você vai querer sair para algum lugar hoje?— ele perguntou.

—Humm— ela murmurou envolvendo os braços dele ao seu redor —Acho que só quero ficar assim com você.— ela respondeu.

—O dia inteiro?— ele perguntou depositando o queixo no ombro dela.

—A vida inteira.— ela respondeu.

—A vida inteira sentado nesse sofá, com você nos meus braços. Não acho uma má ideia.— ele beijou os cabelos dela.

—Sabia que você iria gostar.— ela o olhou sobre o ombro.

—Só acho que a gente podia ir para a cama de vez em quando.— ele sorriu contra o cabelo dela.

—Você é um pervertido.

—Eu estava pensando na hora de dormir, Pepper.

—Dormir, sei.

—Mas podemos dormir no sofá mesmo, é só mudar de posição.— ele riu.

—Tony!— ela o repreendeu.

—Como foram os seus dias aqui sozinha?— ele mostrou interesse, até esse momento só ele havia falado.

—Trabalho, reuniões, e esperar por você me ligar. Nada interessante. Dias tristes, já que o clima não tem ajudado muito e sozinha como você já disse.

—Por falar em esperar, eu posso te pedir uma coisa?

—Claro.— ela respondeu.

—Mas eu preciso olhar para você.— ele disse e ela mudou de posição ficando de frente para ele.

—Você disse que esperou que eu notasse você...

—Eu não quis dizer isso.— ela baixou o olhar.

—Eu sei que você quis sim dizer isso.— ele levou a mão ao queixo dela, fazendo com que ela levantasse a cabeça para olhá-lo novamente —Nuca mais diga que eu não via você, eu sempre notei você, desde a primeira vez. E com o tempo eu passei a prestar tanta atenção, que você se tornou importante demais para que eu estragasse tudo dormindo com você e te mandando embora no dia seguinte.— ele disse.

Os olhos de Pepper tinham um brilho molhado, o que o fez presumir que lágrimas começavam a brotar. E antes que isso acontecesse, ele a beijou. Um beijo profundo, devorador, cheio de sentimento. Ela o ama, ama a paixão dele, ama o fato dele gostar dela, e é mútuo, tão inesperado, tão gratificante.

—Eu é que tive que esperar. Eu precisava amadurecer para conseguir me comprometer sem te magoar. Eu precisava crescer para merecer você.— ele continuou. —E, mesmo quando eu acho que faço a coisa certa estou fazendo tudo errado. Eu prometo que, quando eu for embora, eu vou ligar todos os dias.

—Não prometa...

—Eu prometo, e dessa vez eu vou cumprir, mesmo que seja para dizer todos os dias que eu não consegui nada, que eu sou um inútil e que talvez o Hammer seja mais inteligente que eu.— disse cabisbaixo.

—O Hammer não é mais inteligente que você, nem de longe.— ela falou.

—Talvez ele seja.— disse desanimado.

Ao vê-lo tão descrente, Pepper percebeu que a insegurança não era uma exclusividade dela, sentiu-se culpada por não reparar antes que ele precisava dela tanto quanto ela dele. Sentada no sofá, ela afastou-se um pouco dele, no início ele não entendeu, e então ela carinhosamente pediu que ele deitasse a cabeça em seu colo. Passou a afagar os grossos cabelos castanhos dele.

—Isso é bom.— ele sorriu fraco.

—Não, é?— ela sorriu sem interromper o carinho —Tony, você já pensou que não precisa fazer isso sozinho?— ela perguntou.

—Como assim?

—O Rhodes pode ajudar você a descobrir algo, afinal, ele tem livre acesso às Indústrias Hammer.

—Eu sinceramente não havia pensado nisso. O que seria de mim sem você para iluminar as minhas ideias, hein?

—Você viveria no escuro.— ela brincou. —Por falar em luz, eu tenho que te mostrar os esboços que eu fiz da Torre Stark.— ela se mostrou animada.

—Você desenhou um prédio?— perguntou desconfiado.

—Sim, mas não sozinha, a minha amiga Sarah, lembra dela do dia da exposição?

—A esposa do fotógrafo?

—Isso, ela é arquiteta, embora não exerça a profissão, ela tem me ajudado, eu mostrei os rascunhos para o pessoal da construtora e fui bastante elogiada.— disse confiante.

—Você é multi-tarefas.— ele afirmou.

—Devo ser.

—Esse prédio não corre o risco de cair na nossa cabeça depois que estiver pronto, não é?— ele ironizou.

—Eu dei palpites na fachada do prédio, e não na estrutura, seu bobo. Você quer ver ou não?

—Não, mas eu confio no seu bom gosto.— ele respondeu.

—A sala de estar terá vista panorâmica, do sofá nós veremos o Empire State Building.

—Estaremos mais alto do que o Empire State?— ele quis saber.

—Não, por que não quero ser alvo de ataques terroristas.— ela brincou. —Amanhã você vai comigo até lá, tudo bem? Tem um prédio antigo no lugar, mas já dá para imaginar como será.— disse animada.

—Você está bastante animada com esse projeto, hein?

—Estou agora, que você está aqui.

—Por que só agora?

—Por que só agora eu me dei conta de que eu morarei lá com você.— ela respondeu.

—Pep, posso te perguntar uma coisa?

—Duas coisas. Pergunte.

—Nem sempre eu fui uma pessoa digamos, admirável, meu comportamento sempre foi ambíguo. O que foi que você viu em mim? Por que você nunca desistiu de mim?— a pergunta dele a fez suspirar profundamente.

—Já conheceu alguém e não teve ideia de quão especial essa pessoa era? Mas com o tempo você percebe isso? Eu vi que, por baixo daquela arrogância toda, tinha outra pessoa. Eu passava cinco minutos com você e ficava exausta, no início, por ter que me esquivar das suas investidas, depois por perceber o quanto você é inteligente, rápido, tem que prestar atenção em você para te acompanhar e, nessa de prestar atenção, eu vi você, porque ninguém consegue manter a pose por tanto tempo. E era quando você descia do pedestal de ser o ‘Grande Tony Stark, Gênio e Pegador’, que eu via o meu Tony. E o meu Tony é esse aqui deitado no meu colo, eu sabia que um dia você se daria conta disso.

—Acho que você é a única pessoa que me conhece, a única pessoa que me vê, você me conhece melhor do que eu mesmo.— ele disse e se levantou do colo de Pepper, ficando ainda sentado de frente para ela. —Durante todos esses anos eu sabia que havia algo em você que eu precisava, mas agora eu sei que, não é algo em você é, simplesmente você.— ele acariciou o rosto dela.

Tony beijou Pepper, que claro, correspondeu ao desejo dele, entregando-se. O beijo era doce, suave, e tornou-se voraz. Eles eram apenas sensação, ele a reivindicava e se entregava a ela na mesma intensidade. Não pensavam em mais nada estavam envolvidos num momento mágico, poderoso e inebriante.

(...)



Mansão Hammer

Hammer estava sentado à mesa degustando uma taça de sorvete, tinha um guardanapo de linho protegendo o terno caríssimo para que nenhuma gota de sorvete caísse sobre o fino tecido da camisa branca ou da gravata italiana.

—Você chegou na hora da minha sobremesa, garoto.— ele disse para Blake.

—Sobremesa, mas você me chamou até aqui para almoçarmos, não foi?— Blake olhou no relógio em seu pulso e constatou que eram 14:30h ele não havia se atrasado.

—Eu gosto de comer a sobremesa antes do almoço.— ele respondeu.

—Isso tem cara de trauma, aposto que sua mãe só deixava você tocar na sobremesa depois de comer toda a comida.— alfinetou Blake.

—Sim, a minha mãe era rígida, mas pelo menos não era uma... deixa pra lá.

—É bom deixarmos as mães de fora disso mesmo.— disse Blake.

—Como andam as coisas nas Indústrias Stark?— perguntou Hammer.

—A Srta Potts se ausentou da empresa, ninguém sabe do paradeiro dela.— respondeu Blake.

—Será que ela estava com Anthony quando ele bateu o carro a caminho de casa?— Hammer se questionou em voz alta.

—Quando foi isso?

—Há umas duas semanas ou menos.

—Ela estava, eu acho, ele estava indo buscá-la todos os dias.— Blake mostrou-se ansioso. —Você o fez sofrer um acidente enquanto ela estava junto?! Você disse que não a machucaria.— Blake deu com a palma da mão sobre a mesa, fazendo os talheres saltarem.

—Calma, Jr.— zombou Hammer —Eu disse que não pretendia machucá-la, se ela estava no lugar errado, na hora errada eu não posso fazer nada. Foi só uma batidinha no carro, só um susto, não foi um acidente.— riu com escárnio. —Quando ela voltar para a empresa, você vai ter que descobrir por onde ela andava, e porque Tony Stark está indo aos eventos desacompanhado. Tente saber se eles ainda estão juntos.

—Eu não estarei na empresa quando ela voltar, o Stark me demitiu ontem.— disse Blake.

—Do que você me serve agora que foi demitido, Jr? Por que foi que ele demitiu você?— Hammer mostrou-se curioso.

—Tenho certeza que ele não gostou da minha proximidade com ela.

—Se foi por ciúmes, acho que devo te dar outra chance de mostrar eficiência. Estou te contratando como meu assistente pessoal.— disse Hammer.

—Eu não preciso que você me ofereça emprego...

—Você por acaso é rico, Esteves?

—Não.— Blake respondeu.

—Então você precisa de um trabalho, eu também não preciso de um assistente, porém, estou te oferecendo o cargo. Vai aceitar ou não? Se não aceitar o nosso acordo acaba aqui.— Hammer fez questão de deixar claro quem mandava na situação.

—Aceito, apenas porque você ainda não me deu nenhuma informação relevante sobre meu pai.— disse Blake.

—Bom garoto.— ironizou —Vou fazer vocês três se encontrarem, você terá que convencer o Stark de que era ela quem sempre flertava com você.

—Como você vai fazer isso?— Blake questionou.

—Eu darei o meu jeito.— Hammer disse e então começou a bater sobre a campainha de barulho estridente que estava sobre a mesa, um mordomo adentrou a sala —Pode trazer o almoço.— ele ordenou ao homem.

Notas finais
Eu falei semana passada que faltavam uns cinco ou seis capítulos, mas pela quantidade de tópicos que eu tenho anotado nos arquivos devem render uns 8. Garanto que, em menos de dez capítulos isso aqui acaba, ok?Mas quem é que tá contando?Até maisBeijos;)